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segunda-feira, 7 de julho de 2014 Novak Djokovic, Wimbledon | 15:41

Na final, um lanchinho

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Novak Djokovic vinha morrendo nas praias dos Grand Slams desde o Aberto da Austrália em Janeiro de 2013. Pouco para um tenista de sua qualidade, de quem passamos a esperar mais desde a sua incrível temporada em 2011 e que agora volta ao topo do ranking. A vitória em Wimbledon deve lhe dar a confiança necessária para almejar ainda maiores vôos, inclusive no próximo GS, o US Open, onde tem um único título, quando bateu Federer em memorável semifinal, em 2011, que teve entao dois match points e nao conseguiu cacifar.

Quem diria que Djokovic entraria na cabeça do maior do mundo? Pois é, entrou e anda brincando com ela. Com um apertado H2H de 18×17 para o suíço, pode-se afirmar que nao é de hoje que a rivalidade de ambos mudou muito de quando chegou a ser 6×1 para o El Bonitao. Pior, nas três ultimas finais o sérvio saiu vencedor. É um a um longo caminho de respeito do dia em que o gentleman suíço mandou os pais do sérvio calarem a boca durante uma partida entre ambos.

A final foi interessante e emocionante como poucas. Quase 5 horas de confronto entre dois tenistas de características e momentos distintos. Assisti praticamente toda, mais do que nada porque acreditava estar assistindo história, já que nao vejo Federer vencendo muitos GS, se é que algum, daqui para frente. Pois é, ontem ele chegou perto, muito perto. E nao levou porque apesar de ser o maior ganhador da história dos GS demonstrou que é suscetível a uma tremida como qualquer outro tenista. Sim, eu tremo, você treme e ele tremeu no final do quinto set, onde, como afirmava o alemao treinador do Novak, o jogo é mais emocional do que técnico.

Convenhamos, o jogo todo foi interessante, mas o quarto e o quinto foram um abuso. Esses sets foram emocionante, pela alternância de possibilidades, de serviços quebrados e de tremidas. Sim, Novak também tremeu, no 4o set. Sim, nós trememos, vós tremeis e eles tremeram. Quem tremeu menos, of course, levou. A coisa emocional foi tao séria que nao houve reaçao de Djoko após o ultimo ponto – tipo cair de joelhos, apontar aos céus, berrar aos deuses etc. Comemoraçao só após o aperto de maos. Talvez se deve ao respeito que Novak ainda tem pelo GOAT. Talvez o servio ainda se recuperasse do susto que passou.

Afinal o rapaz teve 5×2 no 4o set e 2×1 em sets. Estava no bolso. E deixou escapar. Em um dos MP Roger Federer deve ter agradecido aos céus ter perdido a discussao da utilizaçao do desafio – o Topetudo era contra o uso do programa, afirmando que nao era uma boa idéia. Ficou melhor após alguns desafios a seu favor, incluindo um no match point contra, quando teve um ace cantado fora que o “olho de gaviao” reverteu. O placar era de 2×5 naquele momento. O servio pirou, momentaneamente, e perdeu cinco games seguidos, enquanto Federer se enchia de confiança.

No início do quinto tudo indicava que Roger conquistaria se oitavo Wimbledom e 18 GS. Era uma situaçao muito difícil para o sérvio após ver a vitória escapar por seus dedos no 4o set. Ele até deixou alguns de seus conhecidos demônios entrarem, mas no final teve a maozinha do oponente.

O set foi estranho, para se dizer mínimo. Até o ultimo game tudo indicava uma vitória de Federer. Ele fechou dois games seguidos em 40×0 enquanto Novak insistia na estratégia do atendimento médico e consequente retardamento do jogo. O servio penava para ganhar seu serviço enquanto que o outro navegava. Federer chegou a ter um BP no 3×3, o que, naquela altura, espelhava um MP. Mas Novak encontrou a coragem para acelerar uma direita cruzada que cauiu no cal.

Até a hora da onça beber água. No 3×4 Federer começa a pensar e engasgar. Tem dois BP contra que salva com milagres. Um deles com um voleio bate pronto digno de Carlos Kirmayr. Outro uma bola de Djoko bate na fita e fica.

Djoko mantem o serviço com facilidade e, no 4×5, para minha total surpresa, Federer desmonta emocionalmente. Perde o serviço em 15×40 em um game que nao serviu as expectativas do resto da partida, uma das grandes finais de Wimbledon. Djoko nao só nao morre na praia, como conquista seu sétimo título de Grand Slams e, com muita categoria, primeiro cumprimenta seu adversário para depois agradecer aos céus e, mais uma vez, caindo de joelhos, fazer um lanchinho à base de grama.

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