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Arquivo de maio, 2014

sábado, 31 de maio de 2014 Juvenis, Novak Djokovic, Roger Federer, Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:00

Domingao

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Foi o dia de melhor tempo da semana, com um sol que por vezes brilhou, por vezes se acanhou. Mas foi um dia que deixou rabo para trás com dois jogos por terminar, o horror dos tenistas. Murray, que adora uma enrrolation, está na bacia das almas com o alemao Kohlschreiber, um encardido tenista sobre o saibro, donos de uma das grandes esquerdas com uma mao do circuito. Com ela faz tudo e mais um pouco. Já o MalaMurray, sobre quem escrevi esta semana, nao consegue ficar distante desses jogos enrolados. Os dois vao dormir pouco, já que o estresse é grande, acordar cedo e jogar a segunda partida da SL, após Berdich e Isner jogarem alguns tie-breakers.

Quem nao terminou também foram Verdasco e Gasquet. O francês faz seus conterrâneos sofrerem com sua personalidade – ou seria a falta dela? Jogar, na quadra principal de seu país, e nao conseguir jogar deve ser um sofrimento ainda maior para esse tenista que foi a maior promessa dos franceses nos últimos anos. E promessa nao cumprida. Verdasco tem 2×0 em sets e só perde se pirar.

Vai ser um Domingao em RG. A quadra central será invadida pela nova sensaçao feminina, a canadense Eugenie Bouchard enfrentando a alema Kerber que há tempos ronda um grande resultado nos GS. Em seguida entram Verdasco e Gasquet.

Depois entram Federer e Gulbis, o que deve ser, no mínimo, interessante. Como o letao gosta de um palco, duvido que ele vá fazer um papelao e nao aproveitar a oportunidade de pegar o veterano na principal quadra de um GS.

Logo depois El Djoko enfrentar Tsonga e a torcida francesa. Tsonga declarou no início da semana que seu palco favorito é a quadra central do Aberto da França com a torcida ao seu lado, o que nao é nada mal. Sao dois tenistas que adorariam o título em Paris. Tsonga porque seria o maior feito que poderá ter em sua carreira, o que o faria o novo deus do tenis frances, e Djoko porque é o único título dos Slams que lhe falta. Um vai manter o sonho vivo. O outro sequer estará na segunda semana do torneio.

Ainda teremos a partida entre a égua Muguruza e a fraquinha Parmentier. Se nao tremer a vezuelana/espanhola passa mais uma rodada com facilidade. Mas a essa hora estarei longe da QC.

Até porque deve ser na hora da Maria enfrentar a Stosur na SL – muito mais interessante, pelo tênis. Antes delas teremos o Isner e Berdich, o final do jogo do Murray, depois a Navarro x a croata Tomijanovic.

Em seguida Raonic, que começa a querer dar um novo e maior passo na carreira, vencendo partidas que antes nao vencia em torneios que nao ia tao bem, contra o mágico Granollers. Poucos fazem tanto quanto esse espanhol. Esse cara merece uma medalha pelo o que faz com aquela esquerdinha sem vergonha. Um lutador e um jogador.

Pelo jeito vou ficar mais tempo na Central do que na SL, a nao ser para ver o Mala terminar o que nao terminou, de um jeito ou de outro. Com passeios pelas quadras secundárias, repletas de jogos como a dupla do Bruno Soares e sua parceira, a Secretaria Shvedova, e o início do torneio juvenil, com as partidas do jovem Orlando Luz, Rafael Matos, Leticia Vidal e Luisa Stefani, todos amanha.

Domingao dos bons!

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Roger Federer, Roland Garros | 08:30

Patacadas

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Nao vou escrever sobre juízes de cadeira porque é algo que posso fazer em qualquer outra hora. Mas menciono que, mesmo em um evento como Roland Garros, os senhores juizes, e juizas, fazem patacadas indescupáveis e incompreensíveis para quem é admitido trabalhar em tal evento.

Menciono duas, entre vária que vi e mais ainda que nao vi. A primeira o garoto Sawyer postou o link de uma bizarrice feita por uma juíza na S. Lenglen: https://www.youtube.com/watch?v=Ip4b4otl-c0.

A Hantuchova ficou inconformada, veio a supervisora, que tem uma tremenda cara de tonta, o que ainda nao lhe faz justiça. Era um caso tao claro de erro da juiza! Mas os supervisores vêem à quadra com a agenda definida de nunca confrontarem o juiz de cadeira e dar a razao ao tenista – nunca vi, que me lembre, disso acontecer! E isso simplesmente continua a acontecer, no caso, porque ela sequer ouvia o que a Hantuchova dizia. E ainda veio a alema e diz para a Hantuchova esquecer e e “que vamos jogar pela marcaçao da juiza!”.

Nao sei se igual ou pior, mas que gerou bem menos polêmica, foi no jogo do Federer contra o argentino Swartzmann na SL. Aliás passou desapercebido pela esmagadora maioria das pessoas presentes. Conto porque alguns poucos sofasistas insistem em dizer que pego no pé do Djokovic quando ele apronta uma dessas e que nao falo do suíço. Vamos lá.

O argentino deu uma bola longa, que o Federer madeirou e mandou para a arquibancada, para logo em seguida o juiz de linha cantar fora. O argentino, que nao queria criar confusao, fez cara de cachorrinho em direçao ao juiz de cadeira – aquele incompetente francês loiro que a minha memória me serve esquecendo seu nome – desceu, foi até a linha de fundo, olhou e afirmou ser boa, porque o fora.

Entao, o senhor Federer, ícone do fair play, volta ao lugar para receber o saque do adversário do lado de onde se repetiria o ponto, onde fica como se fosse a coisa mais correta do mundo. O argentino a essa hora já está lá colocado para o próximo ponto, já que a cantada do juiz de linha acontecera claramente após ele errar o golpe. O juizao de cadeira olha para o Federer, olha para o argentino e deve ter pensado “Eu hein, contrariar o presidente da ATP e o El Boniton do circuito? To fora” E mandou o repetir o ponto. O hermano decidiu que era uma batalha perdida, porque nao iria “causar” na frente de um montao de gente, logo ele que viera do qualy enquanto que o outro…. Olhou para seu camarote, chacoalhou a cabeça, como quem diz “fazer o que, che?” e foi pra luta. Era break point, que ele perdeu, para entao o bonitao sacar para o set em uma partida até entao bem equilibrada.

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Roland Garros | 07:50

Sacando

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Uma das minhas brincadeiras com a minha mulher em Roland Garros é virar para ela e perguntar qual o placar do jogo do Isner. A resposta padrao é sempre variaçoes de ordem de tie breakers. O cara é, de longe, o recordista, a cada ano, de TB jogados. Os jogos deles sao uma diversao. Sim, estou sendo sarcástico. O ano passado assisti a um só porque era contra o Haas e na quadra1. A razao, óbvia, de tais resultados, o fato de ele ter mais de 2m e sacar bem e como se tivesse em cima de um pedestal – porque no resto ele só nao é mais ridículo do que o Karlovic, sendo assim é muito raro que quebre o saque de alguem – a nao ser que fique uma dez horas tentando.

Como nao poderia deixar de ser, Isner é o líder do ranking dos aces em RG 2014 com 75. Depois vem Raonic com 66 e Karlovic 46.

Interessante que o saque mais rápido em RG2014 nao é do Isner e sim de um fantasmaço francês Albano Olivetti que, como convidado, perdeu na 1a rodada, onde fez nove games em outro fantasma, o alemao Struff, e onde “cometeu” um saque de 228kmh. Depois dele vem o maluco do Janowicz com 226kmh, Gulbis 225, Raonic, 225, Isner 224.

O outro lado moeda desses sacadores sao os tenistas que nao tem um grande serviço e investem no saque/tático, ou seja, em uma alta % de 1os serviços em quadra. O líder de tal facçao é o esforçado argentino Berlocq com 79%, Monaco 77, Volandri 75, Hanescu 75, Starace 73, Montanes 73, Andujar 73, Agut 72 – pegaram o perfil? O único que nao faz tanto sentido é o Hanescu, que tem 2m de altura e nao saca para machucar. Mas quem entende o Hanescu?

Entre as mulheres, o saque mais rápido e a alema Lisicki com 196kmh, mais aces a Safarova com 14 e a maior %, quem mais, a baixinha marruda Errani com 86% – a mulher nao saca, empurra o serviço na quadra.

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sexta-feira, 30 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 08:21

Na primeira fila

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Quase todas as quadras de Roland Garros tem uma seçao, maior ou menor, para acomodar a imprensa e a área dos jogadores, onde sentam os mesmos e convidados. Digo maiores e menores porque algumas sao minúsculas. Digo quase todas porque nao estou tao certo de que todas tem. E se tem sao poucos os que sabem onde elas ficam. Se for depender do pessoal que atende e orienta a entrada do publico estamos perdidos, porque estes muitas vezes nao sabem nem que existem.

Algumas dessas áreas oferecem aquilo que considero o maior privilégio de se assistir um jogo ao vivo em um GS. A oportunidade de acompanhar um cachorrao, ou mesmo uma cachorrona, a pouquissimos metros de distância. E das ofertas de Roland Garros, as minhas favoritas sao as das quadras 1 e 2. A primeira porque a imprensa pouco vai por ali, apesar dos ótimos jogos que lá acontecem e a entrada na quadra ser rápida.

Nessa quadra, quase sempre a imprensa presente senta a partir da segunda fila – sao umas seis filas formando um pequeno retângulo. Acredito que nao ficam na primeira porque é perigoso. Nao sao poucas as vezes que o tenista quase acaba no seu colo, ou pior, que sua raquete passa por perto de seu rosto. Mas é uma sensaçao única.

Ali voce enxerga tudo que o tenista que está próximo faz. Ouve tudo o que ele fala ou resmunga e, acreditem, eles falam o tempo todo entre os pontos. Alguns mais outros menos. Se prestar atençao ouve o que eles pensam.

Ontem foi um excepcional nesse quesito. Após acompanhar Nadal e Thien lá de cima, onde posso escrever ao mesmo tempo, fui vagar pelas quadras. Três partidas preencheram minha tarde e saciaram meus desejos tenisticos.

Acompanhei Murray e o australiano Matosevic do perigoso assento da q1, Bellucci e Fognini da segunda fileira da quadra4, e Verdasco e Cuevas na primeira fila da q2.

A única dessas partidas que pegou fogo mesmo foi a última, quando o uruguaio abriu 2×0 e o espanhol virou e venceu no quinto com quase 4hrs de jogo. O publico lotara a quadra2, que é a quadra mais “gostosa” do complexo, porque é bem fechadinha, ao mesmo tempo que oferece um bom número de assentos, o bastante para a participaçao do público fazer uma diferença. O jogo foi pegadissimo, com muita correria. No final Verdasco conhece melhor o caminho das pedras desses momentos, além de ter um preparo físico superior, o que fez a diferença. Um detalhe curioso é que no tal chiqueirinho se espremiam, sentando ombro a ombro, os amigos, técnicos e convidados de ambos tenistas, com todos torcendo e falando pelos cotovelos com os jogadores. Um jogao!

A partida de Bellucci nao me emocionou e impressionou como a anterior. Pensei que poderia acontecer ao contrário, pela qualidade do oponente – Fognini. O italiano está com tremendo tempo de bola e usa muito bem a força da bola alheia para fazer a sua andar – uma questao de talento.

Duas coisas faltaram para Bellucci, que haviam sobrado na abertura. Confiança e administraçao tática.

Ao meu lado, durante um tempo, assistiu a partida o amigo e comentarista da SporTV, Narck Rodrigues, ex tenista que sabe tudo da bolinha, e os pensamentos em pouco divergiam, até para nao dar a impressao que falo por ele. A pergunta que sempre fica é o porque da oscilaçao emocional, consequente técnica do nosso tenista.

Bellucci tem as bolas – o problema que surge é quando e quais usar. Se tem jogo que ele escolhe melhor e jogo que ele escolhe pior, só pode ser por conta de alteraçoes emocionais. E fica difícil dizer se a confiança despenca conforme as coisas saem erradas ou se é o inverso. Mas, seu problema maior segue sendo as escolhas táticas e mesmo estratégicas de como jogas seu tênis. Sao opçoes muito estreitas para o tamanho de seu potencial.

De qualquer maneira, olhando pelo lado positivo, o vi rápido, sem dar sinais de cansaço, apresentando novas bolas, especialmente no lado do revés. Fica claro que trabalho nao falta. A carência é outra.

O mais divertido da tarde – e atentem que optei por nao acompanhar a Aninha na Central e a Giorgi na q2 – foi assistir MalaMurray na q1. Um espetáculo. O escocês é um tenista diferenciado em vários sentidos e poderia escrever uma dissertaçao a respeito.

O fato que acompanha-lo a essa distância, vejam a foto que tirei na minha página do Facebook -https://www.facebook.com/paulo.cleto.33 – é um privilégio, uma viagem, uma oportunidade impar.

Murray tem golpes extremamente bem montados, uma habilidade ímpar que ele nao hesita em usar das mais variadas maneiras, um preparo físico exuberante que o leva a fazer coisas inimagináveis e seus oponentes à frustraçao, e um conhecimento e raciocínio tático de se tirar o chapéu – o cara pensa o tempo todo.

A sua força física é tanta que lembra a força de um bailarino consolidado. Ele constantemente se movimenta, antecipa, procura a bola, recupera, que é uma arte preciosa no tênis. Seus golpes sao variados ao esgotamento. Seu revés pode ter a abertura normal e longa, pode ser curta ou extremamente curta, como na devoluçao de saque quando ele invade 3 a 4 metros para devolver o petardo de um sacador como o Matosevic. Dos dois lados ele pode usar o top para dar altura e profundidade, pode ser reto para acelerar e atacar, pode ser um slice de esquerda para mudar o ritmo ou se defender. Pode ser um curtinha venenosa ou uma paralela como uma bala. Os seus jogos poderiam custar o dobro dos outros que ainda valeriam a pena – ele e Federer em quadra nao tem preço.

Agora ele também está virando sacador, o que lhe ajuda bastante. Ele diz que ainda está a procura de um técnico, mas nao é algo que vai decidir durante um torneio. Será que irá inaugurar um nas duas semanas que separam RG de Wimbledon? E a pressao?? O interessante é que ele está tao ciente do fato que dá para ver que está prestando mais atençao ao seu jogo e, em especial, à sua postura em quadra. Fala o tempo todo. A cada ponto. Mas ao contrário de antes, quando reclamava demais consigo, pelo menos ontem ficava o tempo todo se motivando. Uma mudança que pode ser crítica para um tenista com seu perfil e que lhe deixa ainda mais perigoso.

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quinta-feira, 29 de maio de 2014 Sem categoria | 09:46

O novo cachorrao

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Estou na QC assistindo Nadal, de tênis e blusa azul anjinho, enfrentando aquele que pode vir a ser o próximo cachorro do circuito, o austríaco Dominic Thiem.

O garoto tem bola, uma esquerda de dar gosto, que com o tempo será tão boa ou melhor do que a do Wawkinka, batida com uma única mão, muito estilo, força e eficácia – uma coisa linda de se ver.

A direita ele gosta de enfiar mão e tem confiança. Não é tão correta quando o back, mas ele tem a audácia necessária para ela ser perigosa. Para tal ele usa bem sua cintura – ele é bem mais ancudo do que o normal. A bola anda muito, mas dá para ver que ele mesmo ainda não tem a dosagem correta e final do golpe, mas deverá se desenvolver em um tremendo golpe. Com o tempo, ele dirá o quanto e quando ele se tornará um grande jogador, deve ajudá-lo equilibrar o uso e a medida dos dois golpes, sabendo o quanto pode e deve fazer com cada um deles e a que horas.

Não vi o bastante dele junto à rede para dizer, mas dá pra dizer que não é nenhum cego. O saque é bastante bom, sem ser excepcional, e deve melhorar com o tempo. É arrojado, confiante e até agora mostra ótima atitude em quadra. Afinal é um garoto de 19 anos e o mais novo de todos os atuais top100.

Veio para a QC com intenções de incomodar e jogar solto. Mas, mesmo com todas as qualidades acima, ainda é um pouco cru, não sabendo exatamente como equilibrar grandes bolas com bolas necessárias e ataques incisivos com ataques imprudentes, algo que só a quilometragem em quadra trará.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014 Roger Federer, Roland Garros, Sem categoria | 13:46

Assustador

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O que separa a quadra 17 e a Quadra Suzanne Lenglen é bem mais do que a distância, onde ficam as quadras de treino, entre as duas.

Na SL o publico tem outras expectativas, além de outras acomodações. Ali jogam franceses e cachorroes. Os oponentes são convidados.

Saindo da q17 fui para SL para acompanhar Roger, El Boniton. Afinal não se sabe, como já escrevi, quando será a última vez, só sei que não está muito distante.

O rapaz é impressionante. Em especial contrastando com o argentino nanico que o enfrentou. Roger está cada dia mais mascarado, ou cool, vocês escolhem. Postura e altivez é que não lhe faltam. Além disso é uma elegância ímpar – jogando ou na pose.

O argentino não jogou metade do que jogou com o português Elias. Mas o também este não joga um décimo do que joga Federer.

O suíço continua o mesmo e não vai ser agora que vai mudar. Joga para o gasto. Vai devagar, na maciota. Se o outro se enche de graça aí então ele engata uma terceira e começa a acelerar. E o que a sua diReita anda é uma brincadeira. A esquerda é bonita, mas está cada dia mais frágil aos constantes ataques, já que todos sabem que ali é a mina. Até porque não dá pra ficar alimentando aquela direita.

O argentino nunca se soltou e nunca jogou o que sabe. Vai poder contar para os netos que deu duas curtinhas e três lobos no Federer, mas não vai dar para contar muito mais. Roger, que teve a companhia das gêmeas nas arquibancadas chegou a trocar a camisa no início do 3o set, não por conta do suor – ele não sua, muito menos no frio que fez hoje – deve achar que fez um bom treino para coisas mais sérias que terá pela frente.

Seu próximo jogo é contra o brincalhão Rtursonov, que ninguém, nem ele, sabe como jogará. Pode brigar como um cossaco, mas pode simplesmente pirar e deixar para outro dia.

Eu quando vi que a partida seria mais um passeio do que um jogo puxei o carro e fui para coisas melhores.

Peguei um jogo entre o Berdich e o casaque Nedovyesov, sentado na primeiríssima fila imprensa da Quadra 1, o melhor lugar, de longe, para assistir uma partida em RG que foi a partida do dia. O checo venceu em quatro sets difíceis (após perder o primeiro e se apertar nos dois seguintes). Mas vou lhes dizer uma coisa – assustador!

O que os dois deram de pancada nas coitadas das bolinhas foi uma grandeza. Especialmente o Berdich, que quando viu a coisa ficar preta enlouqueceu e começou a espancar a canarinho. Duvido que alguém pegue tão pesado quanto esse cara. E ao vivo é simplesmente inacreditável. Foi um espetáculo. Só posso dizer que o cara é um animal.

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Roland Garros, Sem categoria | 13:11

Fiasco

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Pior promessa é a que não se cumpre. Fui seco para assistir o jogo do Dolgolpov, contra o Granollers, por que sabia que algo bom podia sair alí. Afinal são dois tenistas fora da caixa que utilizam um reduzido arsenal para incomodar muita gente. E Dog anda em uma fase boa, um bônus bem vindo.

O ucraniano começou demolidor, abrindo dois sets. De repente deixou o outro gostar do jogo e perdeu os próximos dois. Foi quando acusou uma contusão e pediu atendimento. Pouco adiantou e acabou perdendo no quinto. Não sei quanto a contusão teve a ver com a viajada, mas com certeza ele vai dizer que foi a razao da derrota.

Esse jogo aconteceu na quadra 17, uma quadra que até o ano passado era usada esporádicamente e agora, pelo memos na primeira semana, eles estão usando direto.

apesar de ficar lá onde o Judas perdeu aS botas, é a ultima do atual complexo, eles encorparam a arquibancada e ajuda a desafogar um pouco a rodada e o publico. Ali dá pra ver o jogo bem de perto, que era a minha expectativa, mas jogo foi um fiasco.

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Roland Garros | 07:43

E o sol?

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As estaçoes do ano no Europa sao bem mais marcantes do que no Brasil. A coisa se acerta quase como um relógio. Tradicionalmente a primeira semana de Roland Garros, e ultima de Maio, ainda tem um pouco de tempo feio, encoberto, pouco sol e alguma chuva, típicos de Maio. Com uma boa dose de precisao, na segunda semana do evento o clima muda, o sol vem reinar, o céu fica azul e deixa todo mundo feliz.

Esse cenário nao é, como já disse, estranho, mas também nao é uma regra rígida. Já vi boas primeiras semanas, exceçoes que nos lembram dessa ingrata oscilaçao. O problema é que, pelo o que minha memória lembra, esse tempo ruim tem ficado pior nos últimos anos, ou talvez só me irrite cada vez mais.

Esta semana em Paris nao tem nada a ver com o que gosto ou lembro de Paris na primavera. Está horrível, o que, de mais de uma maneira, afeta também o torneio. Além do óbvio problema de interromper e adiar jogos, deixa todos – tenistas e público – na ansiedade sobre o que vai, ou nao, acontecer, além de comprometer a experiencia ParisRolandGarros.

Hoje está mais um dia feio, todo nublado e com ameaças de garoas que podem virar chuvas e atrapalhar os jogos. O pior é que a previsao para amanha é igual e para o resto da semana uma dúvida, já que eles dizem que o tempo estará encoberto, sem se comprometerem com a chuva.

A esta altura já estou entregando a semana a Deus e rezando para que a próxima mantenha a tradiçao e tenha aquele clima maravilhoso, que tanto se aproxima do clima que geralmente temos no Brasil nesta mesma época – um bom sol e céu azul – e que faça a alegria e a festa de todos em Paris e Roland Garros.

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terça-feira, 27 de maio de 2014 Roland Garros, Tênis Brasileiro | 09:37

Sim, ele pode

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Completando um dia improvável e de ótimos assentos fui assistir, desde o início, a partida de Thomaz Bellucci. Uma partida, como escrevi, ganhavel para Thomaz, e nao por isso fácil para Bellucci.

O brasileiro jogou, durante dois sets, o melhor tênis que já o vi jogar. Sólido, sem erros, explorando tanto suas qualidades como as fragilidades do oponente, alternando ataques, desequilibrando o adversário, cortando drasticamente os erros, enfim, jogando o seu melhor, que é o bastante para enfrentar qualquer um.

E é por aí por perto que reside o maior adversário de Thomaz – ele mesmo. Ele duvida.

O alemao falsoBecker nao começou, de repente, a fazer muito mais do que nos primeiros dois sets. Fez o que um alemao sabe fazer; nao desistiu, pagou pra ver. E, lógico, quando Thomaz falseou ele aproveitou – e o jogou mudou.

Em nenhum momento – com a exceçao de um game no 3o set – se pode dizer que Thomaz jogou mal. Acontece que Thomaz, como muitos tenistas, e ao contrário de alguns poucos, tem que jogar o tempo todo com a confiança lá em cima. Aí ele é um enviado dos infernos para seus adversários. Um tremendo de um saque, uma direita avassaladora, um revés que melhorou barbaridades, tanto na cruzada, que ficou perigosíssima, como na paralela, aonde nao tem mais aqueles pensamentos tolos de nao usar o slice (um de seus grandes progressos táticos e que lhe aliviou inúmeros erros nao forçados que cometia quando sob ataque), bons e confiáveis voleios curtos. Ou seja, um arsenal de respeito.

O seu inferno é que quando ele se desvia mentalmente de sua trilha, cometendo alguns poucos erros, o que, convenhamos, é quase inevitável, a nao ser que se trate do um Nadal, Thomaz nao se perdoa com facilidade. Ele permite que o diabao lhe venha infernizar a vida, mexendo com sua confiança, o maior bem que um tenista pode ter – e por isso algo que deve ser protegido, como o rei no xadrez, com todas as forças.

Ontem, após perder dois sets, que poderia ter ganho, Bellucci deu um sério passo à frente em sua carreira. Foi no fundo de sua alma e resgatou-a do chifrudo, levando-a ao altar da confiança, o que lhe permitiu a voltar a jogar o seu tênis original. E que festa ele o é. Um tênis agressivo, arrojado, audaz, insistente no ataque. Nesse cenário Thomaz mostra seu melhor e acua os oponentes. Na hora que o brasileiro aceitar que, como dizem os americanos, shit happens, e aprender a colocar isso de lado assim que acontece, e focar no que de ótimo sabe fazer, conseguirá ser um tenista temido tanto pela agressividade como pela consistência, que é o almálgama que mantém todas as qualidades tenisticas vivas e trabalhando. Tudo que Thomaz precisa é trazer para si um pouco mais daquilo que o tal Obama soube tao bem vender para se tornar o homem mais poderoso do universo; yes, I can!

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Roland Garros, Tênis Masculino | 09:05

Duas zebras

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Quase nao fui a Roland Garros ontem. O tempo estava horrível e havia sérias duvidas se aconteceriam as partidas. Mas como as promessas de jogos eram boas terminei por ir. Ainda bem.

Pude ver o Nishikori – sentado na 1a fila da Quadra 1, um dos melhores locais para a imprensa em RG – que de repente se tornara um dos favoritos, correndo por fora, ser derrotado de forma surpreendente pelo Klizan, um tenista que esteve no Brasil. Após quase levar o 1o set, no TB, o japônes sumiu em quadra. Ele mesmo confessou que se tivesse vencido o 1o set a história poderia ter sido diferente. Quem sabe? Ele vinha de uma contusao na final de Madrid, ficou sem jogar pontos e sacar por duas semanas, o que mexeu com seu ritmo. Mas só um deslize mental explica quase levar o 1o set e depois fazer dois games em dois sets. E para deslizes mentais nao há desculpas.

O mesmo raciocínio serve para Stan Wawrinka, de quem se esperava tudo e mais um pouco em RG. Afinal, o cara venceu o ultimo GS e vinha jogando em um nível diferenciado. Acompanhei o jogo também em excelente lugar, a convite do Braguinha, quase nonagenário e assistindo tudo o que é esporte mundo afora, onde dava para ouvir o suspiro do tenista e suas mais sutis expressoes faciais.

Melhor do que qualquer coisa que escreva para explicar a surpreendente derrota do #3 do mundo, para um espanhol perigoso no saibro (Garcia Lopez), sao as palavras do suíço a respeito. “Eu preciso montar o quebra cabeça novamente. É um novo cenário – ter vencido um GS e ser #3 do mundo – e eu ainda nao consegui por as peças nos lugares corretos.” Para bom entendedor meia palavra basta. Estas do Stan explicam o que há para explicar. Nao ajuda como desculpa, já que ele teve tempo para fazer a equaçao. Mas esta sempre foi a fragilidade desse tenista de tênia maravilhoso e que faz a cabeça e o coraçao de qualquer amante do tênis. Mas é tambem a diferença entre ele, assim como muuuitos outros, e os cachorroes, aqueles que vivem com a pressao semanalmente por mais e mais grandes resultados e sempre encontram uma soluçao em seus interiores. Esses sim os diferenciados, grandes jogadores e grandes campeoes.

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