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segunda-feira, 4 de novembro de 2013 Light, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:26

Ética

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Desde a época de Aristoteles a Ética é uma questao. Nas colinas de Assos, olhando o Egeu e a Ilha de Lesbos, a nao muitas braçadas de distância, o grego já tentava chegar a termos com a maneira correta de viver para poder chegar à felicidade.

Uma amiga me liga, aflita, por conta da ética tenistica para poder manter sua felicidade dentro e fora das quadras. Assunto tao simples quanto complexo. Se lermos as regras do Tênis nao existe lá uma frase sobre como se proceder, ou nao, em quadra, em termos de ética. No entanto, seria interessante lembrar que, à época do Major Wingfield, o cavalheirismo era um padrao razoavelmente rígido, especialmente para aqueles que praticavam o Tênis, entao sim um esporte da elite.

Foi quando a grana, sempre ela, entrou no cenário, assim como a chamada democratizaçao do esporte, que os oficiais dos circuitos, tanto os profissionais como os nível federaçoes, tiveram que começar a escrever uma série de sub regras para manter o assunto toda sob controle, o que, convenhamos, acontece com razoável sucesso, mas ainda permite brechas, especialmente as éticas. Nem tudo pode ser colocado preto no branco e sempre existirá ocasioes que exigem um bom fundo de cavalheirismo, mesmo quando as participantes usam saias, quem muitas vezes sao mais problemáticas do que os dos calçoes.

Hoje, o livro das “regras” que orientam os árbitros mais parecem apostilas, com inúmeros exemplos de casos acontecidos para ilustrar problemas e soluçoes. Juízes de cadeira e árbitros participam de reunioes onde assistem vídeos com situaçoes de partidas oficiais e mesmo assim as circunstâncias e tenistas sempre apresentam surpresas e novidades.

Mas essas regras escritas nao serviriam de nada sem a existência das regras nao escritas do cavalheirismo que norteiam o Tênis desde a época das Gardens Parties nos jardins dos castelos britânicos. O Tênis é um esporte onde o confronto mental individual é inigualável no mundo dos esportes – só posso pensar no boxe onde há tanto confronto, mas este já é mais uma selvajaria controlada do que um esporte, e nao me tragam MCA à conversa que eu vomito – e por conta disso o cavalheirismo é uma exigência para que o jogo se desenrole em um clima civilizado. Entendam que os oponentes entram em quadra com uma agenda bem clara. Fazer com que os oponentes cometam erros, se desmoralizem, percam sua auto estima, queiram correr para os vestiários, odeiem o que estao fazendo, em uma palavra, se explodam. Convenhamos, nada que você deseje a seus amigos. No entanto, tirando o cenário profissional, sao com eles, amigos, que jogamos a maior parte do tempo. Aja, elegância e atitude.

Minha amiga está preocupada porque em seu ambiente surgiu uma situaçao e uma duvida assaz cruel. Em partida feminina de interclubes, suas amigas teriam sido vítimas de adversárias que tinham, talvez, abusado das bolas direcionadas ao corpo das tenistas quando na rede. As amigas estavam inconformadas com a falta de respeito e educaçao das oponentes, enquanto minha amiga tentava explicar que bolas ao corpo fazem parte do jogo de tênis, especialmente o de duplas. Algumas bolas passaram perigosamente perto de cabeças e uma chegou a atingir o pé de uma delas. E é exatamente aí que a subjetividade, sempre ela, contamina a discussao.

Uma bola direcionada à cabeça de um adversário e uma bola que atinge o pé sao coisas tao distintas quanto Mozart e um sertanejo. Jogar uma bola na cara de alguém, propositadamente, deixemos claro, é tao selvagem quanto o boxe, enquanto atingir o pé de quem está na rede é um dos mais elogiáveis golpes do tênis. Mais do que o produto final há de se avaliar a intençao de quem jogou, algo nao muito difícil de se avaliar – a nao ser por quem se deixa levar pelas emoçoes, histerismo barato ou conhece pouco de tênis e menos ainda da competiçao.

É comum quando dois tenistas se confrontam junto rede e a bola nao está com muito altura, quando entao possibilita ser colocada em qualquer lugar para se ganhar o ponto, que ela seja direcionada ao corpo do adversário, já que tira o angulo e dificulta a devoluçao. Novamente, aos olhos treinado dá para dizer se foi “do jogo” ou “pra intimidar” ou pior, “pra machucar”. O certo é que a avaliaçao correta da intençao é o mais importante. Mas nao custa lembrar que em partidas de duplas, especialmente entre pangas, que nao tem lá muita idéia de onde vao suas próprias bolas, nem sempre bolas que acertam sao intencionais. E, tao importante; quando se joga duplas, e se fica com a carinha grudada na rede, como se fora um poste, nao se pode esperar que os adversários joguem todas as bolas longe desse tenista ou somente bolinhas “chocolates” para serem “matadas” – aí é querer demais.

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