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domingo, 26 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 20:48

Tenta outra vez

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Quem nao tem cao caça com gato. Ou com Stan. Especialmente se a caça for Rafa Nadal.

Os fas de Roger Federer tiveram que procurar conforto na plasticidade, e nova combatividade do, quem diria, conterrâneo Stanislaw Wawrinka. O quase perene #2 da Suíça, quem diria, é agora #1 da Suíça e #3 do planeta – uma grata e inesperada reviravolta. E para deixar a vingança ainda mais doce como um chocolate ao leite – êta coisa enjoativa – a vitória na final do Aberto da Austrália, impediu que o espanhol Nadal se aproximasse do recorde de Pompadour Federer. Imagino que o Mr Federer, que Stan diz ser um grande amigo, vá enviar algumas caixas se deliciosos chocolates suíços meio amargo ou, na pior da hipóteses, um autentico e vintage Daytona – apesar do rapz ser um Piguet man.

A final foi um case tenístico. Por algum tempo as conversas tenisticas terao múltiplos assuntos. A reviravolta na carreira de Wawrinka, a “decadência” – quisera eu ter essa decadence avec elegance de Roger, a esquerda maravilhosa do novo suíço e, acima de todos assuntos, a dramáticidade, e inúmeros outros adjetivos que serao colados ao tema, da final.

Wawrinka é um novo tenista desde o início de 2013, quando perdeu uma partida que foi um separador de águas em sua carreira para Djoko no AO. Em Abril, acreditando que poderia sonhar mais alto, convenceu Magnus Norman a acompanhá-lo. De lá para cá seus resultados ficaram mais sólidos, assim como seu jogo e, especialmente, seu mental. A presença no ATP Finals pela primeira vez, e aos 28 anos, atesta a nova fase.

2014 começou com a conquista de Chennai, na Índia. Aproveitou o embalo e confiança para vencer o AO. Sao 12 partidas invicto este ano. Nao se enganem: ele sempre foi um grande tenista – venceu Roland Garros juniors em 2003 – e tem seis títulos profissionais para atestar. Mas nunca tinha estado entre os Big Dogs. O ano passado entrou entre os Top10 e agora é o 3o do mundo.

Ele sempre fez parte do imaginário dos tenistas de fim de semana pelo simples fato de ter o golpe mais plástico e bonito do tênis – sua esquerda com uma mao. A melhor entre as poucas que estao por aí. O cara faz o que quer com a bola e deixa todo mundo que já empunhou uma raquete babando de inveja. Sua direita sempre apitou antes da hora, até por conta do mental que vergava como bambu na hora da turbulência. Só com Rafa seu recorde era 0x12. E na mudança, para melhor, de ambas, deve ter o dedinho de Magnus Norman.

Na Austrália teve que passar por, entre outros, Robredo e El Djoko, sua grande partida no evento. Após perder por 7/5 no 5o em 2013, este ano bateu o servio por 9/7 no 5o. Ali ganhou o invisível pó de perlimpinpin chamado Confiatrix. Despachou Berdich de camiseta listrada e loira gelada na arquibancada e foi-se para a final. Mal sabia o que lhe esperava.

Começou dando um chocolate que a muito tempo o espanhol nao recebia – e isso tem que ter algo a ver com o resto da história. O pau corria solto na Rod Laver Arena – Stan só batia e Rafa só apanhava. Vai ter lombo grosso assim lá nas Baleares. E foi exatamente na lombar que começou a doer.

E aí vem a história de que veio primeiro, o ovo ou a galinha. Nas três derrotas mais marcantes e inesperadas de Rafa em Slams, vieram manchadas por contusoes e dores: Soderling, Rosol e Wawrinka (nao esqueçamos que o suíço era freguês de carteirinha). Rafa se contunde porque vai ser derrotado ou é derrotado porque se contunde. Ele diz que sentia dores desde o aquecimento. Porque? Logo na final? E após um passeio na semifinal, ele o mais perfeito físico do tênis? Talvez tensao da derrota prendeu as costas. De qualquer maneira, só deu para perceber após o sacode que tomou na 1o set e ter seu serviço quebrado no 2o, o que, de certa maneira, sacramentaria o que viria pela frente. O que de fato passou nao sabemos e só serviu para manchar a final, nao a conquista de Wawrinka. Temos que aceitar as palavras do espanhol, até porque ele tem muuuito crédito. O resto deixo com vocês.

Muito mais interessantes sao as palavras de Samuel Beckett que Wawrinka, logo ele, escolheu para marcar seu corpo e braço de tenista – palavras que ele diz definem bem a vida de um tenista: Ever tried, ever failed. No matter, try again, fail again. Fail better. (Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor). Hoje ele quebrou a corrente, mas nao a verdade escrita.

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