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Arquivo de agosto, 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014 Aberto da Austrália, Juvenis, Roger Federer, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:17

A casa caiu

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Às portas do US Open dois fatos distantes, e ao mesmo tempo próximos, me chamaram a atenção. Em 2010 Roger Federer venceu o Aberto da Austrália, o que nao chega a ser uma surpresa. A surpresa foi a vitória, no mesmo torneio, na categoria juvenil masculino, do brasileiro Thiago Fernandes. Causou o maior rebú por aqui, conseguindo páginas inteiras de jornais e destaque no Jornal Nacional, algo que Federer nao conseguiu.

No fim de semana passado, Roger Federer venceu, aos 33 anos de idade, idade quando muitos já pensam em trocar os tênis pelas sandálias, um Masters1000, o que, considerando a competiçao e a idade, há que se considerar um belo feito. Isso se reinventando na parte tática, assim como sobrando na parte física, um quesito de suma importância no tênis atual.

Enquanto isso, circulava a informaçao que Fernandes decidira abandonar a carreira, que mal começara, e voltar para os estudos. Isso após uma séria contusão pubiana que o afastou das quadras um bom tempo, o que pode apontar para uma carência tanto no preparo físico como na recuperaçao, e após perder a confiança por conta de muitas frustrações. A decisao, aos 21 anos, trata-se da maior desapontamento que o tênis brasileiro conheceu nos últimos tempos. De enorme esperança do tênis para mais um estudante de engenharia – e nao vejo absolutamente nada de errado com estudar engenharia.

Se a carreira de Federer tem sido vitoriosa e longa é graças ao seu talento e, entre outras coisas, a disciplina estóica e, nao se iludam, a uma longa série de decisões corretas. Por outro lado, inevitavelmente, o fracasso de Thiago aponta para a direçao inversa.

Se até os 17 anos, idade onde ainda fala alto o talento individual, Thiago vislumbrava um futuro de sucesso, o abandono precoce da carreira transparece um malogro no planejamento macro da carreira, assim como nos detalhes da preparações física, psicológica. É óbvio que à distância nao é possível ou apropriado, fazer avaliaçoes ou apontar dedos – sao tantas as variáveis -, mas alguma coisa naufragou terrivelmente, após a conquista na Austrália, já que Thiago nunca mais voltou a nos impressionar após aquele momento dourado.

Thiago esteve um bom tempo sob a tutela do experiente Larri Passos, conhecido por sua intransigência em mais de uma questao, passou pelas solidárias maos de Marcos Barbosa, que o acompanhava em Melbourne ainda como assistente de Passos e, já bem próximo ao fim, pelos cuidados de Marcos Daniel, com quem fez a derradeira tentativa de salvar a carreira.

Infelizmente alguma coisa se perdeu no tempo, o que prova que o caminho do sucesso no tênis profissional é bem mais complexo do que se imagina. Este exigente esporte individual nao perdoa muitas coisas, como esportes coletivos às vezes perdoam. Nestes, pequenos, e mesmo grandes, erros ou fracassos podem ser camuflados por detrás das paredes e acomodaçoes de um time. Até mesmo um afastamento temporário, quando um time se mantêm, enquanto o indivíduo se recupera, física ou mentalmente, voltando e se encaixando no coletivo no momento certo e oportuno. No esporte individual, em especial o tênis, esse hiato pode trazer danos irreparáveis à confiança e auto estima do indivíduo, que sao determinantes no esporte onde nao se pode esconder debaixo das saias de ninguém. E se ele nao tiver dentro de si, e ao seu redor, uma força muito grande para lhe sustentar, a casa cai.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014 Copa Davis, Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, US Open | 12:06

Ausente em Nova York

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Sombreando o feito de Roger Federer em Cincinnati, Rafa Nadal divulgou hoje, logo na primeira hora, que nao jogará o US Open. Mais uma vez o espanhol sofre com suas contusoes, originadas pelo seu estilo de tênis, onde a brutalidade, a intensidade, a entrega, a falta de fluidez exigem de seu corpo algo que mesmo o Animal nao está preparado para dar.

Desta vez nao foram seus joelhos, as juntas que primeiro cedem por conta de sua principal característica, e sim o punho direito. Nao o esquerdo, mas o direito, aquele que usa para complementar o golpe de backhand. O problema apareceu semanas atrás, quando ele abandonou todos os torneios preparatórios para o US Open. Mas deixando a porta aberta, Rafa vinha postando fotos de seus treinamentos até a semana passada.

É um tanto estranho. Se vinha treinando é porque estava liberado. Talvez tenha decidido que das duas uma: o pulso nao resistiria ao esforço de uma quinzena extremamente exigente ou nao teria tempo de estar em condiçoes técnicas e/ou físicas que seu padrao de qualidade exige. De qualquer maneira, qualquer que fosse a razao me parece correta, já que um tenista nao deve entrar em quadra para competir sem suas condiçoes ideais, especialmente um tenista como Nadal em um torneio como o US Open.

Rafa e seu pessoal sabe as as mais imediatas consequencias desse abandono. Ele perde 2000 pontos no ranking, já que nao defenderá seu título, o que por si já é uma depressao. Isso em um momento em que seu arqui rival chegará a Nova York com a pior das intençoes, vendo ali uma das suas ultimas chances de aumentar o hiato entre ambos em títulos de Grand Slams. Sua ausencia nao dá ao suíco a 2a colocaçao no ranking de bandeja. Federer terá que brigar por isso nas quadras já que ainda existirao 1180 pontos de diferença entre ambos.

Para os brasileiros aumenta a duvida que nao quer calar. Será que Rafa Nadal virá a Sao Paulo jogar a Copa Davis, que acontece na semana seguinte ao torneio de Nova York? Façam suas apostas.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Roger Federer, US Open | 12:53

Quinzena recheada

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Quinzena recheada de tênis, com dois grandes eventos, feminino e masculina, seguidos. Após a passagem pelo Canadá a festa segue para Cincinnati, local do torneio mais antigo dos EUA jogado em sua cidade original. Começou em 1899, quando as raquetes eram pouco mais do que um tacape, homens e mulheres usavam calças e vestidos longos e o golpe padrao, dos dois lados, era o slice salame. O piso original era uma derivaçao das quadras de terra e o local original hoje é uma universidade. O piso mudou algumas vezes e o local muitas; sempre na cidade. Chegou a ser propriedade da ATP, quando estava no perigo, e sobreviveu graças aos esforços de um abnegado, Paul Flory, falecido em 2013. Agora é propriedade da USTA, federaçao americana de tênis.

Três brasileiros já se deram bem por lá. Gustavo Kuerten ganhou as simples em 2001, batendo Rafter na final, em jogo estranhissimo, e Carlos Kirmayr e Cassio Motta foram vices de duplas em 1983, época em que os cachorroes jogavam simples e duplas.

Hoje, com os cachorroes ficando quase que só nas simples, os irmaos Bryan vao tentar vencer o 99o torneio de suas carreiras. E podem apostar que vao tentar ao máximo, o que pode ser mais um estorvo pela pressao, porque adorariam chegar a New York com a possibilidade de lá ganhar o 100o. Imaginem o que eles nao iriam agitar na Big Apple – esse pessoal das duplas sao marketeiros nas “úrtima”, até pela necessidade.

Mas serao os dois primeiros favoritos – Djoko e Federer – que estarao nos cabeçalhos da semana, por razoes bem compreensíveis. O servio nunca ganhou em Cincinnati – perdeu em quatro finais – e completaria o Slam dos Masters1000 com o título. Nao existe outro tenista no circuito com essa conquista – um feito e tanto.

O Boniton, que já ganhou cinco vezes vezes por lá, imaginem seu olhar de desprezo no vestiário, deve chegar à sua 300a vitória em Masters1000, já na 1a rodada, feito único também no circuito.

Murray, que já ganhou duas vezes é outro que deve ter bons sonhos com Cincinnati. Faz tempo que o escocês busca um bom resultado. Tsonga chega confiante após socar geral em Toronto – mas esperar duas conquistas seguidas do francês é esperar demais.

Tsonga passou por cima de todos no Canadá; Djoko, Murray, Dimitrov e Federer. Tá bom ou querem mais? Dois compadres; Vasselin na 1a e Chardy na 2a rodada! Na final abafou Federer que, aos 33 anos, está em ótima fase técnica e física, mas continua pecando no quesito tática. Precisando vencer o TB para ir à negra, o suíço saca no 3×3 e, na 1a bola, com sua direita, seu golpe de ataque, passou uma bolinha sem vergonha na direita do francês, de longe seu melhor golpe, só para levar um cascudo para deixar de ser indisciplinado. É muita bobagem na hora da onça. Nao fez mais nenhum ponto.

Os brasileiros lavaram a alma na final das duplas. Marcelo Melo continua entre a cruz e a espada com seu parceiro Ivan Dodig. O cara, um dos poucos duplistas full time que é singlista full time e excelente duplista quando está disposto, volta e meia joga uma partida bem meia boca. A final foi uma delas.

Em compensação, Bruno Soares e seu parceiro Peya estavam a 1000 por hora. Aliás, Bruno mudou seu saque e pra bem melhor. Está alavancando melhor. Com isso está mais agressivo e deixando menos espaço para ataques. Ainda mete umas duplas faltas ingratas, mas no médio e longo prazo a mudança é um grande avanço. O rapaz já tinha melhorado bem sua devoluçao de revés, uma das razoes de sua melhora técnica nos últimos dois anos. Os manos Bryans que se cuidem.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:28

Um passo de cada vez.

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Os canadenses realizam um dos mais significativos Masters1000 do circuito, espelhado por um tal qual evento feminino. Sao realizados em duas cidades – Toronto e Montreal – apaziguando assim “franceses” e “ingleses”. Para melhorar ainda mais a dinâmica, homens e mulheres alternam as cidades a cada temporada.

Este ano, o masculino acontece em Toronto e os fas locais estao correndo às bilheterias com disposição ímpar. Isso porque, pela primeira vez na história, dois canadenses se enfrentaram em uma final de torneio da ATP – em Washington e exatamente na semana passada. Melhor timing nao haveria.

Milos Raonic vem batendo pelas traves do circuito a pouco mais de uma temporada – acho que tudo tem seu tempo. Agora o rapaz, de origem iugoslava, já é o #6 do ranking. Para vocês verem o que um grande serviço pode oferecer a uma carreira.

Seu oponente foi Vasek Pospsil (#27), um grande talento de origem tcheca, ainda em busca do eterno fugidio equilíbrio. Os dois nasceram no mesmo ano (1990), sendo Vasek poucos meses mais velho. Algo que a personalidade em quadra nao espelha.

Raonic está um bom passo à frente – emocionalmente, estratégicamente e, consequentemente, técnicamente de seu conterrâneio.

Um sinal disso, à parte do ranking e a vitória na final, foi sua declaraçao, consciente, de quem sabe que no circuito é necessário assumir riscos calculados e, o principal, fazerem eles funcionarem.

Milos declarou que enquanto jogava e focava em vencer o Torneio de Washington, evento que teve Berdish, Nishokori, Gasquet, Isner entre outros, ele mantinha um olho bem aberto na semana seguinte. Nao só porque seria um Masters1000, mas por ser em casa. E tenista que vale seus calçoes sabe da importância de jogar muuuito bem em casa. E sabe, melhor ainda, ama, a pressao que isso traz.

Por isso tentou minimizar o dispêndio de energia, conseguindo vencer o evento sem perder um set. Ele venceu 52 dos 53 games de serviço e salvou 7 dos 8 break pointos que teve que encarar. Isso é ter consciência estratégica e saber coloca-la em prática. Tênis é bem mais do que dar na bolinha.

Agora vamos ver como ele lida com o fator “jogar em casa”, em torneio que todos os cachorroes – menos El Rafa que ainda esá contundido e é duvida até para o US Open – estarao presentes. Um passo de cada vez.

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