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domingo, 18 de maio de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 16:44

Recursos

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Rafael Nadal vai ter que fazer das tripas coraçao para vencer o Aberto da França que se aproxima. Apesar de ser um verdadeiro mágico, um guerreiro inigualável, eu tenho minhas dúvidas se ele conseguirá ficar com aquele título. Se conseguir será o seu mais respeitado título em Paris por conta das atuais circuntâncias.

Ele vem vencendo jogos na bacia das almas, mais por conta de seu espirito indômito do que qualquer outra de suas qualidades. Mas fazer isso em sete partidas consecutivas de cinco sets em uma quinzena nao será tarefa fácil, mesmo para quem conhece o caminho das pedras como ele.

O maior favorito será mesmo Novak Djokovic, que para ficar com o título terá de assumir a responsabilidade de vencer um evento onde Nadal reinou toda sua carreira e onde cada vez mais tenistas querem meter a mao. Só que le, Novak, é o que ainda tem mais condiçoes de realizar a tarefa. Se tem cabeça para isso é o que resta se descobrir.

Fica cada vez mais claro que, atualmente, Novak é um tenista mais completo do que Nadal – só nao é ainda mais jogador. Mas está cheio de caras mais tenistas do que Nadal, só que nenhum mais jogador. O que está, cada dia mais, perto desse perfil é El Djoko. Já esteve mais perto, dois anos atrás, mas nao conseguiu manter o padrao. O título que sempre lhe escapou, ou que Rafa nunca lhe permitiu por a mao, pode ser o seu próximo grande passo na carreira. Se vencer em Paris vai se consolidar como #1.

A final de Roma deixou duas coisas claras. Novak tem mais recursos que Rafa, mas o espanhol tem mais raça e ainda consegue ser mais estável. Hoje Novak harmonizou melhor as forças.

Na parte técnica tem um fundamento que é um enorme diferencial – a devoluçao. A devoluçao de Novak é mais consistentemente agressiva do que a de Nadal. A única vantagem que o espanhol leva é que ele, e o mundo, sabem que o 1o saque adversário vai sempre no seu revés, bem mais frágil. Já Novak tem ambos os lados tao bons que os caras sao obrigados a variarem o serviço. O resultado é que o sérvio consegue muito rapidamente neutralizar a vantagem do sacador, enquanto Nadal tem que se castigar durante algumas bolas para “entrar” no ponto.

A estatística espelha o raciocínio. Nadal venceu somente 55% dos pontos em seu 1o saque, enquanto que Novak venceu 71%. Ou seja, Rafa nao tem nenhuma vantagem quando saca, até porque com o 2o serviço venceu 43% dos pontos. Já o sérvio, venceu 55% dos pontos no seu 2o serviço, até mais do que Rafa ganhou com o 1o serviço. Desse jeito a conta nao fecha para o espanhol.

Olhando para trás, o jogo nao foi mais fácil para o sérvio porque o espanhol ainda tem mais moral do que ele e começou se impondo. Os caras já jogaram mais de 40 vezes o sérvio ainda entra nessa roubada. A partir do momento – início do 2o set – em que Djokovic começou a fazer o seu jogo, tomando a quadra e tirando o tempo e o espaço do adversário, teve a partida sob seu controle. E ela só saia de seu controle quando ele permitia e Nadal partia para o risco total, algo que ele começa a ter dificuldades onde nao tinha um ano atrás.

Mas foi um lapso mental, tao nao Nadal, que selou o destino da partida, quando o espanhol, perdendo por 3×4, se permitiu perder nove de dez pontos ( Novak teve muito a ver com isso, indo para suas bolas sem entrar em alta faixa de risco, uma arte dificílima) para deixar o adversário a duas bolas de vencer a partida. Novak nao se fez de rogado.

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