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domingo, 2 de fevereiro de 2014 Aberto da Austrália, Copa Davis | 19:42

Mudaram as cadeiras

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Por que Roger Federer apareceu em Novi Sad, cidade natal de Monica Seles, para jogar na 1a rodada da Copa Davis no último minuto? Nao tentem adivinhar, porque essas coisas de bastidores sao sempre mais complexas do que aparentam e desconfiamos.

Federer jogou somente uma a 1a rodada da Davis desde 2004, contra os EUA, em casa, em 2012, quando perdeu para John Isner no saibro, e Wawrinka do Fish, e a Suíça tomou 5×0!, Nao jogava na competiçao desde a repescagem de 2012. Esses anos todos ele passou dizendo que a Davis é importante para ele, mas, pelo jeito, nem tanto. Isso já motivou até um breve desabafo de Wawrinka, com quem ganhou ouro nas Olimpíadas, que ele nao fazia exatamente o que dizia – bem, acontece nos melhores países. Em todas as aparências os dois sao amigos e Wawrinka deixou isso ainda mais claro após o título, quando insistiu que Roger sempre o incentivou e que foi um dos primeiros telefonemas que recebeu após a final. Mas sao suíços.

E porque agora? Só dá mesmo para especular. Inegável o fato de Wawrinka ter desencatado, vencido um Grand Slam e ter se tornado o melhor suíço no ranking, fatos, especialmente o último, que devem ter mexido com a psique do bonitao. Como Wawrinka pegou o aviao e foi para Novi Sad defender o país, ficou mais difícil para Federer continuar a vender o seu paeixe que já faz muito pela Suíça, o que é fato, e nao precisa de Copa Davis para prová-lo.

Imagino que muitos francos suíços foram gastos com telefonemas para se chegar a um acordo final. Inicialmente, insisto, Federer nao ia à Sérvia. Só confirmou, oficialmente, na 4a feira, dois dias antes dos primeiro jogo.

Com certeza o fato de Novak Djokovic, Tipsarevic e Troicki nao jogarem – só sobrou pangas no time – também teve influencia. Nao sei como ficaria a cabeça, e a decisao, do Roger se, como #2 do time, tivesse que enfrentar Novak no 1o dia. Sei nao.

Como disse, só conjeturando. Para ir mais além, cada vez mais fica claro para Roger a dificuldade que terá em vencer outro Grand Slam. É difícil vencer sete jogos em duas semanas com todos cachorroes por perto. E até o Wawrinka anda ganhando.

A única conta que fecha pra ele é a da Copa Davis. Os dois juntos formam um belíssimo time que pode, eventualmente, até abrir mao das duplas – ou nao.

Com os resultados desta semana, a Espanha e a Sérvia fora, assim como o Canadá, que está montando um perigoso time com Pospsil e Raonic, a Argentina que perdeu em casa para a Itália, liderada pelo mala Fognini nao vejo nenhum time que possa conter a Suíca este ano, a nao ser, mais à distância, a França e a Rep Theca, que estao na mesma chave: A Gra Bretanha de Murray, que depende muito do Malao, terá que passar pela Itália para enfrentar a Suíça, que pega o Kazaquistao em casa agora.

Olhando a chave e o momento, este é o ano que a Suíça pode, finalmente, vencer a Copa Davis, título que Federer nao tem e lhe faz mais falta do que admite. E, estejam certos, até hoje ele sempre priorizou sua carreira solo, além de, provavelmente, achar que nao tinha um companheiro a altura do objetivo. Os cadeiras mudaram e as pessoas, como quase sempre, mudam juntas.

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