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segunda-feira, 29 de setembro de 2014 Copa Davis, Olimpíadas, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:18

Gala

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Thomaz Bellucci nao deve ser um cara muito bem quisto lá pelas terras tenisticas ibéricas. Gostado nao, respeitado sim. Suspeito que ele deva preferir o respeito, que dentro e fora de uma quadra é bom e faz bem.

A surpreendente derrota do time espanhol na Copa Davis, muito pelas maos de Bellucci (assim como dos mineiros) causou um terremoto por lá. E a conseqüência mais visível, e imprevisível, foi que o presidente da federaçao local, Jose Escanuela, decidiu indicar uma mulher como capita do time da Davis. Um brincalhao falando sério.

O presidente nao esteve presente em Sao Paulo. Segundo suas palavras “foi a primeira vez que nao esteve presente como presidente”. Eu diria que escolheu uma má hora, assim como outros tenistas que recusaram a convocaçao de Carlos Moya.

Após a derrota Escanuela tentou convencer Moya a ficar, mas o rapaz disse “no gracias”. Mostrou vergonha na cara, já que seus “amigos” lhe deixaram na mao.

E o que Escanuela fez? Convocou para seu lugar uma mulher – Gala Leon. O cara devia estar muito bravo com os tenistas. Eu diria que chamar alguém totalmente fora do cenário do tênis masculino, e ainda mais uma mulher, sem ter consultado um tenista sequer – pelo menos entre os possíveis convocados – foi uma atitude temerária dele, assim como ambiciosa dela em aceitar.

Começaram o ouvir imediatamente. O primeiro a chutar a porta, e aí nenhuma novidade, foi Tio Nadal que fala pelo lado “dark” de seu sobrinho. Totalmente contra. Alguns tentam dar a pecha de machismo à sua recusa, o que nao passa de mais uma idiotice politicamente correta. Se fosse um homem qualquer sem as devidas credenciais e ele reclamasse seria normal, sendo uma mulher, é machismo. Sei.

Só que a Gala nao tem mesmo as credenciais para o cargo. Afinal nao treina nenhum homem, nao conhece pessoalmente a maioria deles, nunca jogou Copa Davis e nao é uma técnica reconhecida e com lastro técnico e moral para sentar na cadeira e falar com Rafa Nadal no intervalo dos games. Por que entao?

Isso só o Sr. Escanuela sabe dizer. O fato é que a moça, que foi tenista top50, vem fazendo carreira como técnica na federaçao, o que muitas vezes é mais uma cargo político do que meritocrático. Ela esteve em Sao Paulo acompanhando o time como assistente técnico, indicada pela federaçao, nao pelo Moya, e, que eu me lembre, era a única mulher no enorme camarote do time espanhol – e sentada na ultima fileira e na ponta extrema do box. Chegou à janelinha rapidinho.

Fico imaginando se foi uma puniçao ao time de machos espanhois. Parece que assim que Moya recusou ele convocou Gala, mudou de idéia e quando as reclamaçoes apareceram confirmou a convocaçao como que por birra.

Lembrando, o cargo de Capitao do time é um de aglutinador, líder, comandante, de experiência e, nao menos importante, o de alguém a quem os tenistas respeitem e possam confiar. Afinal, eles sao os únicos interlocutores dos tenistas durante os jogos. É verdade que servem também de interlocutores entre os tenistas e os cartolas das federaçoes, algo importante. Mas, no caso, o tal presidente parece ter muito mais sua própria agenda, do que com a agenda que possa unir e motivar e unir novamente um time que já ganhou muito e nao parece mais tao interessado – duvido que vá ser a Gala, a moça da federaçao, que vá ter esse papel, que ela mesmo diz ser sua meta agora.

Gala já defendia anteriormente a puniçao a quem nao aceitasse uma convocaçao e agora defende que o contrato entre federaçao e os tenistas deva incluir uma cláusula de obrigatoriedade de participaçao na Davis e Fed quando convocados, por conta de todos os benefício, financeiros e outros, recebidos durante a carreira, que na Espanha nao sao poucos. Provavelmente nao colocaram antes porque nao acharam necessário, contando com a boa vontade e patriotismo dos tenistas, o real combustível da Copa Davis. Gala afirma que a federaçao já está trabalhando no novo contrato, algo que deve ser a nova política do presidente. De qualquer maneira, será uma experiência quase única – só três times tiveram mulheres no posto, todos irrelevante (Siria, San Marino, Moldávia e Panamá). Por outro lado, os tenistas podem tomar vergonha na cara e correr para defender a pátria – lembrando que quem nao o fizer em 2015 fica fora das Olimpíadas no Rio.

O fato é que o time espanhol envelheceu e nao apareceram tenistas do mesmo calibre para repor. Verdasco, Feliciano, Ferrer todos sao balzacas e Almagro, o incerto, padece de longa contusao, assim como Nadal, o pai de todos. A “nova” geraçao nao aguentou o tranco beluciano. No fim das contas, esse parece ser a real origem dos problemas que se tornaram visíveis graças às patadas de Thomaz Bellucci.

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Gala e o time no hotel em Sao Paulo antes da derrota.

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