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terça-feira, 24 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 22:47

Para encantar

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Todo mês de Setembro, o Esporte Clube Pinheiros, de Sao Paulo, celebra mais um aniversário – neste sao 114 anos. O clube é o maior do Brasil, quiçá da América Latina e um dos grandes do mundo. Até pela sua localizaçao, na área mais valorizado de Sao Paulo, ao lado do mais antigo e badalado shopping da cidade, fazendo dele um verdadeiro oásis, mas especialmente pela sua cultura esportiva, além de uma área social de fazer inveja. O seu programa olímpico é impar no país. Entre outras, temos 24 quadras de tênis, um dos maiores complexos tenisticos, se nao o maior, do país. No últimos meses, os tenistas vivem o estresse de conviver com 10 quadras a menos, por conta das obras de expansao do estacionamento, sabendo que é por uma boa causa. A partir deste mês elas começam a voltar, coroando, no início do ano, com um diferenciado ginásio com duas quadras cobertas. O problema do estacionamento, em área da cidade tao delicada como a do clube, vinha dificultando a ida ao clube – é simplesmente impossível estacionar nas cercanias por conta dos inúmeros prédios comerciais que invadem os céus em par com os residenciais, os mais caros da cidade e o estacionamento estava no limite.

Só a seçao do tênis arregimenta cerca de 2500 tenistas do tenis-jogar, 850 das aulas coletivas e 600 do infanto-juvenil. Este ano, a seçao decidiu celebrar o aniversário do clube convidando Bruno Soares, o maior ídolo do tênis brasileiro atual, para mostrar suas qualidades em nossas quadras. O ano passado trouxemos Jaime Oncins. O momento de sucesso de Bruno ajudou na decisao.

A negociaçao foi feita através de Fernando Von Oertzen e Marcio Torres, ambos da XYZ, o primeiro em Sao Paulo e o segundo em Miami. Ambos foram tenistas, Marcio até recentemente, contemporâneo e amigo pessoal de Bruno. Depois das danças normais deste tipo de negociaçao chegamos a um happy ending para ambas as partes. Ajudou o fato que Bruno voltava da Copa Davis para o casamento de outro amigo, do qual foi padrinho, no mesma noite do evento no Pinheiros. Durante a semana, aproveitou para visitar seus parceiros em Sao Paulo e ir ver o John Mayers.

Na 6a feira, noite anterior ao evento, Bruno jantou com o presidente e parte da diretoria do Clube. Levou sua esposa, Bruna!, e um amigo técnico, também Bruno – é brincadeira?! – além de Marcio, Von Oertzen com suas esposas e Andrea Longhi, diretora de marketing da Asics. Sempre perigosos, pelos backgrounds heterogêneos, o jantar foi um sucesso. Essa é uma das horas que a personalidade de Bruno transparece como uma das razoes de seu sucesso. Ao contrário da maioria dos atletas, ele nao fica nem um pouco intimidado com a situaçao, levando bem as conversas, com quer que seja. O jantar começou às 21h e terminou exatamente às 24h, pela minha intervençao, lembrando a todos que o rapaz, que estava alojado nas redondezas na residência de seu irmao, tinha compromissos no dia seguinte.

Tinhamos marcado o evento para uma janela das 10h às 12hs, ele deixando os planos a meu critério. Bruno surgiu às 9.15 para aquecer. Tom Fasano, jovem de 15 anos, um dos melhores do país, semifinalista do mundial de equipes e campeao sul americano por equipes em 2012, e que seria um de seus parceiros, aqueceu com Márcio Torres e ficou na quadra para, junto comigo, aquecer Bruno – de leve.

Antes do início do evento, Bruno bateu uma bolinha com o presidente do Pinheiros, coisa de 10 minutos, mais uma simpatia e cortesia do que qualquer outra coisa. Tinhamos separado 14 jovens de até 12 anos que fazem parte do treinamento para fazer uma série de drills, exercícios específicos para duplas, com Bruno. Muito ágeis e coordenados pelo Pro Eduardo Eche, foram 20 minutos de emoçao que motivaram vários aplausos das arquibancadas lotadas da Quadra 9. A garotada, muito motivada, se divertia horrores, mostrando o que a presença de um ídolo pode fazer. Um detalhe interessante: durante esses 20 minutos Bruno nao fez um erro sequer, o que mostrou seu comprometimento, motivaçao e concentraçao – tudo sem perder a simpatia e o charme. Fez vários comentários durante os rápidos drills, sempre motivando e incentivando a garotada, ciente de seu papel e responsabilidade.

Em seguida, Bruno foi emparceirado com Camila Bossi, uma menina de 10 anos e verdadeira herdeira do espirito nadalino. A menina é um azougue, diferenciada, especialmente no quesito emocional. Quando surgiu na escolinha, após as aulas ela caminhava para o paredao e lá ficava, com o pai ou a mae assistindo, tomando conta e esperando para levá-la para casa. Quando a noite caia e os pais exigiam a partida, a menina reclamava de ir embora. Sua dedicaçao em quadra é impar. Sua disposiçao para a competiçao idem – em especial após superar o estresse que ela mesmo de impunha. Chorava em todos os jogos, ganhando ou perdendo, tamanha a pressao que se colocava. Limitamos bastante as competiçoes e agora, bem aos poucos, começa a competir com seus pares. Este ano ganhou, em St Catarina, o Banana Bowl sem perder um único set. Aliás, em 2013 ainda nao perdeu um único set. A menina já é um parametro dentro da escolinha e nao por outra razao foi colocada em quadra como parceira do Bruno. Do outro lado da quadra três garotos fizeram um rodízio. Mais uma vez Soares levou as duplas com finesse e firmeza, entretendo o publico, sem descambar para o esculacho, algo que muito tenista extrapola e se confunde quando faz.

Após Bruno e Camila fazerem seu show e algumas fotos serem tiradas, entraram em quadra dois tenistas pratas da casa – Sergio D’Amorin e Rafael Fontes. Ambos fazem parte do time pinheirense que na semana anterior venceu o interclubes de 1a classe. Eu sabia que ambos, já entrados nos anos trinta, queriam fazer a melhor apresentaçao possível perante sua torcida e jogariam o seu melhor tênis. O parceiro de Soares seria o garoto Antonioni Fasano. Talentoso e dedicado, ele vem crescendo no tênis, sofrendo ainda com a realidade de vários de seus pares se dedicarem em tempo integral ao tênis enquanto ele frequenta uma das melhores escolas, sofre as consêquencias no que diz respeito aos conflitos com os treinamentos. Só para se ter uma idéia – e sabemos que isso está longe de ser correto ou ideal – muitas vezes ele sai da escola, come no carro para chegar ao clube e treinar. Nao sei como é possível. Deve ser ainda mais difícil vindo de uma família que se empenha em fazer das refeiçoes um prazer sublime.

O jogo foi uma delícia para os associados. Bruno levou a partida como um experiente jockey leva um cavalo de corridas. Quando preciso soltou as rédeas, quando quis segurou – tudo para assegurar o melhor espetáculo e o andar tranquilo do placar. No final ele e Fasano cenceram sem maiores complicaçoes um set até 8 games.

No final, Bruno recebeu os presentes, ainda em quadra, para autógrafos e fotos. Tínhamos reservado uns 15 minutos para isso. Foi tudo muito bem utilizado, com maes, pais e crianças invadindo a quadra com seus celulares, maquinas fotográficas, bolas etc. Fasano aproveitou para distribuir cinco raquetes entre os aprendizes do clube. Às 12h peguei Bruno e, como combinado, o levei para o vestiário. Após o banho foi para o aeroporto e BH, ciente de ter, mais uma vez, cumprido com o dever. Por entre as quadras o público comentava sobre sua simpatia, facilidade de comunicaçao, carisma e, nao menos importante, técnica em quadra. Como em todas as áreas da vida, há os que sabem fazer e os que fazem. Os apaixonados pelo que fazem e os burocratas. Bruno tem como profissao ser um atleta profissional – um tenista. Por sorte, dele e dos fas, entende que só bater bem na bolinha nao é o bastante. Para encantar é preciso mais. Ele oferece bem mais.

bruno criaçada

 

 

 

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