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sexta-feira, 14 de novembro de 2014 Masters, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Masculino | 12:35

Fio da navalha

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Até o 6/0 3/0 assisti o jogo entre o Boniton e o BIpolar com a devida distância que um joguinho sem vergonha determina. Afinal, o interessante de uma partida de tênis é a competiçao, o mano a mano, a luta de indivíduo em se sobrepor ao seu oponente. Se é para assistir um treininho inócuo entre dois cachorroes, prefiro acompanhar um pega para capar entre dois pangoes.

Por conta da semi palhaçada que o MalaMurray apresentava para seu público concentrei em minhas trivialidades no computador; o e-mail pedindo uma grana para atender os ionomanis estava mais interessante – será que em um eventual confronto com as forças bolivarianas da Venezuela eles seriam nossa primeira fronteira ou nao passariam de uma Linha Maginot, ou pior, tentariam formar um estado independente e fazer uma parceria com o Eike para a exploraçao de petróleo na Amazonia? Se isso é o que passava por minha cabeça, imaginem o quanto estava interessante a partida.

Mas no 3×0 mudou o clima. Foi o primeiro game que Murray realmente tentou defender seu saque. Provavelmente porque foi só ali que o incapaz percebeu que poderia tomar um duplo 6/0 e voltar de bicicleta para a mansao que deve dividir com a mae e a namorada. Brincalhao. Tentou, mas nao conseguiu. O Bonitao estava esperto no placar.

No 4×0 Federer passou por cima e abriu 6/0 5/0. Um burburinho silenciou o O2. O game da 0/5, no serviço do Murray, foi o único sinal de vida do escocês britânico. O game chegou a ficar 0x30 quando uma espessa nuvem de incredulidade encheu o estádio – e eu só tentando imaginar as manchetes dos impiedosos jornais britânicos no dia seguinte. Acho que foi exatamente isso que chacoalhou o animo do brincalhao-mór. Ele sacou bem, ainda defendeu o mais vergonhoso dos MP de sua carreira e acabou escapando, com um saque vencedor de um vexame inominável. Uma farsa que quase se tornou histórica.

Está todo mundo fallando que o Federer jogou barbaridades, gênio etc. Sim ele jogou muuito. Mas isso vai saltar aos olhos toda vez que ele pegar um cachorrao sem a menor vontade do outro lado da rede – vai passar o rodo. Só a briga do adversário que impede que um tenista, especialmente do calibre do suíço, deite e role.

No aperto de maos os dois trocaram algumas palavras acompanhadas de sorrisos marotos. Do tipo – “pô velho, você estava afins de me humilhar!!! Pois é, malandro, fica espero e paga um fishandchips do bom porque eu manerei no final”. O Federer brigou para meter um duplo 6/0, mas teve a cara de pau de dizer que se sentiu constrangido. Sei…

Aliás, o torneio até agora foi um fiasco. Nos primeiros quatro dias, todos os jogos decididos em dois sets – sem brigas ou emoçoes. Precisou entrar o operário Ferrer, que estava de stand-by, para mostrar como se vende uma derrota caro e com vergonha na cara.

Historicamente os tenistas nunca souberam lidar com esse formato de grupos! Este sempre ficou aquém das expectativas e sempre foi um desapontamento, tal qual esta semana – mostrando, mais uma vez, ser necessário uma mudança. Suponho que as semis sejam mais interessantes, até porque se assemelham aos torneios que eles estao acostumados. Tenista gosta de bafo no cangote, andar na lâmina da navalha, de pressao. Esse negócio de perder uma partida e ainda vencer o torneio nao entra na cabeça, ou no emocional deles. A nao ser de um Gustavo Kuerten, que renasceu das cinzas para vencer e se tornar o numero 1 em 2000. Aí nao tem como nao gostar.

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