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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 O leitor escreve, Sem categoria | 10:25

Apologia à Linda

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Nao é de hoje que o tal Glads confunde minha cabeça. E nao é reclamaçao. Quando muito constataçao. Mais certo     . Desta vez ele nos brinda com um dos conceitos a mim mais bem querido. O de escrever o que quer, sobre o assunto que lhe inspira, criando uma tangente, pequena que seja, no caso bem pequena, com o tênis. Senhoras e senhores, Glads, o (nao) operário.

 

Pois é.
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Ontem venci mais um dia de operário que sou. Lembrei coisas daquelas que vem no cheiro da marmita abandonada numa estufa, das sete ao meio dia, quando ninguém controla a temperatura. O cheiro, dizem, nos remete a mais verdades passadas que a visão ou imagem encarcerada nos labirintos do cérebro. Mastiguei o almoço já vindo cozido de casa, e, então, agora, assado; azar o meu, sina dos mortais, quando tive um tico de tempo a pensar, já enojado da meia bóia.
O cheiro talvez me remetesse nos idos tempos — acho que sim — nos médios tempos pé-lá e pé-cá desse mundo doido, e nós de agora; quanto mais rápido o globo gira, mais pingentes das birutices se agarram na cauda dele. Resumindo, nada me remeteu ao romantismo, ou seja lá, romantismo só meu.
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Ali no cheiro, não me detive nas imagens das mulheres que marcaram época no cinema e cena. Pouco citadas no desempenho, muito pouco no dia a dia, a lembrança da semana me enlodou. Não sei por quais diabos, na ultima em que acessei a internet, lá estavam e estão, ainda, batalhões remexendo e fazendo apologia à Linda Lovelace.
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Nada contra, à época ela me apimentou por uma noite no recurso que pude, mas só. Seria interessante, a cada dia, estamparem, mesmo que uma de cada vez, Scarlett Johansson se dando em “Moça com Brinco de Pérolas”, Grace Kelly em “Ladrão de Casaca”, Rooney Mara em “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, Dominique Swain em “Lolita”, Mary Streep em “Kramer vs. Kramer”, Mia Farrow em “A Rosa Púrpura do Cairo”, entre milhares de jóias outras.
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Ficamos como? Creditamos arte nas performances de becos, que sem palavras, quase, aliviam instintos desgarrados da genialidade e saber? Creditamos arte ao desafogo do instinto nas penumbras?
Pior, daremos créditos ao instinto machadeiro e vazio do Bellucci em prol do tênis, quando?
Estamos, como sempre, perdidos. O tempo cede aos jovens serem de corpo o que puderem. Depois, cumprem compromissos de lendas. E lendas, por favor, nunca favor.
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Lovelace, Belucci…
Ele — Lovelace conseguiu — poderá alcançar a ponta da cauda?

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