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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:49

Noites australianas

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Estou cansado. Porém, ao contrário de quando ficava cansado e doente por varar a noite durante a cobertura tenística do Aberto da Austrália, o meu cansaço é de jogar tênis, mais saudável e gostoso. Durmo fácil, sem contar carneirinhos ou bolinhas. Se antes pegava uma demoníaca gripe por ficar horas trancado em um insípido cubículo com o ar condicionado no máximo, seguindo as diretrizes da engenharia da tv, hoje o cansaço é de correr atrás das bolinhas ao ar livre e ter a oportunidade de competir com meus amigos. Em qualquer idade isso vale ouro; nao minha nao tem preço. Tenho a certeza que esta opçao traz mais qualidade, além de mais anos, à minha vida. Foi divertido enquanto durou, como tudo que se faz na vida com entrega, paixao e qualidade.

Sendo assim, a opção de varar a noite assistindo jogos está descartada. Resta o que dá para acompanhar no começo da noite e de manha cedo, o que está de ótimo tamanho. Até pouco tempo atrás nao tinhamos opçao alguma, sendo assim está de ótimo tamanho. Sei que para muitos ir pessoalmente a um Grand Slam é objeto de desejo, e algo que deve ser realizado por qualquer fa do tênis, mas acompanhar os jogos pela tv é um privilégio que nao pode ser minimizado. Isso vale para tanto para assistir um jogo como o do Federer com o Bolelli, dois excelentes representantes do tênis clássico e agradável de assistir, como ver o Nadal, mais uma vez, ganhar um jogo na marra, ao bater o americano Smiczek, um tenista que soube elevar seu padrao para a ocasião, mas que, infelizmente para ele, nao soube cacifar na hora da onça beber água.

Tem seus micos pelo caminho. Assistir à engessada Sharapova, por exemplo, só se sua adversária for muito gracinha. Assisti a uns poucos games contra a Panova, que tem um belo par de pernas e tênis a bastante para engrossar com a Shara. Mas falta aquele mojo emocional, que é o diferencial da grandona. O mesmo vale para a Serena. Muita gente, como fez a Zvonareva, engrossa com ela – mas ganhar sao outros quinhentos. O campeao tem algo no seu interior que os mortais só conhecem á distância e com uma rede no meio do caminho.

Fico pensando como é a cabeça do Hewitt – e se ele vai, finalmente, abandonar a carreira. O cara faz 34 anos o mês que vem, e virou, pelo menos para seu padrao, saco de pancadas de muitos migués. Afinal foi #1 do mundo. Hoje perdeu para o Benjamin Becker, um cara de golpes sólidos mas cabeça nem tanto – nunca havia vencido uma partida no 5o set. O que me leva a pensar o quanto o tênis mudou na história recente e como alguns tenistas conseguiram deitar e rolar com o hiato histórico que surgiu entre o final dos anos 90 e o meio da primeira década deste século.

Hewitt foi, talvez, o que melhor conseguiu aproveitar essa brecha. Ferreiro foi outro. Tivemos outros e, de certa maneira, até mesmo Kuerten, que, de certa maneira, foi um dos causadores da mudança que deu no que deu. Se o australiano tivesse surgido nem 10 depois do que surgiu nao teria tido o mesmo sucesso, que de fato durou de 2000 a 2004. Depois disso foi um excelente jogador, mas nao mais um que vencesse, nem chegasse perto, um Slam. Seu tênis ficou defasado.

Nao assisti, mas deve ter sido deveras interessante a partida entre Monfils e Janowicz, dois dos mais doidos do circuito. Pelas declaraçoes de Monfa, a culpa da sua derrota foi, mais uma vez, o seu excesso de defesa e passividade na hora de ganhar jogo. Passa ano, entra ano e o mano insiste em empurrar a bolinha e correr como uma gazela ao invés de impor seu volume de jogo. O cara esta entre os três mais atléticos do circuito e tem um tênis bem sólido. Mas, sei lá o por que, prefere viver naquela mesma dimensao do multi-polar Murray, que também adora empurrar bolinha e correr como se nao tivesse amanha. O que dá um brilho diferenciado ao tweet que Monfils publicou nos primeiros dias do ano. La nuit me aide à méditer, c´est dans ces moments que je me dis que je vais changer…

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