Publicidade

Arquivo de outubro, 2013

domingo, 27 de outubro de 2013 História, Sem categoria, Tênis Masculino | 21:56

Wild Side

Compartilhe: Twitter

Imagino que todos, pelo menos da minha geraçao, tiveram seu momento Lou Reed. Tive mais de um, especialmente por conta do fato que Transformer, por favor nao confundam com o filme idiota onde só se salvam as heroínasé um dos meus discos favoritos, assim como de minha irma Vera. É o “nosso” disco.

Nao lembro como começou, suponho que tenha a ver com uma quinzena que passamos juntos na Ilhabela no início dos anos setenta, época em que o disco foi lançado. Sempre que temos um momento, ela gosta de me dizer para “take a walk on the wild side”. Acho que dei bem mais de um.

Teve uma outra vez, já no final dos anos setenta, na companhia do meu amigo Carlos Kirmayr, que esta semana está na França com sua tenista Paulinha Gonçalves, em que chegamos a Los Angeles no início da noite. Estávamos a caminho de St Barbara e San Jose para um torneio após alugarmos um carro.

Subindo a Santa Monica Boulevard passamos pelo Troubador. Quem nao conhece ou ouviu falar do lugar nao conhece a história do rock and roll. Um local sem grandes pretensoes arquitetonicas que marcou época, muitas épocas, apresentando artistas desconhecidos para o publico do sul da Califórnia, de Elton John, Lenny Bruce e Neil Young, a Eagles, James Taylor e Jony Mitchel, passando por praticamente todo mundo do rock antes de se tornarem famosos e serem condenados a tocar em arenas. No Troubador cabiam no máximo uma 400 pessoas, local parecido com o Bourbon Street em Sao Paulo, o que dava outra dimensao ao show e, especialmente à musica.

Naquela noite, a idéia era chegar em St Barbara e pernoitar na casa de amigos. Mas imprevistos acontecem. Na marquise do Troubador estavam os nomes de Lou Reed e Ian Dury – este eu duvido que conheçam. Sem nenhuma hesitaçao demos meia volta – a famosa e proibida U Turn – a fomos fazer nosso jantar por lá mesmo. Infelizmente, o show de Reed nao estava lá essa coisa – imagino que um artista como ele tenha seus dias ruins também; nao é isso que acontece com Roger Federer? Mas o de Ian Dury e seus Blockheads mais do que compensaram e nos deixaram tao extasiados que acabamos por pernoitar em LA. Nao importa.

Transformer é um dos meus discos favoritos ever e sei a letra de todas suas músicas – de Vicious e Satallite of Love, a Hanging Around e Walk on Wild Side. Reed dedicou sua carreira a andar no lado selvagem da vida, quebrar barreiras e mostrar alternativas – desde os tempos do Velvet Underground. A ultima coisa que vi dele foi um show/documentário com Metallica – uma parceria improvável – cujo baterista é filho de uma famoso, e pra lá de excêntrico, tenista dinamarquês. Lou era casado com Laurie Anderson, outra que nao percorreu exatamente o caminho do óbvio na música.

Escrevo sobre Reed no dia de sua morte e também da final da Basiléia. E o que os dois eventos tem em comum? Nao muito, a nao ser as coisas que minha mente conecta independente de minha vontade. O jogo foi interessante, com Del Potro mais uma vez subjugando o Bonitao Federer -e novamente na casa do oponente, a pior das ofensas.

Quando quis, o suíço usou do slice para silenciar um pouco a artilharia do oponente argentino. Quando nao quis e preferiu o jogo franco e aberto, evidenciou, mais uma vez, que o tempo é implacável. Com todos, cantaria Reed.

Minha mulher adora assistir a cerimônia de premiaçao. Eu havia feito meus exercícios com o sol a pino, passado quase 45 minutos dentro dágua com mais exercícios, almoçado um franguinho e legumes nos trinques, e acompanhara a partida me deliciando com uma salada de frutas divina. O jogo me mantivera acordado, apesar da insistência do Topetudo perder o saque no primeiro game de um set e isso acabar lhe custando a partida. Sim, antigamente ele encontrava uma maneira de escapar, hoje em dia morre na praia. O mundo é cruel, afirmaria Reed.

Com os olhos pesando cada vez mais, ainda tive tempo de me emocionar com a longa salva de palmas que os vizinhos de Roger o presentearam quando recebeu seu prêmio de vice – muito elegante, emocionante e contido. Resmunguei para minha mulher – está cheio de suíço ali. Nenhum mais suíço que El Boniton, que nao piscou, apesar da insistência do narrador em colocar lágrimas em seus olhos, mas acusou, humilde e silenciosamete, a homenagem. Melhor ainda foi a tradiçao dos finalistas em distribuir medalhas a todos pegadores de bolas do torneio – imagino que o momento trouxe interessante memórias ao Ubbercampeao, que por ali também recolheu suas bolinhas quando garoto. O que mais me chamou a atençao foi a emoçao bem administrada da garotada, enquanto Delpo e Federer lhes penduravam a prata no pescoço. Nenhum deles perdeu o perfilar, tal qual uma mirim guarda suíça, nunca tirando a mao esquerda de trás das costas – a direita só abandonava as costas para cumprimentar o tenista – e o olhar adiante. O mundo deles e de Lou Reed nao poderiam ser mais distantes. No entanto, ambos me emocionam.

968864_10151682303105953_302850350_n

 

 

 

Autor: Tags:

quinta-feira, 24 de outubro de 2013 Masters, Tênis Masculino | 11:25

Istambul

Compartilhe: Twitter

Se eu pudesse escolher o torneio para acompanhar inloco esta semana, nao tenho nenhuma duvida que estaria em Istambul. Primeiro que é o Masters reunindo o crème de la crème do tênis feminino, o que per si já é uma razao. Comparando com os torneios masculinos em Valencia e Basel, ainda assim a escolha fica evidente.

Valencia é um lugar legal, o ginásio é de primeira linha, mas a chave nao é das mais fortes. E eu nao vou entrar em um aviao para ver o Ferrer jogar por mais que eu respeite o rapaz, apesar de estarem por lá também Haas, Almagro e outros.

Basel é uma cidade interessante, mas fria, em mais de um sentido. Incrustada em uma tríplice fronteira – quando se recolhe as malas no aeroporto você escolhe se quer entrar na Suíça, Alemanha ou França. Isso deu à cidade uma crosta cultural única e durante sua história serviu de refugio, e residência, a personagens como Erasmo, Calvino, Nietzsche, Jung e muitos outros. Mas, nesta época do ano já está um frio danado e nao é a melhor opçao para bater as pernas como eu gostaria nas horas em que a bolinha nao estver em jogo. O local do torneio, Jakobshalle, é um ótimo estádio e os lounges sao dos melhores da europa. Por razoes óbvias tem um longo relacionamento com Federer, que trabalhou como boleiro várias vezes no evento – o tenista só deixou de jogar lá em 2005 e faturou o título em cinco oportunidades – demorou sete anos para vencer o primeiro título! Eles bem que tentaram trazer Nadal ao evento este ano – o espanhol foi lá dois anos seguidos no início da carreira (2003 e 2004), perdeu duas primeiras rodadas e nunca mais voltou. Imagino que tenham oferecido um caminhao de dinheiro para ele ir para onde nao gosta e ser coadjuvante do suíço, mas na ultima hora acusou uma contusao e pulou fora.

Sendo assim, eu volto a minha preferencia. Além das gatinhas – vocês notem que estou em ótimos espíritos hoje e consequentemente bem generoso, em quadra, nao conheço o local dos jogos, infelizmente, e por isso nada posso afirmar além de que é o 3o maior da Europa e pela TV me parece beeem melhor que o Ibirapuera ou ou Maracana – o evento acontece na cidade mais efervescente do mundo. Nao há nada parecido na Europa. Sim, no final da história essa é a razao pela qual eu escolheria o Masteres acima das outros dois eventos, e de muitos outros – Istambul. Uma de minhas cidades favoritas no mundo e aonde pretendo, em breve, voltar, com ou sem Masters, com ou sem gatinhas empunhando raquetes.

Autor: Tags:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013 Curtinhas, Porque o Tênis. | 20:43

A visão do arquiteto

Compartilhe: Twitter

Precisou de um arquiteto, um artista, o Becker, um dos nossos leitores, para chamar a atenção de um detalhe crucial sobre os torneios da semana passada. Os três vencedores dos eventos da ATP fazem parte de um clubinho que não é o mais prestigiado do circuito na atualidade. Além de baterem a esquerda com uma única mão, são tenistas habilidosos, praticantes do Tênis Arte.

Richard Gasquet, Grigor Dimitrov e Tommy Haas são tenistas que enchem os olhos dos fãs do tênis, especialmente os que jogam e conhecem as dificuldades, e se maravilham com a facilidade que esses talentos executam seu tênis.

É fato que os tops descansaram esta semana, o que abriu as portas para esses tenistas e seus fãs. Esta semana Federer, que definitivamente é do mesmo clube, volta às quadras, na sua cidade Natal, Basiléia. Del Potro, Berdich e outros marteleiros estarão presentes. Haas e Ferrer lideram a chave em Valencia. Djoko continua descansando enquanto Rafa Nadal saiu da Basiléia no ultimo momento por dores e Murray só o ano que vem. Não duvido que teremos uma dobradinha dos talentosos novamente. Federer é uma boa aposta, enquanto Haas pode ter a ajuda de Fognini e Almagro. Sei, é forçar um pouco, mas não custa imaginar e torcer.

Autor: Tags:

domingo, 20 de outubro de 2013 Tênis Masculino | 20:00

Mui amiga

Compartilhe: Twitter

Dizem no circuito que quem anda muito feliz no amor nao se dá tao bem nas quadras. Está repleto de provas a favor do ditado como ao contrário. Dias atrás, as notícias na internet afirmavam que o golfista Rory Mcillroy havia dado um cartao vermelho para sua namoradinha, Caroline “cruzadinha” Wozniacki.

Bem, nem isso se pode afirmar porque nenhum dos dois confirmam, apesar que “amigos”, mui amigos, confirmam que a moça levou um pé nos fundilhos por uma razao tao compreensível como incompreensível. A única coisa que “cruzadinha” declarou a respeito é que o namorado nao a deixou e que ela quer que sua vida particular permaneça particular. Só rindo. Explico:

Caroline sempre agiu como uma menina deslumbrada, rindo vida afora de tudo e todos. Nao de maldade, me parece, pelo contrário. Silly Girl, dizem os americanos. Afinal, ainda uma teenager e rankeada como a melhor do mundo, nada estranho que risse à toa. Vi, na internet, várias de suas brincadeiras bobas, onde geralmente só sobrava ela rindo.

Se eu aqui sei, o bonitao do namoradinho dela devia saber melhor ainda como ela é. Por isso nao dá para achar estranho que ela colocasse na sua conta no twitter uma foto do Rory, um ídolo mundial do golfe, um esporte que consegue ser mais esnobe do que o tênis, dormindo de boca aberta, babando, de óculos e com cara um débil mental. E ainda tirou sarros do namorado. Quando Serena Williams, sua amiguinha no Twitter comentou que ela era “muito má”, ela respondeu que sabia e que agora dormia com um olho aberto. Faz bem o jeito dela e deve tê-la feito se achar a mais esperta e engraçada dos países nórdicos.

Bem, alguem nao gostou. Nao devem ter gostado a família dele, o seu agente, os patrocinadores e aquele pessoal que cerca qualquer ídolo, sempre prontos para caírem de pau em qualquer pessoa que se intrometa entre eles e o seu ganha pao. É óbvio que Caroline nao só gostou como deve ter ficado abismada por alguém, especialmente o namoradinho, nao concordarem com a publicaçao da foto.

A foto foi retirada do perfil, óbvio sinal de que nao estava agradando. McIllroy sumiu também, pelo menos por enquanto, da vida da dinamarquesa. Vocês sabem como os campeoes podem ser volúveis.

E assim, voltando ao parágrafo de abertura, o que faz a nossa princesinha escandinava após esse estresse da agora sua vida particular? Foca no tênis e ganha mais um, seu 21o torneio, e deve terminar a temporada como 9a do ranking, longe do 1o lugar, que ela ficava toda orgulhosa em ser, durante quase dois anos, brandindo o solitário dedinho indicativo levantado para quem quisesse fotografar. O torneio que ela venceu, em Luxemburgo, nao tinha nenhuma das top8. Estas já estao focadas no Masters de Istambul, onde Caroline será a primeira “alternate”. Mas, a vitória serviu, na pior das hipóteses, para amansar as possíveis dores do abandono e levar a focar no seu tênis, sem as papagaiadas. A ver.

images

 

 

 

 

 

Autor: Tags:

quarta-feira, 16 de outubro de 2013 Curtinhas, Masters, Sem categoria, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 18:10

Pim Pim e outras

Compartilhe: Twitter

O cara entrou nos comentários e mandou ver nas sugestões. Papo disso tá chato e é melhor aquilo outro. Hum, eu pensei, gosto não se discute, mas pauta sim. Bem, não é porque ele quer que vou escrever, mas também não é porque ele quer que não vou. Na verdade, estou adorando o novo formato dos “comentários”. Afastou muito sofasista e mais ainda chatos. Pena que ainda não trouxe todos os que podem acrescentar, mas vários deles estão por ali.

Temos a sugestão de pauta do Marcelo Melo, que entrou para os Top10 de duplas, a da Teliana Pereira, a volta do PimPim Johansson  e o fulano que entregou um jogo porque a federação (tunisiana) mandou (para um israelita).

Sei lá. Talvez para inovar, tá chovendo mesmo, escrevo um pouco de cada. Comentários No Ads – rapidinho.

Estou para escrever sobre o Marcelo já faz algum tempo – e uma hora chego lá. Talvez a pauta se torne o fato de ele e o Bruno irem ao Masters em Londres, a segunda vez que isso acontecerá na história – dois brasileiros se classificando para o Masters de duplas. Sim, em 1983 Carlos Kirmayr e Cássio Motta já estiveram lá.

A Teliana também estou devendo. É que não queria fazer uma matéria fria a respeito dela. Sei pouco a respeito da moça que um leitor atento não saiba. Tenho sim é um enorme respeito pela tenista e o que vem conquistando. Uns dois anos atrás ia jogar um evento de duplas que ela participaria, mas ela estava contundida e não pode jogar. No fundo, quero escrever coisas ainda mais grandiosas sobre a moça.

Esse assunto de federação proibir alguém de jogar contra alguém de outro país é coisa de quarto mundo e/ou país autoritário. A federação da Tunísia se reuniu com o Ministério da Juventude e Esportes e então comunicou o jovem tunisiano, Malek Joziri, para não entrar em quadra contra o israelense Weintraub em Challenger no Uzbequistão. E o Ministério teve a cara de pau de dizer que não se intromete nos assuntos esportivos. Alguns países árabes  insistem nessa tecla – lembram do assunto Shahar Peer e Dubai? Só dá confusão e prejudica o esporte.

O PimPim Johansson. Tenho uma foto de nós dois quando ele esteve no Banana Bowl. O técnico dele de então era meu conhecido e o Banana foi no Clube Pinheiros – bons tempos. Agora, para os meus amigos sofasistas, a pergunta de uno mijão de dólares. Na verdade são duas perguntas: com quem o sueco Jonhansson jogou, e ganhou, a semifinal do Banana, e com quem jogou e perdeu a final. E não adianta vir com eu sabia que não vai colar, pois já falamos mais de uma vez sobre o viking e nunca alguém mencionou os DOIS fatos – a final é mais manjada. Quero ver se sabem é a semifinal. A resposta vai abaixo do vídeo – onde ele mete um ace de 2º serviço no match point em qualy em 2006, após ter ficado afastado das quadras por contusão – para quem quiser pensar um pouco.

 

http://www.youtube.com/watch?v=0zeza9uvscI

O Joachim PimPim Johansson ganhou do Bruno Soares nas semis e perdeu do Roddick na final de 2000.

 

 

Autor: Tags:

domingo, 13 de outubro de 2013 Masters 1000, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:31

Troca Troca

Compartilhe: Twitter

Rafael Nadal nunca mudou de técnico – e duvido que um dia o fará. Novak Djokovic tem o mesmo desde os tempos de juvenil – e mesmo quando quis uma segunda opiniao manteve Vajda por perto. Gustavo Kuerten só foi trocar de técnico quando sua carreira havia se esgotado. Murray vivia trocando e duvido que mantenha Lendl até o fim. Thomas Belluci muda tanto quanto time de futebol. Roger Federer também faz parte deste time.

Sim, temos tenistas que nao mudam de técnico, ponto final, e aqueles que gostam de acreditar que a razao de seus fracassos, mas nao necessariamente de seus sucessos, estao sempre nas arquibancadas. Por outro lado, acredito também que chega um momento o tenista pode/deve trocar de técnico – especialmente quando traz o mesmo desde os tempos de juvenil e, por vezes, este nao tem o perfil e o know how para levá-lo adiante. E as vezes é preciso uma troca para dar próximo passo. Mas é uma decisao delicada.

Roger faz parte dos mais voláteis. Teve um técnico como juvenil, um australiano originalmente contratado pela sua federaçao. O rapaz morreu precocemente. Daí pra frente tentou sueco, flertou com australiano, experimentou ficar sem nenhum, uma época sem lustro, tentou convencer um que nao queria viajar e outro que nao quis abandonar a TV. Finalmente ficou com o Annaconne porque este foi técnico Sampras. Nunca percebi o que este mudou/acrescentou a seu jogo. Assisti a alguns poucos treinos de ambos e o cara era mais um refinado pegador de bolas do que um técnico e quando falava nao é que o outro prestava muita atençao – assim fica difícil. Nao acredito que Federer quisesse algo muito diferente disso. O bonitao nunca mostrou querer acrescentar algo a seu jogo e única mudança que fez, realmente, foi deixar de ir tanto à rede como no início, até porque o jogo, e os tenistas, mudaram.

Fico pensando o quanto um cara com seu arsenal poderia ter acrescentado de variaçoes a seu estilo – mas nao. Parece que ele acredita que seu destino era impor seu estilo e os outros que se virem. Deu bastante certo, é mais do que verdade. Mas o Rafa deve acender uma vela à Santo Alonso toda semana por conta da teimosia helvética.

A decisao de agora nao foi intempestiva, já que Paul sequer viajou à China. Como ali é todo mundo gentleman, e também por ser a praxe do circuito, Roger e Paul só tiveram elogios um para o outro. Mas ficou na entrelinhas que a decisao foi do tenista. Imagino que a temporada nao caiu muito bem com o Bonitao, que se nao der uma guinada logo sai dos top10, o que seria uma agressao ao ego do suíço. Duvido que Federer anuncie alguem novo ainda esta temporada. Mas, quando trouxer alguém, a escolha mostrará suas intençoes para o resto da carreira. Escolherá alguém de personalidade, que poderá acrescentar algo a um tenista que nao tem mais a mesma virtude física em um esporte cada vez mais físico, ou trará alguém só para chamar de seu?

Aliás, Thomaz Bellucci também decidiu trocar, mais uma vez, de técnico. Foi-se o tranquilo argentino Daniel Orsanic e entra o experiente Pato Clavet. O espanhol foi um tenista interessante, já que sem nenhum golpe incisivo conseguiu, depois de um bom tempo, chegar a 15 finais, vencendo oito delas, sete no saibro e, a ultima, na dura. Mas é um bom cara, mostrou inteligência ao conquistar o que conquistou com seu resumido arsenal, treinou o Feliciano Lopes e sempre se mostrou tranquilo, uma qualidade que vai precisar para seu atual desafio.

Autor: Tags:

quarta-feira, 9 de outubro de 2013 Sem categoria | 13:48

Did I win?

Compartilhe: Twitter

Mr. MalaMurray nao joga mais esta temporada e assim deixará seus conterrâneos na saudades para o Masters de Londres. No entanto, duvido que faça grandes diferenças na bilheteria. Os ingleses gostam de tênis, nao sao só “torcedores”, até pela secura que foram obrigados a viver nos últimos 70 anos. Sabem apreciar o bom tênis. Nas minhas contas, a possível, mas da qual duvido, ausência de Federer machucaria ainda mais. Todos sabem que o suíço, que já está em decadence, acec elegance, faz suas ultimas grandes apresentaçoes e ninguem quer perder a chance de ver o bonitao jogar no seu quase prime contra seus grandes adversários. Sei de alguns amigos brasileiros que já estao com ingressos do O2 nas maos.

Murray passou por uma cirurgia nas costas para corrigir um problema de hérnia de disco e a recuperaçao está mais lenta do que esperava. Sua expectativa é que volte a treinar, pelo menos a parte física, ainda em Novembro em Miami. Mas nada é certo – a nao ser que realmente nao estrá em Londres para o Masters.

_70082692_bu4j0macmaax_hl

 

Murray declarou que a primeira coisa que perguntou após acordar da cirurgia foi: Did I win?

Autor: Tags:

segunda-feira, 7 de outubro de 2013 História, Tênis Masculino | 20:02

Prioridades

Compartilhe: Twitter

A maior novidade da semana é Rafael Nadal voltar ao topo do ranking mundial, de onde saiu em Julho 2011. Já era esperado e era uma das prioridades do espanhol. O outro lado da moeda é que existe uma chance, não tão remota, de que Roger Federer fique fora do Masters de Londres.

Esta semana Nadal joga em Xangai e tenta ser o 1º tenista, a vencer seis Masters1000 em uma temporada. É bom lembrar que esse negócio de Masters 1000 já mudou mais de nome e de torneios do que eu de canal com o controle na mão. Este ano ele está com 29 vitórias e uma única derrota nos Masters1000. Não dá para colocar um adjetivo nisso, mas explica porque de ele voltar ao topo do ranking. Além disso, venceu dois de quatro Grand Slams. Ainda acho que os cinco títulos de seis nos Masters 1000 são mais impressivos. Em Julho, o falastrão Ivan Lendl dizia, para quem quisesse ouvir, que o pupilo MalaMurray era o melhor da temporada. Sei.

Federer, com 3055 pontos, caiu para 7# do ranking. Seu companheiro Wawkinka (2970), os franceses Gasquet(2950) e Tsonga(2650) e Raonic ( (2680) estão em seu cangote. O suíço se classificou pata todos os Masters Cup (outro evento que muda de nome adoidado) desde 2002. Imagino que ficar de fora deste ano estragaria as férias do Bonitão. Eu sei que o rapaz não deve mais ter grandes sonhos de voltar a ser #1 do mundo – se perguntarem ele dirá que sim – mas também não deve fazer parte, ainda, de seus planos de sair da matilha dos cachorrões.

Ontem ele declarou que está voltando à forma. Não duvido que jogue bem em Xangai – os chineses o adoram e a quadra por lá é sempre rápida, o que lhe ajuda bastante. Mas o fato de aceitar jogar duplas com o chinês Ze Zhang, atual #271 em simples e #438 em duplas, diz claramente que as prioridades do topetão estão mudando. Ao mesmo tempo em que não é difícil pensar que os chinas podem ter-lhe dado um pato de Xangai estufado de verdinhas para tal condescendência, Roger pode simplesmente estar abraçando com mais fervor a causa de embaixador do tênis mundo afora. E esse tipo de ação pode fazer maravilhas pelo esporte e os tenistas quando estão priorizando os resultados tendem a ficar longe delas. Vamos ver o que mais virá pela frente.

Autor: Tags: ,

sexta-feira, 4 de outubro de 2013 Sem categoria | 13:29

Pança

Compartilhe: Twitter

Não me lembro de outro cara que poderá sentar com seus amigos e contar que bateu os três melhores tenistas do mundo no mesmo torneio. Poderá dizer, enquanto derruba mais uma cerveja, sem grandes riscos de ser contestado, que tinha um dos melhores, senão o melhor golpe de sua época. Poderá contar ainda mais vantagem, afirmando que certa vez, no torneio que reunia os oito melhores do mundo, o campeão foi ele e batendo o BOAT na final. Talvez o álcool o seduza a contar também que chegou a ser o #3 do mundo no ranking da ATP, que conquistou 11 títulos na carreira e que terminou entre os top10 cachorrões em cinco temporadas.

Sendo argentino, apesar de não ser necessariamente um falastrão, talvez se sinta inclinado a apimentar a conversa com uma final de Wimbledon e semis nos outros três G Slams. Mas aí começa a correr o risco de mostrar uma faceta que talvez não seja a sua melhor. A do tenista que poderia ter sido o melhor de sua geração, um verdadeiro campeão, e se contentou em ser um ótimo jogador.

Conheci David Nalbandian, argentino de descendência armênia-judia, no PanAmericano de Winnipeg de 1999, onde era o chefe da delegação, quando ele tinha 17 anos e bateu Andre Sá nas quartas do torneio – perdeu para um americano que nunca mais se ouviu falar. Confesso que ali não vi o que vinha pela frente e sim um jovem com golpes sólidos do fundo de quadra. Três anos depois o garoto estava na final de Wimbledon, uma final que deve lhe atormentar até hoje, perdendo fácil para Lleyton Hewitt, um desafeto com quem teve encardida rivalidade profissional de três derrotas seguidas e depois três vitórias consecutivas, sendo uma de cada no Aberto da Austrália, com Lleyton vencendo 10/8 no 5º set e David 9/7 também no 5º – duas partidas memoráveis.

Em algum momento Nalba decidiu que não queria pagar o preço, caríssimo, de ser o melhor do mundo, apesar do talento e habilidades. Decidiu levar a carreira de ouvido, onde sua pança era o sinal mais evidente dessa característica, jogando melhor quando lhe dessa na telha e não também quando não estava a fins. No meio de tudo isso, arregimentou uma fileira de fãs do seu tênis fácil e partidas montanhas russas, tamanha a mudança de trajeto. A mistura de talento, golpes precisos e volatilidade tem seu carisma.

O argentino vivia um certo conflito entre ser tenista, que por vezes parecia mais uma profissão do que uma paixão, esta sendo mais pelas corridas de carro, aonde se arriscou tanto como driver como dono de escuderia.

A paixão em quadra aparecia com mais certeza na sua competição favorita – a Copa Davis. Dependendo de como estiver a sua alma naquele instante, a Davis deve lhe trazer balões de orgulho ou tremores de angustia. Se, por um lado, liderou a Argentina a três finais, por outro nunca venceu o confronto máximo do tênis coletivo. Duas fora de casa, mas, a mais inesquecível e inexplicável, a de Mar Del Plata, em 2008, perdendo para uma Espanha que, na ultima hora ficou sem Nadal, imaginem o estresse, e foi de Ferrer, Feliciano e Verdasco. Nalba liquidou Ferrer na primeira partida, mas Delpo decepcionou (e botem decepção nisso) frente a Feliciano, e Nalba não conseguiu carregar Calieri (ele também jogou aquém) nas duplas contra Lopez e Verdasco.

Essa deve ser a maior frustração de Nalbandian e de muitos argentinos. Especialmente porque foi em casa e mais uma história de fracasso do que de superação espanhola (que também houve). Os argentinos, supostamente liderados por Nalba, não conseguiram sintonizar o grupo, administrar egos, equalizar a distribuição da grana, sempre a mardita, e que, dizem os argentinos, ser uma das “fraquezas” de David, naquele momento e em outros, como administrando o relacionamento com seus técnicos.

Se Nalda teve na sua esquerda com as duas mãos o que considero um dos melhores golpes ever, venenoso na cruzadinha, abrindo a quadra para o estrago futuro, e o revés milimétrico na paralela, inclusive quando apertado, assim como uma devolução de serviço que ajudou acabar com o tal saque/voleio, especialmente o do Bonitão, outro grande rival (recorde 8-11) e uma direita sólida e onde ninguém fazia festa, o rapaz deixou de viver maiores glórias por não se comprometer com a carreira como os grandes campeões o fazem. Mas, enquanto esteve por aí, foi , quase sempre, uma prazer de assistir, especialmente nos grandes confrontos, quando se motivava, sem perder a característica de acrescentar drama aos jogos, por conta de uma briga interna entre o “eu tenho a força” e o “não quero tanto assim”. Vai fazer falta, de vez em quando.

Autor: Tags:

terça-feira, 1 de outubro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:17

Retomando a arte

Compartilhe: Twitter

Uma arte perdida? Uma duplinha, algo quase que desprezado no circuito profissional – é só olhar as arquibancadas agora que temos a possibilidade de acompanhar algumas dessas finais com presença brasileira nos Slams – segue sendo o jogo das multidões nos Clubes. Vai entender. Bem, eu entendo e já escrevi sobre o assunto mais de uma vez.

Mas a pergunta é se é uma arte perdida, ou no processo de se perder.

Tenho jogado mais duplas nos últimos anos. Tanto a idade e restrições físicas como a sociabilidade ajudou na decisão. O Jogo, pra mim, ainda é o mano a mano, a simples, mas a duplas é uma ótima opção para se passar um tempo agradável batendo na bolinha.

Boa parte das duplas que jogo é com tenistas mais jovens, sendo que vários deles aprenderam o Tênis nas ultimas décadas. Ou seja, carecem da cultura tenistica de então e abraçaram a cultura mais contemporânea.

O que isso quer dizer? Que não são poucos os que fazem dos jogos de duplas uma adaptação de um jogo de simples com dois de cada lado. Vários, assim como ocorre no circuito profissional, sacam e ficam atrás, o que alguns anos atrás era uma heresia que causava espanto quando não gargalhadas. Hoje, o campeão do US Open, Rafael Nadal, só fica na rede quando seu parceiro saca, o resto do tempo fica plantado atrás. Assim sendo, não é nenhum sacrilégio que os pangas clubísticos sejam um tanto “analfas” junto à rede.

Mas, felizmente, o mundo do tênis ainda tem seus fiéis depositários, encarregados de preservar a cultura tenistica. A semana passada, estive no Rio de Janeiro e tive o privilégio de acertar uma duplinha com parceiros das antigas em um clube para lá das antigas – Paissandu Atlético Clube, um oásis com sete quadras de tênis no Leblon, ao lado da Lagoa. Os parceiros, Gugu Pucheau e os irmãos Filipe e Breno Mascarenhas, não eram tão mais novos, no máximo uns quatro anos, quando não menos.

O jogo foi decidido em três sets, sendo que o último não foi no formato tiebreakão, como é padrão no circuito ATP e nos interclubes. Quando coloquei a questão, após o 2º set, um deles retrucou que “o jogo está bom, vamos pro set”.

Mas foram uns poucos, e importantes detalhes, que me chamaram a atenção. Todos eles sacavam e voleavam, primeiro e segundo saque, quase que em tempo integral. E, se colocavam a raquete, raramente erravam o crucial primeiro voleio.

Meu parceiro era a Rocha de Gibraltar – não errava um sequer. Outro detalhe me chamou a atenção. Poucos “poaches”, ou cruzadas nas bolas do parceiro, especialmente após o primeiro voleio do adversário. Primeiro porque os caras tinham a visão e a habilidade de mudar a direção do voleio ao perceber o “poach”. E o mais impressionante; os primeiros voleios dos sacadores eram, como devem ser, rentes à fita da rede, oferecendo pouquíssima margem para o poach de quem estava na rede. Detalhes de uma cultura que não pode, ou deve, ser perdida.

Quando Bruno Soares esteve no Clube Pinheiros, Edu Eche, Técnico Chefe do competitivo juvenil, o alertou, quase que apologético, que o parceiro de Bruno, Tom Fasano, atual campeão brasileiro de duplas até 16 anos, não sacaria e volearia com fraquencia, já que não era seu hábito. Ao que retruquei que ele o faria sim. Até porque Tom é um dos jovens com maior talento e habilidades que temos atualmente e que ir à rede é algo que nesta fase da carreira deve lhe ser incentivado.

Os caras tem medo de ir, levar uma passada e ficar com cara de tacho, o que é um pena e um sacrilégio. Tom não só foi à rede como se virou muito bem uma vez por lá. Agora só precisa incentivado e aprender a cultura do bom voleio, algo que sempre fez com que o tênis fosse um esporte admirado e amado e que hoje se perde no limbo restrito da linha de base. Os duplistas do futuro agradecem.

Autor: Tags: