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domingo, 8 de junho de 2014 Roland Garros, Tênis Feminino | 00:23

Uma bela final

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Foi a melhor final feminina em Roland Garros desde 2001, quando Jennifer Capriati bateu Kim Cljisters 12-10 no 3o set. De lá para cá as finais foram decepcionantes emocionalmente, sempre decididas em dois setinhos.

Maria Sharapova e Simona Halep honraram a expectativa e fizeram um jogo equilibrado e eletrizante, repleto de alternativas táticas e liderança no placar e, até o último game, era difícil apostar em uma ou outra.

Maria foi mais jogadora, tentando, como sempre, imprimir o ritmo da partida e, por conta de seu estilo, ditando quem venceria. Se ela, se suas bolas entrassem nas horas da onça beber água, ou se a romena, caso as bolas nao entrassem.

Como sempre, tiro o chapéu para a russa, que nao tem medo de ir para suas bolas com extrema audácia e viver com o resultado. Simona fazia das tripas coraçao para sobreviver e alongar a partida, contando que uma hora o estilo audaz da russa naufragasse. Para isso usava sua excelente velocidade e seus sólidos golpes de ambos os lados – uma pena que nao consiga gerar mais força no seu saque (especialmente o segundo) e que tenha dado um único slice (quando venceu o ponto) contra uma tenista que tem uma certa dificuldade com essa bola. E, para quem acompanhou pela TV e viu Maria quase às lágrimas quando as coisas ficaram pretas no terceiro set, sua estratégia quase deu certo.

Simona apostou em mover a adversária, evitando que Maria batesse duas bolas do mesmo lado, e assim dificultasse a produçao de suas bolas mortais, algo extremanete difícil de fazer contra uma tenista do calibre da russa. A romena nao tem nem o tamanho, nem a força para entrar na pancadaria que Sharapova adora imprimir. Mas, conseguiu sobreviver à seu modo e levar o jogo até a hora onde o emocional cala a técnica, transformando a partida em um confronto extremamente físico de mais de três horas. Tudo isso na primeira oportunidade que esteve em uma final de GS, enquanto sua oponente é macaca velha nesse galho.

Para variar, tivemos, mais uma vez, o Instante Decisivo. E este veio na hora da onça beber sua água. 4×4 no set final, com todo mundo tenso em quadra, do público às tenistas e aos juízes. E foi um destes que, sem querer, foi o fiel da balança. No primeiro ponto do game, com Simona sacando, Maria alonga a devoluçao do saque, que escorrega na quina da linha de fundo, impossibilitando a boa devoluçao da romena, que espirra a bolinha para as arquibancadas. A juiza de linha canta fora e o juizao com voz de FM desce para verificar a marca. Dá boa! Simona se move para repetir o ponto (indo para o lado direito da marca central da quadra). Imediatamente o juizao, que voltava às cadeira, para, atento, volta e explica que o moça isolara a bola antes da chamada da juiza. Simona tenta dialogar sem sucesso. Como sempre acontece nessas ocasioes a tenista nao concorda – essa chamada sempre dá confusão e sempre, como nao poderia deixar de ser, prevalece a decisao do árbitro. Sabem quantos pontos a moça ganhou depois desse ponto, no momento mais crítico da partida? Pois é – nenhum!

Se Sharapova é uma russa que já venceu todos os Grand Slams pelo menos uma vez, sendo a tenista que mais faturou na história do esporte e até hoje nao sabe explicar seu sucesso no saibro parisiense, Halep é uma tenista da Romênia, país extremamente maltratado nos últimos 70 anos, forçando um legado extremamente desolador para seus habitantes, que, após ser a melhor juvenil do mundo, começa a descobrir o sucesso na carreira, sendo, de inumeras maneiras, o contraponto de sua oponente. Foi um belo confronto de estilos, táticas, momentos, circunstâncias e personalidades. Um verdadeiro ganho para o tênis feminino.

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