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Arquivo de novembro, 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Tênis Masculino | 00:34

De A a Z

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O que me impressionou na final da Copa Davis? Bem, sempre sou impressionado na Davis e pouca coisa me impressiona atualmente.

Nao vou me estender na lambança que os franceses fizeram com seu time, nem vou crucificar Arnauld Clement, o capitao que está sendo chamado de vários nomes em um francês que nao honraria Proust.

Das duas uma, dizem. Ou ele pecou porque colocou um Tsonga sem condiçoes de jogo no primeiro dia – ele estaria com dores de(no) cotovelo desde o começo da semana – e isso quer dizer que na 5a feira, quando escolheu os jogadores ele sabia e arriscou. E arriscou deixando a dupla campea de Roland Garros – o mesmo piso da final – manca.

Se nao pecou nem arriscou, marcou em colocar suas fichas em Gasquet, um tenista sem vibraçao e sem perfil para Copa Davis, como já dizia Forget, o ex capitao, que preferia a Mona Lisa do que ele em quadra. Aliás, a dupla titular do Clement era para ser o Tsonga e o Gasquet, e nao o Benneteau e mais um. Bem, os franceses tiveram suas chances jogando em casa e jogaram fora. Na verdade aprontaram uma belissima festa – para os suíços.

Alias, o Stan – o herói camuflado, mas um herói por ter colocado os suíços no caminho no 1o dia – está adorando uma confusao. Logo após a vitória deu declaraçoes polêmicas sobre como os franceses “falaram muito” antes dos jogos e, com uma risadinha, como eles encheram os próprios vestiários de champagne no Domingo de manha e tiveram que levar tudo para o vestiário suíço após a derrota. Ele foi chamado às falas por Monfils, Clement e Gasquet na festa de confraternizaçao e negócio quase acaba em porradas no banheiro – o cara tá irado!

O que mais me impressionou? Bem, nao foi o Boniton Federer jogando na 6a feira e tomando um vareio do BroMonfa, este sim com um belissimo espirito para a coisa. Após aquele chocolate os franceses devem ter começado a acreditar na Victoire! Isso até o outro afrofrances entrar em quadra e tomar uma aulinha do #2 suíço – a arma secreta helvética. Fica a dúvida cruel; Tsonga jogou sem condiçoes e piorou com a derrota? A sua ausência nas duplas foi decidida uma hora antes da partida.

Chega de lero-lero. O que mais me impressionou, e a qualquer um que goste e entenda um pouco de tênis, foi o espetáculo de Roger Federer nas duplas. Fazia tempo que em nao assistia um cara dar de macho como ele deu naquele jogo. Só nao fez chover porque o piso iria ficar ainda mais pesado do que os experts de Roland Garros aprontaram. O resto ele fez e mais um pouco. Aula!!

O cara devolveu todos os serviços no pé dos adversários. Enfiou nao sei quantas bolas no meio dos dois voleadores. Sacou com perfeiçao tática. Seu primeiro voleio – sempre crucial – deve ter deixado seu técnico Edberg com lágrimas nos olhos. Tirou uma tonelada de peso das costas do parceiro cobrindo seu lado, o meio e o do Stan. Na rede nao se posicionava perto da linha lateral de simples e sim sobre a linha central do T. “Deixa comigo, Stan my dear, que eu decido”. “Aquilo que a Mirka fez nao se faz e nossa amizade ficará marcada na história!”. Alias, alguém viu a Mirka?

O que Roger fez no Domingo, tratando o coitado do Gasquet como uma criança, é algo que ele fez durante os melhores anos de sua carreira com inúmeros adversários. O momento exigia Roger no seu melhor e ele nao deixou para depois, e muito menos deu milho pra bode como cansamos de ver nos últimos anos.

Mas foi o que fez nas duplas que ficará para sempre na minha memória. E se alguém gravou, guarde com carinho porque vale ouro. Uma aula de como se joga duplas no mais alto nível – que irmaos Bryans o que – reles amadores. Uma liçao de como se encara o próprio limite e o leva a outro patamar, de um dia para o outro, debaixo de uma terrível pressao causada pela altíssima expectativa, sua e dos conterrâneos, em um cenário hostil, do piso ao local. Aos 33 anos, o campeao, de A a Z, pode dormir em paz.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Masculino | 20:39

França x Suíça

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Desde o começo eu escrevi que a conta nao fecha bem para Roger Federer na final da Davis. Colocando de lado o incontestável fato de que ele tem 33 anos, ter se contundido na semana anterior e mal ter treinado em um piso que sempre foi mais vulnerável, no qual nao joga desde Junho e é o que mais exige do físico, o Boniton pegou o pior cenário no sorteio. É muita coisa.

Ele foi sorteado para jogar o segundo jogo no primeiro dia. Isso quer dizer que tem o tempo mais curto de recuperaçao de todos os envolvidos, quando deveria, para ele, ser o inverso.

No Domingo ele obrigatoriamente joga a primeira partida. A partida de hoje foi mais do que nada para ele pegar ritmo. Duvido que ele tivesse realmente planos de bater Monfils. Este tem um dos melhores físicos do circuito, a quadra está lenta e o Monfa, que durante o circuito é um “brincalhao”, na Copa Davis é um bicho. Sempre vi ele crescer na competiçao – sua partida contra Nalbandian poucos anos atrás foi uma das melhores que já vi.

A dupla decide o confronto. E o homem que decide é Julien Benneteau, atual campeao de Roland Garros nas duplas, que deve escolher seu parceiro. Os franceses ficaram com receio de colocar dois duplistas e por isso Julien ficou sem seus parceiros favoritos; Vasselin, Llodra ou Mahut. Ou seja; ou vai de Gasquet, o mais provável e o que eu faria, e aí é um deus nos acuda ou vai com um dos singlistas, o que vai cansar alguem.

Será que o capitao Clement teria coragem de colocar Tsonga nas duplas e depois colocar o Gasquet contra Federer? Ou só fazer o Tsonga jogar os três dias? O fato é que os franceses têm várias opçoes e os suíços nao. Mas que as duplas decidem, decidem, especialmente para os suíços. Se perderem, ciao. Os franceses podem perder e ainda vencer o confronto.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014 Copa Davis, Masters, Roger Federer, Tênis Masculino | 00:43

Sensato?

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Era a final que todos queriam. A final que o Stan quase mela. Quase, a sina do Stan. Como nao colocou um primeiro saque na hora da onça beber água, o suíço numero2 morreu na praia. Contra um grande jogador todo erro tem um custo. Grandes erros, grandes custos.

Mas o jogo entre os dois conterrâneos foi tudo de bom e mais um pouco. Quem goste de tenis que aproveite. Está cada dia mais raro assistir um jogo legal entre dois tenistas com um tênis bonito. Já é difícil ter um deles em quadra, ter dois entao…

E todo mundo foi dormir pensando que assistiriam a partida mais esperada do torneio. Todos menos o Boniton, que começou a sentir dores ainda no TB e foi dormir sabendo do tamanho da encrenca.

Pelo o que disseram Federer fez a decisao pouco antes de entrar em quadra para aquecer. Mas garanto que o Murray nao estava por ali para assistir a final.

Nao importa. O importante é que o Boniton fez a decisao mais sensata. Teve um leitor que insinuou que o rapaz afinou. Delírio. O cara já jogou e ganhou partidas muito mais importantes através de mais de uma década.

O fato é que o Masters ele já ganhou cinco vezes, a Copa Davis nenhuma.

E para quem nao lembra a Suíça vai à França esta semana para a final da Davis de 2014. Esta é a ultima chance de Federer ganhar o evento e sua maior aposta da temporada. Pois é, deveria ter deixado o Stan ganhar. Nao teria se machucado, deixaria seu companheiro de equipe bem mais confiante e menos frustrado.

Mas nao deu para se conter. Agora o bicho vai pegar e os franceses devem ter aberto um Petrus em Lille para celebrar.

A final da Davis é no saibro coberto, o que já é uma quadra bem diferente. Além disso, os suíços nao jogam no saibro desde Roland Garros em Junho. Os franceses já estao por lá treinando. Se a contusao de Federer for bem leve, ele nao volta a jogar antes de 3a ou 4a feira. O que o deixaria com somente um ou dois dias de treino na tal quadra para se adaptar ao piso – beeem pouco. Além disso, o Boniton terá que jogar três dias seguidos, a nao ser que alguém vença em dois. E, para completar, Federer, melhor rankeado do que Stan, teria que fazer o primeiro jogo de domingo, enfrentando Tsonga, após ter enfrentado Monfils ou Simon, dois tremendos paparras no primeiro dia e jogado as duplas no sábado. Tudo em melhor de cinco sets. Por isso a sensatez.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014 Masters, Porque o Tênis., Roger Federer, Tênis Masculino | 12:35

Fio da navalha

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Até o 6/0 3/0 assisti o jogo entre o Boniton e o BIpolar com a devida distância que um joguinho sem vergonha determina. Afinal, o interessante de uma partida de tênis é a competiçao, o mano a mano, a luta de indivíduo em se sobrepor ao seu oponente. Se é para assistir um treininho inócuo entre dois cachorroes, prefiro acompanhar um pega para capar entre dois pangoes.

Por conta da semi palhaçada que o MalaMurray apresentava para seu público concentrei em minhas trivialidades no computador; o e-mail pedindo uma grana para atender os ionomanis estava mais interessante – será que em um eventual confronto com as forças bolivarianas da Venezuela eles seriam nossa primeira fronteira ou nao passariam de uma Linha Maginot, ou pior, tentariam formar um estado independente e fazer uma parceria com o Eike para a exploraçao de petróleo na Amazonia? Se isso é o que passava por minha cabeça, imaginem o quanto estava interessante a partida.

Mas no 3×0 mudou o clima. Foi o primeiro game que Murray realmente tentou defender seu saque. Provavelmente porque foi só ali que o incapaz percebeu que poderia tomar um duplo 6/0 e voltar de bicicleta para a mansao que deve dividir com a mae e a namorada. Brincalhao. Tentou, mas nao conseguiu. O Bonitao estava esperto no placar.

No 4×0 Federer passou por cima e abriu 6/0 5/0. Um burburinho silenciou o O2. O game da 0/5, no serviço do Murray, foi o único sinal de vida do escocês britânico. O game chegou a ficar 0x30 quando uma espessa nuvem de incredulidade encheu o estádio – e eu só tentando imaginar as manchetes dos impiedosos jornais britânicos no dia seguinte. Acho que foi exatamente isso que chacoalhou o animo do brincalhao-mór. Ele sacou bem, ainda defendeu o mais vergonhoso dos MP de sua carreira e acabou escapando, com um saque vencedor de um vexame inominável. Uma farsa que quase se tornou histórica.

Está todo mundo fallando que o Federer jogou barbaridades, gênio etc. Sim ele jogou muuito. Mas isso vai saltar aos olhos toda vez que ele pegar um cachorrao sem a menor vontade do outro lado da rede – vai passar o rodo. Só a briga do adversário que impede que um tenista, especialmente do calibre do suíço, deite e role.

No aperto de maos os dois trocaram algumas palavras acompanhadas de sorrisos marotos. Do tipo – “pô velho, você estava afins de me humilhar!!! Pois é, malandro, fica espero e paga um fishandchips do bom porque eu manerei no final”. O Federer brigou para meter um duplo 6/0, mas teve a cara de pau de dizer que se sentiu constrangido. Sei…

Aliás, o torneio até agora foi um fiasco. Nos primeiros quatro dias, todos os jogos decididos em dois sets – sem brigas ou emoçoes. Precisou entrar o operário Ferrer, que estava de stand-by, para mostrar como se vende uma derrota caro e com vergonha na cara.

Historicamente os tenistas nunca souberam lidar com esse formato de grupos! Este sempre ficou aquém das expectativas e sempre foi um desapontamento, tal qual esta semana – mostrando, mais uma vez, ser necessário uma mudança. Suponho que as semis sejam mais interessantes, até porque se assemelham aos torneios que eles estao acostumados. Tenista gosta de bafo no cangote, andar na lâmina da navalha, de pressao. Esse negócio de perder uma partida e ainda vencer o torneio nao entra na cabeça, ou no emocional deles. A nao ser de um Gustavo Kuerten, que renasceu das cinzas para vencer e se tornar o numero 1 em 2000. Aí nao tem como nao gostar.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014 Masters, Novak Djokovic, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 16:48

O Masters em Londres

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O Masters sempre foi um evento diferenciado e interessante. Estive presente em vários, nos anos que eram disputados em N. York e Hannover. Aliás, se você nunca foi a Hannover, nao vá. A cidade é um zero à esquerda, especialmente no frio. Dá para entender porque o tal Hitler queria estender seu Lebensraum para outras paragens. Mas Nova York compensava.

Londres é uma cidade intensa e cosmopolita e a recente ocupaçao do outro lado do rio Tamisa, da qual o O2 faz parte, tornou-a ainda mais interessante. E que belíssimo local é essa arena londrina, apesar de que nao chegar aos pés do Ibirapuera, verdadeiro orgulho nacional. Ironia nao é o meu forte, fazer o que ?!

E que bicho vai sair desta ediçao do Masters? Uns esperam a confirmaçao de Novak Djokovic como El #1 do ranking. Outros esperam que Roger Federer vire o barco no apagar das luzes, algo que Gustavo Kuerten fez em 2000, em Lisboa, onde também estive. Torço mais pelo Boniton, mas acho que está mais para o Djoko – o cara está sólido e só perde a coroa se jogar abaixo de seu padrao. O que acontece.

Na minha entrevista, na CBN, mencionei que Andy Murray seria uma possível terceira via, por jogar em casa(casa??) e ter jogado bem as ultimas semanas. Eu devia estar ainda de ressaca eleitoral. Até parece que eu nao conheço o bipolar. Aquela partida com o Nishikori foi séria? Sim, o japa jogou muito bem depois de engrenar no meio do 1o set. Mas o Andy Murray ficou no vestiário e o que vimos em quadra foi seu alter ego.

O Boniton nem piscou. Deu mais uma aulinha para o canadense sacador. Aliás, figura estranha o rapaz Milos. O com esse corte de cabelo estilo reco fica ainda mais estranho. As câmeras mostraram seu pai e deu para entender de onde vieram aquelas costas curvadas. Mas saca muito o Milos. Mas com 2m de altura nao é um grande feito. Mesmo sem suar Roger venceu rapidinho.

Legal o Stan Wawrinka ter jogado bem. Gosto de seu tênis e acho que um tenista como ele vivo deixa o evento mais rico. Já que começou muito bem o ano que termine no mesmo tom, porque o que fez do Aberto da Austrália para cá nao foi no padrao que ele, e nós, esperávamos.

Quanto aos brasileiros Marcelo Melo e Bruno Soares, ambos venceram o importante jogo de estréia, o que dá confiança e conforto. Bruno e parceiro tiveram que salvar um MP no 3o set. E Marcelo, está tao confiante e melhor que na partida foi uma das primeiras vezes que vi ele assumir a responsabilidade da devoluçao no NO-AD, lembrando que esse fundamento é o ponto forte do seu parceiro. Seria um bom final de ano para o nosso tênis sem um deles vencesse o Masters, batendo o outro na final. E melhor ficará quando voltarem a jogar juntos.

 

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