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terça-feira, 20 de maio de 2014 História, Minhas aventuras, Roland Garros, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:34

Roland Garros 2014

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Arquivei a ambiçao de contar quantas vezes fui a Roland Garros. Provavelmente mais do que a maioria dos meus leitores tem de anos de vida. Provavelmente mais do que a qualquer outro Grand Slam, mas nao muito, já que meus compromissos de entao nao se resumiam a ele. Confesso que a minha atual ida ao Aberto da França, embarco amanha para Paris, tem outros componentes que, com o passar do tempo e as mudanças de foco em minha vida, foram adquirindo, com a minha mais feliz permissao, mais e mais importância. Se antes eu ia para Roland Garros e Paris era somente o local do evento, hoje vou a Paris e aproveito para curtir Roland Garros.

O evento mudou muito nos últimos anos. Infelizmente nem tudo para melhor. Temos mais estádios, o que acolhe um publico bem maior. Porém essa é também a razao do enorme desconforto de se acompanhar o evento em suas quadras secundárias.

Antigamente, o melhor programa, esse sempre foi minha indicaçao aos amigos e fas, era acompanhar a primeira semana do torneio nas quadras secundárias. Na segunda semana, os jogos eram mais focados nas quadras principais, ainda com o bônus do evento juvenil nas secundárias, algo imprescindível.

Como na primeira semana acontecem vários jogos inexpressivos nas principais quadras – a Central, S. Lenglen e Quadra 1 – o pessoal que tem ingressos para elas debandam para as quadras secundárias que é onde o bicho pega. Sao potencialmente mais de 25mil pessoas para quadras com arquibancadas mínimas. Como nao cabem todos, temos filas ou simplesmente desistimos. Um inferno.

Os organizadores tentam acertar o desejo do público colocando nas quadras principais os tenistas locais e os favoritos. Agora, quem vai querer assistir mais um massacre da Serena ou o Gilles Simon empurrando bolinha para o outro lado? Nem de graça. Por isso, nos primeiros dias a Central e S. Lenglen tem mais o pessoal que nao necessariamente gosta de tênis e sim de um buxixo, quem quer conhecer a quadra, fanáticos franceses ou grandes fas da Serena e do Simon. Enquanto isso, lá nas outras inúmeras quadras tem aqueles pegapracapar que acontecem nas primeiras rodadas dos Slams, jogos resolvidos em 5 sets dramáticos disputados por tenistas de padrao internacional, que fazem a cabeça e o coração dos fas do tênis. Alí está a essência de Roland Garros O duro é conseguir um assento.

Quinze a vinte anos atrás era mais tranquilo. Eu podia sentar na Quadra 6, assistir dois sets de um jogao, sem um fulano metendo o joelho nas minhas costas ou eu esfolando o meu no assento plástico da frente, levantar, caminhar à alameda de acesso, pegar um hot dog e um sorvetao, voltar para o meu lugar e fazer a maior festa com meu lanchinho. Hoje, se levanto, adieu. Por isso, cuidado até com o xixi.

Mas o evento tem inúmeras qualidades, foram feitos alguns investimentos que ajudaram a vida do público, as inigualáveis partidas no saibro e a possibilidade de acompanhar partidaças a poucos metros dos tenistas – desde que nas quadras secundárias. Mas, para mim, cada dia mais o grande charme do evento, e que sempre foi um tremendo diferencial, é o fato de acontecer em Paris.

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