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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 Aberto da Austrália | 18:29

Doeu?

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Recebi uma provocação do Andre Sá via twitter. O rapaz quer saber o que acho sobre as “milongadas” do sérvio Djokovic na final. Nao escrevi ainda sobre a final e aproveito o cutucao para me mexer.

Vou escrever sobre as milongas sérvias, mas deixou claro que nao acredito que seja por isso que o servio venceu. Quando muito foi por isso que o MalaMurray perdeu; mas aí sao outros quinhentos.

Os dois primeiros sets fizeram promessas que o jogo nao pode cumprir. Até porque entraríamos em uma possível final de sete horas, algo sem precedentes. Os dois tenistas jogaram o fino do tênis, em nível de competitividade, atleticismo e técnica raramente visto. Digno de uma final e de nossas expectativas. Pensei em dar um pulo na piscina após o TB para dar aquele “bom dia”, mas conheço o meu gado. Esperei os primeiros games do 3o set para ver para onde a coisa iria.

Nenhuma surpresa Djoko perder um pouco a concentraçao por instantes, após deixar escapar um 2o set disputadíssimo onde teve suas chances, e junto perder o seu serviço. O estranho foi o que aconteceu em seguida. Todo mundo, menos aquela fanática torcedora do Djoko, sabe que o rapaz adooora dar umas milongadas. Muito antes de nós sabe o Murray, que o conhece desde os 12 anos. Por isso a surpresa do escocês cair no velho truque “ops, senti alguma coisa e quase caí no chão como um aleijado, mas daqui a dois games vou sair correndo, dar porrada para todos os lados e te pegar desprevinido para virar o jogo”. O pior é que ele faz essa encenaçao tao mal que chega a ser ridículo hilário. Só continua por que alguns ainda caem.

De verdade o Murray se distraiu com as macaquices do rapaz, segundo declarou, mais de uma vez, na entrevista após ser perguntado de várias maneiras pela imprensa. Sempre sem ser agressivo ou incriminatório. Nao que ele achasse que o cara estava contundido ou morrendo. Simplesmente deve ter pensado; esse cara vai tentar novamente essa baixaria? É, o cara tentou, você piscou, se distraiu, perdeu a vantagem, se enfureceu em ser tao patinho e nao conseguiu voltar ao mesmo nível de concentração. Adios título em Melbourne.

A imprensa pegou no pé do rapaz que, como sempre, se fez de morto e surpreso: quem eu?? Passei mal, essas coisas acontecem etc.

Convenhamos. A atitude é tao pueril – esse truque se faz no infantil ou na 4a classe e aquele pessoal já nao está mais caindo. Atrapalha? Sim, mas também nao é nada assimmmm. Até Kuerten pedia atendimentos a fisioterapeutas em momentos cruciais de Roland Garros ( e nao me refiro após ele ter tido a contusao que, com certeza, doia muito), mas sem apelar para “mancadas” e cara de quase desmaio. As baixarias que McEnroe, Connors e outros eram bem piores e cafajestes. Insisto, o Murray perdeu o jogo porque se enfureceu por ter caído como patinho, perdido a concentraçao e a vantagem de 2×0 no início do 3o set.

A partir daquele momento Djoko nao “sentiu” mais nada, e nem precisou. O outro se auto flagelou até o fim da partida como se tivesse 12 anos e ele jogou como o melhor do mundo. Isso nao quer dizer que Djoko nao chamasse o fisioterapeuta se a coisa nao funcionasse logo de cara e entao fizesse cara de quem iriam morrer em dois minutos enquanto ficasse deitado na quadra. Ou pedido para ir ao vestiário “se alongar”, ou retocar a maquiagem como as garotas cansam de fazer.

É isso aí Andre. Ja ví, já vimos, isso antes, por parte do Djoko e de outros, e outras, também. Nao é, nem de perto, das piores coisas que alguém pode aprontar em quadra. É idiota e assim deveria ser tratado. Ignora e aproveita para fazer mais uns games em cima do cara, ou pergunta, bem alto e com um sorriso cínico no rosto, se o cara vai morrer agora ou mais tarde. O resto é uma bobagem que um verdadeiro campeao nao se permitiria cair em uma final de GS, e, quiçá, segundo o padrao ético da pessoa, algo que um campeao também nao recorreria para vencer.

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