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Arquivo de janeiro, 2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 Sem categoria | 12:43

Surpresa?

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Surpresa? Nao! Berdich, neste torneio, jogou como nunca e, na hora da onça beber água, perdeu como sempre. Chegou à semifinal sem perder um set. Arrancou o 1o set de Andy Murray na marra. No início do 20 set, quando deveria pisar no acelerador, afinal valia vaga na final de um GS, jogou como uma menininha. Levar um 6/0, após brigar mais de uma hora para vencer o set anterior, em uma semi de GS, é coisa de juvenil.

No terceiro lembrou que o jogo era de campeonato, mas a viagem continuou e o passeio de Murray também. Aí o cara acorda para a realidade no 4o set  e quer virar o jogo. Acha que do outro lado da rede está o ·90 do mundo? Murray entrou com a faca nos dentes e assim ficou até o fim – sem perdao.

O banho final da realidade berdichiana foi na 4×4 do 4o set. Mostrou mais uma vez que treme nos graaandes momentos. Jogou muito mal, dupla falta à la sharapova no 15×30 e uma esquerda medrosa no 15×40. Ciao.

Murray nao se fez de rogado. Cravou o prego no caixao como manda o figurino. Nao deu uma frestinha no game. O Berdich que vá sonhar com aquela escancarada no 2o set pelos próximos meses.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália | 14:04

O ex.

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Bem, graças à SKY, hoje podemos gravar programas e assistir quando quisermos – e sem comerciais!. Por isso devo assistir algo da partida pelas semis entre Berdich e Murray. Um confronto que promete. À parte da rivalidade, no bom sentido, entre ambos, e a disputa direta pelo ranking – Murray é #6 e Berdich #7 – os dois atualmente tem um crucial detalhe a mais a considerar. Pelo menos assim pensa o resto do mundo.

No ano passado, quando Murray anunciou a contrataçao de Amelie Mauresmo como técnica – e só podia ser ele, que adora ter a mae nas arquibancadas, a faze-lo (quanto será que a mae teve a ver com a decisao??) o seu circulo íntimo nao gostou nada. E chiaram. Em um primeiro momento Andy conseguiu contornar a situaçao. Mas nao durou.

Primeiro foi-se o preparador físico – aquele careca que sempre estava por perto – e em Novembro, após uma longa conversa, foi-se Daniel Valverdu, ex colega de treino na Espanha e que ficou cinco anos a seu lado como hitting partner (o cara que o aquece, treina com o tenista, come com o tenista e só, espero, nao dorme com o tenista – as mulheres top só treinam com eles, e nunca entre elas). O venezuelano se dava super bem com Ivan Lendl, com quem foi esperto o bastante para aprender. Mas o relacionamento com Mauresmo nao vingou e os dois acharam melhor a separaçao.

Meados de Dezembro Berdich descartou seu antigo técnico e o preparador físico. Contratou um preparador croata e Valverdu. Com a mudança radical, e na temporada que completará 30 anos, já devia estar pensando em dar um upgrade na carreira. Também chacoalhou a árvore.

Um detalhe – e isso já é lógica minha e nao um fato que eu tenha lido ou ouvido.

Nao é grande segredo que Berdich esticava um olho na direçao de Lendl, seu conterrâneo, desde de que este abandonou o barco de Murray. Deve ter insistido quando decidiu fazer e reviravolta na carreira. Lendl nao quer saber de viajar mais. É bem possível que Berdich tenha ouvido de Lendl que Dani Valverdu era o cara. Vale lembrar que o técnico declarou, mais de uma vez, a importância de Daniel no seu trabalho e na carreira de Murray e que tinha gostado muito de trabalhar com ele, Dani. Berdich comprou a idéia.

A vitória de Berdich sobre Nadal, que teve lá seus petelecos táticos, mostra o dedo de Valverdu. Na sua ultima entrevista no AO, Murray teve que responder a várias perguntas sobre o assunto. Se esquivou, dizendo que enfrentaria Berdich e nao o ex-técnico. Nao foi nem um pouco indelicado com o rapaz.

Mas deixou seu cutucao: disse que se Daniel sabe bastante de seu jogo, ele sabe o que Dani pensa do jogo de Berdich; “porque ele me disse”. Ouch

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Rafael Nadal | 18:16

Mudou?

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Assistir jogo no meio da madrugada ninguém merece. O Maraucci me diz que chegou às 5h da manha na ESPN para render seja lá quem for e que o jogo entre Nadal e Berdich já era. Naquela hora eu estava tendo todos os tipos de sonhos maravilhosos que um homem pode desejar – e posso garantir que Nadal e Berdich nao fazem parte de nenhum deles. Quando muito alguma bobagem com a Ester Satorova, atrás de seus óculos escuros e fazendo carinha de desamparada.

Entao? Bem, entao o Berdich ganhou do Nadal, algo que nao estava no radar de ninguém, a nao ser de um dos dois. Sim, porque de bobeira tamanha freguesia nao iria para o ralo. Eram 17 derrotas seguidas. Isso é um massacre para a auto estima de qualquer um. E uma injeçao de confiatrix para quem está na outra ponta.

Ou o Rafa entrou duvidando ou o Berdich estava viajando. Como milagres nao existem, é mais fácil acreditar que Nadal piscou e o outro aproveitou. O que nao seria de surpreender pelo tempo que o espanhol ficou longe das quadras.

O jeito que vou acreditar que o Berdich mudou – uma das alternativas acima – é se ele ir lá e ganhar o seu primeiro Grand Slam, algo que ele já deveria ter feito antes. Porque volume de jogo ele tem, mas sempre lhe faltou o que lhe faltava para bater Nadal (tem nome pra isso?). Aí sim eu vou começar a acreditar em papai noel. Mas, por enquanto, me contento se ele bater o MalaMalucoMurray. Esse confronto promete, pois um dos dois terá que vencer. Curiosidade: o checo lidera 6×4, inclusive as duas ultimas, em 2013. A Esterzinha pode ganhar horas extras nas tvs do mundo.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer | 14:40

Desculpas

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Apesar de tantos anos corridos, ainda me surpreendo com as entrevistas pós jogos de alguns tenistas, em especial os cachorroes. Para eles sempre há uma desculpa para a derrota a se tirar do bolso. Eles adoram se colocar na posiçao que sao invencíveis, os absolutos melhores. De fato sao melhores, como títulos e ranking mostram. Só que têm uma terrível dificuldade em admitir que simplesmente alguém os bateu porque jogou melhor naquele dia – uma marcante característica do esporte. Se nao, qual a graça? Os outros sao palhaços para eles socarem a cada rodada até que possam no fim do torneio decidirem quem é o King of the Black Coconut Candy?

Nao sou totalmente a favor da obrigaçao dos tenistas em dar entrevistas pós jogos – em especial o derrotado. O que os caras vao falar? Na verdade poderiam falar muito e ótimas coisas – mas forget margarete. Ninguém vai alí para lavar a alma ou esclarecer o jogo de tênis. Poucos, bem poucos o fazem.

Entendo que o esporte é profissional e a mídia quer ter acesso às notícias pessoais dos atletas. Mas o fato é que os atletas aprendem, desde cedo, a se esquivar dessas. Como a maioria nao tem nem a personalidade, o traquejo, a tranquilidade ou simplesmente os neurônios para responderem perguntas mias densas de jornalistas bem intencionados, assim como as dos malacos, respondem com absolutos absurdos. Assim, os jornalistas também entregam para Deus e só oferecem papinha na boquinha. O fato é que raramente sai algo de bom daquelas conversas e para os tenistas virou uma ocasiao para dar desculpas ou falar obviedades. Saudades do Ivanisevic em um mau dia ou de um Agassi em um bom dia.

Se Nadal já dá mil e uma desculpas quando quase perde, Federer nao se faz de rogado quando de fato perde. Na sua entrevista, após tomar um vareio do italiano Seppi, que no ano passado jogou muito tênis por alguns meses, mostrando que vem se tornando um tenista perigoso, já que fora do radar e dono de golpes sólidos. Aliás, uma curiosidade sobre o italiano. Quando juvenil sua esquerda era péssima. Desde entao carrega uma foto do russo Kafelnikov batendo o revés para lhe servir de inspiração – aliás, uma ótima inspiração.

Federer conta como tem dias que já no aquecimento descobre se está no ritmo ou nao, algo bem normal entre tenistas. Tem dia que você sabe logo cedo se vai entrar tudo. Tem dia que você sente que vai ser um inferno. C´ést la vie. Ele afirma que nao dá muita importância a isso e já descobriu que muitas vezes acontece exatamente o inverso do esperado; o que também acontece com os outros. Até aí Cabral descobriu o Brasil.

Nao me entendam mal. O que quero dizer é que isso, e muito mais, acontece com eles e os outros. Todos tem problemas, maus dias, dificuldades, contusões e dores, estresses, noites mau dormidas, incertezas e crises de confiança no jogo como todo ou em meros e cruciais detalhes etc. O irritante é a velha ladainha dos cachorroes; “eu tive um mal dia e por isso perdi” (Se nao, óbvio, eu teria ganho). O máximo que Federer conseguiu dar de crédito a Seppi foi, ao insistir que nao conseguiu jogar hoje o seu melhor tênis, parcialmente foi por conta do italiano. Bem, entao ficamos sabendo que ele, como todos os mortais, tem dias ruins. Mas, e isso é fato, consegue mesmo nesses dias vencer suas partidas, até porque os outros também tem suas questoes. A nao ser que o adversário tenha um bom dia e aí ele, parcialmente, leva o crédito pela a vitória. Sei.

Na verdade eu poderia ouvir toda análise que ele se dispõe a oferecer, mas ficaria mais elegante e condizente com o esporte, além de mais sincera e verdadeira, se com a análise viesse a aquiescência de que o outro simplesmente jogou melhor e venceu. No que me diz respeito, só por isso continuo a assistir o Tênis – estou há muitos anos de distância de assistir a um jogo só para ver alguém para quem torço ganhar. A nao ser que seja alguém da família ou amigo. Se nao, sou espectador, exigente e cético quanto a qualquer competidor que tenha sempre uma desculpa na ponta da língua para derrotas.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Aberto da Austrália, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 14:49

Noites australianas

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Estou cansado. Porém, ao contrário de quando ficava cansado e doente por varar a noite durante a cobertura tenística do Aberto da Austrália, o meu cansaço é de jogar tênis, mais saudável e gostoso. Durmo fácil, sem contar carneirinhos ou bolinhas. Se antes pegava uma demoníaca gripe por ficar horas trancado em um insípido cubículo com o ar condicionado no máximo, seguindo as diretrizes da engenharia da tv, hoje o cansaço é de correr atrás das bolinhas ao ar livre e ter a oportunidade de competir com meus amigos. Em qualquer idade isso vale ouro; nao minha nao tem preço. Tenho a certeza que esta opçao traz mais qualidade, além de mais anos, à minha vida. Foi divertido enquanto durou, como tudo que se faz na vida com entrega, paixao e qualidade.

Sendo assim, a opção de varar a noite assistindo jogos está descartada. Resta o que dá para acompanhar no começo da noite e de manha cedo, o que está de ótimo tamanho. Até pouco tempo atrás nao tinhamos opçao alguma, sendo assim está de ótimo tamanho. Sei que para muitos ir pessoalmente a um Grand Slam é objeto de desejo, e algo que deve ser realizado por qualquer fa do tênis, mas acompanhar os jogos pela tv é um privilégio que nao pode ser minimizado. Isso vale para tanto para assistir um jogo como o do Federer com o Bolelli, dois excelentes representantes do tênis clássico e agradável de assistir, como ver o Nadal, mais uma vez, ganhar um jogo na marra, ao bater o americano Smiczek, um tenista que soube elevar seu padrao para a ocasião, mas que, infelizmente para ele, nao soube cacifar na hora da onça beber água.

Tem seus micos pelo caminho. Assistir à engessada Sharapova, por exemplo, só se sua adversária for muito gracinha. Assisti a uns poucos games contra a Panova, que tem um belo par de pernas e tênis a bastante para engrossar com a Shara. Mas falta aquele mojo emocional, que é o diferencial da grandona. O mesmo vale para a Serena. Muita gente, como fez a Zvonareva, engrossa com ela – mas ganhar sao outros quinhentos. O campeao tem algo no seu interior que os mortais só conhecem á distância e com uma rede no meio do caminho.

Fico pensando como é a cabeça do Hewitt – e se ele vai, finalmente, abandonar a carreira. O cara faz 34 anos o mês que vem, e virou, pelo menos para seu padrao, saco de pancadas de muitos migués. Afinal foi #1 do mundo. Hoje perdeu para o Benjamin Becker, um cara de golpes sólidos mas cabeça nem tanto – nunca havia vencido uma partida no 5o set. O que me leva a pensar o quanto o tênis mudou na história recente e como alguns tenistas conseguiram deitar e rolar com o hiato histórico que surgiu entre o final dos anos 90 e o meio da primeira década deste século.

Hewitt foi, talvez, o que melhor conseguiu aproveitar essa brecha. Ferreiro foi outro. Tivemos outros e, de certa maneira, até mesmo Kuerten, que, de certa maneira, foi um dos causadores da mudança que deu no que deu. Se o australiano tivesse surgido nem 10 depois do que surgiu nao teria tido o mesmo sucesso, que de fato durou de 2000 a 2004. Depois disso foi um excelente jogador, mas nao mais um que vencesse, nem chegasse perto, um Slam. Seu tênis ficou defasado.

Nao assisti, mas deve ter sido deveras interessante a partida entre Monfils e Janowicz, dois dos mais doidos do circuito. Pelas declaraçoes de Monfa, a culpa da sua derrota foi, mais uma vez, o seu excesso de defesa e passividade na hora de ganhar jogo. Passa ano, entra ano e o mano insiste em empurrar a bolinha e correr como uma gazela ao invés de impor seu volume de jogo. O cara esta entre os três mais atléticos do circuito e tem um tênis bem sólido. Mas, sei lá o por que, prefere viver naquela mesma dimensao do multi-polar Murray, que também adora empurrar bolinha e correr como se nao tivesse amanha. O que dá um brilho diferenciado ao tweet que Monfils publicou nos primeiros dias do ano. La nuit me aide à méditer, c´est dans ces moments que je me dis que je vais changer…

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