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domingo, 8 de setembro de 2013 História, Juvenis, Tênis Masculino, US Open | 12:46

Mais do que destino

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Durante décadas os 27 anos eram um padrao do amadurecimento no tênis. Nao só pelo amadurecimento normal que vem com a idade, como tambem pela experiência dos anos de circuito. Nessa idade o tenista parecia, enfim, harmonizar e equilibrar uma série de qualidades de seu arsenal, assim como administrar suas possíveis carências, tanto as técnicas como as emocionais.

O mundo mudou e o mundo do tênis mudou junto. Se antigamente o padrao era o tenista cair na vida após frequentar a universidade, e os casos dos mais precoces eram mais raros, atualmente o circuito abriga tenistas desde a mais tenra idade, nao sendo nenhuma surpresa aqueles que abreviam sua escolaridade para aumentar a dedicaçao exclusiva ao tenis.

Por isso nao me surpreendo com a presença de Gasquet e Wawrinka na semifinais do US Open – ambos deixaram o estudo formal aos 15 anos (ficaram com o estudo à distância). Enquanto meu caro leitor Cambui afirma que suas presenças nas semis é um sinal de fracasso, tanto dos atuais cachorroes que nao confirmam seu favoritismo, como da nova geraçao que nao confirma as expectativas, eu vejo como um caminho natural dentro do esporte.

Wawrinka e Gasquet sao dois tenistas extremamente talentosos que só nos últimos tempos vem confirmando seu potencial. O suíco tem 28 anos e o francês 27. Este, desde a mais tenra idade era um talento enorme e sobre seus ombros foram colocadas enormes expectativas do tênis francês. Eu lembro de ele receber um convite para Roland Garros 2002, ainda com 15 anos, e revista “Tennis” francesa dizendo que ali estava o futuro #1 do mundo – ele era entao o #1 do mundo juvenil.

Wawrinka sempre foi um talento – venceu Roland Garros junior em 2003 – e desde entao compete com seu colega de semifinal quem tem o revés de uma mao mais bonito, e o melhor, do circuito. Gasquet já chegara à semis do um Grand Slam – Wimbledon 2007 – aos 21 anos. Mais a partir dalí, mais uma vez nao conseguiu preencher as expectativas.

Ambos tiveram suas dificuldades emocionais que travaram seu desenvolvimento técnico. O francês sempre sofreu nos momentos importantes de partidas e torneios. Sofria e odiava jogar a Copa Davis, um evento muito emocional. Sua resposta aos estresses a psicologia explica. Assumia o papel do “nao estou nem aí”, assim como vestia a “máscara”, ambas respostas psicológicas de alguém que nao consegue lidar com as expectativas e dar os passos necessários para crescer emocional e tecnicamente.

Wawrinka tinha tambem as questoes dele. Cresceu à sombra do “maior tenista da história”, o que lhe servia tanto de motivaçao e exemplo como de limitaçao. Parecia dizer ao mundo; “até aqui eu vou, a partir daqui é terreno do bonitao”. Nao dá para acreditar que a “decadência” de Federer nao tenha também algo a ver com seu progresso.

Ambos nao caíram de para-quedas nas semifinais. Os resultados dos últimos 12 meses os colocaram entre os top 10, lugar de cachorrao e de gente altamente qualificada para bons resultados nos Grand Slams. O fato de conseguirem “furar” mais uma barreira na atual fase de suas vidas e carreiras só confirma que o amadurecimento do tenista é um fato, especialmente entre os mais talentosos. Os “trabalhadores” tendem a amadurecer antes, ou entao caem no limbo tenistico ou mesmo se frustram e abandonam a carreira. Mas, e essa a beleza do circuito, e da vida, há padroes, mas nao regras incontornáveis. O tênis segue sendo um esporte individualista e o indivíduo segue sendo capaz de escrever e reescrever sua história. E, para esta, nao é o talento que fará a diferença, e sim a sua determinaçao, persistencia e vontade de ser mais forte do que o destino.

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