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Arquivo de janeiro, 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:55

Açao e Festa

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Sempre tive minhas dúvidas com as chamadas açoes de marketing que geralmente nao passam de eventos para encher linguiça, uma maneira de gastar uma verba disponível e uma oportunidade para se mostrar falta de criatividade. Há exceçoes, que confirmam a regra.

Esta ultima quarta-feira a Asics, empresa de material esportivo, marcou um golaçao e serviu um ace no match point. Como tem entre seus contratado Bruno Soares, além de Teliana Pererira, o Joao Feijao e o Tom Fasano, entre outros, resolveram, para celebrar o patrocínio do Rio Open, homenagear Carlos Kirmayr e Cassio Motta, Dadá Vieira e, de lambuja, o técnico Marcelo Meyer e este escriba, na funçao de ex técnico.

Eu pensava que seria um cerimônia simples, realizada na loja da marca na principal rua de moda de Sao Paulo. Cai do cavalo. Os caras convidaram, e trouxeram, um verdadeiro time de tenistas da velha guarda que ajudou a escrever a história do nosso tênis, assim como da atual que irá escrever, em numero e qualidade surpreendentes.

Sei que corro o periclitante risco de deixar nomes de fora, mas o esforço deles vale o meu. Além dos homenageados, Patricia Medrado, líder do tênis social, Roberta Buzagli, tecnica de juvenis, a recem mae Vanessa Menga, Carla Tiene, capita da Fed Cup, Teliana Pereira, Dácio Campos, comentarista da SporTV, Ricardo Acioly, técnico do Feijao, Joao Soares, dono de academia em Campinas, Marcelo Saliola, professor  em Sao Paulo, Fabio Sibelberg, que leva milhares de pessoas para acompanhar os grandes torneios, Nelson Aertz, que realiza inumeros eventos, Fernando Roese, pro em Sao Jose dos Campos (todos eles tenistas que estiveram um time de Copa Davis por mim comandados), Bruno Soares, sempre simpático, Flavio Saretta, que foi o mestre de cerimônia (acompanhando por sua simpática esposa Suzana Alves), Joao Feijao, forte como sempre, Lui Carvalho (diretor do torneio do Rio) e seus pais (ela filha do glorioso Alcides Procopio, ele campeao brasileiro juvenil de duplas comigo), Bia Maia, com o sorriso no rosto de quem voltou às quadras, Paulinha Gonçalves, além de inúmeros profissionais do tênis, de pros, jornalistas, dirigentes etc.

O gancho e tema para a homenagem a Kirmayr e Cássio foi o fato de terem sido, antes de Bruno Soares, os dois grandes duplistas do país. Cássio chegou a ser #4 do ranking mundial e Kirmayr #7, sendo que os dois tinham as simples como prioridade. Cassio esteve entre os 50 melhores por 10 anos e Kirmayr ainda mais do que isso. Em 1983 foram os primeiros brasileiros a chegarem ao Masters de duplas, feito que Bruno Soares e Marcelo Melo repetiram 30 anos depois. Dadá Vieira foi lembrada por ter sido a ultima brasileira a disputar um Grand Slam (1993), antes da Teliana.

Discursos foram feitos, entrevistas dadas, fotos tiradas e no final quem sabia foi bater uma bolinha no meio da Oscar Freire em uma mini rede e tapete de grama por lá colocados. A vitrine com bolinhas da loja tinha um display de fotos da velha guarda que trouxe inevitáveis sorrisos ao rosto dos presentes. No final, foi bem mais do que uma homenagem, uma açao de marketing. Foi uma festa do Tênis brasileiro celebrando e celebrada por quem ajudou a escrever a história do nosso tênis.

 

Abaixo, Kirmayr, Cássio, Bruno, Giovani, presidente da Asics, Teliana, Dadá, Marcelo e Cleto.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:48

Calote

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Novak Djokovic nao deve aparecer pelo Brasil tao cedo para jogar uma exibiçao. A nao ser que receba, como às vezes é exigido, dinheiro adiantado. Geralmente o adiantado é pedido quando o contratante nao tem crédito na praça, ou por ser desconhecido ou por ter manchas no passado. Como aos olhos de Djoko nem seu amigo Petkovic, que lhe apresentou o negócio, nem o Governo do Rio de Janeiro, o pagador, pertenciam a essas condiçoes, o rapaz veio de boa fé – até certo ponto, 60% – bater uma bolinha com Gustavo Kuerten na cidade maravilhosa. Na verdade veio depois de receber cerca de 40% do combinado – nao me perguntem quanto porque ninguém diz, só imagino que nao era pouco. O resto nao viu até hoje.

Bater uma bolinha é o máximo que se pode dizer da exibiçao com o nosso melhor tenista que padecia de contusao dolorida e suas consequentes limitaçoes. Mas como os dois dominam a comunicaçao e transbordam no charme, o público adorou. Teve também passeios pela Rocinha e fotos em áreas carentes. Agora chega a público, através da coluna do Ancelmo Goes, e nada acontece por acaso, que o sérvio tomou um calote de cerca de 60% do combinado.

Quem puxar pela memória lembrará que o Governo do Rio, através de sua Secretaria de Esporte e Lazer, também tinha assinado um contrato com a ATP para colocar o nome do Rio na rede do Masters Finals por três anos. Fazia parte das intençoes do Rio em trazer o Finals para o Rio. Depois de um ano a marca sumiu da rede e a ATP andou chiando pelos corredores pela quebra do compromisso. As chances do Finals no Rio foram para o brejo, a segunda vez que isso acontece (a primeira quando no ultimo instante foram para Lisboa após negociaçoes fracassadas com o Governo de Sao Paulo).

Gustavo Kuerten publicou no twitter sua indignaçao com o calote e a “falta de ética” por parte do Governo do Rio de Janeiro; mas nao nos informou se também levou o cano, ou nao, no negócio.

Quanto ao Governo do Rio de Janeiro, diz que deve, nao nega e paga nao diz quando.

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domingo, 26 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 20:48

Tenta outra vez

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Quem nao tem cao caça com gato. Ou com Stan. Especialmente se a caça for Rafa Nadal.

Os fas de Roger Federer tiveram que procurar conforto na plasticidade, e nova combatividade do, quem diria, conterrâneo Stanislaw Wawrinka. O quase perene #2 da Suíça, quem diria, é agora #1 da Suíça e #3 do planeta – uma grata e inesperada reviravolta. E para deixar a vingança ainda mais doce como um chocolate ao leite – êta coisa enjoativa – a vitória na final do Aberto da Austrália, impediu que o espanhol Nadal se aproximasse do recorde de Pompadour Federer. Imagino que o Mr Federer, que Stan diz ser um grande amigo, vá enviar algumas caixas se deliciosos chocolates suíços meio amargo ou, na pior da hipóteses, um autentico e vintage Daytona – apesar do rapz ser um Piguet man.

A final foi um case tenístico. Por algum tempo as conversas tenisticas terao múltiplos assuntos. A reviravolta na carreira de Wawrinka, a “decadência” – quisera eu ter essa decadence avec elegance de Roger, a esquerda maravilhosa do novo suíço e, acima de todos assuntos, a dramáticidade, e inúmeros outros adjetivos que serao colados ao tema, da final.

Wawrinka é um novo tenista desde o início de 2013, quando perdeu uma partida que foi um separador de águas em sua carreira para Djoko no AO. Em Abril, acreditando que poderia sonhar mais alto, convenceu Magnus Norman a acompanhá-lo. De lá para cá seus resultados ficaram mais sólidos, assim como seu jogo e, especialmente, seu mental. A presença no ATP Finals pela primeira vez, e aos 28 anos, atesta a nova fase.

2014 começou com a conquista de Chennai, na Índia. Aproveitou o embalo e confiança para vencer o AO. Sao 12 partidas invicto este ano. Nao se enganem: ele sempre foi um grande tenista – venceu Roland Garros juniors em 2003 – e tem seis títulos profissionais para atestar. Mas nunca tinha estado entre os Big Dogs. O ano passado entrou entre os Top10 e agora é o 3o do mundo.

Ele sempre fez parte do imaginário dos tenistas de fim de semana pelo simples fato de ter o golpe mais plástico e bonito do tênis – sua esquerda com uma mao. A melhor entre as poucas que estao por aí. O cara faz o que quer com a bola e deixa todo mundo que já empunhou uma raquete babando de inveja. Sua direita sempre apitou antes da hora, até por conta do mental que vergava como bambu na hora da turbulência. Só com Rafa seu recorde era 0x12. E na mudança, para melhor, de ambas, deve ter o dedinho de Magnus Norman.

Na Austrália teve que passar por, entre outros, Robredo e El Djoko, sua grande partida no evento. Após perder por 7/5 no 5o em 2013, este ano bateu o servio por 9/7 no 5o. Ali ganhou o invisível pó de perlimpinpin chamado Confiatrix. Despachou Berdich de camiseta listrada e loira gelada na arquibancada e foi-se para a final. Mal sabia o que lhe esperava.

Começou dando um chocolate que a muito tempo o espanhol nao recebia – e isso tem que ter algo a ver com o resto da história. O pau corria solto na Rod Laver Arena – Stan só batia e Rafa só apanhava. Vai ter lombo grosso assim lá nas Baleares. E foi exatamente na lombar que começou a doer.

E aí vem a história de que veio primeiro, o ovo ou a galinha. Nas três derrotas mais marcantes e inesperadas de Rafa em Slams, vieram manchadas por contusoes e dores: Soderling, Rosol e Wawrinka (nao esqueçamos que o suíço era freguês de carteirinha). Rafa se contunde porque vai ser derrotado ou é derrotado porque se contunde. Ele diz que sentia dores desde o aquecimento. Porque? Logo na final? E após um passeio na semifinal, ele o mais perfeito físico do tênis? Talvez tensao da derrota prendeu as costas. De qualquer maneira, só deu para perceber após o sacode que tomou na 1o set e ter seu serviço quebrado no 2o, o que, de certa maneira, sacramentaria o que viria pela frente. O que de fato passou nao sabemos e só serviu para manchar a final, nao a conquista de Wawrinka. Temos que aceitar as palavras do espanhol, até porque ele tem muuuito crédito. O resto deixo com vocês.

Muito mais interessantes sao as palavras de Samuel Beckett que Wawrinka, logo ele, escolheu para marcar seu corpo e braço de tenista – palavras que ele diz definem bem a vida de um tenista: Ever tried, ever failed. No matter, try again, fail again. Fail better. (Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor). Hoje ele quebrou a corrente, mas nao a verdade escrita.

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Masculino | 12:03

Sonhou

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A minha mae sonhou, vários amigos sonharem, comentaristas sonharam, internautas sonharam, fas do mundo inteiro sonharam, até eu, confesso, sonhei. Quem nao sonhou com uma final suíça no grand slam da Austrália, reunindo nao só dois tenistas do país do relógio cuco mas, principalmente dois tenistas com uma esquerda de uma mao e um tênis extremamente plástico, provavelmente a ultima chance na história de tal coisa acontecer? Bem, um cara eu garanto nao sonhou, nem cogitou tal hipótese; Rafael Nadal.

Pode arrumar o topete, comer chocolate da Lindt, ter a torcida do Laver, usar Rolex no pulso, voar em seu private jet e até mesmo contratar o Edberg que a coisa nao vai rolar. O espanhol é mais competidor do que o Federer, que começa a passar mal assim que descobre que na próxima rodada vai enfrentar o rival do qual, para sua maior frustraçao, virou freguês.

Federer jogou bem e de igual para igual o 1o set, provando que jogo para tal ele tem – o buraco é mais embaixo. Quando perdeu, fácil, o TB, deixou, mais uma vez, a depressao bater. E deprê ninguém vai ganhar sequer set do Animal. Parece brincadeira o bloqueio que o suíço tem com o espanhol. Assim como é incrível a confiança que Rafa tem contra Federer.

O assunto já fica claro desde o início. Mais uma vez o topetudo ficou de pé na rede batendo papo com o juiz de cadeira enquanto Rafa chupava saquinho, tomava aguinha e suquinho e depois ficava girando a garrafinha. O cara faz tudo isso de caso pensado. E o Fed fica lá passando pelo mesmo ritual otário. Aí o Animal vai pulando como touro bravo na direçao do oponente e fica alí encarando – e o Fed com tremenda cara de paisagem como se nao fosse com ele enquanto outra viaja na intimidaçao.

Para me deixar mais aflito, Federer entrou naquele joguinho ridículo no sorteio. O juiz pergunta a Rafa, o melhor rankeado, o se ele quer escolher o lado da moeda. Rafa, miguelao, passa a bola para Federer. Que escolhe o lado posto de onde está?! (Tá de brincadeira, por causa do sol noturno??) Aí o espanhol emenda com aquilo que era sua vontade desde o início: saca aí você pra ver se eu quebro de cara.

Os dois tenistas tem estilos, físicos e idades distintas. Os dois tem vantagens e desvantagens quando se enfrentam. Mas, no final, sao os tais quesitos nadalisticos que fazem a diferença. O espanhol quer mais, briga mais, foca mais, está mais disposto a sofrer. Eu só pergunto uma coisa aos meus leitores: alguém aí já jogou tenis com uma bolha daquele tamanho na mao??!! E 99.99999% das pessoas – incluindo aí a minha mae, vários amigos, comentaristas, internautas, fas do mundo inteiro – que já pegaram em uma raquete de tênis usariam a tal cratera na mao para construir a maior desculpa que já se usou para perder um jogo de tênis. Nao o Animal Nadal.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 16:02

Volto?

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Volto, será que volto?, no meio do Aberto da Austrália. Férias, crises, de terceiros e bloguisticas, e outras cositas fizeram que eu ficasse longe. A volta, mais definitiva, será decidida em breve – assim peço que fiquem atentos à minha página do Facebook e à conta do Twitter.

Volto após ver a Aninha derrotar sua algoz, Serena Williams, a mulher que se acostumou em dar uma encarada e fazer cara feia para fazer a Aninha tremer dentro de suas sapatilhas cor de rosa. Mudou Serena? – se mudou foi pra melhor, já que a vi jogando bem na Austrália. Com certeza mudou a Aninha, que finalmente tem na sua equipe seu novo técnico, o também sérvio Nemanja Kontic. Foi-se Nigel Sears, uma verdadeira nulidade – aquilo é um atraso, para nao dizer brincadeira de mau gosto.

Aninha nao largou o osso em momento algum, inclusive após perder o 1o set. A vitória, também de virada, sobre Stosur, na rodada anterior ajudou. Como talento e golpes a moça sempre teve, era uma questao de afinar o emocional – e o serviço, que desmoronava junto com o emocional. O toss continua uma tristeza, mas pelo menos agora ela nao segura a mao, nem entra em panico. Ainda há salvaçao neste mundo. Convenhamos, é uma prazer inominável assistir a abundância e diversidade de talentos da Aninha.

Só fica melhor se acompanharmos seu próximo jogo, contra a canadense e novo cocada branca do circuito, a jovem Eugenie Bouchard, uma moça com personalidade, golpes e o resto necessário para uma estrela. Ela vem subindo como um foguete no circuito profissional – ainda em 2012 jogava o circuito juvenil. Essa partida acontece esta noite, logo após a super-fêmea Penetta enfrentar a chinesa Na “transparencia verbal crônica” Li.

Entre os homens, amanha cedinho Djoko enfrenta Wawrinka. Será que o suíço quer tanto assim? Ele está jogando cada vez melhor, talvez mais golpes do que o sérvio, com certeza mais plasticidade e habilidades, mas nao tem mais coraçao e velocidade. A conferir. Quem nao tiver o que fazer também pode assistir, na madrugada, Ferrer enfrentar o Berdich. Talvez a esta altura descubram que o uniforme do checo nao é uma questao de mau gosto fashionista e sim de amor à pátria. Com a listras azuis e brancas, o checo está a lembrar a todos que ele e seus companheiros sao os campeoes da Copa Davis. É uma questao de orgulho,, de statement, nao de moda.

Federer jogou muito tênis contra Tsonga. Fazia tempo que nao o via assim. A maior mudança? A de “ficar” no jogo e nao dar chance de o caldo engrossar. Já passou da hora de ele entender que já passou da idade de ficar mais tempo do que necessário em quadra e dar milho à bode. Quanto a ser mais agressivo, era uma tática óbvia, como ele mesmo confessou. Se ele nao vai pra cima, vem o Tsonga. Quanto a este, voltou a ser “francês” demais, com frescuras desnecessárias e viajadas imperdoáveis para quem quer o que ele diz que quer. Quando quer é um perigo. Quando viaja…

Fiquem de olho na Simona Halep, agora de seios reduzidos. A moça era uma revelaçao como juvenil, fez a cirurgia e vem jogando bem a alguns meses.

Quanto a ESPN, ficou esperta depois da comoçao por conta de só terem colocado o jogo do Bruno Soares após ter começado, priorizando os jogos que estavam no ar, o que nao chega a ser nenhuma afronta, pelo contrário. Mas talvez fosse sim bom senso. O presidente da CBT, sempre um trator, meteu a boca pelo twitter. E a polêmica se instalou na internet. A surpresa fica por conta dos espectadores se manifestarem a favor da interrupçao de jogos dos #2 e #3 do mundo para se colocar um jogo de duplas de um brasileiro. Como o tênis mudou, – pelo menos o brasileiro e telespectador brasileiro. Como resultado, hoje a ESPN estava a mostrar o jogo do Marcelo Melo, que perdeu, e nao encontrava, quando olhei, está difícil achar todos os canais da ESPN na NET, a iminente derrota de Sharapova para a sapeca baixinha Cibulkova. E quem disse que precisa ser gigante para ser tenista?

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domingo, 5 de janeiro de 2014 Aberto da Austrália, Porque o Tênis. | 20:31

Midiaticos

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O mundo do entretenimento, do qual o esporte faz parte, virou um espetáculo mediático. E nesse espetáculo nao basta ser bom, talentoso, dedicado, é necessário também cultivar a imagem; mesmo que ela seja uma farsa. Isso porque as pessoas nao estao interessadas em enxergar farsas, nem as pequenas, nem as grandes, a nao ser que elas sejam jogadas em seus colos; na maioria das vezes sendo necessário jogar na cara mesmo. Desse ultimo exemplo, temos o cara de pau Lance Armstrong que, antes de ser exposto pelo o que realmente é, faturou títulos e milhoes e tornou-se um ícone do esporte apresentando a imagem de um super-homem, dedicado, diferenciado e charmoso. Sei! No tênis, essa tendência, a da “imagem” publica, foi inaugurada, de maneira mais óbvia, até porque o perfil sempre existiu, embora atenuado, por Andre Agassi e seu lema “imagem é tudo”. Esse nao teve ninguém a desmascará-lo, ele mesmo se incumbiu do fato em sua autobiografia, típico exemplo de tal espetáculo mediático.

O “pacote” tem que ser amplo para saciar o ego da estrela e a demanda dos ávidos. Nesse tsunami de “imagens ideais” nem tudo é negativo, pelo contrário. De mais de uma maneira, o esporte tornou-se mais interessante, transparente, correto. Os tenistas, nosso foco, desenvolveram outros talentos e fizeram a vida do fa mais interessante. Sao atletas mais profissionais, inclusive na maneira de se portarem, na quadra e fora delas, do que seus antecessores – e nisso, lembre-se, Gustavo Kuerten teve influência positiva.

Federer tem mais de 13 milhoes de seguidores no Facebook. Nadal pouco mais de 12m. Djoko mais de 3m e Murray de 2m – detalhe que dá uma boa foto da realidade da paixão dos fas perante os Fab4 e do impacto que causam quando mencionam o que seja na internet ou à midia. O comportamento desses, e outros, tenistas é, de algumas maneiras mais positivo do que, por exemplo, malas do passado como McEnroe e Connors, Nastase, Pancho Gonzales, entre outros, personalidades que fizeram o Tênis trafegar por caminhos que ficaria bem melhor se longe deles, apesar de terem sido um sucesso pelo talento indiscutível, a força interior e, nao menos, pelo caráter dúbio em quadra.

Mas, nao esqueçamos que no passado tivemos abundância de tenistas com perfil distinto deles, e ainda com toneladas de carisma, como Laver, Borg, Ashe, Von Cramm, Edberg, Hoad, Ivanisevic, Kramer, Becker, Lacoste, Larsen, Noah, Pietrangeli, Santana, Segura Cano, Vilas. Todos esses teriam um impacto ainda maior, e mais positivo, do que tiveram se existissem as ferramentas disponíveis na atualidade – das transmissoes televisivas mundiais, internet, redes sociais, press agents, e os milhoes em premiaçoes que os tornaram personalidades milionárias. Convenhamos, Nadal, Djoko (nao me arrisco a dizer o mesmo do MalaMurray) sao esportistas carismáticos, mas nao chegam aos pés dos acima mencionados.

Delirando por essa avenida acompanhei a ultima tendência dos Fab4. Contratar superstars como técnico. A tendência começou com Murray que, alias, teria muito mais sucesso no quesito do Post se tivesse a personalidade da mae, alguem que nao foi generosa na distribuiçao de bom humor e charme para seus descendentes. No entanto, tenho a certeza que a escolha nao passou pelo quesito “imagem” e sim extrema necessidade. Para aguentar um mala só um outro mala, e um mala em necessidade. Ou alguém acredita que Edberg aceitaria um convite de Murray – ou, por outro lado, McEnroe, um cara que nao precisa da grana e muito menos de aparecer e faturar como técnico de alguém. Lembrando, Lendl ganhou muito dinheiro em quadra, mas zero fora delas. O cara tinha zero de carisma e zero de contratos de imagem.

Já a decisao de Djoko é mais um movimento do sérvio em chamar a atençao. O que dúvido vá funcionar a seu favor. Ali quem vai chamar a atençao é Boris Becker, que sempre soube manipular a midia, é um charmant nato e com poucas papas na língua. O quanto vai acrescentar à carreira de Djoko é algo discutível, já que seu estilo era totalmente distinto do pupilo na técnica e seu forte o instinto natural para o jogo e a personalidade mercurial, que sabia usar a seu favor em quadra. Quero ver o quanto disso é possível passar à frente. De qualquer maneira vai, definitivamente, e aí o tema do Post, acrescentar no quesito espetáculo.

A escolha de Roger Federer surpreendeu por acontecer, apesar de nao surpreender pelo nome. Dos ídolos anteriores era dos poucos com perfil para trabalhar com o topetudo. Além de Sampras, que, nao duvido, foi sondado. Mas se eu fosse seu agente teria sugerido outro nome; Patrick Rafter. Um tenista mais cerebral, com estilo algo semelhante, pelo menos ao de Edberg, e com a personalidade mais light que o sueco. Os jantares de Federer e Edberg serao bem mais borings do que se Rafter estivesse à mesa. Fora que o australiano teria mais a dizer e a acrescentar. Porém, mais uma vez, Federer priorizou a imagem. Nao quis ficar atrás no assunto.

Dessas jogadas marketeiras ficou fora o espanhol Nadal. Óbvio. Até porque seu técnico é o Tio Toni e Rafa nao tem nada de mediático. Puro sal da terra. Alias, semana passada, ótimo timing, Toni deu entrevista sobre tenistas e técnicos. Disse que, mesmo que nas entrelinhas, os jogadores atuais sao uns folgados e mau educados e que os técnicos aceitam humilhaçoes de seus pupilos por conta do $$. Conta histórias de tenistas que fazem seus técnicos carregarem suas raquetes e malas – algo que o Tio nao faz. Toni diz que quando o sobrinho perde é culpa dele, Rafa. E quando ganha também. E que os tenistas mudam demais de técnicos porque, provavelmente, se cansam de ouvir a mesma coisa da mesma pessoa – já que é para isso que, teoricamente, contratam. Faz voces pensarem em alguém? Conta que atualmente os tenistas jogam bem, mas erram demais. Rafa, que garante nao irá acompanhar seus colegas na troca de técnicos, diz que conversou no aviao com o tio a respeito – “Nao é um problema de técnico, é um problema meu. Eu vou tentar melhorar – essa é a minha responsabilidade”. Esse cara nao entende nada de marketing e imagem.

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