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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 Brasil Open | 12:09

Do diabo? Nao!

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Thomaz Bellucci chegou a sacar para o jogo ontem contra o eslovaco Klizan. Até que sacou bem, nesse game que é sempre o mais difícil emocionalmente para o tenista que tem a vantagem, um dos paradoxos do tênis, o que fala barbaridades sobre o emocional do ser humano e nossa dificuldade em abrir mao daquilo que já conquistamos. Aumentando o paradoxo, o que está a beira do precipício pode jogar com um desprendimento assustador, em especial para o que está do outro lado da rede, na situaçao inversa. Tenista gosta de dizer que é o jogo do diabo, na verdade é um jogo desenhado para mexer com algumas profundas emoçoes do ser humano.

Thomaz sacou bem, especialmente quando teve os break points abaixo, o que confirma, mais uma vez, o proposto acima, mas nao sacou taaaaoo bem quando teve o match point para vencer. Pelo menos nesse game nao podemos crucifica-lo e sim devemos elogiar o adversário pelo o que conseguiu apresentar e hora tao bicuda. Alias, o Klizan é um belíssimo tenista do escalao intermediário, e meteu umas bolas fantásticas quando mais precisou. Fez por vencer o game do 5×3 e continuar vivo? Sim. O Thomaz jogou bem esse game? Sim, mas nao o bastante para empacotar o jogo, que é o que separa os cachorroes do resto.

O que Thomaz nao fez bem, e onde tem suas maiores dificuldades, foi em lidar com a frustraçao subseqüente, para permanecer na partida e vence-la, de um jeito ou de outro, esquecendo a oportunidade perdida – isso sim uma obrigaçao. Infelizmente perdeu os quatro games finais seguidos, em uma partida que se mostrara, até entao, extremamente equilibrada. E quando todo o publico torcedor presente esperava um tie break onde pudesse fazer uma diferença, motivando o tenista brasileiro que tanto soube mexer com as arquibancadas em sua ultima visita ao Ibirapuera – na vitória sobre a Espanha na Copa Davis – Thomaz nao conseguiu encontrar dentro de si a força para fazer frente à confiança adquirida pelo adversário por conta do fatídico game.

Pode nao ser o jogo do diabo, mas é preciso equilíbrio, confiança, determinação e tranquilidade para vencer uma partida tao equilibrada.

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