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domingo, 14 de setembro de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:38

Bode bravo

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Os espanhóis tiveram o que mereciam. A arrogância em abrir mao de seus melhores tenistas, em confronto na casa de um adversário que, aos olhos de quem joga e de quem manda no tênis ibérico nao exigia time melhor do que por aqui se apresentou, foi fator determinante na derrota deles e na vitória do Brasil. Porque este soube, fazendo a leitura do que os outros iam colocando na mesa, ter a humildade de reconhecer a sua pseudo desvantagem e a grandeza de acreditar que, a cada dia que passava, a vitória se tornava mais possível.

Eles começaram avisando que viriam de Nadal e mais três. No final das contas, ao ficar evidente que o Animal era carta fora do baralho, Carlos Moya e a federaçao espanhola nao tiveram a musculatura para trazer as estrelas de primeira grandeza como Ferrer, Verdasco ou Robredo, tenistas já sazonados e escolados na Davis, e acreditaram que a estrela em ascensão, Roberto Agut, já #15 do mundo, o que já faz dele um cachorrao, seguraria a peteca com a ajuda da “dupla de fundo de quadra” Marc Lopez e Granollers. Quando este acusou uma contusao e saiu de fininho a gravata apertou ainda mais no pescoço espanhol com a entrada do Marrero, uma mae em quadra. Estao pensando que isso aqui é a Venezuela?

Qualquer um, brasileiro ou espanhol, que sabe contar até três, sabia que a conta era apertada para o time brasileiro. Nao tinha negociaçao; os mineirinhos tinham que ganhar as duplas e Bellucci tinha que vencer suas duas partidas. Para quem acompanhou Belo nos últimos anos na Davis, a conta nao fechava bem.

Bellucci teve que se provar nos dois dias porque moleza nao existia. No primeiro conseguiu a proeza de, precisando vencer de qualquer maneira, sair perdendo por 2×0. Pablo Andujar teve até um match point para vencer em três sets. Nao o fez e deve estar sem dormir até agora. Mas os três sets seguidos foram todos méritos do Belo que jogou o seu melhor.

No sábado, a dupla brasileira fechou a porta na cara dos espanhóis sem dó – e ainda pegou na nariz de alguém. Marcelo Melo jogou muuuito tênis – no fundo e na rede – sendo o homem-chave em quadra. Devolveu como um Lord e soube impor sua envergadura em quadra. Nao fraquejou em um momento o que é de se tirar o chapéu. Bruno, o carismático líder do grupo, sacou muito – algo que melhorou bastante – e voleou barbaridades. Foi uma tunda.

O tal Agut achou. Achou mas nao levou. Deve estar buscando uma resposta de como pode abrir 4×1 no primeiro set e permitir que o outro fizesse cinco games seguidos. Também nao vai dormir bem esta semana pensando no game que tinha 40×0 no 4×3 do 30 set e permitiu Belo virar o game e o set. Aliás, esse game – quando Belo sacou nao sei quantos aces e salvou uns oito break points – junto com os dois primeiros games do 3o set, quando foi mais avassalador que uma arma de destruiçao em massa, foram coisas para assistir de joelhos e aplaudir de pé.

Tudo aconteceu pela mao e obra de Thomaz Bellucci que, aos 26 anos, começa a afinar e equilibrar seu emocional em quadra – mesmo que ainda distribuindo razoes para nos dar enfartes – abrindo uma série de portas para quartos ainda nao por ele desbravados, que podem modificar drasticamente sua carreira daqui para a frente. Na Davis e fora dela. Vamos deixar uma coisa clara: o paulista jogou muuuito tênis, assumiu a responsabilidade que lhe era imposta e se portou como o líder desse time. Nao é pouco. Aliás é bastante para lhe colocar em outro patamar.

Nao menos importante o capitao Joao Zwetsch, que só faltou pegar a raquete e entrar em quadra, soube segurar e amarrar todas as pontas, apesar de ataque de gente que tem agenda própria e egoista, Rogerio Dutra que sabe o que é espirito de Copa Davis e é reconhecido pelo resto do time como companheiro para o que der e vier, e o resto da equipe que sabe o valor e a importância da uniao e da força de quem senta atrás da cadeira do capitao. Ninguém, ou nenhum time, perde ou ganha na véspera. E este fim de semana a equipe brasileira soube ser o bode bravo que acabou com o milho que a soberba ibérica jogou no seu caminho.

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