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sexta-feira, 27 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 11:21

No contrapé nao

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A conversa com Bruno Soares nao foi tao longa, mas deu para pegar algumas coisas importantes de sua carreira. Contusoes nunca sao bem vindas, mas a de seu parceiro, o austriaco Alexander Peya veio em boa hora, se é que isso existe. Bruno está com uma tendinite no pulso, o que quer dizer dores e, possíveis pioras com o esforço contínuo. Como todo atleta, ele prefere ver o melhor cenário a respeito e tem a certeza que o assunto está sob controle. O tempo que ficará afastado das competiçoes, por conta do parceiro, será usado, entre outras coisas, para curar o pulso – tendinite é uma contusao que o melhor remédio é o descanso do tendao.

Uma outra coisa que ele vai fazer é ficar em casa e curtir sua mulher que, quem diria, se chama Bruna. Assim como ele, ela é tranquila, suave, mineirinha. Ficar em casa é algo que o tenista tem no mais alto posto de sua lista de desejos. Para quem passa boa parte do ano dormindo em hotéis dormir em sua própria cama é uma bençao nada desprezada.

O prazo de cura de Peya sao seis semanas a partir do US Open. Assim, a princípio Bruno fica longe das competiçoes durante o circuito asiático e volta para o indoors europeu: teoricamete em Viena, na casa de Peya. Ele nem considerou ficar no circuito e jogar com outro parceiro nesse ínterim. Ele já garantiu a sua presença no Masters em Londres. Será a primeira vez dele e seguramente um marco em sua carreira. Vale lembrar que Carlos Kirmayr e Cassio Motta já estiveram no Masters de duplas nos anos 80. Mas, para Bruno, conquistar isso aos 31 anos é uma injeçao de animo impar para sua carreira.

Ele tem seus planos bem claros em sua mente. Quer jogar tênis profissional até as olimpíadas de 2020, que agora sabemos serao no Japao. Ele terá entao 38 anos. A inspiraçao de um tenista como Paes, que o bateu na final de New York, aos 40 anos de idade, nao deve estar longe de sua mente. Para isso, investe, e cada vez mais investirá, no preparo físico. Como ele mesmo diz, daqui para frente o preparo físico falará tanto ou mais alto do que o preparo técnico. Em suas épocas longe das competiçoes passa mais horas na academia do que na quadra, uma reversao que o tenis atual exigiu. Mas, a partir de agora é mais para a longevidade do que para qualquer outra coisa. O que eu mencionei a ele foi que a sua melhora técnica nos últimos dois anos foi enorme, essa, a meu ver, junto com a nova parceria, a diferença que possibilitou seu avanço no ranking e suas conquistas em Grand Slams.

Ele passou por uma cirurgia em 2005, ficou um ano longe das quadras e teve que começar de novo. No meio de 2008, aos 26 anos, quando casou, entrou entre os 100 melhores de duplas. Bem tarde, se olharmos a maioria dos tenistas. Mais uma vez, algo que deixa claro que o que valeu foi sua persistência e fé que poderia ter uma carreira no tênis. Nessa idade, muitos já desistiram se nao conseguiram chegar ao paraíso. Desde entao ficou entre os 20 e os 40 no ranking de duplas. Se a parceria com Marcelo Mello, quando este parou de jogar com Andre Sá, lhe deu uma direçao e lhe abriu portas, o “casamento” com Peya lhe mostrou que era possível sonhar ainda mais alto. Este ano passou a flertar com os Top10 e após Roland Garros transformou o sonho em realidade. Agora, quer levar a carreira na ponta dos dedos e chegar ao Japao com muitos títulos no curriculum. Diz que a parceria com Marcelo pode ressurgir – quem sabe – até pelos jogos de Copa Davis e, mais importante, o fato de que em 2016 os dois devem jogar juntos no Rio. Nao perguntei, mas imagino que os dois devam ter conversado, ou conversarao, sobre jogar juntos uma época anterior às Olimpíadas.

Nao seria nenhuma surpresa no curto prazo o casal de Bruno(a)s ter seu primeiro filho em breve. Como, se tudo caminhar como planejado, Bruno terá a carreira e as viagens de tenistas nos próximos sete anos, viajar com um baby nao está nem um pouco descartado – pelo contrário. Como a profissao pede e exige, os planejamentos sao necessários e a disciplina para cumprir metas e objetivos também.

Por fim, uma outra meta que Bruno está cumprindo, o que mais uma vez mostra seu perfil, é a de se formar por uma universidade utilizando o ensino à distância. Ele está utilizando os cursos de marketing da Estácio, acompanha as aulas pela internet, baixa as leituras, participa de chatings, encontra tempo em hotéis e vôos para estudar e nas suas vindas a BH aproveita para fazer os exames requisitados. Tudo faz parte de um planejamento, desta vez já olhando o futuro pós carreira. Mas, como ele mesmo diz, ainda tem lenha para queimar nas quadras, títulos a conquistar, crianças a criar, alegrias e tristeza para viver. Mas o futuro sempre chega e pensar nele com tranquilidade e planejamento nunca fez mal a ninguém. Nao será esse mineirinho que será pego no contrapé.

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