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Arquivo de abril, 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014 Juvenis, Tênis Masculino | 13:42

Chegando lá

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Enquanto tenistas como Roger Federer e Rafael Nadal começam a mostrar algumas dificuldades onde antes nao encontravam, aos poucos uma nova geraçao começa a mostrar serviço com uma frequencia que antes nao existia.

Neste fim de semana passado dois tenistas da nova geraçao venceram mais um título. O japones Kei Nishikori (24 anos) venceu o torneio de Barcelona, o que tem que ser considerado um feito – é o primeiro nao espanhol a faze-lo desde Gaston Gaudio em 2002. O evento é tradicional e os espanhóis tem grande orgulho em vencê-lo, até mais do que o de Madrid, que apesar de maior em premios nao tem, nem de longe, a mesma tradiçao.

Nishikori, que vinha tendo seus melhores resultados nas quadras duras – ele agora tem 5 títulos, sendo Barcelona o primeiro no saibro – era um bom jogador de saibro, foi “criado” no har-thru da Florida, e venceu bastante torneios juvenis europeus no saibro. Mas na passagem para profissional seu tênis rendia mais nas duras, dependendo mais de sua velocidade e golpes de contra ataque. Agora, mais encorpado e confiante, volta a vencer no saibro. É o atual #12 do mundo e será interessante ver como se sai em Madrid e Roma, antes de chegar a Roland Garros. Vale mencionar que Kei bateu na final o colombiano Santiago Giraldo, um tenista que sempre achei interessante, e que se tivesse um pouco mais confiança em si poderia se tornar bem perigoso.

Em Bucareste, o vencedor foi Grigor Dimitrov (22 anos), jogando perto de casa, Huskovo na Bulgaria, algo que faz uma diferença, e com seus pais nas arquibancadas. Dimitrov é um dos tenistas que mais progrediu nos últimos tempos. Pode-se dizer que por conta de ter assumido o linha dura Roger Rasheed como técnico ou talvez por conta do amadurecimento natural de quem, aos 22 anos, está chegando a termos com suas habilidades, assim como o equilíbrio entre estas e outras qualidades necessárias para progredir no circuito. Grigor já passou pelas maos de alguns técnicos, desde seu pai, que lhe ensinou o tênis, à Pato Alvarez (colombiano e renegado “pai” do atual tênis espanhol), Lundgren, Norman e o marqueteiro Mouratouglou.

O bulgaro é outro que se dá bem em todos os pisos e Bucareste foi sua 3a final e 2o título em seis meses – os outros nas duras, indoors em Estocolmo e Acapulco outdoors. Ele também cresceu no saibro, mas até agora acreditava que as duras e a grama eram a melhor maneira de cacifar sua envergadura e seus golpes elásticos. Com o atual ranking #14, ele tem batido na trave com os cachorroes mas, assim como Nishikori, parece pronto para a transiçao para o clube dos cachoroes.

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quinta-feira, 24 de abril de 2014 Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:30

Estratégia?

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A estratégia para o sucesso no tênis profissional nao passa somente pelo o que acontece em quadra. Sao muitas se decisões que o atleta precisa fazer. Sempre dizia aos jogadores que treinei que um tenista, especialmente aquele em formaçao, faz, no mínimo, umas 30 decisoes diárias, numero aleatório já que é maior, que terao um impacto em sua vida/carreira. Desde o momento que tem que decidir se vai levantar na hora marcada para ir treinar ou nao, até se vai deitar cedo para ter uma boa noite de sono ou ceder às tentaçoes, com todo o recheio de decisoes que se faz a cada instante que podem ser benéficas, ou nao, para sua carreira – e a lista é grande, diária e infindável. Nao é à toa que os campeos sao poucos e os perdedores muitos.

Mas, nao era por aí que o meu Post foi pensado. Eu tinha mesmo em mente um breve comentário sobre o Novak Djokovic e a seu aparente infindável flerte em meter um pé na jaca. Para os que tem pouca memória, lembro que no início da carreira o sérvio volta e meia abandonava partidas por conta de “contusoes” e alguns “mal estar” mal contados. Levou, por conta disso, pito de Federer e Roddick, entre outros, mais alguns vários comentário desabonadores. Como é um tremendo lutador, foi à luta, focou no que importa, e tornou-se um dos mais, se nao o mais bem preparado fisicamente dos tenistas, algo pelo o qual tenho o maior respeito. E aquele aspecto negativo dele sumiu. Até Monte Carlo 2014.

Na semifinal, contra Roger Federer, que por anos foi seu algoz, Novak escorregou na velha forma. Jogou de igual para igual até o 5×5 no 10 set, quando acusou uma contusao no pulso, com um belo teatro, e acabou “entregando” o jogo sem sair da quadra. Alguns elogiaram sua atitude – e ele fez questao de dizer nas entrevistas que ficou em quadra no sacrifício, por respeito ao publico e por temer que as velhas acusaçoes reaparecessem.

A bem da verdade, ele já vinha avisando sentir dores no pulso desde o início da semana. Mas é bom lembrar que a partida tinha outros componentes emocionais em jogo, o que fazia dela mais “nervosa”, especialmente para Novak. Se ele vencesse, empataria com Federer em 17 vitórias cada (Ficou 16×18 e, por curiosidade, Novak está 18×22 contra Nadal). Considerando o futuro, as chances seriam mais altas que acabasse com um recorde positivo contra o “melhor do mundo” – algo que em seu HD emocional deve contar bastante. E aí que começa suas discutíveis estratégias e decisoes.

Um atleta contundido nao alardeia sua condiçao pela imprensa. Se ele tem algo o “vestiário” vai saber. E se nao souber a imprensa nao é o melhor e mais confiável local para descobrir. Cada um “espalha” o que lhe convém pela imprensa, que, em certos casos, acaba sendo um porta voz involuntário. Além disso, nao cai muito bem ficar oferendo desculpas por derrotas. Especialmente por contusao. Se um tenista tem dores que o impedem de jogar nao entra em quadra para nao agravá-la. E se as sente durante a partida, aperta a mao do adversário, o olha no olho e lhe dá os parabéns pela vitória. Mas usar as entrevistas para diminuir a vitória do adversário é algo duvidoso.

Novak passou a semana dizendo estar com dores no pulso e vencendo partidas em dois sets – sei! Aí, contra o algoz, o pulso piorou e ele foi para o sacrifício. Para explicar melhor a história, afirmou, logo após a derrota, que teria que ficar um tempo longe das quadras e nao sabia quando voltaria a competir.

Esta semana anunciou que volta a jogar em Madrid. Nao custa mencionar que ele nao estava escrito em nenhum outro torneio antes de Madrid. No fim das contas, ele só ficou longe mesmo o que já estava planejado e nao houve nenhum estresse que o obrigasse a “ficar longe das quadras e nao saber quando voltava a competir”.

Essa tem sido a estratégia de Djokovic; declarar e confundir. Mas, lembrando Nadal e Federer, nao posso dizer que é o único. Cada um, a seu modo, tenta despistar enquanto tentam encantar. Alguns, como Federer, até conseguem, mas por outras razoes. Novak nunca teve tanto sucesso junto à imprensa ou o público. Nadal também adora confundir com o assunto. Só o Murray, dos Fab4, fica lá em seu mundinho sem bricar do mesmo jogo. Nao preciso nem dizer que o Ferrer nunca usou de tal argumento. Mas, nesse quesito, dou a mao à palmatória às irmas Williams. Elas nunca usaram a forma fisica, ou a falta dela, para embaçar. Assim como nunca as vi dando desculpas após uma derrota. No máximo dao os parabéns à adversária. E isso, meus leitores, eu respeito, e muito.

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segunda-feira, 21 de abril de 2014 Aberto da Austrália, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Roland Garros | 14:49

#1 e #2

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A lógica feminina sempre me fez tremer. Especialmente nos momentos de estresse mútuo. Como assistir a uma semifinal de Monte Carlo nao é nem um pouco estressante, nao vejo nenhum mal nela – a tal “lógica”. Nas partida entre Roger Federer e Novak Djokovic, minha mulher mulher me informou, em tom casual, que estaria torcendo pelo Topetudo Federer. Até aí nenhuma surpresa, até porque ela nunca foi torcedora do sérvio, enquanto anda bem desapontada com Federer e seu topete. Aliás, a torcida do Djoko é bem abaixo do esperado, visto os resultados do rapaz. Mas isso já sao outro 500 quem nem o público que invadiu o MCCC faz questao de explicar.

Passado alguns segundos, como se fizesse um suspense que nem percebi, ela continuou seu raciocínio. “Vou torcer pelo Federer para ver ele perder a final para o Wawrinka”. Ahh, a torcida dela era, na verdade, pelo quase eterno #2 suíço, que agora é #1 para a frustraçao do outro. Mas torcer pelo Stan nao lhe era o bastante. Ela queria o rapaz vencendo na final o Boniton, seu histórico algoz. Isso sim é torcida.

Quando relatei o assunto a um amigo – um dos melhores tenistas de nossa história – ele de bate pronto concordou com ela. E ainda, pensando em voz alta, emendou: atualmente eu torço contra o Djokovic e aquele outro, como é o nome dele – Murray, fazendo uma cara de quem nao comeu e nao gostou. E torço a favor do Federer e do Wawrinka. Mas na final vou torcer pela #2 – no caso ele se referia à Wawrinka, que nao é mais o #2, e sim o #1 da Suíça.

Nao posso dizer que a torcida monegasca, que nao é monegassca coisa alguma – sao franceses e italianos que lá vao – torceu descaradamente pelo Roger. O carisma do rapaz é gritante – especialmente depois da tal torcida ficar quase uma década “aplaudindo” Rafa Nadal na final do Torneio de Monte Carlo. A Princesa, uma nadadora sul africana que é um “armário”, deu logo três beijinhos em ambos os suíços para deixar claro a felicidade local.

Confesso, sem parcimônia nem culpa, que minha “torcida” foi pelo Stan. Invariavelmente vou torcer por aquele que nao deveria ganhar. Especialmente se for um sopro de categoria, finesse, imprevisibilidade. Coisas que o Wawrinka coloca na mesa – em especial com seu backhand.

No primeiro set da partida, o #2 foi o #2 – respeitou, tremeu e entregou a rapadura. No 2o set foi entrando em jogo, indo menos para as laterais, cortando os erros e entrando no jogo, mas sempre com a little help from his friend, e, finalmente, escapou no que seria o apagar das luzes.

O terceiro foi o banho de realidade. Na atualidade, jogando no seus potenciais, o ex #2 é melhor. Deu uma tunda no ex #1. Além disso, fica dúvida de quanto este ainda tem “pernas” para jogar sets decisivos e no fim do torneio. Neste set, Federer, que sempre foi cavalo de chegada, morreu. Stan sobrou e sobrou com confiança, o que está lindo de ver.

Perguntinhas para os próximos eventos da temporada européia sobre o saibro: Wawrinka pode ganhar o 2o GS seguido? Lembrando, ele é tao, ou mais, perigoso no saibro como no piso australiano. Rafa Nadal vai conseguir, mais uma vez, dar a volta por cima? Eu nunca apostei contra o espanhol – nao vou começar agora. Djokovic vai cair na real, mandar Becker de volta para onde ele estava, ajoelhar e pedir o perdao do Vajda? Alguém mais vai aparecer para brigar pelo Copa dos Mosqueteiros de 2014, momento máximo do saibro mundial? Barcelona, Madrid e, especialmente, Roma pode acenar com as respostas.

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sexta-feira, 11 de abril de 2014 Juvenis, Light | 16:32

Fantasie

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Freud dizia que as fantasias sexuais nos levavam às cenas mais primitivas. O doutor vienense explorou, com certa controvérsia, esse aspecto humano, sendo por vezes massacrado pelos seus contemporâneos, pela audácia na abordagem. Porém, convenhamos, o tema exige uma boa dose de audácia, pois é raramente lidado de maneira aberta e transparente no dia a dia e investiga nossas mais secretos pensamentos e fantasias.

Como nao podia deixar de ser, os elementos ofertados por Freud para pensarmos as fantasias nos leva a um universo de questionamentos. Freud flertou por um tempo, nao vou entrar em detalhes, com a teoria que as fantasias estariam ligadas às nossas lembranças, mais precisamente à nossa percepçao de acontecimentos passados e até antepassados. E aí sabemos que nao existem regras. Se cada um enxerga o presente da maneira que mais lhe convêm, ou talvez nao, já que os neuróticos sao cada vez mais numerosos, considerem a flexibilidade existente sobre a imaginaçao do que aconteceu no passado muitas vezes distante.

Freud “brincou” com a idéia de que as fantasies/teoria da seduçao teriam dois momentos distintos. O primeiro seria na chamada cena de seduçao, onde haveria uma certa inocência por parte do afetado (criança) e uma açao mais ativa por parte do adulto. Na ocasiao, o pai da psiquiatria foi pressionado por vários críticos. Pouco tempo depois mudou a teoria – uns dizem que por conta da pressao exterior, outros que por conta de uma profunda auto-análise. A mudança sugeria que a tal cena de seduçao seria de fato inexistente, sendo sexual unicamente por parte do adulto e nao da criança já que o jovem nao teria entao condiçoes de entender o evento como sexual.

Só quando surge a segunda cena, anos mais tarde, quando a criança faz a associaçoes que remontam à lembrança da primeira cena, causando o recalque, que a explosao sexual, no já adulto, é deflagrada. Como veem, o assunto, além de fascinante, abre inúmeras portas, algumas que Freud, e outros, tanto abriram como fecharam.

E onde quero chegar com essa elucubrações sexuais. A origem foi uma foto, que publico abaixo, de um garoto Dimitrov com uma jovem Sharapova. Todos os atletas até se cansam de assinar autógrafos e tirar fotos com fas. Faz parte do dia a dia. Alguns fazem com prazer, outros nem tanto. Já ouvi várias pessoas reclamarem da postura da Sharapova. Talvez tenha sido o dia, as circuntâncias ou mesmo a pessoa?

Em ambas as fotos ela me parece bem alegrinha, assim como o garoto, afinal ao seu lado uma campea e bela loira. A questao é de como ela o via. Eu diria que na primeira foto ele tem uns 13/14 anos e ela uns 17/18 aninhos. Eles tem quatro anos de diferença. É óbvio que nessa idade a diferença era gritante e jogava com interessantes discrepâncias amenizadas nos anos seguintes.

Na primeira foto, será que o Grigor era tao inocente quanto demonstrava seu sorriso juvenil? E a Maria, nao me pareceu nem um pouco amuada ou mesmo constrangida em se inclinar carinhosamente para o garoto. Na segunda foto, quase dez anos depois, ele se inclina, felizinho, orgulhoso, quase deslumbrado. Maria, retraída, contente, tranquila, fêmea, segura. Como será que eles olham  para esse foto de anos atrás. Que fantasias podem tais lembranças causar?

Ou pode, como toda a psicologia permite, somente ser devaneios meus.

Maria_Sharapova7613

 

 Esta está ligada à lembrança, à percepção de acontecimentos passados reais,

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quinta-feira, 10 de abril de 2014 Rafael Nadal, Roland Garros, Tênis Masculino | 13:42

En passant

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Gustavo Kuerten deu entrevista à Bandsports dizendo que este ano Rafael Nadal nao é tao favorito ao título de Roland Garros quanto nos outros anos. Calma, nadalistas, Kuerten deixou bem claro seu raciocínio. O cara segue sendo o maior favorito ao título, mas ele baixou um pouco o nível e outros subiram um pouco. É o maior, mas nao tanto como antes. Nos últimos nove RG o espanhol venceu oito. Mas o brasileiro com seu olho de lince enxerga que algumas coisas mudaram. Tanto com ele como com outros. Concordo, sem corda.

Kuerten menciona, en passant, Fognini e Djoko, acho que o primeiro nao tem cabeça para tal façanha, o segundo nao dorme direito desde A Semifinal de 2013, um jogo inesquecível, e tem cacife para a vingança. Aliás, Kuerten confessa, também en passant, que nao assistiu muito da tal partida, mas viu o dramático final do jogo – nao deixa de ser curiosa a colocaçao.

Mas tem um que ficou fora do radar do brasileiro, e que eu acho que se entrar no caminho do espanhol até, vamos dizer, oitavas ou quartas, pode ser A Zebra. Nao sei se Dimitrov tem pernas e nervos para as últimas rodadas. Mas no começo, quando ainda estiver inteiro e sem o desgaste emocional, pode surpreender. Ele tem tênis para incomodar o espanhol.

Mas, como sabemos, Nadal nao venceu nenhuma das oito vezes pelo seu “tênis” e sempre pelo seu coraçao. O “tênis” dele está cada vez melhor, e nao poderia ser de outra maneira já que está sempre procurando esse caminho, resta saber como estará o Tezao de vencer. Talvez, mais importante, é se alguém vai se superar para a ocasiao. Porque, tenho certeza, Rafa nao vai entregar o colar de títulos na bandeja para ninguém.

Veja a entrevista de Kuerten: http://bandsports.band.uol.com.br/noticia.asp?id=100000675612

E veja este video de Dimitrov x Nadal em Monte Carlo 2013 : https://www.youtube.com/watch?v=T8_QL3EbzlI

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quarta-feira, 9 de abril de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:08

Imaginando

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Contrariando o que escrevi anteontem, Rafael Nadal disse que, se o quiserem e nada de diferente acontecer, ele estará no Brasil em Setembro para a Copa Davis. Bem, é certo que os espanhóis vao querer que ele venha, quanto a algo diferente acontecer, o futuro a Deus pertence. É uma daquelas declaraçao onde a gente nao sabe se ri ou se chora. Ele alerta que o Brasil tem uma dupla de primeiro nível e um singlista (Bellucci) que quando nao está contundido e está em boa forma é um top 30 potencial. Os espanhóis mostram respeito pela trinca e assim pelo menos um dos top 10, se nao ambos, devem comparecer. E assim mesmo tem neguinho sobrando por lá – Almagro, Robredo, Verdasco etc.

Bruno Soares deu algumas declaraçoes para a TV. Disse que o grupo tem que conversar e, de uma maneira incisiva, tem que ver quem vai jogar. Imagino que esta é uma questao para Thomaz Bellucci que, tenho certeza, nao deixará passar uma oportunidade dessas, até porque jogará sem a pressao, cenário sempre lhe muito favorável.

Incisivo também foi ao dizer que o saibro deve ser descartado, já que é o piso favorito – óbvio – dos espanhóis. Menciona também quadras cobertas e situaçoes onde a bola pique mais alta. O raciocínio todo é uma faca de dois legumes.

Se o saibro é o piso favorito dos espanhóis é também o dos brasileiros. Paralelo a isso, Rafa Nadal já venceu o U.S. Open e Australia. David Ferrer e Verdasco também tem títulos no piso e nele se viram muito bem. Enquanto isso, Thomaz Bellucci tem seus melhores resultados na combinaçao de saibro com altitude (Gstaad, Santiago, Madrid). O brasileiro foi também a uma final em duras coberta – Moscou. Mas é mais a exceçao provando a regra.

A pergunta de onde jogar deve ser feita a Bellucci. Ele é o cara. Por suas qualidades e deficiências particulares e conhecidas – e para vencer o Brasil precisaria de seus dois pontos. A dupla é mais eclética e consegue manter seu padrao no saibro como nas duras. Assim sendo, deveria passar a escolha para os singlistas que disputam quatro pontos. Como ao Rogério ninguém precisa perguntar sua preferencia, resta a do Bellucci. E aí, imagino, nao tem também muito como fugir.

Considerando o cenário acima, ideais seriam cidades como Sao Paulo, 600 m e bem semelhante a Madrid, Gramados a pouco mais de 800m e, radicalizando, Campos do Jordao 1600m – sempre no saibro. Nesta sim nós estamos falando de incomodar os espanhóis – e talvez os nossos também. Em um confronto como esse, quanto mais sair da zona de conforto de todos mais interessa ao Brasil. E, se a escolha fosse minha, ligava para o Tiriac, pegava a fórmula e mandava colocar saibro azul. Aí quero ver o humor do Rafa.

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terça-feira, 8 de abril de 2014 Copa Davis, Rafael Nadal, Tênis Brasileiro | 15:48

A pergunta que nao calará

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Agora que sabemos que o adversário do Brasil na repescagem da Copa Davis será a Espanha, fica uma grande pergunta. Aliás, duas. Rafael Nadal virá?. E onde acontecerá o confronto?

A escolha do local é da CBT e aposto que desde esta manha o presidente da entidade recebeu algumas ligaçoes a respeito de vários locais. A quadra será de saibro, apesar dos espanhóis serem os reis do saibro – porque nossos atuais tenistas nao enxergam o tênis de outra maneira.

Mas o zumzum mesmo será em cima da questao se o Animal Nadal virá. Pode ser que sim, deve ser que nao.

Nadal nao jogou a primeira rodada contra a Alemanha, quando os espanhóis foram derrotados, um fato interessante. O time teve Verdasco, Marrero, Lopez e Agut. Timinho, que apanhou dos alemaes. O confronto acontece imediatamente após o U.S. Open e a temporada norte americana de quadras duras – logo depois vem a temporada sobre quadras duras na Ásia. Tenho cá sérias duvidas que, após essa correria sobre o piso duro, Nadal elegerá vir ao Brasil, onde pede mais de 1 milhao de Euros para jogar, em um confronto que, teoricamente, seus companheiros devem vencer.

Porém, como os espanhóis tomaram um cascudo inesperado dos alemaes, e nao devem querer repetir o gosto do fel, Carlos Moya, o capitao, terá que negociar com Verdasco, Ferrer e Rafa. Um deles, pelo menos, terá que vir. Até lá, tenho ceteza, o problema hidrílico de Thomaz Bellucci também será solucionado.

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O Leitor no Torneio, Sem categoria, Tênis Brasileiro | 00:23

A leitora em Indian Wells

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Recebi um email da leitora Denise, que compartilho com vocês, onde ela conta sobre sua visita a Indian Wells. Está um pouco fora do prazo, mas vale pelo carinho e o esforço. E por ela ter pego a Highway 1 no caminho para San Francisco.

Olá Paulo, como vai ?

Gostaria de dividir com você e com os amigos do Blog minha experiência no torneio de Indian Wells, no entanto, como este já terminou faz algum tempo e minha viagem incluiu também conhecer o Grand Canyon e ir de Los Angeles a São Francisco pela Highway 1 só retornei a São Paulo neste último final de semana. Se você achar que ainda vale a pena…

Abraços e Obrigada.

Denise.

 

Olá pessoal,

Estive no torneio de Indian Wells nos dias  7, 8 e 9 de março e gostaria de dividir com vocês minha experiência. Prefiro sempre as primeiras rodadas pois além de preços mais acessíveis, tenho a oportunidade de ver em ação todos os cachorrões e também os jogos nas quadras menores, apreciando tudo bem de pertinho. Nelas é que se tem a verdadeira noção de como os caras batem na bola e o quanto ela anda.

É um torneio incrível, disparado o que eu mais gostei (já estive em Miami e Roland Garros).

O lugar é lindo, adorável, proporcionando uma linda vista das montanhas ao fundo, infraestrutura e organização irretocáveis, alamedas muito amplas para circulação do público (isto foi  justamente o que me fez não gostar tanto de Roland Garros, tudo lá é muito apertado pra tanta gente), opções de alimentação pra todos os gostos e bolsos, sem contar que vivenciar o dia a dia, o clima destes grandes torneios é indescritível.

Quando cheguei na sexta ao Indian Wells Tennis Garden fui diretamente às quadras de treinos – você pode verificar no telão não só a Ordem de Jogos do dia mas também a programação detalhada das quadras de treinos com horários e jogadores que estarão em cada uma delas. É uma oportunidade incrível de ver diversos jogadores bem de perto, algumas inclusive são mais disputadas que várias quadras onde jogos estão rolando. Ficamos (eu e meu marido Gui) zanzando por lá umas duas horas.

O primeiro jogo que vimos foi Roger/Stan x Bopanna/Qureshi. Quadra 2 lotada, e o Gabashvilli, que ganhou o confronto anterior ao inicío deste jogo,  brincou dizendo que agradecia a todos por estarem lá para prestigiá-lo… Foi muito engraçado.

A seguir vimos o segundo set da vitória do Marcelo/Dodig x Mirnyi/Youzhny .

Quem me conhece sabe que eu não poderia deixar de ver o meu ADORADO ANDY. Assisti  a 3 jogos dele (2 de duplas e 1 de simples) e foi o máximo poder apreciar, ao vivo, toda sua habilidade e mais do que isto, toda sua complexa personalidade. AMEI!

O primeiro jogo dele que assisti foi o de duplas Mar/Mur x Mon/Mon (traduzindo – Marray/Murray x a inusitada dupla Monfils/Monaco). Jogo cheio de lances geniais, o Monfils é diversão garantida.

Além das duplas assisti a Azarenka levar um pneu e perder seu jogo, um pouco do jogo da Carol e também o da Jankovic.

Se na sexta vimos muitas duplas, no sábado apenas o jogo do Bruno/Peya x Butorac/Klassen. Jogo bastante difícil e muito bem disputado. Vitória nos detalhes. O Marcelo, o Cris (preparador físico do Bruno e do Marcelo) e o Scott Davidoff (técnico do Peya e do Bruno) sentaram bem na nossa frente. Aliás o Cris, super gente boa, me emprestou uma toalha para que eu me protegesse do sol.

Nas simples vimos um set do jogo da Maria, Anderson x Hewitt, Federer x Mathieu, Murray x Rosol e finalmente Nadal x Galã de Praga. Os jogos na Central são quase sempre mornos, só deu uma esquentadinha porque o Andy e o Nadal nos fizeram o favor de perder o primeiro set de seus jogos. No geral, nas quadras secundárias é que você encontra emoção. A propósito, por lá também existem pessoas que não respeitam os assentos marcados. Neste caso o pessoal da organização resolvia tudo com muita simpatia e eficiência.

No Domingo fomos direto para a quadra 5, onde aconteceu o jogo entre Marray/Murray x Bruno/Peya.  Aí sim, vi o Andy bem de perto, seu talento, suas belas jogadas, suas caras e bocas, suas lamentações (Bad Day!!!) e rabugices. Valeu cada minuto.

É claro que torci muito pela vitória do Bruno e ela veio de forma super merecida pois ele e o Peya jogaram demais.

E o Bruno, como sempre, é o máximo…

Vimos também um pouco da Carol x Secretária, Djoko x Hanescu, Benneteau x Tsonga. No restante do dia ficamos passeando pelas quadras e curtindo o ambiente agradável e super bem cuidado das alamedas, jardins e áreas de alimentação, onde nos finais de tarde sempre havia um show musical. Vale ressaltar que o número de brasileiros por lá não chega a um décimo se comparado a Miami. Não ouvi ninguém gritar “Vai Curintia”!

Foram 3 dias sensacionais e muito intensos, os quais não consigo traduzir em palavras. Fiquei exausta e imensamente feliz. É também viciante; já estou pensando em qual será o próximo …      Abraços. Denise.

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domingo, 6 de abril de 2014 Copa Davis, Roger Federer, Tênis Brasileiro | 20:15

Quase zebras

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Fim de semana repleto de emoçoes na Copa Davis. Só para variar. E o Brasil nao ficou fora delas. O técnico Joao Zwetsch elegeu a formaçao de dois singlistas e dois duplistas e o negócio quase acabou em zebra. A formaçao é clássica, só que, pelo menos boa parte das vezes, pelo menos um dos duplistas é, de fato, um singlista. Como nem Bruno Soares, nem Marcelo Melo jogam simples há anos, se um dos dois tivesse que entrar em quadra seria só para marcar presença. Isso por que o garoto Clezar, que nao está habituado a jogar partidas de cinco sets (nao sei se já jogou alguma oficial) teve uma contusao na virilha no início do terceiro set e o gato subiu no telhado.

A sorte foi que Rogério Silva fez sua parte. Ele, que de #2 do time passou a #1, pela ausência de Bellucci, e a consequente responsabilidade de liderar, assumiu sem gemer – e sao muitos os que gemem. A dupla pao de queijo também fez sua parte, até porque estao em um nível muito acima dos adversários. O Brasil agora aguarda quando setembro vier para a repescagem do Grupo Mundial. A torcida fica para que Bellucci, até lá, resolva seus problemas.

Teve favorito que suou mais frio do que o Brasil. Tanto a França (contra Alemanha) como a Suíça (contra Casaquistao), eram francas favoritas contra a capenga Alemanha e o Cazaquistao, estiveram 1×2 abaixo após as duplas. A França conseguiu a mágica de sair perdendo 0x2. Depois ainda vou fuçar os jornais franceses para saber porque o técnico francês (Arnaud Clement) saiu colocando Benneteau nas simples, e nas duplas, e deixou o Monfils no banco, de onde saiu para decidir no 5o jogo. Deve ter tido, espero, uma ótima razao para tal, porque Monfils é, de todos os franceses, aquele com melhor espirito de Davis – de longe. Benetteau perdeu a 1a simples, mas deu um jeito de vencer as duplas com o maluco do Llodra. Mas a coisa ficou preta para os galinhos. Quase que os alemaes Kamke (#96) e Gojowczyk (#119), dois tenistas de padrao bem abaixo dos franceses, aprontam uma zebraça dentro da casa adversária.

Os suíços nao deixaram por menos. Wawrinka, que jogou de #1 pela primeira vez, deu aquela tremida pela qual ficou famoso até que começou a mudar, menos de dois anos atrás. Tremeu na primeira simples, perdendo para o Golubev! (#64) em 4 sets e tremeu de novo nas duplas, dando aquela enterradinha básica no topetudo. Com 1×2 abaixo, Wawrinka vestiu as calças e bateu Kukushkin (#56) e, no último jogo, Federer atropelou o Golobev. Tudo isso jogando em casa ao som dos sinos das vaquinhas. Agora, nao sei se os suíços preferem jogar em casa ou fora dela.

Para completar a lambança, entraram em quadra os italianos e os ingleses. Os primeiros liderados pelo Fognini e os segundos pelo Murray. Tá bom pra vocês? Fognini e Murray venceram no 1o dia. Nas duplas, os ingleses – Murray e Fleming – batem Fognini e Bolelli, que jogam alguns eventos juntos só para treinar para a Davis. Fica tudo nas maos dos dois malucos.

O terceiro dia deve ter sido uma festa em Napoli. Fognini se inspirou – ele deve adorar a muvuca de jogar em casa – e bateu o MalaMurray em três sets, Murray que nao pode se dar ao luxo de perder uma simples e querer voltar para casa com uma vitória. Nao deu outra. Sei que o Murray é imprevisível, mas quem apostaria sua suada graninha no Fognini contra um motivado escocês?

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 Rogério Silva

 

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Copa Davis, Roger Federer, Tênis Masculino | 01:49

De que lado?

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Recebi a pergunta abaixo de um leitor nos comentários sobre os suíços. Minha resposta está mais abaixo.

Cleto

É sabido que o Wavrinka tem uma das melhores esquerda do mundo, enquanto que o Federer tem uma das melhores direitas e uma esquerda que não está a altura de seu jogo.
Gostaria que você, como técnico vitorioso que é, me explicasse porque no jogo de duplas deste sábado, contra o Cazaquistão , Federer esta jogando pela esquerda e o Wavrinka pela direita.
obrigado-Rodrigues

Pelo menos desde 2008, quando venceram as Olimpíadas, os suíços jogam nessa formaçao. Dessa maneira eles estao, teoricamente, protegendo suas devoluçoes abertas – Federer com sua magnífica direita – e Stan com sua magistral esquerda.

Poderiam fazer o inverso? Com certeza, o que é muito aconselhável. É quase um padrao no circuito. Mas existem tenistas que preferem ficar com seus melhores golpes para as segundas (e terceiras etc) bolas, o que é o caso dos suíços.

Mas nao custa lembrar que o golpe mais difícil do tênis é a devoluçao de revés no lado do iguais nas duplas – ele é antinatural. No caso deles, esse pepino fica com Federer – e bem que poderia ficar com Stan, que tem melhor esquerda.

Uma outra questao, talvez mais importante, é que no caso Stan é o cara que joga os pontos “decisivos”, o que nao é melhor cenário para os “rapazes”, já que Roger é muuito mais um jogador de pressao que Stan, que tem, ou pelo menos tinha, deixou de ter nos últimos tempos, e está se esforçando para readquirir neste confronto da Davis, a fama de entregar a rapadura na hora H. O que, ninguém nos ouça, é uma provável razao para Federer ficar longe da competiçao. Afinal, perder do Golobev, em casa, e depois “enterrar” o parceiro, como o fez hoje – e ainda ter que ouvir o técnico adversário dizer que ele teve problemas emocionais na partida – é de doer.

Fim da história é que os dois ganharam uma Olimpíadas, batendo na final os malasBryans e isso prova que eles podem vencer qualquer um em qualquer dia. Por outro lado, após quatro (sim, quatro) derrotas seguidas na Copa Davis, a dupla suíça pode repensar alguma coisa – talvez o que o leitor questiona.

PS: Pelo o que entendi, pesquisando no you tube, já que nao houve televisionamento para o Brasil, em algum ponto da partida, Federer e Wawrinka trocaram de lado. Algo que nao só nao é nem um pouco normal, como mostra um certo desespero.

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