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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 Light, Porque o Tênis. | 16:08

Gazirada

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Vocês sabem o que é uma “gazirada”? Talvez saibam o que é uma “madeirada”, denominaçao que caiu em desuso por conta do material, mas nao o fato. Pifada lembra alguma coisa? Geralmente vem acompanhado de exclamaçoes do tipo; “que tremenda sorte” – na verdade é mais para palavras de baixo calao. O fato é um dos mais irritantes em uma quadra de tênis, especialmente para a vítima, mesmo porque o culpado geralmente fica, ou deveria, com uma vergonha danada do crime, ao mesmo tempo que, em silencio, agradece aos céus.

Nao é nenhum segredo que o tênis é um esporte de grande precisao. Nao é fácil bater uma bolinha que vem na sua direçao a mais de 100km por hora, devolver na mesma moeda, tentando colocá-la o mais longe possível do adversário, de preferencia o mais próximo, ou em cima, de uma linha que tem 5cm de largura e está a uns bons 20m de distância. As açoes neurológicas envolvidas e necessárias para tal sao bem além dos meus conhecimentos da área. Mas, posso garantir de expêriencia própria, nao se trata de feito fácil, nao importa quanto tempo a gente tenha investido na técnica envolvida.

Além da técnica, usamos para isso raquetes encordoadas com diversos tipos de cordas, que obedecem a também diversos tramas e padroes, de acordo com o tamanho da cabeça da raquete e, posso afirmar, da cabeça de quem desenhou a raquete.

Existem raquetes com 20 cordas na horizontal e 18 na vertical, que sao as tramas mais “fechadas”, oferecem mais controle e um pouco menos de “conforto”, spin e velocidade em quase sempre uma menor área de impacto. É uma raquete de cachorroes.

O outro lado do espectro sao raquetes com tramas maiores e menos cordas (até 16×19), normalmente em uma área de maior impacto, oferecendo menos controle e mais “conforto”, spin e velocidade à bola. É claro que essas características podem ser alteradas pelo peso da raquete, especialmente aonde esse peso é colocado – se na cabeça, no centro ou no cabo – pelas cordas usadas e pela tensao nelas colocadas. Mas aí já estou ficando mais técnico do que gostaria e a idéia aqui é outra.

O fato é que se é difícil colocar a bola na linha é um pouco mais fácil, nao muito, acertar o tal do sweet spot, designaçao dada ao local ideal de impacto da bola na raquete. Aliás, esse tal de sweet spot é um tanto efêmero e variável. Variável porque nao em todas raquetes ele fica no mesmo exato local – varia. É só o leitor pegar uma bola, segurar a bola pelo cabo com a face na horizontal e bater a bolinha a uns 15cm que, com um pouco de sensibilidade, dá para perceber o sweet spot de sua raquete.

Eu acho o Tênis um dos esportes mais justo que existe. É impossível sair da quadra nao tendo sido melhor do que o oponente. Talvez se possa dizer que um jogo foi parelho e decidido nos detalhes, o que só prova a afirmaçao. Mas nada daquelas papagaiadas que o pessoal do futebol adora, dizendo que um time jogou melhor mas perdeu, ou “verdades” como “campeao moral” após uma derrota.

Mas com toda essa justiça ainda há um breve componente de injustiça, e por isso irritante. Sendo que o mais colérico, de longe, quando o oponente erra, mas acerta. Uma contradiçao horrível. E é exatamente isso a gazirada, ou pifada.

E o que vem a ser isso?

Sabe quando o adversário abre o braçao, mira na paralela, pega na quina da raquete e acerta uma bola indefensável na cruzada? Ou quando a gente está na rede, pronto para matar o ponto, o cara de pau vai para aquela passada sem vergonha, você se adianta, cobre a paralela, ele pega errado na raquete e sai aquele lob perfeito? Você fica P da vida e o adversário, dependendo da intimidade, levanta maozinha, pede desculpa, e morre de rir por dentro, já sobre apupos de todos na quadra e arredores.

Pois é, lá no clube temos um mestre nesse anti-golpe. E pela denominaçao “Gazirada” dá para se ter uma idéia do nome da fera. O rapaz tem pegadas radicais, tanto para a direita como pelo revés, e vem com a raquete um tanto mais inclinada do que seria o certo, o que faz com que volta e meia atinja a bolinha com a quina da raquete. Quando vai direto nas arquibancadas, nada mais justo, quando cai em cima da linha que é de chorar

Hoje, meu companheiro de quadra nao tem mais nenhum constrangimento, mas continua sendo “homenageado” a cada uma dessas bolas leprosas. A ultima “homenagem” foi a entrega do troféu “Gazirada” ao elemento, que nao teve nenhuma hesitaçao e dar uma de Nadal e meter os dentes no dito cujo. Pelo menos lá no clube é o homem que mais ganha pontos indevidamente, sempre com um sorriso no rosto. Mas o mundo está cheio deles e precisamos sempre estar atentos. E nao deixar passar uma injustiça sequer sem uma vaia, um comentário, algo que os faça entender que tal abominaçao nao é bem vinda em um local onde a perfeiçao é uma meta, nao um desdenho.

gaziri

 

 

 

 

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