Publicidade

Arquivo de fevereiro, 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Brasil Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:06

Combinando

Compartilhe: Twitter

Interessante a chamada de hoje no Brasil Open. O torneio colocou Thomaz Bellucci no horário nobre, 19.30, o que nao é nenhuma surpresa. Com isso, colocou o alemao Haas, que ganhou o maior cache para comparecer, no jogo anterior, no fim da tarde e nao o segundo jogo das 19.30h. Isso fortalece o horário da tarde, horário que o paulista tem mais dificuldade de comparecer.

Mais do que provável o alemao nao quis jogar depois do Belo, já que a primeira semifinal amanha, sábado, acontece às 13h. Mas o programa fica de bom tamanho, já que o jogo do Haas deve invadir o começo da noite – temos dois jogos equilibrados antes, a partir das 12h. E com o término do jogo do Belo lá pelas 9.30-10h dá tempo de sair para se fazer um segundo programa na noite paulistana.

Entao, para a conta fechar boa para muita gente, o alemao tem que bater hoje o argentino Zeballos, tarefa nao tao complicada para ele, e Bellucci tem que bater o encardido Klizan, tarefa já nao tao fácil, mas bem possível.

Os dois tenistas estao em chaves separadas e fariam a “final dos sonhos”, para fas e organizadores. Mas, como dizia o Garrincha; alguém combinou com os inimigos?

PS:17h. Ouvi dizer, nao afirmo, mas nao duvido, que a organizaçao quis colocar Haas após o jogo do Belo e que o alemao se recusou. O cara está recebendo uns R$240mil, mas nao quis conversa. O dono de evento, que faz o checao, nao gostou nem um pouco. Nadinha.

Autor: Tags:

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 Brasil Open, Tênis Brasileiro | 18:13

Antíteses

Compartilhe: Twitter

Duas derrotas precoces, ocorridas ontem, no Brasil Open, contrariam e modificam as expectativas do evento. E uma nao poderia ser mais a antítese da outra.

Primeiro, Nicolas Almagro, cabeça 2 do torneio e três vezes campeao do Brasil Open, e por isso o principal favorito ao título – já que Haas, #1, está longe de sua melhor forma – foi surpreendido pelo argentino Delbonis. Escrevi surpreendido? Bem, vou escrever o que? Sobre o Almagro é sempre difícil escrever. É um daqueles tenistas onde se é forçado a colocar na mesma sentença talento e displicência, algo que sempre me incomoda. No Rio de Janeiro já tinha visto a fera de perto, treinando como um amador enfadado e perdendo, na 1a rodada, como um juvenil temperamental. Ontem foi na mesma linha. O cara simplesmente liga o botao do “dane-se” e faz o seu papelao mais do que conhecido. Isso sem mencionar as ofensas ao adversário e o desrespeito com o publico. E sem esquecer o desprezo pelo compromisso com os organizadores, e consequentemente com o público, de quem exige uma boa grana só para dar a carinha por aqui – algo na proximidade de R$200 mil. Bem, ele já veio ao país e venceu três vezes o evento, o que depoe a seu favor, mas nao precisava sujar o tapete dessa maneira.

O outro lado da moeda é a derrota da dupla Bruno Soares/Peya, para Garcia-Lopez e Oswald, um espanhol e um austríaco, que estavam fora do radar dos favoritos. A Bruno foi dado um horário nobre – ultimo jogo da noite – condizente com o fato de ser o brasileiro que melhor nos tem feito sentir melhor nos últimos tempos. Jogos de duplas sao extremamente rápidos e voláteis, especialmente com tiebreacoes no set final. Mas foi com esse cenário que a dupla austro-brazuca tem tido seu bons resultados. Na entrevista pós jogo, se pode ler nas entrelinhas que Bruno nao estava satisfeito com a performance da dupla. Durante a partida se sentiu que a dupla nao estava tao à vontade e confiante como em outras ocasioes. Jogar em casa é sempre uma faca de dois legumes.

De um lado Bruno tem, sem meio termos, o apoio da torcida. O publico gosta dele, dentro e fora da quadra. Aí, nenhuma surpresa. O cara é gostável mesmo. Nao sei, porque nao estou na pele dele e de seu parceiro, mas, por outro lado, talvez tenham se permitido a sentir um pouquinho a mais de pressao do que seria interessante para manter a soltura e a qualidade. Uma pena.

O ponto aqui é o contraponto. Enquanto Almagro recebe uma vasta grana, até porque é assim que o mundo gira e a Lusitana roda, e faz seus papeloes, Bruno, nunca ouvi duplistas ganhando garantias, é um tenista comprometido com sua carreira, com seus confrontos, seu público, seus patrocinadores, seus fas. Percebe-se a cada vez que entra em quadra, assina um autografo, participa de um evento que ele tem plena consciência do que tem que ser feito e que, importante, o faz com alegria e entrega. Bem, o mundo nao é justo, mas, do mesmo jeito que Almagro faz com que seja mais difícil afinar nossas paixoes com talentos ofertados, Bruno faz a tarefa mais fácil e agradável.

Autor: Tags:

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:58

Fechando o Rio Open

Compartilhe: Twitter

O Rio Open chegou perto de oferecer aquilo que é a expectativa de todos grandes fas do tênis; um evento horizontal, que apresente um menu mais amplo do que jogos de tênis, algo que per si o publico já se acostumou a acompanhar pela TV. Se é para sair de casa os fas esperam um pouco mais, lembrando que acompanhar jogos ao vivo já é uma realidade muito diferente, e melhor, do que pela telinha.

Como fui postando durante a semana, eu me diverti bastante no Rio Open. Antes de chegar pensei que iria curtir mais o Rio de Janeiro, mas no final ficou fácil de passar um bom tempo nas quadras e me contentei em acompanhar o torneio. Algo que nem todos fazem, especialmente os locais, que seguem com seu cotidiano, este um dos motivos da existência de claroes nas arquibancadas em determinados jogos, uma das reclamaçoes, sendo o outro o fato de os patrocinadores ficarem com parte dos ingressos, os distribuírem e as pessoas nao irem.

É óbvio que existem coisas que poderiam ser melhores. Isso, eu, os que estiveram presentes e, principalmente, os organizadores sabem. O que permanece é que eu, e todos com quem conversei, ficaram contentes com o que viram e viveram. E se houve críticas foram mais pela surpresa de algo destoando.

Nao preciso ficar listando problemas, até porque existe gente competente na organizaçao para detecta-los e os acertar para a próxima ediçao no local. Quanto a isso, ouvi duas versoes; que o contrato com o Jockey vai até 2016, quando o evento vai para o local das Olimpíadas, e que o contrato era de um ano e que agora seria avaliado pelos sócios do clube. Estes devem ter adorado, já que movimenta um local maravilhoso, mas que está decadente e com problemas (me refiro à parte do local das corridas), além de receber algumas regalias durante o evento. Sendo assim, imagino que lá permanecerá.

Sem entrar em estresses, cositas que podem melhorar:

Os acessos à Quadra Central, estreitos, e com o pessoal, que a organizaçao disponibilizou de muito bom tamanho, mas nao tao bem treinado para a função, causam filas e estresses desnecessários.

Repensar em como lidar com o público da principal quadra de treino, onde os fas de Rafa Nadal compareciam em peso, se tornando um programa diferente e legal. O estande da Asics poderia ser realocado, por exemplo. Afinal, Rafa disse, em quadra: “os vejo no próximo ano”.

Mini arquibancadas para as quadras secundárias. Valorizaria ótimas partidas que ficaram sem público condizente. Eu olharia a possibilidade de colocar algum tipo de cobertura nas arquibancadas da Quadra 1 e de outras quadras secundárias. Além de se assistir de perto seriam um bem vindo “refúgio” do calor. Uma mini área de apoio para o público nessa área, distante da área de serviços, seria bem vinda. Insisto nisso porque eu adorava passar tempo lá pelas quadras secundárias, até mais do que na Central.

Aliás, o lugar mais interessante para se acompanhar as partidas era a Quadra 1, que, por isso, merece um upgrade (na linha do que é feito no Challenger lá realizado), sem descarecteriza-la – ela ficou de ótimo tamanho para público e jogadores. Com um décimo do publico da Central ela oferecia um ambiente ótimo para fas e tenistas que a Central só atingia quando lotada.

Eu colocaria um telao, ou placar, na área de serviços informando os jogos que estao rolando nas quadras secundárias, que estao “distantes”, assim como quem está treinando, ou mesmo imagens desses locais.

A chamada dos jogos sao sempre um quebra cabeça, pelo excesso de interesses, e também deve ser repensada. A principal sinuca de bico deve ser o fato de que é melhor, pelo conforto térmico, fazer os jogos mais para o fim da tarde. Mas é um risco danado “segurar” os jogos para o fim da tarde por conta das chuvas – este ano elas nao vieram, mas a época é de chuva, e de bons pés dágua. Os últimos dias nao ficaram legais.

Banheiros sao sempre uma questao em eventos, especialmente com milhares de pessoas saindo da Central ao mesmo tempo. Os banheiros fora das áreas Vips poderiam ser repensados e aumentados.

E, crucial, o assunto dos taxis precisa ser bem repensado e disponibilizado. Pode estragar todo o programa e o esforço feito para acertar. Imaginem em um dia de chuva! E já sei que nao será fácil!

Nao vou listar os acertos, até porque o fiz durante a semana e a lista seria enorme. O mais importante é o conceito que norteou os organizadores. Nao economizaram no investimento da infraestrutura e de pessoal. É claro que ambos poderiam ser ainda melhores, mas a intençao ficou clara e isso é importante.

Nao sei se há no Rio outro local que ofereceria o mesmo “setting” do Jockey Clube – duvido. Por isso o esforço, se necessário, para lá permanecer vale a pena. Por outro lado, os sócios podem levantar as maos aos céus!

Autor: Tags:

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:03

Perdas e ganhos

Compartilhe: Twitter

Depois do apoteótico jogo entre Nadal x Andujar ficou um pouco sem graça escrever sobre a final. Especialmente porque eu esperava mais do Dolgopolov, um dos meus favoritos no circuito, por ser fora da caixa. Mas o ucraniano nao jogou no mesmo padrao dos outros jogos – ele que jogou inspirado toda a semana, imagino que também motivado pelo o que acontece em Kiev, quando notamos que jogou com a fita negra do luto no peito – e começou mal a partida. Mais para o final do jogo se encontrou, mas tarde demais, ainda mais com o Animal do outro lado da rede.

Pouco antes da final eu conversava com Bruno Rosa, que foi um ótimo juvenil, na época o melhor do Brasil, teve sucesso no circuito universitário e, poucos anos atrás, entrou no mercado de trabalho com o pé direito – primeiro em um banco em Sao Paulo e agora na Estácio Univ., convidado que foi pelo presidente da empresa Rogerio Melzi, um fa do tênis e da boa gestao. Bruno, que é, acima de tudo, excelente pessoa, manteve amigos do circuito, entre eles Pablo Andujar, vítima de Nadal na semifinal, que ficou alojado em seu apartamento. Curioso, perguntei se o rapaz havia dormido bem após a incrível derrota. Bruno me disse que o rapaz estava feliz com sua participaçao, pela maneira como jogou e como tinha sido aplaudido de pé pelo publico, algo inédito em sua carreira. Triste por ter deixado escapar uma chance única, ciente que enquanto ele jogou bem, Nadal nao jogou seu melhor. Nao mencionou, como eu acho, que muito de Nadal nao jogar seu melhor foi por conta de ele o ter feito, mostrando que sabe como enfrentar Nadal. Quanto ao sono, Rosa nao soube dizer. Naquela mesma madrugada, à 01.30 da manha, o rapaz pegou um vôo para Acapulco, seu próximo torneio, onde enfrenta Andy Murray na 1a rodada. Vida de tenista.

Aliás, ontem, quando eu tentava embarcar em vôo da ponte aérea, encontrei Bruno Soares na fila. A conversa girou em torno do caos que estava o aeroporto. Eu mencionei que aquilo que encerra a carreira dos tenistas. Ele retrucou que é raro pegar aquele perrengue, mas que sim, aeroporto é mais cansativo do que os jogos.

Fiquei surpresa com a presença, ou permanência, de Nicolas Almagro na chave de Sao Paulo. Após tacar fora o jogo na 1a rodada, contra o Dog, pensei que talvez pegasse um aviao de volta para a Espanha. Imagino o que ficou fazendo esta semana?! Nao o vi nas quadras de treino do Jockey após a derrota. Almagro é o cabeça 2 em Sao Paulo e um dos favoritos ao título. Bom que ficou, já que é sempre bom acompanhar seu enorme talento, especialmente quando junto a uma vontade de jogar.

A chave em Sao Paulo está bem mais fraca do que no Rio (os #3 e #4 sao Granollers e Monaco), até pela competiçao com Acapulco, esta mesma semana. Mas os primeiros sinais sao que o evento de um upgrade na sua qualidade, criticada no ano passado e que lhe custou caro em mais de uma frente. Lembrando, este ano Acapulco abandonou o circuito de saibro, onde era o último, e entrou no de quadras duras, onde abre o circuito. Para eles é só ganho, para os eventos brasileiros é uma perda.

Logo publicarei meu Post de encerramento do Rio Open.

Autor: Tags:

sábado, 22 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:07

O local

Compartilhe: Twitter

O Rio Open foi um torneio que quis levar os eventos de tênis a um novo patamar, com razoável sucesso, apesar que no passado tivemos outros ótimos evento no país, sempre considerando suas respectivas épocas e circunstâncias. Aqui mesmo no Rio, tinha um evento que acontecia em uma ilha, chegando na Barra à direita (Marina Clube?) – os cariocas que me ajudem com o nome o clube – que era bem legal, assim como outro em Búzios. Mas a memória é curta.

Hoje o Rio é palco de grandes eventos, existe os incentivos fiscais, o know-how e a tecnologia sao outras. O Jockey Clube foi uma excelente escolha e o pessoal da IMX nao pensou pequeno nem fez economia sem vergonha. Só o fato de terem metido a mao no bolso e dar U$1 milhao para o Nadal (é o que dizem), mostra o comprometimento com o evento e o público. Só nao vale dizer “nunca antes no Brasil”.

Gostei dos stands na alameda de entrada, local margeados por uma série de árvores lindissimas, com fruto e flores para lá de exóticas – ainda vou descobrir o nome!. Uma boa mistura de serviços com marketing. Os patrocinadores colocaram seus esforços ali, em uma amostra de como o marketing progrediu, dos tempos que os caras queriam que só as faixas nas quadras resolvessem. Comi no japones, tomei sorvete, ambos mais do que razoáveis, comi hot-dog, longe de ser “o melhor”, ganhei um chicletes da Sharapova, distribuída pelo pessoal da Head, a bola do torneio, que fez ótima açao de marketing com uma enorme raquete com a qual todos querem tirar uma foto com ela (vejam a minha na minha página do Face). A Faberg tem um local para receber o pessoal que contrata seus serviços, mas o principal é o atendimento ao público em geral, com mesas, cadeiras, sofás para comer, beber ou descansar. Mais à frente, ao lado das quadras de treino, uma grande loja da Asics bomba dia e noite.

Gostei muito também de, finalmente, ter chego aos eventos tenisticos as “cadeiras numeradas”, detalhe crucial no país de gérsons. Mesmo assim o pessoal é indisciplinado e está sempre querendo sentar onde lhe convém, para desespero dos encarregados, a quem ainda falta traquejo de como lidar com o assunto. Eles estao mais focados em ser seguranças do que em informar o local do assento. É necessário os dois.

Para quem tem pistolao ou amigos patrocinadores o local para se estar é o Corcovado Club, um tremendo lounge com vários nichos, ar condicionado, comida non stop, assim como regalos, refrigerantes e cervejas geladas e onde “todo mundo”, inclusive as celebridades convidadas, se encontra nos intervalos dos jogos. Se bem que tem gente que nem aos jogos vai, ficando só na social.

Um outro local, mais restrito mas tao confortável, ja longe da área do publico e na sede do Jockey Clube, é o lounge dos tenistas. Um belo local, imagino que seja uma sala de carteado, com uma belissima varanda para o gramado do local. Ali é só para os tenistas e convidados. E os seguranças – coisa de Rio de Janeiro – que ficam dentro do local olhando as estrelas. Lá os tenistas tem uma comidinha básica, frutas massas etc, já que bem ao lado tem um ótimo restaurante do clube, local de suas refeiçoes. Alem de mesas e poltronas para descansar, conversar, entrar na internet os tenistas tem os serviços básicos de informaçoes oferecidos pela ATP e WTA, algo que eles usam e abusam no bom sentido.

No andar térreo, uma varanda coberta, vazada nas laterais e enorme, os tenistas menos conhecidos podiam sentar nos safas sem serem importunados. Ali algo bem interessante acontecia à vista de todos – associados, imprensa e todos que trabalham no evento. Os tenistas, principalmente as mulheres, faziam seu aquecimento pré jogo no local, sem a menor cerimônia e sem se importunar com os transeuntes.

Autor: Tags:

Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:55

Disciplina tática

Compartilhe: Twitter

Thomas Bellucci gritou Shazan pouco antes de entrar em quadra ontem. Mas eu ainda nao sei como esse negócio funciona para ele, talvez ele ainda esteja tentando descobrir também. Ele jogou muito no 1o set, talvez até inspirado pela disciplina tática da Teliana, que deu um show pouco antes, ela sim uma verdadeira jogadora de obediencia tática. Enquanto Tatiana é capaz de ficar do começo ao fim do jogo dentro das restriçoes e vantagens da dita disciplina, o mesmo nao acontece com Thomas, que a certa hora decide por navegar por mares perigosos e traiçoeiros.

Teliana levou o jogo pelas rédeas do começo ao fim, enquanto sua adversária resolvia pirar e se entregar ao inferno do calor. Thomaz jogou um tremendo 1o set – e como ele pode jogar quando se apega á tática, está confiante e solta o braço – mas saiu de jogo no 2o set e nao voltou mais. Nem quando teve uma ajuda divina, no 3o set, logo após ser quebrado e chamar o fisioterapeuta, e as luzes se apagaram. O problema demorou mais de uma hora para ser arrumado, e acabou mandando o jogo do Robredo para a quadra 1, onde foi derrotado por 6/1 6/1 (?!!?) e motivou os espanhóis falarem nos vestiários sobre mutreta – algo que posso assegurar nao aconteceu.

Bem, Thomaz, talvez por ansiedade, deve ter esquecido de gritar Shazan novamente na volta e nao foi nem uma sombra do maravilhoso tenista que foi no 1o set. E ontem, de várias maneiras, era o seu dia, já que jogava na frente de um publico muito disposta a incentiva-lo e Ferrer ainda nao está na sua melhor forma, nem muito à vontade no saibro.

Mas o dia valeu pelo quase consagraçao de Teliana, que, se tem algumas restriçoes técnicas, nao deixa que estas causem restriçoes emocionais. A moça é uma guerreira e, novamente, muito disciplinada, algo que vale ouro no esporte. Ela joga hoje a semifinal contra a cabeça 1, Klara Zakapalova, tenista rápida e com golpes letais dos dois lados – sua esquerda é rapidisima e ela nao faz força para bater – linda. Agora só um milagre para fazer com que Teliana vá à final. Mas lá em cima da montanha está o Cristo Redentor e a fé move montanhas.

Autor: Tags:

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:29

Bernstein

Compartilhe: Twitter

É difícil ter brasileiro em quadra e nao ter emoçao nas arquibancadas. Porém, há emoçoes e emoçoes. Ontem, pela 2a rodada, Teliana Pereira fez um jogo emocionante com a chatinha da austríaca Mayr. Apesar de decidido em dois sets – 6/2 7/6 – a partida foi equilibrada do começo ao fim.

Teliana entrou mais à vontade na Central, já que sua adversária deve preferir quadras menores e afastadas, onde ela e seus acompanhantes podem intimidar e barbarizar com as adversárias, como foi com a Secretária Schvedova. Ontem, ela e os rapazes ficaram pianinhos, até porque o tiro sairia pela culatra se se metessem a besta com a torcida. O máximo foram alguns chiliques da austríaca, que viu seu favoritismo naufragar.

Teliana é uma tenista disciplinada taticamente. Entrou em quadra sabendo que teria que focar seu jogo no revés da adversária e de lá só saiu quando o desenho tático urgia e para dar as necessária variadas. Fora isso, ficou na estratégia “agua mole em pedra dura”, esperando a Mayr cometer o erro primeiro, já que esta joga mais plano e arrisca mais – e fica toda nervosinha quando erra. Vai ficar muito nervosinha vida afora.

Tao bom quanto ser disciplinada, Teliana soube manter a tranquilidade e intensidade quando precisou. Ao estar perdendo por 2×5 no 2o set, e ficar no jogo para vira-lo, e no tie break, a hora da onça beber água no jogo. No topo de tudo isso a moça soube elevar seu padrao ao jogar em casa, sempre uma oportunidade única, e momento de se mostrar do que se é feito. Teliana abraçou todas.

O público ainda nao pegou o jeito e nem abraçou o tenista Dolgolopov. Ontem ele, publico, preferiu torcer para o argentino Facundo, um belo tenista também. Dog é um tenista totalmente fora da caixa e um dos meus favoritos de se assistir. O cara faz de tudo e mais um pouco. Dá porrada, dá balao, dá curtinhas encardidas, dá top spin, dá um slice com freio de mao, tem um saque maluco e ele mesmo é um maluco beleza. Tem tudo de um showman. Para curtir.

Já o Fognini é um brincalhao. Ele é tao lento para caminhar – algo que os italianos enxergam como sua marca registrada – que às vezes, nas trocas de lado, parece que vai chegar na sua cadeira na hora de levantar. Isso sem contar que fica com aquela cara de paisagem como se tivesse em quadra fazendo um favor à humanidade. Fora a habilidade e o talento! Hoje tem Fognini e Dog, partidaça imperdível – os caras vao se matar no calor.

O jogo de ontem do Rafa Nadal é sem comentários. O adversário joga solto, faz tudo e mais um pouco e mais consegue fazer game no homem. Parece que só dando um tiro.

Ontem voltou a fazer calor no Rio. Hoje continua. Vai fazer uns 35o e no Domingo chega a 38o. Isso vai fazer suas vítimas em quadra. Vai ter gente no meio da partida amaldiçoando o dia que pegou na raquete. À noite é uma delícia, na hora do almoço e início da tarde um inferno, hora que a Teliana, moreninha jambo, enfrenta Begu, a romena da Transilvania.

Façam suas apostas. Esta noite, em pleno horário nobre, na delícia da noite, Thomaz Bellucci tem um dos principais jogos de sua carreira. Enfrenta, em casa, o “operário” Ferrer, um dos cachorroes do circuito, neguinho que nao dá nada pra ninguém em quadra e por isso tem o respeito de todos. A torcida vai estar babando e pronta para o que der e vier. Só precisará de um regente. Espero que Bellucci tenha sua noite de Bernstein.

Autor: Tags:

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:40

Shazan

Compartilhe: Twitter

Lá pelos lados do Rio Grande do Norte tem umas dunas onde você pode fazer um passeio de buggy – é um dos programas “obrigatórios” da cidade de Natal – onde a primeira coisa que o motorista te pergunta é: com ou sem emoçao? Pois é, eu sempre peço sem, como se precisasse de mais emoçao ao entrar em um buggy no perigoso sobe e desce das areias finas que invadem a cidade. Mas imagino que o Thomaz Bellucci deve pedir com emoçao. Nao existe torcer para o rapaz e achar que vai tudo ser na tranquilidade. Nananinhanao.

Ontem, contra o argentino Monaco, foi mais uma partida montanha russa. Após uma hesitaçao no início, Thomaz foi se soltando, cortando os erros e até aparecendo na rede. A partir do 5×2 no 2o set gritou “shazan” e tornou-se um super tenista. Começou a acelerar as bolas, dos dois lados, alugou o revés do argentino com propriedade e largou a mao na paralela quando surgiu a oportunidade. Essa maravilhosa viagem da “confiatrix” durou uns bons games, o bastante para abrir uma margem de dois breaks no set final. Na hora da onça beber água vacilou barbaridades e tentou, de algumas maneiras, colocar um hermano capenga de volta na partida. Graças a Deus seus esforços foram infrutíferos. Sendo assim, saiu da Central com uma bela vitória sobre um tenista perigoso no saibro.

Bem, agora que o técnico espanhol Clavet o convenceu a usar o “slice” – Aleluia!! – poderia também tentar convence-lo daquilo que seus fas mais pedem. Abandona a curtinha, Thomas, abandona. Pelo menos nas horas importantes, onde ele sempre erra, já que ir pra curtinha nessas horas é mais sinal de nervos do que de opçao tática. Nas horas nao importantes é mais fácil, ele acerta e acha que é legal.

Acompanhei o bate bola da checa Klara Zakopalova. A #1 do torneio tem um revés com as duas maos interessante. Nao faz a mínima força e a bola anda barbaridades. Isso é talento, é entender o conceito que é jeito e nao força. Algo como o Phil Mickelson no golfe. Uma aula de tênis ambulante a moça.

Já que é para aprender algo, a garotada, ao invés de só querer acompanhar jogo do Nadal, podia acompanhar o do Robredo. Iriam aprender mais de como jogar tênis. O cara é um ser pensante, tem técnica limitada e exatamente por isso tem que pensar mais para poder sobreviver entre os cachorroes. Mas, eu sei, a massa coletiva nao é o ser mais pensante do planeta. Todo mundo no Nadal e poucos no Robredo. Deixemos claro: deveria ser todo mundo no Nadal e todo mundo no Robredo, já que a maioria presente nos jogos é, claramente, tenista.

O que tenho visto pouco no Rio Open é a molecada. Cade os tenistas infantis do Rio de Janeiro? Um torneio destes deveria trazer centenas, se nao milhares, de jovens, especialmente à tarde e noite, para as quadras do Jockey. Nao entendi.

Continuo me divertindo mais nas quadras secundárias do que na Central. Até fica a sugestao de a organizaçao dar uma melhorada nessas quadras para o ano que vem. A quadra 4 e 6 nao tem arquibancadas e o pau corre solto nessas quadras, assim como em outras. Na 6 ainda pode-se encostar na grade, na 4 se é obrigado a ficar mais longe ainda. A 2, 3 e 4 têm arquibancadas em cima, local que ainda precisa ser administrado a entrada do publico. Ali o problema é quase insolúvel, pois só existem as entradas laterais e sao para três quadras. Eles tentaram resolver colocando só treinos na do meio, o que ajuda se o publico ajudasse. Ficaria mais legal colocando mini arquibancadas laterais. Nao se pode esquecer que sao dois torneios concomitantes e só tem jogao!

Na quadra 6, eu acompanhei, sem pestanejar, a vitória da polonesa Piter sobre a alema Pfizenmayer. Parecia vingança da II Guerra. A polonesa é super leve, com pernas delgadas e sem musculatura. Corre como uma coelha. A alema, mais troncuda e com mais peso de bola. Só que mais temperamental, enquanto a adversária corria atrás de tudo, nao largava nada, vibrava barbaridades, batendo no peito e apontando o dedo aos céus. Foi um belíssimo confronto, acompanhado por poucas pessoa de pé com o sol na cabeça. Eu me coloquei, estrategicamente, debaixo de uma árvore e, grudado na grade lateral, me diverti barbaridades.

Se eu já acho legal assistir as duplas na TV, quando tem, acompanha-las praticamente dentro da quadra é imbativel. Nao entendo como nao tem mais gente ainda acompanhando. Moçada, eventos como esse é uma vez por ano, quando nao menos. Se gosta de tênis deveria estar lá com a cara enfiada na tela babando e vibrando.

Hoje já tem menos simples nas quadras secundárias, mas ainda tem muitas duplas. O interessante da chamada de hoje é que o Rafa Nadal deve ter “pedido” para nao o colocarem no ultimo jogo da noite e sim no primeiro, às 19h. Como o Belo e o Ferrer jogaram ontem, o ultimo jogo ficou entre o espanhol Albert Ramos e o português Joao Souza, o que nao deve dar muito ibope. Nao entendi. Nao dava para colocar a Teliana, que joga às 16h, um bom horário também, ou o Fognini ou mesmo o Dog, tenistas com mais appeal? Ou o segundo horário da noite deixou de ser uma prioridade?

Mas nao se enganem, o evento é um must, para tenistas e nao tenistas. Estou no Rio e nao fui à praia. Nao saio do Jockey.

Autor: Tags:

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 Rio Open, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:54

Milho pra bode

Compartilhe: Twitter

Surpresas sempre há. Agora há surpresas e surpresas. Na 2a feira vi o Nicolas Almagro batendo bolas com um qualy. Uma piada. O Almagro foi aquilo que se chama de corta-físico. Se estivesse em quadra com alguém melhor rankeado o cara mandava ele às favas e o deixava falando sozinho. Ele simplesmente ia para winner todas as bolas. O set foi uma piada – ele nao queria trocar duas bolas. Até que estava legal de assistir, porque o cara é muuuito talentoso e pega na bola como poucos. A maneira como usa o pulso é fenomenal.

Ontem quando ele o Dolgopolov entraram em quadra eu sabia que podia acontecer qualquer coisa. E aconteceu. No primeiro set o Almagro jogou como no treino. Entrou tudo e foi 6/2 para ele. No 2o set ele também jogou igual, pelo menos no começo. Aí ele perdeu um game, o foco, se irritou, e como ele gosta de se irritar, começou a errar tudo e colocou o outro no jogo. No 3o o Almagro simplesmente mandou o jogo para o saco – 6/0. Entregou legal. Eu sempre achei que falta um parafuso na cabeça do espanhol. E agora, ele fica a semana inteira para jogar em Sao Paulo? Ou fica doente, toma um aviao para a Espanha e zuzu bem?

Outra surpresa, esta mais agradável, foi a vitória da Teliana Pereira. Ele ficou no jogo, brigou o tempo todo e conseguiu um belo upset, a chamada zebra. Bater a 60 do mundo, a romena Cadantu, com ranking bem melhor do que o seu, de maneira categórica, em dois sets, é um feito a ser guardado e aproveitado com carinho. Pode fazer maravilhas pela confiança, que é o grande diferencial de quem está no seu estágio, na carreira e no ranking. Na próxima rodada ele enfrenta a austríaca Achleitner (ver abaixo).

Apesar de ser a cabeça #2 do torneio nao chega a ser grande surpresa a derrota da Schiavone, um dia campea de Roland Garros. O tempo dela vem passando e suas adversárias sabem e nao perdoam. A espanhola Dominguez Lino, uma baixinha ranheta, nao tomou conhecimento da idade e experiência da adversária.

A Secretária Shvedova continua sendo um mistério para mim, assim como a alma russa, algo que só Tolstoi ou Dostoievski para tentar decifrar. A moça, que abandonou a cidadania russa para, segundo ela, jogar Fed Cup e Olimpíadas, por conta da competição local. A grana, suspeito, deve ter ajudado. Nos treinos ele usa aqueles calçaozoes e camisas características das tenistas de opçao homosexual. Nos jogos ele se veste como mocinha, toda elegante e sensual. Desde 2012 que ela vem jogando abaixo do padrao que eu tenho para ela – atualmente é #79 no ranking. Ontem ela foi eliminada em dois sets pela austríaca Achleitner em dois sets quase apertados. Na arquibancada, o técnico da austríaco tinha, claramente, a agenda de azucrinar a adversária, batendo palmas em TODOS os pontos, incluindo os erros da Secretária – algo para se ficar atento no jogo com Teliana. Schvedova, visivelmente importunada, olhava com carinha de cachorrinho para o algoz – mas em nenhum instante disse uma palavra ou reclamou. E foi uma lady ao cumprimentar a juiza e adversária no final. Há tenistas e tenistas.

Rafael Nadal lotou a Quadra Central logo no 1o confronto. Ninguém quis dar sopa para o azar e perder a chance; como se o Animal tomasse dessa sopa. Com ele nao tem conversa. O oponente pode jogar o quanto quiser que ele acha uma maneira de vencer. Ontem foi assim. O conterrâneo Gimeno Traver jogou muito, levantou a galera e a fez acreditar valer a pena o ingresso. Por mais que as arquibancadas desse uma maozinha, querendo um 3o set, nao teve acerto. Nadal, que está muito veloz – uma brincadeira – brigou, correu, barbarizou, mas nao deixou ter 3o set. Ali nao tem milho pra bode.

Autor: Tags:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014 Rio Open, Tênis Brasileiro | 11:45

Jogando em casa

Compartilhe: Twitter

Ontem, 2a feira, foi um dia de brasileiros no Rio Open. Dos cinco jogos realizados na Central quatro envolveram brasileiros. De todos somente Thomaz Bellucci saiu de quadra vitorioso. O rapaz deve ter ido dormir contente. Esteve no perigo, soube aproveitar a força da torcida e aguentou o rojao na hora da onça beber água.

Laura Pigossi, primeira a entrar em quadra, ainda está longe do padrao das cavalonas e foi presa fácil da espanhola Espinosa. Bia Maia ainda está, como nao poderia deixar de estar, fora de jogo após meses contundida. Mas deu para ver que vontade de acertar e vencer nao falta após uma cena inusitada. Depois de dominar um ponto, quando tinha uma vantagem no 2o set, e terminar por perde-lo, Bia se auto deu alguns tapas no próprio rosto, deixando claro a frustraçao de quem deixa uma oportunidade escapar.

Joao Feijao Sousa fez jogo disputado com o qualy argentino Facundo Bagnis mas nao conseguiu se impor. Depois de muita luta, Feijao deixou a partida escapar ao errar três bolas em seu próprio serviço no set final.

Bellucci flertou com o perigo. Errou bastante no início, mostrando estar nervoso. Aos poucos se acalmou, entrou no jogo e passou o nervosismo para o outro lado da rede. A torcida fez sua parte, nao desistindo de seu conterrâneo que agora enfrenta o vencedor de Juan Monaco e Zeballos, dois argentinos. Em uma das quadras secundárias Guilherme Clezar foi eliminado por outro hermano, Delbonis, com facilidade.

Bruno Soares queria jogar na Quadra Central, mas jogou na Quadra 1. Chegou a reclamar no twitter de nao ser valorizado em seu país. Os organizadores explicam que o contrato com a ATP exige quatro simples diárias na Central e com a WTA duas simples. Nao cabem as duplas, que vem para a Central na final.

A emenda saiu melhor do que o soneto. A Quadra 1 é uma quadra menor, com arquibancadas nos quatro lados e o publico fica muito próximo e um pouco acima da altura dos tenistas. Maravilha! O publico lotou o local, sem tumultos ou filas. O ambiente foi formado.

Os fas participaram, que é sempre o cenário ideal no tênis, se entusiasmou com a qualidade mostrada em quadra e se divertiu barbaridades. Dava para ver que a esmagadora maioria nas arquibancadas era de “tenistas” apreciando o jogo. No fim, ficou um gosto de quero mais e um cenário melhor do que se o jogo acontecesse na Central, sem sua capacidade tomada, como aconteceu na Quadra 1.

Vale mencionar que apesar da categoria de Bruno e seu parceiro Peya, o melhor em quadra foi Andre Sá que fez até chover – o jogo foi interrompido no 3×0 do tiebreacao. O mineiro teve que carregar uma mala sem alça, já que seu parceiro, Juan Monaco, joga tanto duplas como eu jogo curling. Andre esteve lépido, empolgado, arrojado, preciso e deve ter saído contente da quadra com sua performance. Mas nao se enganem, Bruno também fez um jogao e mostrou que quer jogar bem para seu publico, sempre algo especial para aqueles que entendem um das mais fascinantes aspectos do tênis. A oportunidade de jogar em casa.

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última