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domingo, 13 de outubro de 2013 Masters 1000, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:31

Troca Troca

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Rafael Nadal nunca mudou de técnico – e duvido que um dia o fará. Novak Djokovic tem o mesmo desde os tempos de juvenil – e mesmo quando quis uma segunda opiniao manteve Vajda por perto. Gustavo Kuerten só foi trocar de técnico quando sua carreira havia se esgotado. Murray vivia trocando e duvido que mantenha Lendl até o fim. Thomas Belluci muda tanto quanto time de futebol. Roger Federer também faz parte deste time.

Sim, temos tenistas que nao mudam de técnico, ponto final, e aqueles que gostam de acreditar que a razao de seus fracassos, mas nao necessariamente de seus sucessos, estao sempre nas arquibancadas. Por outro lado, acredito também que chega um momento o tenista pode/deve trocar de técnico – especialmente quando traz o mesmo desde os tempos de juvenil e, por vezes, este nao tem o perfil e o know how para levá-lo adiante. E as vezes é preciso uma troca para dar próximo passo. Mas é uma decisao delicada.

Roger faz parte dos mais voláteis. Teve um técnico como juvenil, um australiano originalmente contratado pela sua federaçao. O rapaz morreu precocemente. Daí pra frente tentou sueco, flertou com australiano, experimentou ficar sem nenhum, uma época sem lustro, tentou convencer um que nao queria viajar e outro que nao quis abandonar a TV. Finalmente ficou com o Annaconne porque este foi técnico Sampras. Nunca percebi o que este mudou/acrescentou a seu jogo. Assisti a alguns poucos treinos de ambos e o cara era mais um refinado pegador de bolas do que um técnico e quando falava nao é que o outro prestava muita atençao – assim fica difícil. Nao acredito que Federer quisesse algo muito diferente disso. O bonitao nunca mostrou querer acrescentar algo a seu jogo e única mudança que fez, realmente, foi deixar de ir tanto à rede como no início, até porque o jogo, e os tenistas, mudaram.

Fico pensando o quanto um cara com seu arsenal poderia ter acrescentado de variaçoes a seu estilo – mas nao. Parece que ele acredita que seu destino era impor seu estilo e os outros que se virem. Deu bastante certo, é mais do que verdade. Mas o Rafa deve acender uma vela à Santo Alonso toda semana por conta da teimosia helvética.

A decisao de agora nao foi intempestiva, já que Paul sequer viajou à China. Como ali é todo mundo gentleman, e também por ser a praxe do circuito, Roger e Paul só tiveram elogios um para o outro. Mas ficou na entrelinhas que a decisao foi do tenista. Imagino que a temporada nao caiu muito bem com o Bonitao, que se nao der uma guinada logo sai dos top10, o que seria uma agressao ao ego do suíço. Duvido que Federer anuncie alguem novo ainda esta temporada. Mas, quando trouxer alguém, a escolha mostrará suas intençoes para o resto da carreira. Escolherá alguém de personalidade, que poderá acrescentar algo a um tenista que nao tem mais a mesma virtude física em um esporte cada vez mais físico, ou trará alguém só para chamar de seu?

Aliás, Thomaz Bellucci também decidiu trocar, mais uma vez, de técnico. Foi-se o tranquilo argentino Daniel Orsanic e entra o experiente Pato Clavet. O espanhol foi um tenista interessante, já que sem nenhum golpe incisivo conseguiu, depois de um bom tempo, chegar a 15 finais, vencendo oito delas, sete no saibro e, a ultima, na dura. Mas é um bom cara, mostrou inteligência ao conquistar o que conquistou com seu resumido arsenal, treinou o Feliciano Lopes e sempre se mostrou tranquilo, uma qualidade que vai precisar para seu atual desafio.

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