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segunda-feira, 11 de novembro de 2013 Tênis Masculino | 00:28

Bom de análise

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Sao 22 derrotas e 10 vitórias de Roger Federer contra Rafael Nadal. Entao alguém ainda vai ter que me explicar, e convencer, de como fica a história de melhor da história. Mas isso é uma outra história e também nao tira os inúmeros méritos de Roger Federer, o maior deles sendo que o rapaz conquistou tudo que conquistou jogando um tênis elegante e de uma maneira que nos “engana” a todos nós tenistas – ele nos faz crer que é fácil jogar tênis.

Mas ele foi derrotado em dois sets e assim nao dá para escrever um Post só de elogios para esse fenomenal tenista que vive o crepúsculo de sua carreira de forma brilhante, como pudemos ver novamente na partidaça em que eliminou o assanhado argentino Delpo que, pelo tênis que vinha jogando, deve ter pelo menos sonhado em levantar o troféu em Londres.

E qual a crítica que tenho para fazer a Federer? Pensando bem é um pouco de cara de pau fazer crítica a Federer. Mas tenho que escrever um Post e o que me veio a cabeça é repetir o comentário que fiz à minha mulher durante a partida e que repeti à noite comendo uma japa com a família após pegar o maior sol durante a tarde. Deixo claro que é uma família de tenistas e sofasistas por alí nao há.

A crítica, e já tive a oportunidade, mais de uma vez, de fazê-la, é de Federer ser um tenista de muito pouca disciplina tática para um jogador de sua estatura. Às vezes chega a ser inacreditável o quanto.
Primeiro set, jogo parelho, Rafa tendo sua conhecidas dificuldades com as quadras mais rápidas e, por isso, errando mais do que seu normal. Mesmo assim ele chega ao ponto de sacar para o set no 5×4. O que Federer faz? Esquece o negócio de ficar retocando o topete, se concentra na tática e joga exatamente como um bom técnico desenharia na prancheta para ele vencer o espanhol. Nao deu outra – quebrou o Rafa, deixando tudo igual.

E o que faz o Boniton no game seguinte? Volta à sua galhardia que tange a galhardia que tange a soberba, joga fora a tática e passa a jogar como se tivesse do outro lado da quadra algum tenista de Futures. A coisa foi tao ridícula que chegou a ser bisonha no 15×15 quando o Boniton teve uma bolinha no meio da quadra, com Rafa caído para o lado esquerdo da quadra, e Federer decidiu jogar a bola mais juvenil da partida; um slice bem do sem vergonha, que picou no meio da quadra e na direita! do espanhol. A única possibilidade de ganhar o ponto ali era se o Rafa decidisse parar a bola com a mao, tamanha a surpresa pelo golpe. Como o espanhol nao é dado a cortesia tais em quadra, meteu-lhe uma passada na cruzada que deve ter deixado Roger sem saber de que lado passou. Dois pontos depois estavam ambos sentados em suas cadeiras onde Rafa teve tempo de repensar o valor do primeiro saque na quadra e acabar com o set. Porque a partida acabou naquele 15×15.

Após a partida Federer deu, pra variar, a sua manjada chorada de quando perde – especialmente para o Animal. Ele menciona o quanto fica surpreso e ver “o quanto Nadal joga bem, mesmo jogando tao atrás da linha de fundo. Mas esse é o tênis de hoje e parabéns a ele”. Aí vem a choradeira. “O fato de Nadal ser canhoto e ser tao consistente muda o padrao de meu jogo. Se você olhar a minha partida contra Delpo é um jogo totalmente diferente e tenho que fazer muitos ajustes para enfrentar Nadal. Nao é desculpa, mas o que acontece. Já ele joga igual, independente do adversário. Eu tenho que me adaptar”.

Ótima análise. Podia até escrever um Blog. Mas o fato é que ele é um jogador, e segundo ele mesmo deve mesmo acreditar, o melhor da história. Sua análise praticamente é uma confissao que nao é bem assim.

Das duas uma. Ou ele tem o tênis para vencer qualquer um com o tênis que joga, como diz que faz Nadal, ou teria que ter a humildade de se adaptar para enfrentar o maior rival. O que ele nao faz, e por isso seu blog já nao seria tao bom, é dar o devido crédito ao espanhol, que faz sim ajustes necessários, além de manter uma rigidez tática de deixar qualquer técnico sonhando acordado, tanto quando exigido pelo piso como pelos adversários. Só que ele faz mesmo, sem a menor cerimônia e sem o menor sinal de orgulho ferido. Ele faz para ganhar e ganhar ele faz.

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