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Arquivo de novembro, 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013 Tênis Brasileiro | 14:27

Piso e bolinhas

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Leio na internet uma discussão sobre artigo em blog brasileiro que afirma, baseado em dados de um blog americano (heavytopspin.com), que a quadra do Brasil Open é a mais rápida do circuito ATP.

O tal blog americano mostrava, com razoável lucidez, números e raciocínio baseados unicamente em aces – serviços onde o recebedor sequer tocou na bola. Baseados em tais números, o blog americano afirma que o torneio de São Paulo é o mais rápido do circuito ATP, algo muuuito diferente de alguns leitores que a quadra do torneio de São Paulo é a mais rápida do circuito, um non sense sofazista.

Devemos lembrar que o evento de São Paulo é organizado pela empresa que então administrava a carreira de Thomaz Bellucci. O tenista teve seus melhores resultados em quadras de saibro em cidades de altitude (ex; Gstaad), onde o evento fica bem mais rápido do que os jogados à altura do mar.  Na ocasião, e nada de errado nisso eticamente, eles tentaram deixar o evento bem ao feitio do tenista.

Só que a coisa não foi bem administrada e o tiro se não saiu pela culatra não foi ao alvo. Primeiro que o piso não ficou, nem de longe, como eles gostariam e pagaram para tê-lo. Com o erro de colocar um plástico por debaixo do saibro ficou mais instável do que deveria. Mas nada que impedisse Rafael Nadal de vencer. Quem é bom não chora, mama.

O que realmente deixou o evento “rápido” foi a bolinha usada. E, novamente, não necessariamente a bola era ruim. Em outros tempos, de sacadores e voleadores, seria considerada ótima. Em tempos de tenistas que só vão à rede para trocar de lado ficou uma choradeira danada, liderada por um técnico espanhol, que são ótimos em quererem as coisas só como eles querem, técnico do italiano Fabio Fognini, o rei dos chorões.

E foi a bolinha, junto com a altitude, mais o crucial fato de ser indoors, que deixou o torneio rápido, não a quadra. Lembrando, São Paulo fica a 600m de altura, enquanto boa parte dos torneios da ATP acontece à altura do mar, ou bem próximos disso.

Em 2014 Bellucci não mais escolherá a bolinha e duvido que usem a mesma. O erro da quadra não mais se repetirá. Quanto à altitude da cidade e o fato de indoors não haverá mudanças, óbvio. Mas com uma boa escolha de bolinha eu duvido que São Paulo manterá o recorde, além de poder deixar o torneio mais semelhantes aos outros do circuito sul americano, se assim quiserem. Mas o pior mesmo é que Bellucci não aproveitou a oportunidade.

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terça-feira, 19 de novembro de 2013 Copa Davis | 13:51

Dinâmica

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Nenhuma surpresa com a vitória da Rep. Checa sobre a Sérvia. Pelo contrário, correu tudo conforme o script. O estranho é que os perdedores nao tenham apresentado nenhuma surpresa para mudá-lo.

A coisa foi tao o esperado que todas as partidas foram decididas em três sets. Sem emoçoes.

O primeiro dia nao aconteceu nada. E o assunto foi mesmo decidido nas duplas, no sábado.

A maior pergunta do confronto foi porque Novak Djokovic nao jogou a dupla no sábado. Aí temos duas versoes, vocês escolham a sua.

Os checos Berdich/Stepanek formam uma grande dupla, que estaria entre as melhores do mundo se jogassem juntos o circuito. Stepanek é um dos melhores, senao o melhor duplista da atualidade. Berdich tem a mao pesadissima nas devolouçoes e é um grande sacador. Nao é um grande voleador, mas quebra o galho. Os dois tem um impressionante recorde de 15 vitórias e uma única derrota na Davis. Uma de suas vítimas sendo a dupla Djoko e Zimonjich – isso deve ter ficado na cabeça do capitao sérvio.

Nao sei qual a dinâmica do time servio, mas acho muuuito difícil que Djoko tenha ficado de fora de duplas sem avalizar a decisao, senao que ele mesmo a tenha feito. O capitao afirmou que a decisao final foi dele. A dupla Zimonjic/Bozoljiac havia batido os irmaos Bryan esta temporada, na Davis, algo que deve ter falado alto na decisao. Mas jogar fora como zebra e jogar em casa em uma situaçao de vitória obrigatória sao duas coisas muuuito diferentes. Daria para Djoko/Zimonyic ganharem? Duvido, mas nunca saberemos, até porque Djoko nao é grande duplista e o Zimonjic que aos 37 anos vem atuando mais como coveiro do que como o grande duplista que foi.

Entao talvez os servios tenham levantado as maos aos céus e entregado pra Deus, esperando uma vitória da dupla fantasma. Stepanek levantou o dedinho e disse: “nananinhanao!! Nao comigo em quadra”.

Talvez Djoko tenha consultado uma das ciganas de Belgrado e descobriu o óbvio: que sem Tipsarevic e Troicki a coisa nao iria rolar. E decidiu proteger o seu patrimônio: ganho as duas simples e me consagro na vitória sobre Berdich, se for o caso, ou ganho as duas simples e alguém que se exploda no quinto jogo- mas nas duplas estou fora!

Nao sei qual o raciocínio que definiu a decisao, mas no time sérvio todos sabiam que com a derrota nas duplas acabara o sonho. E o garotao Lajovic foi para o sacrifício.

Stepanek, que é um tremendo malaco, foi a estrela do começo ao fim. Ele é o terceiro jogador da história a vencer a quinta partida na final – os outros foram os titânicos Cochet e Perry. Até se deu ao luxo de jogar contra Djoko, sabendo que nao era essa a partida que faria a diferença. Em todos os jogos deixou uma persona ser o protagonista, bancando o bonzinho e nao aprontando, nem de longe, algo que pudesse levantar a torcida, que aliás foi triste. Os caras só torcem na certa? Os checos fizeram muito mais barulho do que os milhares de servios, que se conformaram com a derrota, especialmente durante e depois das duplas. Aplaudiram seu ultra-campeao, mas nao entraram no confronto, até porque nao houve chance.

Djokovic nao foi o melhor dos esportistas, ao dar um default no jantar de encerramento, uma afronta raramente vista na Copa Davis. Nos meus 18 anos de Davis o meu time nunca teve a ausência de nenhum tenista, na vitória ou na derrota, até porque antigamente o jantar era na quarta-feira e nao depois. Já tive uruguaio dando baixaria, bêbado como um gambá e falando bobagem após tomarem um chocolate na Academia de Tênis em Brasilia. Mas nao aparecer, Djoko foi um dos poucos que sei. Que conste que resto do time servio compareceu. A ausência nao passou desapercebida e a limpo por Berdich, que tirou uma com a cara do sérvio, dizendo que estava “louco para dançar com Novak”, e se dizendo “triste” com a ausência. Logo depois achou melhor apagar um dos tuites.

Enfim, a Copa Davis sempre mexe com as mais distintas emoçoes e o servios vao ter uma enorme dificuldade em aceitar a perda da chance de vencerem novamente, e em casa, uma competiçao que fala tao alto com a alma de um país com um orgulho e história tao ricos. Até eu fiquei triste por eles.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013 Copa Davis | 15:25

Queimando?

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Como escrevi, nenhuma chance para o Gala de Praga contra El Djoko. Três sets a zero e Sérvia 1xo. Ainda penso ser uma bobagem “queimar” Stepanek em uma partida com quase nenhuma chance de vitória, sendo que as suas próximas duas partidas sao de vida ou morte para o time. E ele nao é mais nenhum garotao para ficar queimando energias. É gastar dinheiro bom com coisa ruim.

De novo, existe a possibilidade de checos estarem pensando em Rosol para a última partida.

Teoricamente Berdich deve empatar agora e a batata quente ficars para as duplas amanha.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013 Copa Davis | 15:47

Chama a ambulância

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O que parecia favas contadas ficou ruço. Ou eslavo? Jogando em casa, com o #2 do mundo liderando e uma torcida totalmente irada dando suporte, os sérvios nao estavam vendo muitas maneiras de deixar escapar mais um título da Davis – logo eles que sao nacionalistas ao extremo. E tome extremo nisso.

Agora as notícias confirmadas – antes eram só notícia temidas – da suspensao de Troicki e a contusao de Jarko Tipsarevic, que nao conseguiu se recuperar a tempo, ambos estao fora da final da Copa Davis. Isso abre um novo e distinto cenário para um forte equilíbrio. Nao custa lembrar que também os checos perderam, dias atrás, seu capitao Navratil para uma embolia pulmonar. Bruxa tá solta.

Como ex capitao fico sempre pensando nos bastidores de um confronto – sabendo que certas notícias nunca vazam – assim como do porque fizeram ou nao certas decisoes.

El Djoko deve garantir seus dois pontos. Deve, nao que vá – logo explico.

Assim sendo, as duplas decidiriam o confronto, como tantas vezes fizeram. Porque o substituto de Tipsarevic, Dusan Lajovic, #117 do ranking, nao deve ganhar nenhum ponto – a princípio, porque já vi cada zebra.

Sendo assim, dentro de uma normalidade, Djoko abre o confronto batendo Stepanek, o que já deixa o Lajovic numa boa e o Berdich pressionado. Mas o checo deve ganhar.

Vamos pras duplas. A que eles anunciam, Bozoljac e Zimonjic vc Hajek e Rosol, nao vale um tostao furado. Os técnicos podem mudar isso até uma hora antes do jogo. O confronto das duplas deve ser mesmo entre Djoko e Zimonjic vc Stepanek e Berdich – super equilibrado.

Na penúltima vez que jogaram, também em Belgrado, os servios ganharam por 3×2. Nao sem pegadinhas e emoçoes. Djoko nao jogou no 1o dia (Troicki e Tipsarevic). Mas jogou as duplas (a mesma dupla que deve ser jogada no sábado) e perderam. No entanto ganhou a simples contra Berdich na 4a partida.

Já no ano passado a situaçao mudou. Djokovic nao jogou nenhuma partida. E só Tipsarevic venceu uma partida, contra Stepanek, e os checos venceram 4×1.

O que eu nao entendi deste ano é o seguinte: porque o capitao checo colocou Stepanek na 1a partida contra Djoko, um jogo que nao deve vencer, a nao ser que o servio caia duro em quadra? (Em 9 partidas o checo venceu somente uma em 2006).

Explico. Se tudo correr normal. Berdich ganha sua simples contra Lajovc. Ai temos a duplas e eles que se entendam e vença os melhores. Mas no 3o dia Berdich e Djoko se enfrentam na 1a partida do dia e um deles estará com a corda no pescoço por conta das duplas. Isso porque Berdich já tem a corda no pescoço por ser um fregues do sérvio (14×2).

Entao, as duplas sao importantíssimas para ambos, e cruciais para os checos – pressao!! Se os checos ganharem as duplas e Djoko confirmar o favoritismo contra Berdich, os dois #2 decidem na partida final – teoricamente Stepanek e Lajovic. Aí minha dúvida. Para que colocar o veterano Gala de Praga para jogar três dias seguidos, correndo riscos de cansaços e contusoes – ele ficou meses sem jogar por conta de uma. Mais sentido seria colocar o maluco do Rosol para jogar contra o Djoko, falando para ele fechar os olhos e dar na bola, algo que ele sabe fazer bem (lembrem Nadal Wimbledon 2012!), e deixar o Gala para as duplas e o 5o e decisivo jogo.

Dessa maneira a pegadinha checa parece ser colocar o Rosol para enfrentar o tal de Lajovic no último jogo, sempre uma temeridade, conhecendo o Rosol. A nao ser que os servios venham com o Zimonjic, de 37 anos, sacando e voleando. Lembrando que os servios ainda tem o tal de Bozoljac, que barbarizou nas duplas contra os Bros Bryan, levando os servios às semis, mas é #238 em simples. Bem, aí chama ambulância e os homens de branco.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013 Masters | 14:59

Velocidade do piso de Londres

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Para todos que especulam sobre a velocidade da quadra no Masters de Londres, repasso a informaçao dada por Guy Forget, ex capitao da Davis e diretor do Aberto de Paris-Bercy.

Em conversa com Javier Sanches – ex tenista espanhol e irmao de Arantxa e Emilio, responsável pela construçao da quadra em Londres, Paris Bercy, Basel e Valencia. Forget diz que Javier lhe garantiu que “os pisos sao estritamente idênticos e qualquer coisa diferente é só impressao dos tenistas. Quando Nadal fez tal afirmaçao(que Londres estava mais lenta) ele tinha acabado de jogar em Paris, quadra usada durante uma semana, e quando fez seu primeiro jogo em Londres a quadra estava bem nova e sem uso. Mesmo assim é algo bem imperceptível”. Aliás, Novak afirmou que Londres estava mais rápida!?

Para quem nao sabe, o que determina a velocidade das quadras sintéticas e o volume de areia colocado junto com a pintura -e la desgasta (efeito lixa) e é muito difícil errar a mao (é só medir a dosagem). Além disso, tenistas sao nao só impressionáveis como tambem gostam de dizer que este ou aquele piso sao mais rápidos de acordo com suas agendas pessoais. O resto é ruído sofasista.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013 Copa Davis, Masters, Tênis Masculino | 15:31

A diferença

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Pelo andar da carruagem Rafael Nadal corre o risco de um dia encerrar a carreira sem vencer o Masters. O evento nao tem o peso de um Slam, nem de longe, mas tem sua importância. A pegadinha é que ele é sempre jogado indoors e em quadra razoavelmente rápida. Alguns anos atrás, o Tio Toni já falava cobras e lagartos a respeito da escolha do piso, quando o evento ainda era na China. Agora, com Rafa já crescidinho, é o tenista que acusa a ATP de “nao deixá-lo ganhar o Masters”. Isso porque os caras nao colocam o evento em algum piso mais lento, o que ficaria mais a seu feitio.

É um pouco de cara de pau do espanhol. No saibro é que nao vai rolar, nao nessa hora da temporada. Após mais uma choradeira iberiana Federer afirmou que do jeito que está, está de bom tamanho, nao deixando a conversa se alongar. Fora que o evento em Londres é fantastico. E o Rio queria traze-lo para cá. Com a quebradeira do Eike ficou ainda mais impossível. O evento está definido que fica em Londres pelo menos até 2015, meses antes da nossa Olimpíada. É mais uma chance que perdemos.

O espanhol anda sem sorte, pelo menos nesse assunto. Se antes era Federer que nao lhe permitia ganhar, agora ele tem novo carrasco nas maos de El Djoko. Quando a quadra é rápida o espanhol ainda faz milagres, mas sempre fica faltando um.

Se antes era difícil bater o suíço, agora o sérvio tem o edge a seu favor. Nadal reclamou que o saque foi a diferença na final. Foi uma das. A diferença mesmo todos sabem, mas o espanhol nao vai ficar falando publicamente. Aquele revés com as duas maos, pegando o “ganchao” na subida e distribuindo para os dois lados da quadra é o que desequilibra a partida e a correria do espanhol. Ele deve ficar louco da vida com aquele antídoto ao seu melhor golpe. É mané, todos temos nosso algoz.

Desta maneira ficou bom para Djoko e Nadal, que deve ser, mais uma vez, a grande rivalidade de 2014. Nadal teve uma temporada inesquecível, especialmente após a contusao do ano passado, e Djoko conseguiu ter uma ótimo segundo semestre, coroando-o em Londres. Os dois vao chegar à Austrália hiper confiantes. E o sérvio ainda tem a final da Copa Davis, o que deve lhe dar ainda mais alegrias e confiança. A Sérvia é a favorita contra a Rep Checa, inclusive por jogar em casa.

 

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segunda-feira, 11 de novembro de 2013 Tênis Masculino | 00:28

Bom de análise

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Sao 22 derrotas e 10 vitórias de Roger Federer contra Rafael Nadal. Entao alguém ainda vai ter que me explicar, e convencer, de como fica a história de melhor da história. Mas isso é uma outra história e também nao tira os inúmeros méritos de Roger Federer, o maior deles sendo que o rapaz conquistou tudo que conquistou jogando um tênis elegante e de uma maneira que nos “engana” a todos nós tenistas – ele nos faz crer que é fácil jogar tênis.

Mas ele foi derrotado em dois sets e assim nao dá para escrever um Post só de elogios para esse fenomenal tenista que vive o crepúsculo de sua carreira de forma brilhante, como pudemos ver novamente na partidaça em que eliminou o assanhado argentino Delpo que, pelo tênis que vinha jogando, deve ter pelo menos sonhado em levantar o troféu em Londres.

E qual a crítica que tenho para fazer a Federer? Pensando bem é um pouco de cara de pau fazer crítica a Federer. Mas tenho que escrever um Post e o que me veio a cabeça é repetir o comentário que fiz à minha mulher durante a partida e que repeti à noite comendo uma japa com a família após pegar o maior sol durante a tarde. Deixo claro que é uma família de tenistas e sofasistas por alí nao há.

A crítica, e já tive a oportunidade, mais de uma vez, de fazê-la, é de Federer ser um tenista de muito pouca disciplina tática para um jogador de sua estatura. Às vezes chega a ser inacreditável o quanto.
Primeiro set, jogo parelho, Rafa tendo sua conhecidas dificuldades com as quadras mais rápidas e, por isso, errando mais do que seu normal. Mesmo assim ele chega ao ponto de sacar para o set no 5×4. O que Federer faz? Esquece o negócio de ficar retocando o topete, se concentra na tática e joga exatamente como um bom técnico desenharia na prancheta para ele vencer o espanhol. Nao deu outra – quebrou o Rafa, deixando tudo igual.

E o que faz o Boniton no game seguinte? Volta à sua galhardia que tange a galhardia que tange a soberba, joga fora a tática e passa a jogar como se tivesse do outro lado da quadra algum tenista de Futures. A coisa foi tao ridícula que chegou a ser bisonha no 15×15 quando o Boniton teve uma bolinha no meio da quadra, com Rafa caído para o lado esquerdo da quadra, e Federer decidiu jogar a bola mais juvenil da partida; um slice bem do sem vergonha, que picou no meio da quadra e na direita! do espanhol. A única possibilidade de ganhar o ponto ali era se o Rafa decidisse parar a bola com a mao, tamanha a surpresa pelo golpe. Como o espanhol nao é dado a cortesia tais em quadra, meteu-lhe uma passada na cruzada que deve ter deixado Roger sem saber de que lado passou. Dois pontos depois estavam ambos sentados em suas cadeiras onde Rafa teve tempo de repensar o valor do primeiro saque na quadra e acabar com o set. Porque a partida acabou naquele 15×15.

Após a partida Federer deu, pra variar, a sua manjada chorada de quando perde – especialmente para o Animal. Ele menciona o quanto fica surpreso e ver “o quanto Nadal joga bem, mesmo jogando tao atrás da linha de fundo. Mas esse é o tênis de hoje e parabéns a ele”. Aí vem a choradeira. “O fato de Nadal ser canhoto e ser tao consistente muda o padrao de meu jogo. Se você olhar a minha partida contra Delpo é um jogo totalmente diferente e tenho que fazer muitos ajustes para enfrentar Nadal. Nao é desculpa, mas o que acontece. Já ele joga igual, independente do adversário. Eu tenho que me adaptar”.

Ótima análise. Podia até escrever um Blog. Mas o fato é que ele é um jogador, e segundo ele mesmo deve mesmo acreditar, o melhor da história. Sua análise praticamente é uma confissao que nao é bem assim.

Das duas uma. Ou ele tem o tênis para vencer qualquer um com o tênis que joga, como diz que faz Nadal, ou teria que ter a humildade de se adaptar para enfrentar o maior rival. O que ele nao faz, e por isso seu blog já nao seria tao bom, é dar o devido crédito ao espanhol, que faz sim ajustes necessários, além de manter uma rigidez tática de deixar qualquer técnico sonhando acordado, tanto quando exigido pelo piso como pelos adversários. Só que ele faz mesmo, sem a menor cerimônia e sem o menor sinal de orgulho ferido. Ele faz para ganhar e ganhar ele faz.

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sábado, 9 de novembro de 2013 Light, Tênis Feminino | 10:48

Chocolate

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Sei que nao tem nada a ver com o Masters, que é onde está o foco dos fas atualmente, mas chegaremos lá. Porém, hoje venho com uma curiosidade. E se é sobre algo curioso nada mais apropriado do que Marion Bartoli, atual campea de Wimbledon que abandonou a carreira logo após o título, uma história que nao engoli direito até hoje. Muito mais fácil de comer é o que veste a Marion. Cumé??

O francesa vem aproveitando a aposentadoria e o sucesso à sua maneira. Já disse que queria voltar a dançar ballet clássico, algo ao qual se dedicou durante oito anos, quando decidiu se concentrar no tênis. Ainda nao voltou às sapatilhas, mas chegou perto. Vem se dedicando ao “figure skating“, ou “patinaçao artistica no gelo”, algo extremamente popular lá fora – lembrem-se que fiz um post dizendo que uma das 10 atletas mais bem pagas no mundo é campea disso? Nao sei aonde Marion vai com isso, mas a moça está realizando seus sonhos e isso está bom demais.

Agora, nao sei se por seu “porte atlético”, ou porque a moça é apaixonada pelo produto, Marion foi convidade para o 19o Salon du Chocolat, evento parisiense de quem entende para quem gosta de chocolate. Se lá estivesse estaria presente, bien sur. Pois um famoso chocolatier de Lyon, Philippe Bernachon, e uma desenhista de moda, Florencia Soerencen, fizeram um vestido de chocolate!, pesando seis kilos do melhor chocolate, e convidaram Marion para desfilar com o dito cujo pelas passarelas do salao.

Os franceses sempre foram um tanto quando entendidos tanto na arte de comer bem como na arte do amor libertino. Olhando as fotos fiquei pensando que a Marion e seu vestido nas maos de um connaisseur de ambas as artes um tanto pervertido poderia ser um prato cheio.

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terça-feira, 5 de novembro de 2013 Masters | 16:37

Pra correr

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Esta é para constar. Uma grande partida da dupla Melo e Dodig batendo as manos Bryans no TB na 1a rodada do Masters. Os americanos venceram o 1o set e abriram dois breaks no set final. Aí Marcelo, que tem 2m de altura, resolveu crescer mais ainda. Seu parceiro, que é excelente tenista, hoje nao estava com a bola toda. O Dodig tem ótimos fundamentos, muitas vezes carregou o parceiro, mas hoje o mineiro foi o cara com o sangue nos olhos. Acho que ele nao vai muito com os cornos dos gringos. O ponto do 6×6 no TB foi uma maravilha, com o Melao partindo pra cima, tomando a quadra, crescendo pra cima do adversário e mostrando que aquela quadra tinha dono. Botou os manos pra correr. Falou.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013 Light, Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:26

Ética

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Desde a época de Aristoteles a Ética é uma questao. Nas colinas de Assos, olhando o Egeu e a Ilha de Lesbos, a nao muitas braçadas de distância, o grego já tentava chegar a termos com a maneira correta de viver para poder chegar à felicidade.

Uma amiga me liga, aflita, por conta da ética tenistica para poder manter sua felicidade dentro e fora das quadras. Assunto tao simples quanto complexo. Se lermos as regras do Tênis nao existe lá uma frase sobre como se proceder, ou nao, em quadra, em termos de ética. No entanto, seria interessante lembrar que, à época do Major Wingfield, o cavalheirismo era um padrao razoavelmente rígido, especialmente para aqueles que praticavam o Tênis, entao sim um esporte da elite.

Foi quando a grana, sempre ela, entrou no cenário, assim como a chamada democratizaçao do esporte, que os oficiais dos circuitos, tanto os profissionais como os nível federaçoes, tiveram que começar a escrever uma série de sub regras para manter o assunto toda sob controle, o que, convenhamos, acontece com razoável sucesso, mas ainda permite brechas, especialmente as éticas. Nem tudo pode ser colocado preto no branco e sempre existirá ocasioes que exigem um bom fundo de cavalheirismo, mesmo quando as participantes usam saias, quem muitas vezes sao mais problemáticas do que os dos calçoes.

Hoje, o livro das “regras” que orientam os árbitros mais parecem apostilas, com inúmeros exemplos de casos acontecidos para ilustrar problemas e soluçoes. Juízes de cadeira e árbitros participam de reunioes onde assistem vídeos com situaçoes de partidas oficiais e mesmo assim as circunstâncias e tenistas sempre apresentam surpresas e novidades.

Mas essas regras escritas nao serviriam de nada sem a existência das regras nao escritas do cavalheirismo que norteiam o Tênis desde a época das Gardens Parties nos jardins dos castelos britânicos. O Tênis é um esporte onde o confronto mental individual é inigualável no mundo dos esportes – só posso pensar no boxe onde há tanto confronto, mas este já é mais uma selvajaria controlada do que um esporte, e nao me tragam MCA à conversa que eu vomito – e por conta disso o cavalheirismo é uma exigência para que o jogo se desenrole em um clima civilizado. Entendam que os oponentes entram em quadra com uma agenda bem clara. Fazer com que os oponentes cometam erros, se desmoralizem, percam sua auto estima, queiram correr para os vestiários, odeiem o que estao fazendo, em uma palavra, se explodam. Convenhamos, nada que você deseje a seus amigos. No entanto, tirando o cenário profissional, sao com eles, amigos, que jogamos a maior parte do tempo. Aja, elegância e atitude.

Minha amiga está preocupada porque em seu ambiente surgiu uma situaçao e uma duvida assaz cruel. Em partida feminina de interclubes, suas amigas teriam sido vítimas de adversárias que tinham, talvez, abusado das bolas direcionadas ao corpo das tenistas quando na rede. As amigas estavam inconformadas com a falta de respeito e educaçao das oponentes, enquanto minha amiga tentava explicar que bolas ao corpo fazem parte do jogo de tênis, especialmente o de duplas. Algumas bolas passaram perigosamente perto de cabeças e uma chegou a atingir o pé de uma delas. E é exatamente aí que a subjetividade, sempre ela, contamina a discussao.

Uma bola direcionada à cabeça de um adversário e uma bola que atinge o pé sao coisas tao distintas quanto Mozart e um sertanejo. Jogar uma bola na cara de alguém, propositadamente, deixemos claro, é tao selvagem quanto o boxe, enquanto atingir o pé de quem está na rede é um dos mais elogiáveis golpes do tênis. Mais do que o produto final há de se avaliar a intençao de quem jogou, algo nao muito difícil de se avaliar – a nao ser por quem se deixa levar pelas emoçoes, histerismo barato ou conhece pouco de tênis e menos ainda da competiçao.

É comum quando dois tenistas se confrontam junto rede e a bola nao está com muito altura, quando entao possibilita ser colocada em qualquer lugar para se ganhar o ponto, que ela seja direcionada ao corpo do adversário, já que tira o angulo e dificulta a devoluçao. Novamente, aos olhos treinado dá para dizer se foi “do jogo” ou “pra intimidar” ou pior, “pra machucar”. O certo é que a avaliaçao correta da intençao é o mais importante. Mas nao custa lembrar que em partidas de duplas, especialmente entre pangas, que nao tem lá muita idéia de onde vao suas próprias bolas, nem sempre bolas que acertam sao intencionais. E, tao importante; quando se joga duplas, e se fica com a carinha grudada na rede, como se fora um poste, nao se pode esperar que os adversários joguem todas as bolas longe desse tenista ou somente bolinhas “chocolates” para serem “matadas” – aí é querer demais.

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