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quinta-feira, 5 de setembro de 2013 Sem categoria | 12:50

Encantos

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O Tênis ainda tem uma ou duas cartas na manga para nos encantar. E, com certeza, não estou me referindo ao óbvio, aquilo que excita e encanta o fã deste ou daquele tenista. Mas isso é conceito que foge a boa parte dos fãs do tênis – eu me excito muito mais com o jogo do que com o tenista. Apreciar sim, respeito também, encanto, pelo jogo.

Nos últimos dias tivemos alguns confrontos bem interessantes, desde Robredo e Federer, pela excepcionalidade de ambos; Youzhny e Hewitt, um espetáculo de raça expondo o melhor da competitividade do tênis, tendo como protagonistas dois tenistas que já passaram de seus ápices tenisticos, e as vitórias do francês Richard Gasquet, sobre Raonic e Ferrer, ambas em cinco sets, ambas mostrando, depois de muita espera, um perfil que não mais esperávamos desse talentoso tenista.

Não seria arriscado dizer que Hewitt dá suas últimas respiradas no circuito, apesar de que sua excepcional exibição em Nova York deve ter sido somente um preâmbulo do que pretende para o Aberto da Austrália. Logo após esse evento ele completa 33 anos e alguém tem que me dizer como é que esse cara, que já passou por cinco cirurgias, pretende continuar correndo atrás das bolas da maneira que faz e seu estilo exige. Pouca surpresa seria se anunciasse a aposentadoria após o evento da casa. Mas o que vai um competidor como esse fazer sem uma raquete nas mãos achando que ainda há um lugar nas quadras para sua espécie?

Mais interessante ainda tem sido o caminho de Gasquet no U.S. Open. Mesmo sendo o atual #9 do mundo, a expectativa sobre o francês sempre foi maior do que ele entregou em quadra. Com uma esquerda daquelas o cara faz a gente sonhar alto. Ele é um dos raros tenistas que encanta pela esquerda com uma mão e dos raros que ganham jogo por conta desse golpe – o outro é o Wawrinka.

No entanto, ele nunca nos encantou pelo seu emocional nem pelo mental, deixando com que ambos ficassem entre ele e a grandeza. Quantas vezes pensávamos – agora vai – assistindo ele fazer misérias em quadra por conta de seus talentos, só para ver o rapaz naufragar nas suas fraquezas e carências? Até o jogo em que bateu Raonic, 7/5 no 5º set, ele, em 11 oportunidades, havia fracassado em cada vez que chegara à quarta rodada de um Grand Slam. Era uma estatística que devia tanto lhe atordoar como lhe afundar na cova rasa dos que nunca chegam à grandeza – afinal é GRAND Slam por alguma razão.

A vitória sobre o canadense deve ter aberto uma porta em seu coração que sua mente não mais acreditava estar lá. Ganhar um jogo desses, às portas do tie-break do 5º set, quando seria ainda mais confortável para o oponente, um grande sacador, exige força mental. Com certeza foi para o hotel acreditando que um novo Richard havia nascido.
A prova desse milagre veio logo em seguida. Sua retrospectiva contra Ferrer era de 1 vitória em 9 jogos – e agora seria em uma quartas de final de GS – não muito promissor. Mas havia um novo Richard por aí e o que ele fez em quadra nos dois primeiros sets foi o bastante para qualquer exigente fã do tênis aplaudir, pedir licença, levantar, ir pra casa, pegar a raquete e se inspirar para suas próprias raquetadas. Não é todo dia que somos brindados com tais encantos em uma quadra.

A esquerda dele segue sendo uma das coisas mais bonitas em quadra, e aí também estou considerando até maravilhas como o rosto da Aninha e as pernas da Flavinha, entre outras cositas também técnicas. Como ele mesmo disse “quando estou sacando bem e a minha esquerda está afiada, eu me sinto confiante para qualquer vitória”. E a direita, esquisita, para pouco dizer, também pegou carona e fez barbaridades. Isso sem dizer dos voleios – ahh, como eu sonho para que os voleios voltem a ser um golpe de desequilíbrio novamente. O rapaz deu até uma zigzira de voleio de esquerda esticado, que voltou à rede antes do segundo quique, e o cara de pau do Ferrer ainda tentou devolver.

Tenho minhas dúvidas sobre seu confronto com Nadal. A começar que suas pernas não estarão como precisariam após Raonic e Ferrer. Não dá para ignorar também o fato de que em 10 vezes que se enfrentaram, adivinhem quantas o francês venceu? É isso mesmo que você pensou. Alias, desde 2008, nos últimos cinco jogos, adivinhem quantos sets ele venceu? Mas o mundo dá volta e dizem que tudo volta ao início. Eu não aposto nisso, mas deixo aqui um vídeo que será, no mínimo, interessante.

http://www.youtube.com/watch?v=KzKuv4j67aw

 

 

 

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