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Arquivo de março, 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014 Masters 1000, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Tênis Masculino | 13:36

Pra dançar

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No final do primeiro game da final entre Djokovic e Nadal em Miami, enquanto Maria Esther nos brindava com comentários sobre os bonés distribuídos no estádio, a geradora de imagens da SporTV nos premiava com uma tabela de informaçoes sobre o saque de Rafa Nadal. Rafa tinha tido entao sua única chance de quebrar o serviço de Djoko, oportunidade que nao conseguiria reeditar pela resto da partida, detalhe que mostra a dominância do sérvio sobre o espanhol na partida definida em 6/3 6/3.

O que a tabela informava, trocando em miúdos, era que contra outros oponentes Nadal insistia em saques contra o revés, mesmo na vantagem. Contra Djoko, no Canadá (nao me perguntem porque esse torneio), onde Rafa vencera, este sacara basicamente fechado, nos dois lados. Além disso, com um pouco mais de atençao do fa do tênis, ele perceberia que recentemente, após aquela série de derrotas, Rafa passara a jogar mais “fechado”, tirando o angulo do sérvio. Ontem, pelo menos no início e em boa parte do jogo, a estratégia foi a mesma. O resultado foi uma das maiores tundas que Djoko aplicou no espanhol.

Aliás, a coisa está, momentaneamente, feia para Rafa. Sao três derrotas seguidas para Djoko sem fazer um set. Vale lembrar dois detalhes. Todas em quadras duras e nenhuma em Grand Slam. Anterior a estas derrotas, a vitória de Rafa aconteceu exatamente no US Open, também em duras. Mas isso é outra história.

Um fato me chamou a atençao ontem. Mas já volto a isso. O que me surpreendeu, e a Rafa também, foi como a estratégia do “fechado” nao funcionou. Alias, pelo contrário, facilitou a vida do Djoko.

Nao vou entrar nos detalhes, porque seria cansativo. O fato é que Djoko sabia de antemao e se preparou para a situaçao. Como? Aí que nao vou entrar. Mas volto ao que me chamou a atençao, que talvez abrevie a esplanaçao.

Novak parecia Federer. Como? Cool! Tranquilo, sem pressa, como se soubesse que estava por cima da carne seca e que teria respostas para tudo. No primeiro game, quando teve o BP contra, parecia que estava doente de tao parado. Nao! Ele tinha mudado a postura, a sintonia interior. A mensagem que ele enviava ao espanhol era: você quer tirar os meus angulos para que eu faça erros nao forçados? Esqueça!

Djoko colocou o espanhol para dançar. Só faltou ligarem os altofalantes e tocarem algum flamenco balear. Se passarem o replay, prestem atençao em um detalhe: enquanto Nadal fazia um estardalhaço com sua movimentaçao, com seus sapatos-tênis bramindo mais do que ratos no telhado, do lado do sérvio vinha aquela sonora placidez bucólica. Nadal era um desesperado atrás da bolinha, o outro lhe servia drills tal qual um técnico desalmado.

Sim, a estratégia foi por água abaixo, para nao usar metáfora mais agressiva, até por uma segunda razao, que explica ainda mais o campeao. Todas as vezes que Nadal tentou abandona-la, indo para seu golpe favorito, com sua direita cruzada agressiva, o contra ataque com aquele revés magnifico (que tal me emprestar?) era venenoso e impiedoso e a mensagem clara: “Bonitao, fica no meio mesmo porque se for aberto só piora”. Isso sem contar que quando o ataque era no forehand, Djoko imediatamente “achava” o revés do ibérico, conta que nao fecha para o espanhol.

No fim das contas foi uma aula que mexeu com a confiança do animal. No fim ele nem mais tentava, o que é totalmente fora de suas caracteristicas.

Agora vem a temporada de saibro. Como ficarao as estratégias nos próximos encontros – no caso finais? Será que a de Nadal voltará a funcionar – afinal no saibro a bola nao vem lhe “morder” com a mesma velocidade como na dura, o que é uma graaande diferença. Djoko manterá essa interessante postura cool? Com isso, no saibro, os pontos seriam intermináveis, a nao ser por um detalhe crucial; no saibro Nadal teria tempo de fugir para usar sua arma letal – o forehand – e ele colocaria o outro para correr. A ver. Djoko, ontem dormiu em paz. Rafa, nao vai pregar os olhos tao cedo. E o Tio Toni que comece a queimar os neurônios.

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#1 e #2 do mundo. Rivais por um bom tempo.

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quinta-feira, 27 de março de 2014 Masters 1000, Tênis Masculino | 12:34

Invasao

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Bem, vamos lá. Sobre a barbaridade que aconteceu na partida Djokovic x Murray ontem.  A invasao houve, foi clara e na cara do juiz de cadeira, que é mais um bundao com medo de tomar decisoes, algo que sempre foi, nao sei se ainda é, prioridade na hora de escolher esses caras.

Nao pode encostar na rede, nem com a raquete nem qualquer parte do corpo que perde o ponto. Se pode passar a raquete do outro lado da rede, para bater uma bola, se ela tiver tocado na sua quadra antes e por conta de um efeito tiver passado para o outro lado da rede. Aí se pode esticar o braço e golpear a bola.

O que o Djokovic fez é totalmente ilegal – tocar na bola do outro lado da linha imaginária da rede, antes de ela cruzar a mesma. O juiz viu e se borrou e, nao sei se pior, o Djoko sabe – foi quase que a extensao toda da raquete do outro lado, e deu uma de miguelao, o que caracteriza uma garfada monumental no adversário, no caso um “amigo” dele.

Pior foi o juiz tentando, e fracassando, explicar a idiotice que fez para o Murray que nao sei nao foi à loucura pelas bobagens que ouviu de quem deveria saber o que fala.

Pior mesmo foi o Djoko tentar “convencer” o mundo em entrevista, ainda dentro da quadra, que ele nao tem certeza de como é a regra. O que, profissional, #2 do mundo e nao sabe a regra – especialmente depois de perder aquela semifinal de Roland Garros exatamente por ter tocado a rede?? Nao sabe a regra – brincalhao!

Qualquer panga sabe essa regra no tênis, mas um profissional se engasgar todo na explicação pega muito mal para sua reputaçao. Isso, dois dias depois de “dar” um ponto para Robredo e fazer o maior comercial que “isso é fair play e, pra mim, parte do jogo” no estilo eu sou muito legal. Sei – só que alí, um ponto nada importante – o desafio mostraria em segundos que o juiz estava errado. No jogo com Murray nao podia haver desafio e era o primeiro ponto do 5×5, saque Murray, do 1o set equilibradissimo – após a discussáo Murray perdeu rapidinho os pontos seguintes e o set.

Veja no link abaixo todo o incidente, começando com a entrevista de Djoko, onde ele se complica todo, e veja o quanto ele atravessou para bater na bola e como tentou convencer seu amigo Murray que nao tinha feito nada errado, mesmo com o telao do estádio mostrando a barbaridade.

http://espn.go.com/tennis/story/_/id/10680024/sony-open-tennis-did-novak-djokovic-racket-cross-plane-net-andy-murray

 

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quarta-feira, 26 de março de 2014 Juvenis, Masters 1000, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:42

Cabeçada

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“Os pais sao o câncer do tênis”. Esta é uma frase de Billie Jean King, super-campea americana que dá o nome ao complexo onde é jogado o US Open. Mais do que uma verdade é uma frase de efeito, coerente com o perfil marketeiro da autora. A verdade é que os pais tanto fazem como destroem, em especial nos tempos de juvenis. Que fique claro, sem o apoio familiar nao tem tenista que progrida. Com os pais massacrando e cobrando nao tem emocional que resista.

Já escrevi anteriormente sobre o assunto, que é crítico e extenso, provavelmente voltarei a faze-lo, mas hoje é mais sobre uma ramificaçao, uma curiosidade do problema.

Quando eu era garoto nao gostava que meu pai assistisse meus jogos. O cara ficava ali nas arquibancadas com aquele olhar ameaçador, o que nao fazia nem um pouco bem para meu ego, que era impiedosamente massacrado pelo adversário e suas malignas intençoes. Nao pensem que qualquer argumento meu o fazia mudar de opiniao sobre ele estar lá. Se ele quisesse, assistia, se nao quisesse nao assistia.

Assim sendo, entendo tenistas, jovens e nao tao jovens, que tenham um pé atrás com a presença de seus progenitores nas arquibancadas. Normalmente o assunto é uma questao entre os juvenis, quando os atletas ainda estao marcadamente sob a influência paterna. Essas intervençoes acontecem tanto com as meninas como com os meninos. A diferença é que as meninas “aceitam” essa influencia por mais tempo e mais passivamente. Os rapazes sao mais rebeldes, e com a testosterona presente e inflamando, os arrancas rabos com os pais podem ficar punks. Quando sao as maes as envolvidas o negócio é mais tranquilo. Teoricamente esse pesadelo termina quando os rebentos vao para o profissionalismo. Teoricamente.

Miami deve ter alguma coisa no ar que instiga esse conflito. Três anos atrás presenciei, quando na sala da TV do estádio, imagens e audio de uma quadra secundária, onde o australiano Barnard Tomic negociava com o juiz de cadeira a expulsao do pai das arquibancadas. Foi uma conversa surreal e única nos anais do tênis. Tomic chegou a pedir que o juiz mandasse o pai embora. Quando o juiz retrucou que ele deveria fazê-lo, o rapaz retrucou que nao adiantaria. Por fim, o juiz deu, a ele tenista, uma advertência por “coaching”, já que o pai falava com ele, e nao eram instruçoes. Tomic virou para o juiz e agradeceu, sinceramente. A continuaçao dessa novela mórbida entre o tenista e seu pai culminou com o doidao agredindo o técnico do garoto com uma cabeçada e, por isso, sendo suspenso de todo o circuito da ATP.

Esta semana foi a vez do Jonh “Meia” Sock brigar com o pai durante um jogo em Miami. O pai devia estar atormentando a cabecinha já atormentada do Joao Meia e levou um cartao vermelho do filho. Este nem pediu a intervençao do juiz. Foi logo virando para o pai, em uma troca de lados, e dizendo para o progenitor “dar o fora”. Repetiu a ordem duas ou três vezes e as câmeras mostraram que o pai obedeceu rapidinho.

A realidade dos pais problemáticos espirra na personalidade dos filhos. Tomic é um garoto com uma atitude sofrível – passa a mensagem que nao gosta do jogo. Mas seus problemas e atitudes sao muito mais com ele mesmo do que com adversários, árbitros ou publico. Sock carrega o pressao dos EUA nao terem mais um grande tenista e terem nele um tenista, quando muito, mediano, e nas quadras duras – porque no saibro… É um garoto temperamental e mascarado e joga bem menos do que imagina. Sobre seu pai nada sei. Só imagino que nao tem a mesma cabeçada do TomicPai, já que o filho nao tem muito respeito ou medo dele.

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domingo, 23 de março de 2014 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:55

Luz no Banana

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Trinta e três anos atrás o paulistano Eduardo Oncins, irmao mais velho de Jaime, conquistava o Banana Bowl, entao nosso maior evento juvenil e um dos maiores torneios juvenis do mundo, na mesma linha dos Grand Slams juvenis. Foi o último brasileiro a conquistar o Banana. Isso, até hoje, quando o jovem Orlando Luz, uma das nossas melhores promessas, conquistou o título enfrentando outro brasileiro, Joao Menezes, na final.

Luz sequer está na faixa dos 18 anos – ele completou 16 em Fevereiro – mas joga uma categoria acima por força de seu tênis. Apesar da idade, já casou com o tênis de vez e, desde o ano passado, ainda com 15 anos, treina dois períodos, algo que faz uma diferença enorme no progresso nessa idade – e nao estou dizendo que é algo que se deve fazer – já que somente os tenistas que fazem algum acerto escolar tem condiçoes de realizar.

É fato que o Banana Bowl, já há alguns anos nao realizado pela Federaçao Paulista e sim pela CBT, nao é mais o evento que um dia foi, e nem nosso maior torneio é, algo que a Copa Gerdau conquistou por conta de um trabalho sério de muitos anos. Mas é um grande evento, que volta para o estado de Sao Paulo, e arregimenta nao só os nossos melhores tenistas como também da América do Sul, assim como alguns do resto do mundo. Mas nao a elite do tênis mundial, como era o caso durante muitos anos, inclusive em 1981 quando Oncins ficou com o título.

O que nao tira os méritos de Orlando, pelo contrário. Ele assumiu a aposta de jogar uma categoria acima e provou que é do tipo que mata a cobra e mostra o pau, uma característica inequívoca de um campeao. É um para se ficar de olho, assim como outros que vem por aí nessa nova safra.

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quarta-feira, 19 de março de 2014 História, Tênis Masculino | 17:18

Nenhuma surpresa

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A parceria Andy Murray e Ivan Lendl sempre me pareceu que teria um prazo de validade deveras curto, algo que enxergo também na de Becker com Djokovic. Era algo mais na linha de ambos terem razoes imediatas e de curto prazo do que uma parceria que visava a solidificaçao de carreiras; a de tenista de Murray e a de técnico de Lendl.

Além disso, temos ali um caso de duas pessoas de gênios e humores difíceis, personalidades nada agregadoras e individualistas ao extremo, como quase todo os tenistas, mas algo que Lendl aprimorou com zelo.

A simpática dupla teve seu grande momento quando Murray, finalmente, venceu Wimbledon no ano passado. Mas após essa vitória, que ficará marcada na história do tênis britânico – é só lembrar de Fred Perry – Murray se decidiu por uma cirurgia nas costas, por algo que lhe incomodava desde o início do ano.

Murray começou o ano afirmando que nao sabia quando voltaria a jogar seu melhor tênis. Estamos em Março, a temporada pegando fogo e até agora nao conseguiu deslanchar – sem contar as derrotas inesperadas.
E quando se começa a perder, em um ambiente de cabeças duras, algumas vao rolar.

Nas ultimas semanas Lendl competiu algumas vezes no circuito dos veteranos. Ele ficou 14 anos afastado do tênis, afirmando que era por conta de dores nas costas. Talvez. Em 2010 jogou alguns poucos eventos e começou a fazer eventos tenisticos – as exibiçoes de tenis no Madison Square Garden como Sampras x Federer. O fato é que estava mais ligado no golfe e ninguém no tênis o queria por perto. Quando Murray o chamou ele topou, sabendo que voltaria nao só ao circuito como, principalmente, aos noticiarios e isso o tiraria do ostracismo – funcionou.

Hoje qualquer jovem sabe quem é Ivan Lendl e ele tem, novamente, seu nome associado ao sucesso. Ele, que nunca foi o cara mais paciente ou simpático, nem primava pelo esforço de socializar, preferindo sempre a ironia e o sarcasmo com seus amigos de vestiário, talvez tenha chegado à conclusao que nao precisa mais aguentar o humor de alguem tao semelhante nos atributos emocionais. Além disso, a grande história parceria Murray/Lendl já foi escrita. O checo avisou que chegou a hora de priorizar seus projetos e pulou fora. Mas, comme il faut, sem causar nenhuma estranheza ou mal estar. Murray diz que vai pensar bem sua próxima escolha.

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segunda-feira, 17 de março de 2014 Masters 1000, Roger Federer, Tênis Masculino | 15:09

Desperdiçando

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Há jogos e jogos de tênis. A final de Indian Wells foi empolgante pela expectativa, por envolver um Roger Federer que voltou a jogar bem e pelo placar. Mas nao me empolgou como jogo. Tivemos mais momentos de um dos dois tenistas jogando bem, do que momentos de ambos tenistas jogando bem, que é o que exige um grande jogo.

No início, o servio parecia cheio de dúvidas, abaixo do que jogou em vários momentos durante o torneio – onde também teve seus picos e vales mentais. Federer adora jogar confiante e El Djoko encheu seu copo no set inaugural.

Mas, o suíço também adora dar milho pra bode e permitir que adversários voltem ao jogo. E Djoko nao precisa de muitos convites nessa direção.

O 3o set mostrou, desde o início que, atualmente, o servio joga mais do que o suíço. A diferença, no caso, sendo a consistência, algo primordial na competiçao.

O jogo ficou mesmo interessante no final, o que nao é nenhuma novidade. E aí há algo me chamou muito a atençao. Federer tinha dominado o 1o set, e reverteu a desvantagem no 3o, quando Novak chegou a sacar para fechar, ao fugir mais da esquerda para atacar de direita e, principalmente, ser constantemente agressivo com esse golpe, por muito tempo considerado o melhor do circuito. Aliás, nao sei como o Dácio Campos, que sabe muito de tênis, afirma que o backhand do Djoko é muito melhor do que o do Federer (o que é verdade), enquanto na direita os dois golpes se equiparam – ahhh? a do suíço é muuuito melhor; machuca mais, ele a bate de mais maneiras, acelera mais e é mais confiável sob ataque.

Mas, sei lá, hoje em dia Fededer parece nao ter mais a confiança para fugir do revés com a constância necessária (lembrem só do Nadal) ou terá receio de lhe faltar pernas no final? É um fato incontestável de que quando Federer foge mais, o Djoko encolhe – assim como os outros tenistas.

E foi assim que ele levou o jogo para o tie break – confiante, fugindo, fazendo a direita andar, intimidando.

E, macacos me mordam, foi só começar o TB para o Topetudo voltar a se acomodar em bater esquerdinhas raspadinhas e cruzadinhas, algo que nao só nao incomoda o Djoko como lhe deixa em zona de conforto para esperar o erro do adversário ou, oferecendo a bola curta para este fugir – nesse cenário nao há opção para Federer.

O TB foi um anticlimax. Federer nao jogou nada, quando eu, e muitos outros, esperavam que ele crescesse com a ocasiao. Aliás, o público em Indian Wells foi uma das mais descarados na torcida pelo rapaz e em desfavor no servio que, por mais que tente, nunca terá o amor incondicional da galera como o El Boniton.

Após derrotas Federer tem um discurso que tem mais a ver com marketing do que com a transparência. Ele afirmou que estava contente, apesar da derrota!! Perder no TB do set final incomoda qualquer um, até o King of Cool. Mas dá para entender que esteja contente com voltar a estar em uma final e ter, em boa parte dos jogos, jogado bem. Mas, para voltar a vencer torneios, terá que lidar com Djoko, Nadal, que deve estar babando em Miami, Murray, que uma hora pode acordar e voltar a incomodar e com outros que estao tentando colocar a cabecinha de fora e loucos para pegar um coroa para cristo. Cada dia que passa fica mais difícil para o GOAT e chances, como a de ontem, nao podem/devem ser desperdiçadas.

Quanto ao Djoko, nao deixa de ser interessante o fato que voltou a vencer quando deixou Becker em casa, ou seja lá onde o deixou, e trouxe o técnico estepe, mas que, na hora da onça beber água, além de ser o que levou ao topo do ranking, é o que lhe deu a confiança para, nao esqueçam, vencer primeiro título na temporada.

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Djoko e seu merecido troféu.

 

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segunda-feira, 10 de março de 2014 Masters 1000, Rafael Nadal, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:32

Com e sem ventilador

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Por alguns breves instantes, menos do que o tempo de um serviço de Rafa Nadal, acreditei que o Gala de Praga Stepanek pudesse aprontar A Surpresa da 1a rodada em Indian Wells. Até porque sou fa do tenis do checo, o ultimo dos moicanos do saque/voleio. Se considerar somente o prazer estético, nao há nada que Rafa faça em quadra que chegue aos pés – na verdade, nas maos – do Gala. Mas como no tênis existe muito mais do que a nossa va filosofia explica, Rafa sempre encontra – perguntem ao Andujar – uma maneira. O cara é O Mágico do circuito. Isso sem mencionar as esquisitices aleatorias, como a de derrubar suquinho no calçao e ter que ir ao vestiário trocar o uniforme do meio da partida contra Stepanek. Esse “encontrar” uma soluçao para um péssimo dia no trabalho explica bem o fenômeno Nadal.

E quem foram as vítimas das zebrar em Indian Wells? Oras, Tsonga e Berdich. Dois grandes tenistas, com arsenais em abundância, mas que sempre tiveram em seu emocional/mental suas vulnerabilidade. O Tsonga perdendo para o Benneteau, que nao é nenhum cego, mas é freguês, e o Berdich para o espanhol Agut, uma mágica do checo, que vem jogando bem este ano.

Como dizem os americanos – shit happens. Só que Tsonga e Berdich sao top10 que permitem que ela atinja o ventilador e El Rafa tem o poder – nem me peçam para explica-lo – de conter o estrago. Em suma, um campeao sempre encontra um jeito de vencer.

Ahhh – tá começando a ficar interessante acompanhar os jogos do Dimitrov, que, dizem, escanteou a Maria.

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sexta-feira, 7 de março de 2014 Brasil Open, O Leitor no Torneio | 16:11

O leitor no Brasil Open

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Faz algum tempo que nao recebo uma visita de um leitor a um evento de alguem tao interessado como a abaixo. Aqui vai o relato do leitor Gabriel Vellutini a um dia do qualy em Sao Paulo. Isso sim é ser fa e aproveitar uma visita a um torneio. Gabriel, que tal enviar umas fotos?

 

Normalmente só costumo ler o blog e em raríssimas vezes comento. Mas vou abrir uma exceção dessa vez e contar a minha impressão deste Brasil Open 2014.

Meu nome é Gabriel Vellutini, sou nascido e criado em Taubaté-SP (cidade do interior de SP conhecida por grandes nomes da música e literatura e infelizmente nos últimos anos por escândalos políticos e falsa gravidez), tenho 25 anos e sou professor de História na rede estadual de ensino. Jogo tênis faz pelo menos 15 anos em um dos clubes da cidade chamado Taubaté Country Club mais conhecido como TCC. Pela proximidade geográfica é muito fácil para o taubateano que tem dinheiro acompanhar torneios de tênis pois ir para São Paulo, Campos do Jordão ou até mesmo Rio de Janeiro é tranquilo porém este NÃO é o meu caso.

O primeiro torneio de tênis profissional chancelado pela ITF e ATP que acompanhei foi o challenger de Campos do Jordão em 2009 já que torneios de grana no meu clube vi vários mas não gosto de ter como base para estudo torneios de grana. Sempre procurei ler muito sobre tênis seja nos sites da ITF,ATP,WTA,CBT e até mesmo a porcaria de site da COSAT mas normalmente leio a página da UOL sobre Tênis e blogs especializados como o seu.

Como apaixonado por história e por tênis obviamente li o livro O Tênis no Brasil (de Maria Esther Bueno a Gustavo Kuerten) de Gianni Carta e Roberto Marcher que conta com dois textos sem ser dos autores, um texto do pai de Gianni Carta, Mino Carta e outro do autor deste blog. Sempre quando tenho chance procuro ver jogos de tênis quando passam na tv seja ela aberta ou fechada e até mesmo vejo eles pela internet, não me considero sofasista e por ser franciscano não me considero não-sofasista então fico em cima do muro nesta parte. Vi pela tv e li todo o fiasco do Brasil Open 2013 e quando fiquei sabendo que o Paulo Pereira seria o diretor do Brasil Open 2014 decidi ir pra SP ver o torneio mas como diria a letra de mamonas assassinas “MONEY QUE É GOOD NÓS NÃO HAVE” então fui ver o torneio mas fui no domingo quando acontece o qualy e a entrada é franca (um dos motivos de assistir torneio em Campos do Jordão é porque a entrada é franca) o que me faria apenas pagar transporte e alimentação (moleza pois bus e metro é relativamente barato e meu cartão sodexo que ganho por ser prof ainda tinha grana então o pão de açucar que fica relativamente próximo ao Ibira resolveu a parada).

No dia 23 fui pra SP realizar meu sonho de ver um torneio ATP pela 1ª vez , tudo bem que me digam q vi o qualy, mas cheguei muito cedo pra poder ver os treinos de quem estava na chave principal e vi o Delbonis treinando por exemplo. Na minha inocente cabeça tinha duas metas: uma conseguir que o Roberto Marcher autografasse meu exemplar do seu livro e a segunda conseguir uma credencial pra fazer uma graça no clube (muito inocente da minha parte achar que um ATP 250 é tão fácil conseguir credencial quanto em Campos mas tudo bem…). Saí de Taubaté muito cedo e cheguei no Ibirapuera por volta das 8:30 e consegui ver o fim do treino do Delbonis com o também argentino Mayer e já me impressionei com o tênis do canhoto argentino. Fui para o Mauro Pinheiro trocar de roupa e quando estou voltando para o ambiente do torneio vejo o Tommy Haas passar e o mané aqui trava e nem consegui pedir uma foto com o alemão tamanha a timidez momentânea mas percebi que ele ia treinar com o Zeballos (esse joga muito mas muito mesmo já o acompanhei em Campos duas vezes tanto nos jogos como nos treinos e seu ranking não reflete seu tênis), como gosto tanto de jogar como assistir vi muitos duplistas no torneio dentre eles Monroe e Stadler, vi e me impressionei como o jogo do alemão Kas tanto no seu aquecimento com o Philip Oswald quanto no seu jogo contra Pere Riba pelo qualy.

Encontrei o sempre simpático Jaime Oncins e pedi para que ele autografasse na página que é dedicada a ele no livro de Marcher e Carta, e ele o fez para minha grande alegria (pude ver de novo aquele slice maravilhoso ao ver ele aquecendo seu pupilo Gastão Elias na quadra 1), vi o aquecimento e depois o jogo do Lajovic contra o Thiago Monteiro e não me impressionei tanto com o sérvio porque peguei uma birra danada do técnico dele mas me impressionou a facilidade com o que o Lajovic bate o backhand de uma mão, bate muito fácil todo tipo de bola seja ela alta, baixa, sem peso, com peso não importa de que jeito ela venha ele não erra no backhand e se erra é porque tentou fazer demais com a bola. Ele aqueceu com o Pere Riba um espanhol não tão típico pq não é de enroscar muito a bola como é comum se ver por ai mas que bate uma direita violenta e saca muito forte não tinha radar na quadra que o vi mas com certeza saca fácil 200 km/h. O jogo do Riba com o Kas foi o melhor que vi naquele dia junto com o jogo do argentino Máximo Gonzalez contra o Philip Oswald. Antes do seu jogo cheguei a desejar buena sorte a Macchi como é conhecido o argentino em seu país natal.

Fui almoçar e quando volto vejo o final do jogo do Gastão Elias e do pupilo do Marcos Daniel que agora não me lembro o nome. Quando saio da central e estou no caminho da quadra 1 encontro dois senhores no caminho próximo a uma das lixeiras do complexo sendo que um deles é só um dos autores do livro já mencionado (que é um dos meus referenciais bibliográficos e teóricos para uma gama de artigos científicos ainda não publicados que escrevi e principalmente para meu projeto de mestrado), encontro com Roberto Marcher e me apresento tremendo porque a emoção era muito grande e peço encarecidamente para que ele autografe meu livro o que ele não só o faz como também faz um pequena e linda dedicatória. Agradeço ao Carlos Rossi, que era o outro senhor, por tirar uma foto minha com o Marcher. Depois dessa dedicatória pensei dane-se a credencial o objetivo primário está cumprido vamos curtir o torneio. Tanto que conheci uma galera q treina no CT da Koch bem legal, já tinha conhecido uma holandesa juiza de linha chamada Jackie com a qual conversei em inglês e foi bacana o papo, tirei fotos com o Kas e com seu parceiro de duplas Haase (puts como fiquei feliz do Feijão ganhar dele não por ele mas por causa do seu técnico/preparador físico que é um careca metido demais), vi o jogo do Rogerinho contra o maluco beleza do Zampieri (aliás não pegou bem a garfada que o Zampieri deu no Little Roger nem eu nem a galera do CT da Koch gostou).

Deu pra ver e principalmente sentir toda a estrutura que foi montada para o evento tanto na área de telecomunicação porque vi parte da montagem dos ao vivos tanto da band quanto do Sportv, vi as opções de alimentação (muito caras para mim), visitei todos os stands q estavam montados e achei um absurdo o aumento de preço de um dia para o outro dos tubos de bolas vendido no stand da Wilson.

Voltei pra Taubaté sem ver o jogo do Starace o que foi uma pena mas mesmo assim fiquei muito feliz de ter realizado meu sonho e ver tantos bons jogadores profissionais de perto e ter conhecido parte de uma grande estrutura que é um ATP 250.

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O nosso leitor abordando Roberto Marcher.

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quarta-feira, 5 de março de 2014 Sem categoria | 17:35

Bate bola

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Desde quinta-feira estou fora de Sao Paulo em um condomínio. Desde entao, diariamente, bato umas bolinhas com meu amigo, e ex pupilo, Cássio Motta. O horário é no fim da tarde, quando o sol já nao castiga e a temperatura deste louco verao fica uma delícia para a prática do tênis.

Nao ficamos muito tempo em quadra – uma hora. Mas rende muito e diverte barbaridades. Desde os tempos de jogador ele é um tenista que adora bater bola. E desde aquela época curtimos jogar sem errar – nao é raro quando já na primeira troca ficamos sem errar por mais de 100 batidas da bola. Investimos muito nos acertos, focando e controlando.

Cássio é talvez o tenista com os melhores golpes, como um todo, que já apareceu em nosso tênis. Clássico, seus golpes sao límpidos e redondos de ambos os lados, assim como dono de um saque totalmente clássico e fluído. Ninguém por aqui, e por aí também, pegou tao pesado na direita, um canhao até hoje, que agora para ser um golfista de handicap 3. Sua devoluçao de saque de revés nas duplas era meio ponto ganho. Nunca é demais lembrar que ele foi #3 do mundo em duplas e ficou entre os 70 melhores em simples uma década.

Cássio adora jogar com bolas usadas e, de preferencia, um pouco murchas. Também nao se importa se forem novas. Mas as murchas oferecem mais controle, nao pipocando pela quadra – ele adora trabalhar o controle das amarelinhas. É nessa viagem que entramos diariamente. Lógico que sempre me faz pensar em todos os pangas, especialmente os juvenis, que fazem da força a sua prioridade, abrindo mao do controle. Sem o segundo o primeiro é inútil.

Após os treinos sentamos nas cadeiras na lateral da quadra e colocamos a conversa em dia com os mais variados assuntos. Uma parte do treino, nos dias de hoje, tratada como imprescindível. Os temas muitas vezes sao iniciados no próprio bate bola.

Hoje acordei mais cansado do que os outros dias. Nao sei se foi porque após o treino, o banho e o lanchinho ainda fiz um exercícios para as pernas para salvar meu joelho. Talvez tenha sido porque minha mulher se empolgou e quis assistir um segundo capítulo da nova season de House of Cards, sendo que o primeiro acabou a 1h da manha. Um excesso.

Acordei com uma imnhaca de prostar. Estava na dúvida se hoje seria o pior dia de nossos treinos, ou o melhor, por pura necessidade e consequente foco. Pensei que uma chuva leve e insistente que caiu boa parte do dia fosse decidir o assunto por mim. Mas a chuva parou.

 

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segunda-feira, 3 de março de 2014 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 16:12

Upgrade

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Grandes torneios de tênis sao uma raridade no Brasil atual, ao contrário do que acontecia nos anos 90. Entao a expectativa para que eles sejam bons sao ainda maiores. Assim, foi um prazer ver dois bons eventos seguidos, um no Rio e outro em Sao Paulo. Especialmente com o fato de Sao Paulo ter dado um salto à frente em qualidade, após as inúmeras reclamaçoes no ano passado.

A primeira decisao dos organizadores foi que iriam mudar, para melhor, a segunda foi chamar Paulo Pereira, com fama de “chato” por ser exigente e querer as coisas feitas da maneira certa. Luis Felipe Tavares, dono do evento, sabia o que queria e o que viria pela frente ao trazer Pereira. Na verdade, fazia parte do plano de restabelecer a credibilidade ao evento, algo tao dificil de se conseguir e que se pode perder muito facilmente. Pereira trabalhou mais de 20 anos na ATP.

Para acertar os ponteiros, duas coisas imediatas foram acertadas. As quadras; afinal sao nelas que sao realizados os jogos, e as bolas; afinal, ora bolas, com elas sao jogadas as partidas.

No ano passado esses decisoes ficaram nas maos de amadores, ou quem agiu agiu como tal. As quadras nao vou nem falar. As bolas foram “escolhidas” levando em consideraçao o “critério Bellucci”, já que alguém achou que com aquelas bolinhas pererecas ele teria vantagens pelo seu estilo. Nao acertaram nem de um jeito, nem de outro.

Este ano foram mais conscientes, e espertos, ou seja; dividiram a responsabilidade com a ATP e o parceiro nas bolas, no caso a seríssima empresa Wilson. A ATP está aí para isso e eles fizeram a sua indicaçao das bolas da Wilson, escolhendo a Wilson Australian Open. Aval total dos tenistas.

Quanto as quadras, foram atrás de quem entende do assunto, além de, imagino, terem aprendido com os erros passados. Desta vez, só elogios dos tenistas.

Com essas duas coisas básicas em ordem foram para os detalhes. E o que faz o sucesso de um evento tenistico? Tenistas felizes e público contente. Bem, asseguro que nenhuma das duas coisas é fácil. Mas também nao sao tao difíceis.

Os tenistas foram tratados como sao tratados nos outros eventos da ATP; mais, ou menos, de acordo com a vontade e a disponibilidade de recursos. Todos os tenistas foram pegos, e devolvidos, no aeroporto de acordo com suas necessidades e horários. Nada de taxis. Hospitalidade começa no aeroporto. Cada um deles encontrou em sua cama de hotel um celular com crédito para a semana, só para ir deixando as coisas claras. Mais de uma festa ou jantar foram realizados para os atletas e as refeiçoes oferecidas inloco ganharam um upgrade – tenista é alguém que se ganha pelo estômago.

O público também recebeu algumas regalias, que já pagava por elas. As cadeiras do ginásio, 8.500 delas, foram todas numeradas. Esse negócio de arquibancadas nao se afina mais para uma Quadra Central de tênis e evita muitas confusoes e desconfortos.

Alguém ali foi atrás e fez seu homework. Colocaram 40 climatizadores no ginásio, que se nao refrigera, climatiza, ou seja, abaixa a temperatura e oferece um conforto de uns 5 graus mais baixos no ambiente, a um custo de cerca de R$80 mil. Na quadra 1, totalmente remodelada para este ano, com 500 assentos, foi colocado ar condicionado. Como a sorte ajuda que trabalha, o clima da semana do evento foi bem mais ameno do que as semanas anteriores, quando o calor estava um inferno.

Até a imprensa teve seu trabalho facilitado. Sob a batuta de Daniela Giuntini a informaçao ficou mais ágil e os lugares reservados foram suficientes e bem guardados.

Aliás, fiquei sabendo que a organizaçao arregimentou voluntários através de sua página no Face; fica a dica para o próximo ano. O sistema de voluntários faz enorme sucesso lá fora e os eventos dependem maciçamente deles para operar no azul e oferecer bons serviços. E é um barato para o fa. Pena que nao exista essa tradiçao por aqui de uma meneira mais forte, algo que as Olimpíadas pode mudar.

Como aconteceu no Rio Open, sempre há o que melhorar, e essa busca é o que faz o evento permanecer vivo e legal. Muitos outros detalhes positivos, além dos acima mencionados, foram realizados pelos organizadores. Assim como eles devem ter uma lista de outros que gostariam de implementar. Agora que encontraram um caminho fica mais fácil.

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