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domingo, 5 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Porque o Tênis. | 20:31

Midiaticos

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O mundo do entretenimento, do qual o esporte faz parte, virou um espetáculo mediático. E nesse espetáculo nao basta ser bom, talentoso, dedicado, é necessário também cultivar a imagem; mesmo que ela seja uma farsa. Isso porque as pessoas nao estao interessadas em enxergar farsas, nem as pequenas, nem as grandes, a nao ser que elas sejam jogadas em seus colos; na maioria das vezes sendo necessário jogar na cara mesmo. Desse ultimo exemplo, temos o cara de pau Lance Armstrong que, antes de ser exposto pelo o que realmente é, faturou títulos e milhoes e tornou-se um ícone do esporte apresentando a imagem de um super-homem, dedicado, diferenciado e charmoso. Sei! No tênis, essa tendência, a da “imagem” publica, foi inaugurada, de maneira mais óbvia, até porque o perfil sempre existiu, embora atenuado, por Andre Agassi e seu lema “imagem é tudo”. Esse nao teve ninguém a desmascará-lo, ele mesmo se incumbiu do fato em sua autobiografia, típico exemplo de tal espetáculo mediático.

O “pacote” tem que ser amplo para saciar o ego da estrela e a demanda dos ávidos. Nesse tsunami de “imagens ideais” nem tudo é negativo, pelo contrário. De mais de uma maneira, o esporte tornou-se mais interessante, transparente, correto. Os tenistas, nosso foco, desenvolveram outros talentos e fizeram a vida do fa mais interessante. Sao atletas mais profissionais, inclusive na maneira de se portarem, na quadra e fora delas, do que seus antecessores – e nisso, lembre-se, Gustavo Kuerten teve influência positiva.

Federer tem mais de 13 milhoes de seguidores no Facebook. Nadal pouco mais de 12m. Djoko mais de 3m e Murray de 2m – detalhe que dá uma boa foto da realidade da paixão dos fas perante os Fab4 e do impacto que causam quando mencionam o que seja na internet ou à midia. O comportamento desses, e outros, tenistas é, de algumas maneiras mais positivo do que, por exemplo, malas do passado como McEnroe e Connors, Nastase, Pancho Gonzales, entre outros, personalidades que fizeram o Tênis trafegar por caminhos que ficaria bem melhor se longe deles, apesar de terem sido um sucesso pelo talento indiscutível, a força interior e, nao menos, pelo caráter dúbio em quadra.

Mas, nao esqueçamos que no passado tivemos abundância de tenistas com perfil distinto deles, e ainda com toneladas de carisma, como Laver, Borg, Ashe, Von Cramm, Edberg, Hoad, Ivanisevic, Kramer, Becker, Lacoste, Larsen, Noah, Pietrangeli, Santana, Segura Cano, Vilas. Todos esses teriam um impacto ainda maior, e mais positivo, do que tiveram se existissem as ferramentas disponíveis na atualidade – das transmissoes televisivas mundiais, internet, redes sociais, press agents, e os milhoes em premiaçoes que os tornaram personalidades milionárias. Convenhamos, Nadal, Djoko (nao me arrisco a dizer o mesmo do MalaMurray) sao esportistas carismáticos, mas nao chegam aos pés dos acima mencionados.

Delirando por essa avenida acompanhei a ultima tendência dos Fab4. Contratar superstars como técnico. A tendência começou com Murray que, alias, teria muito mais sucesso no quesito do Post se tivesse a personalidade da mae, alguem que nao foi generosa na distribuiçao de bom humor e charme para seus descendentes. No entanto, tenho a certeza que a escolha nao passou pelo quesito “imagem” e sim extrema necessidade. Para aguentar um mala só um outro mala, e um mala em necessidade. Ou alguém acredita que Edberg aceitaria um convite de Murray – ou, por outro lado, McEnroe, um cara que nao precisa da grana e muito menos de aparecer e faturar como técnico de alguém. Lembrando, Lendl ganhou muito dinheiro em quadra, mas zero fora delas. O cara tinha zero de carisma e zero de contratos de imagem.

Já a decisao de Djoko é mais um movimento do sérvio em chamar a atençao. O que dúvido vá funcionar a seu favor. Ali quem vai chamar a atençao é Boris Becker, que sempre soube manipular a midia, é um charmant nato e com poucas papas na língua. O quanto vai acrescentar à carreira de Djoko é algo discutível, já que seu estilo era totalmente distinto do pupilo na técnica e seu forte o instinto natural para o jogo e a personalidade mercurial, que sabia usar a seu favor em quadra. Quero ver o quanto disso é possível passar à frente. De qualquer maneira vai, definitivamente, e aí o tema do Post, acrescentar no quesito espetáculo.

A escolha de Roger Federer surpreendeu por acontecer, apesar de nao surpreender pelo nome. Dos ídolos anteriores era dos poucos com perfil para trabalhar com o topetudo. Além de Sampras, que, nao duvido, foi sondado. Mas se eu fosse seu agente teria sugerido outro nome; Patrick Rafter. Um tenista mais cerebral, com estilo algo semelhante, pelo menos ao de Edberg, e com a personalidade mais light que o sueco. Os jantares de Federer e Edberg serao bem mais borings do que se Rafter estivesse à mesa. Fora que o australiano teria mais a dizer e a acrescentar. Porém, mais uma vez, Federer priorizou a imagem. Nao quis ficar atrás no assunto.

Dessas jogadas marketeiras ficou fora o espanhol Nadal. Óbvio. Até porque seu técnico é o Tio Toni e Rafa nao tem nada de mediático. Puro sal da terra. Alias, semana passada, ótimo timing, Toni deu entrevista sobre tenistas e técnicos. Disse que, mesmo que nas entrelinhas, os jogadores atuais sao uns folgados e mau educados e que os técnicos aceitam humilhaçoes de seus pupilos por conta do $$. Conta histórias de tenistas que fazem seus técnicos carregarem suas raquetes e malas – algo que o Tio nao faz. Toni diz que quando o sobrinho perde é culpa dele, Rafa. E quando ganha também. E que os tenistas mudam demais de técnicos porque, provavelmente, se cansam de ouvir a mesma coisa da mesma pessoa – já que é para isso que, teoricamente, contratam. Faz voces pensarem em alguém? Conta que atualmente os tenistas jogam bem, mas erram demais. Rafa, que garante nao irá acompanhar seus colegas na troca de técnicos, diz que conversou no aviao com o tio a respeito – “Nao é um problema de técnico, é um problema meu. Eu vou tentar melhorar – essa é a minha responsabilidade”. Esse cara nao entende nada de marketing e imagem.

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