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Arquivo de setembro, 2013

sexta-feira, 27 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 11:21

No contrapé nao

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A conversa com Bruno Soares nao foi tao longa, mas deu para pegar algumas coisas importantes de sua carreira. Contusoes nunca sao bem vindas, mas a de seu parceiro, o austriaco Alexander Peya veio em boa hora, se é que isso existe. Bruno está com uma tendinite no pulso, o que quer dizer dores e, possíveis pioras com o esforço contínuo. Como todo atleta, ele prefere ver o melhor cenário a respeito e tem a certeza que o assunto está sob controle. O tempo que ficará afastado das competiçoes, por conta do parceiro, será usado, entre outras coisas, para curar o pulso – tendinite é uma contusao que o melhor remédio é o descanso do tendao.

Uma outra coisa que ele vai fazer é ficar em casa e curtir sua mulher que, quem diria, se chama Bruna. Assim como ele, ela é tranquila, suave, mineirinha. Ficar em casa é algo que o tenista tem no mais alto posto de sua lista de desejos. Para quem passa boa parte do ano dormindo em hotéis dormir em sua própria cama é uma bençao nada desprezada.

O prazo de cura de Peya sao seis semanas a partir do US Open. Assim, a princípio Bruno fica longe das competiçoes durante o circuito asiático e volta para o indoors europeu: teoricamete em Viena, na casa de Peya. Ele nem considerou ficar no circuito e jogar com outro parceiro nesse ínterim. Ele já garantiu a sua presença no Masters em Londres. Será a primeira vez dele e seguramente um marco em sua carreira. Vale lembrar que Carlos Kirmayr e Cassio Motta já estiveram no Masters de duplas nos anos 80. Mas, para Bruno, conquistar isso aos 31 anos é uma injeçao de animo impar para sua carreira.

Ele tem seus planos bem claros em sua mente. Quer jogar tênis profissional até as olimpíadas de 2020, que agora sabemos serao no Japao. Ele terá entao 38 anos. A inspiraçao de um tenista como Paes, que o bateu na final de New York, aos 40 anos de idade, nao deve estar longe de sua mente. Para isso, investe, e cada vez mais investirá, no preparo físico. Como ele mesmo diz, daqui para frente o preparo físico falará tanto ou mais alto do que o preparo técnico. Em suas épocas longe das competiçoes passa mais horas na academia do que na quadra, uma reversao que o tenis atual exigiu. Mas, a partir de agora é mais para a longevidade do que para qualquer outra coisa. O que eu mencionei a ele foi que a sua melhora técnica nos últimos dois anos foi enorme, essa, a meu ver, junto com a nova parceria, a diferença que possibilitou seu avanço no ranking e suas conquistas em Grand Slams.

Ele passou por uma cirurgia em 2005, ficou um ano longe das quadras e teve que começar de novo. No meio de 2008, aos 26 anos, quando casou, entrou entre os 100 melhores de duplas. Bem tarde, se olharmos a maioria dos tenistas. Mais uma vez, algo que deixa claro que o que valeu foi sua persistência e fé que poderia ter uma carreira no tênis. Nessa idade, muitos já desistiram se nao conseguiram chegar ao paraíso. Desde entao ficou entre os 20 e os 40 no ranking de duplas. Se a parceria com Marcelo Mello, quando este parou de jogar com Andre Sá, lhe deu uma direçao e lhe abriu portas, o “casamento” com Peya lhe mostrou que era possível sonhar ainda mais alto. Este ano passou a flertar com os Top10 e após Roland Garros transformou o sonho em realidade. Agora, quer levar a carreira na ponta dos dedos e chegar ao Japao com muitos títulos no curriculum. Diz que a parceria com Marcelo pode ressurgir – quem sabe – até pelos jogos de Copa Davis e, mais importante, o fato de que em 2016 os dois devem jogar juntos no Rio. Nao perguntei, mas imagino que os dois devam ter conversado, ou conversarao, sobre jogar juntos uma época anterior às Olimpíadas.

Nao seria nenhuma surpresa no curto prazo o casal de Bruno(a)s ter seu primeiro filho em breve. Como, se tudo caminhar como planejado, Bruno terá a carreira e as viagens de tenistas nos próximos sete anos, viajar com um baby nao está nem um pouco descartado – pelo contrário. Como a profissao pede e exige, os planejamentos sao necessários e a disciplina para cumprir metas e objetivos também.

Por fim, uma outra meta que Bruno está cumprindo, o que mais uma vez mostra seu perfil, é a de se formar por uma universidade utilizando o ensino à distância. Ele está utilizando os cursos de marketing da Estácio, acompanha as aulas pela internet, baixa as leituras, participa de chatings, encontra tempo em hotéis e vôos para estudar e nas suas vindas a BH aproveita para fazer os exames requisitados. Tudo faz parte de um planejamento, desta vez já olhando o futuro pós carreira. Mas, como ele mesmo diz, ainda tem lenha para queimar nas quadras, títulos a conquistar, crianças a criar, alegrias e tristeza para viver. Mas o futuro sempre chega e pensar nele com tranquilidade e planejamento nunca fez mal a ninguém. Nao será esse mineirinho que será pego no contrapé.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 22:47

Para encantar

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Todo mês de Setembro, o Esporte Clube Pinheiros, de Sao Paulo, celebra mais um aniversário – neste sao 114 anos. O clube é o maior do Brasil, quiçá da América Latina e um dos grandes do mundo. Até pela sua localizaçao, na área mais valorizado de Sao Paulo, ao lado do mais antigo e badalado shopping da cidade, fazendo dele um verdadeiro oásis, mas especialmente pela sua cultura esportiva, além de uma área social de fazer inveja. O seu programa olímpico é impar no país. Entre outras, temos 24 quadras de tênis, um dos maiores complexos tenisticos, se nao o maior, do país. No últimos meses, os tenistas vivem o estresse de conviver com 10 quadras a menos, por conta das obras de expansao do estacionamento, sabendo que é por uma boa causa. A partir deste mês elas começam a voltar, coroando, no início do ano, com um diferenciado ginásio com duas quadras cobertas. O problema do estacionamento, em área da cidade tao delicada como a do clube, vinha dificultando a ida ao clube – é simplesmente impossível estacionar nas cercanias por conta dos inúmeros prédios comerciais que invadem os céus em par com os residenciais, os mais caros da cidade e o estacionamento estava no limite.

Só a seçao do tênis arregimenta cerca de 2500 tenistas do tenis-jogar, 850 das aulas coletivas e 600 do infanto-juvenil. Este ano, a seçao decidiu celebrar o aniversário do clube convidando Bruno Soares, o maior ídolo do tênis brasileiro atual, para mostrar suas qualidades em nossas quadras. O ano passado trouxemos Jaime Oncins. O momento de sucesso de Bruno ajudou na decisao.

A negociaçao foi feita através de Fernando Von Oertzen e Marcio Torres, ambos da XYZ, o primeiro em Sao Paulo e o segundo em Miami. Ambos foram tenistas, Marcio até recentemente, contemporâneo e amigo pessoal de Bruno. Depois das danças normais deste tipo de negociaçao chegamos a um happy ending para ambas as partes. Ajudou o fato que Bruno voltava da Copa Davis para o casamento de outro amigo, do qual foi padrinho, no mesma noite do evento no Pinheiros. Durante a semana, aproveitou para visitar seus parceiros em Sao Paulo e ir ver o John Mayers.

Na 6a feira, noite anterior ao evento, Bruno jantou com o presidente e parte da diretoria do Clube. Levou sua esposa, Bruna!, e um amigo técnico, também Bruno – é brincadeira?! – além de Marcio, Von Oertzen com suas esposas e Andrea Longhi, diretora de marketing da Asics. Sempre perigosos, pelos backgrounds heterogêneos, o jantar foi um sucesso. Essa é uma das horas que a personalidade de Bruno transparece como uma das razoes de seu sucesso. Ao contrário da maioria dos atletas, ele nao fica nem um pouco intimidado com a situaçao, levando bem as conversas, com quer que seja. O jantar começou às 21h e terminou exatamente às 24h, pela minha intervençao, lembrando a todos que o rapaz, que estava alojado nas redondezas na residência de seu irmao, tinha compromissos no dia seguinte.

Tinhamos marcado o evento para uma janela das 10h às 12hs, ele deixando os planos a meu critério. Bruno surgiu às 9.15 para aquecer. Tom Fasano, jovem de 15 anos, um dos melhores do país, semifinalista do mundial de equipes e campeao sul americano por equipes em 2012, e que seria um de seus parceiros, aqueceu com Márcio Torres e ficou na quadra para, junto comigo, aquecer Bruno – de leve.

Antes do início do evento, Bruno bateu uma bolinha com o presidente do Pinheiros, coisa de 10 minutos, mais uma simpatia e cortesia do que qualquer outra coisa. Tinhamos separado 14 jovens de até 12 anos que fazem parte do treinamento para fazer uma série de drills, exercícios específicos para duplas, com Bruno. Muito ágeis e coordenados pelo Pro Eduardo Eche, foram 20 minutos de emoçao que motivaram vários aplausos das arquibancadas lotadas da Quadra 9. A garotada, muito motivada, se divertia horrores, mostrando o que a presença de um ídolo pode fazer. Um detalhe interessante: durante esses 20 minutos Bruno nao fez um erro sequer, o que mostrou seu comprometimento, motivaçao e concentraçao – tudo sem perder a simpatia e o charme. Fez vários comentários durante os rápidos drills, sempre motivando e incentivando a garotada, ciente de seu papel e responsabilidade.

Em seguida, Bruno foi emparceirado com Camila Bossi, uma menina de 10 anos e verdadeira herdeira do espirito nadalino. A menina é um azougue, diferenciada, especialmente no quesito emocional. Quando surgiu na escolinha, após as aulas ela caminhava para o paredao e lá ficava, com o pai ou a mae assistindo, tomando conta e esperando para levá-la para casa. Quando a noite caia e os pais exigiam a partida, a menina reclamava de ir embora. Sua dedicaçao em quadra é impar. Sua disposiçao para a competiçao idem – em especial após superar o estresse que ela mesmo de impunha. Chorava em todos os jogos, ganhando ou perdendo, tamanha a pressao que se colocava. Limitamos bastante as competiçoes e agora, bem aos poucos, começa a competir com seus pares. Este ano ganhou, em St Catarina, o Banana Bowl sem perder um único set. Aliás, em 2013 ainda nao perdeu um único set. A menina já é um parametro dentro da escolinha e nao por outra razao foi colocada em quadra como parceira do Bruno. Do outro lado da quadra três garotos fizeram um rodízio. Mais uma vez Soares levou as duplas com finesse e firmeza, entretendo o publico, sem descambar para o esculacho, algo que muito tenista extrapola e se confunde quando faz.

Após Bruno e Camila fazerem seu show e algumas fotos serem tiradas, entraram em quadra dois tenistas pratas da casa – Sergio D’Amorin e Rafael Fontes. Ambos fazem parte do time pinheirense que na semana anterior venceu o interclubes de 1a classe. Eu sabia que ambos, já entrados nos anos trinta, queriam fazer a melhor apresentaçao possível perante sua torcida e jogariam o seu melhor tênis. O parceiro de Soares seria o garoto Antonioni Fasano. Talentoso e dedicado, ele vem crescendo no tênis, sofrendo ainda com a realidade de vários de seus pares se dedicarem em tempo integral ao tênis enquanto ele frequenta uma das melhores escolas, sofre as consêquencias no que diz respeito aos conflitos com os treinamentos. Só para se ter uma idéia – e sabemos que isso está longe de ser correto ou ideal – muitas vezes ele sai da escola, come no carro para chegar ao clube e treinar. Nao sei como é possível. Deve ser ainda mais difícil vindo de uma família que se empenha em fazer das refeiçoes um prazer sublime.

O jogo foi uma delícia para os associados. Bruno levou a partida como um experiente jockey leva um cavalo de corridas. Quando preciso soltou as rédeas, quando quis segurou – tudo para assegurar o melhor espetáculo e o andar tranquilo do placar. No final ele e Fasano cenceram sem maiores complicaçoes um set até 8 games.

No final, Bruno recebeu os presentes, ainda em quadra, para autógrafos e fotos. Tínhamos reservado uns 15 minutos para isso. Foi tudo muito bem utilizado, com maes, pais e crianças invadindo a quadra com seus celulares, maquinas fotográficas, bolas etc. Fasano aproveitou para distribuir cinco raquetes entre os aprendizes do clube. Às 12h peguei Bruno e, como combinado, o levei para o vestiário. Após o banho foi para o aeroporto e BH, ciente de ter, mais uma vez, cumprido com o dever. Por entre as quadras o público comentava sobre sua simpatia, facilidade de comunicaçao, carisma e, nao menos importante, técnica em quadra. Como em todas as áreas da vida, há os que sabem fazer e os que fazem. Os apaixonados pelo que fazem e os burocratas. Bruno tem como profissao ser um atleta profissional – um tenista. Por sorte, dele e dos fas, entende que só bater bem na bolinha nao é o bastante. Para encantar é preciso mais. Ele oferece bem mais.

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domingo, 22 de setembro de 2013 Tênis Brasileiro | 16:54

Pitada

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Uma coisa mudou com certeza no circuito. Hoje em dia os tenistas entendem infinitamente melhor o conceito, a necessidade e os benefícios do marketing pessoal. Pouco tempo atrás era um tanto difícil, se nao impossível, convencer a maioria dessas vantagens para sua carreira. O foco era no que acontecia nas quadras e o resto, bem, era resto. Em épocas de multi comunicaçao e a força do marketing movimentando montanhas de dinheiro, de inúmeras maneiras, aos poucos os tenistas, e outros atletas, quase que alegremente, abraçaram o marketing pessoal e, como consequencia, o marketing como um todo – porque ele faz uma diferença no bolso e tenista profissional é, como diz o nome, um profissional atrás de um melhor e mais gordo cheque no fim de cada mês.

Na verdade, é um processo que só traz benefícios para todos os envolvidos. O atleta tem melhor exposiçao, os fas mais oportunidades de conhecer o seu ídolo e os patrocinadores mais ferramentas de vender seus produtos. É óbvio que, como tudo, o equilíbrio é ponto ideal. Se antes tinha gente que fazia de menos, existem outros agora os que fazem demais. E quando demais é que nem açucar, enjoa. Mas, quando bem feito, serve inclusive para distrair, no bom sentindo, e fazer a tensa vida do atleta menos estressante e mais interessante.

Os duplistas, aqueles que nunca jogam simples, sempre foram quase que marginalizados no circuito, por organizadores de torneios, seus ferrenhos adversários, como pelo público, que adora um dupla, mas nao prestigia como poderia. Outro dia um amigo, que nao segue o Tênis de tao perto, surpreendeu-se ao saber que um duplista ganha 10% da premiaçao de mesma rodada de um singlista. Agora que a TV brasileira, finalmente, começa a mostrar as finais de duplas, pelo sucesso de nossos duplistas, e a ESPN foi a primeira a fazê-lo, até pela minha insistência, conferimos, nas arquibancadas, o quanto menos público ela atrai, comparado com as de simples. Inúmeras vezes os organizadores tentaram acabar com os duplistas, por conta de suas regalias e prêmios, mas sempre foram barrados pela ATP – nao sem concessoes por parte desta – graças ao lobby e o marketing dos duplistas. Os caras sao bons, mas, como sabemos, a necessidade é a mae da criatividade.

O mineiro Bruno Soares, #4 do ranking mundial, é o nosso maior ídolo do tênis na atualidade. Nunca aconteceu antes, pelo menos por aqui, talvez na Índia, de um duplista ser mais ídolo do que nosso maior singlista – Cássio Motta foi #3 do mundo, apesar da ATP dizer que foi #4, mas ninguém dava muita bola em uma época sem internet, sem TV fechada e o televisionamento semanas de torneios. Na sua época os ídolos eram Carlos Kirmayr, que foi #7 do mundo. Mas, entre eles ele só uma final de GS (Cássio em RG) e Bruno já foi a quatro.

Com Thomaz Bellucci saindo fora dos top100 e Bruno chegando, consistentemente, à finais de Grand Slams, ficou um jogo cartas marcadas. Além disso, e aí está um detalhe muito importante, Bruno entende o conceito de marketing pessoal, que inclui uma boa pitada de charme pessoal, que se tem ou nao e que faz um mar de diferença. O mineiro é bem falante, sabe levar uma conversa adiante, tem conteúdo, personalidade e sabe bem o valor de encantar coletiva e individualmente. É difícil encontrar alguém que nao goste dele – eu nao conheço – e, pelo contrário, é uma das primeiras afirmaçoes que as pessoas fazem a seu respeito. Conquistando vitórias e obtendo resultados, em um esporte que atravessa uma crise de boas notícias em nosso país, ele começa a conquistar seu espaço. A nossa sorte, e dela estamos precisando, é que esse espaço é conquistado por alguém com seu perfil, o que nos leva, pelo menos nesse quesito, aos tempos de Gustavo Kuerten que saudades deixou.

Neste ultimo sábado, Bruno esteve no Esporte Clube Pinheiros, participando de um evento em comemoraçao dos 114 anos do clube. Foram duas horas na Quadra 9, a principal do Clube, em evento que encantou aos que estiveram presentes. Mais detalhes do que ali aconteceu eu vou contar no próximo Post, assim como em outro vou contar um pouco de nossa conversa no jantar na noite anterior quando o rapaz me contou alguns de seus planos, no curto e no longo prazo.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013 História, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:47

E a pimenta?

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O assunto já foi tema de mais de um dos meus Posts. Nos comentários na TV eram ainda mais frequentes. Imagino que qualquer pessoa que acompanhou o tênis nas ultimas décadas deve pensar da mesma forma.

O tema virou assunto novamente por conta de recente artigo escrito por Pat Cash para um jornal. Cash, australiano que venceu Wimbledom era um tenista quase que exclusivamente de saque/voleio. Sempre flertou com a contra mão – dentro e fora das quadras, durante e após a carreira. Sempre foi visto como um crítico. Às vezes sem razão, às vezes com.

Com todo o tato que os anos lhe concederam, ele agora critica a homogeneização do tênis, salientando que jogadores como Nadal e Djokovic têm, no entanto, inúmeros méritos – físicos, técnicos e mentais. Porém, apresentam um tênis unidimensional, sem nuances, colado no fundo da quadra.

Não sei mais onde as palavras de Cash terminam e onde começam as minhas, já que vemos a mesma coisa, sem que o assunto me incomode tanto quanto a ele.

O tênis mudou muito nos últimos anos. Essa mudança maior começou, como já escrevi e falei inúmeras vezes, com a parceria de Mark Miles, como presidente executivo da ATP e o tenista Alex Corretja, como presidente da ATP.

Na época, o tênis beirava o precipício do ponto decidido em uma ou duas bolas. O saque era o grande diferencial e o Tênis era um jogo de muito saque, muitas devoluções, certas ou erradas, poucos voleios e quase nada mais, durante boa parte da temporada, com exceção da temporada sobre o saibro. Era a dominância da cultura tenistica americana. Corretja foi o primeiro presidente fora da área de influencia dos americanos e o pessoal de fora tinha suas próprias ideias sobre o circuito há anos.

A partir dessa parceria o tênis toma outra forma. Os pisos são equalizados para serem mais lentos. As quadras de carpete começam a sumir do circuito. São substituídas, quando no circuito indoors, que ia de Setembro a Abril na Europa e EUA, por pisos semelhantes aos já mais lentos pisos duros. Isso foi minando o reinado dos sacadores/voleadores e homogeneizando o tênis.

Ao mesmo tempo, os tenistas ficam mais fortes e, principalmente, mais rápidos, cobrindo melhor o fundo da quadra. Os golpes de fundo vão ficando mais técnicos e muito melhores, a esquerda com as duas mãos vira quase que padrão, dá qualidade ao contra ataque, dificultando a vida do voleador.  As raquetes e os encordoamentos facilitam a vida dos tenistas desse estilo. Isso faz com os tenistas que estão sendo formados foquem seus arsenais no jogo de fundo, sacrificando o de rede. Tornam-se “cegos” junto à rede. Os singlistas jogam menos e menos duplas e tem cada vez menos contato com a rede e os voleios. E, quando jogam, vários, como, por exemplo, Nadal, sacam e ficam atrás. Em pouco mais que uma década o tênis mudou radicalmente.

Hoje o padrão são Nadal, Djokovic, Murray etc. Federer, por outro lado, era um verdadeiro “all around”, sem dúvida a razão maior de ser tão querido por quem acompanha o tênis a mais tempo. No entanto, para sobreviver, teve que se adaptar. É só entrar no You Tube e assistir a vitória dele sobre Sampras em Wimbledon, o canto do cisne do Tênis multifacetado. Nadal, Djoko etc nem em sonhos podem ter uma vitória como aquela.

Ficou chato? Eu não diria isso. Ficou menos interessante? Não necessáriamente. Ficou menos emocionante. Não.

Mas, eu digo, sem pestanejar, falta algo. Falta alma. Falta variação, a pimenta.  Falta a essência do tênis, que é o que o voleio sempre foi, até porque foi criado para jogar na grama, onde o quique é péssimo. O melhor cenário seria a volta da cultura do voleio, sem perder o que se melhorou e se ganhou no fundo da quadra. Um tenista mais completo, que pudesse ir à rede com mais frequência e sem temores. Até porque seria melhor voleador do que se vê por aí. Imaginem os confrontos de estilos dentro de uma mesma partida.

Tenistas que investissem e, consequentemente, melhorassem o jogo de rede, para chegar aos padrões atuais do fundo de quadra. Tenistas que desenvolvessem o instinto de para aonde vai a passada e desenvolvessem a “mão” para acariciar uma bola junto à rede, com um Stepanek, um dos últimos moicanos, sabe fazer – talvez a razão de seu sucesso com as tenistas(atualmente está namorando a Kvitova).

Hoje os caras deixam passar bolas que a minha avó não deixaria passar, simplesmente porque não acreditam que possam colocar a raquete. Talvez pior; tenham receio de colocar e não saber o que fazer. Ao primeiro erro se acovardam e só voltam naquela direção para trocar de lado.  Aquele Isner é um aborto da natureza; tem mais de 2m, não sabe volear e as bolas passam por ele como se não tivesse envergadura ou reflexo junto à rede. Imaginem se soubesse.

Deixo aqui a mensagem. O tenista do futuro, se Deus for benevolente com os fãs do esporte dos reis, será rápido, veloz e ágil junto à rede, como hoje o são no fundo da quadra. Poderá até ser alto, mas não um poste. Terá voleios na mesma qualidade dos atuais golpes de fundo – e eles nunca foram tão bons na história do tênis. Saberá equilibrar o uso de ambas as qualidades para formar um atleta mais denso, rico, empolgante, surpreendente, emocionante. Eu mereço ser feliz.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 O leitor escreve, Sem categoria | 10:25

Apologia à Linda

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Nao é de hoje que o tal Glads confunde minha cabeça. E nao é reclamaçao. Quando muito constataçao. Mais certo     . Desta vez ele nos brinda com um dos conceitos a mim mais bem querido. O de escrever o que quer, sobre o assunto que lhe inspira, criando uma tangente, pequena que seja, no caso bem pequena, com o tênis. Senhoras e senhores, Glads, o (nao) operário.

 

Pois é.
.
Ontem venci mais um dia de operário que sou. Lembrei coisas daquelas que vem no cheiro da marmita abandonada numa estufa, das sete ao meio dia, quando ninguém controla a temperatura. O cheiro, dizem, nos remete a mais verdades passadas que a visão ou imagem encarcerada nos labirintos do cérebro. Mastiguei o almoço já vindo cozido de casa, e, então, agora, assado; azar o meu, sina dos mortais, quando tive um tico de tempo a pensar, já enojado da meia bóia.
O cheiro talvez me remetesse nos idos tempos — acho que sim — nos médios tempos pé-lá e pé-cá desse mundo doido, e nós de agora; quanto mais rápido o globo gira, mais pingentes das birutices se agarram na cauda dele. Resumindo, nada me remeteu ao romantismo, ou seja lá, romantismo só meu.
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Ali no cheiro, não me detive nas imagens das mulheres que marcaram época no cinema e cena. Pouco citadas no desempenho, muito pouco no dia a dia, a lembrança da semana me enlodou. Não sei por quais diabos, na ultima em que acessei a internet, lá estavam e estão, ainda, batalhões remexendo e fazendo apologia à Linda Lovelace.
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Nada contra, à época ela me apimentou por uma noite no recurso que pude, mas só. Seria interessante, a cada dia, estamparem, mesmo que uma de cada vez, Scarlett Johansson se dando em “Moça com Brinco de Pérolas”, Grace Kelly em “Ladrão de Casaca”, Rooney Mara em “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, Dominique Swain em “Lolita”, Mary Streep em “Kramer vs. Kramer”, Mia Farrow em “A Rosa Púrpura do Cairo”, entre milhares de jóias outras.
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Ficamos como? Creditamos arte nas performances de becos, que sem palavras, quase, aliviam instintos desgarrados da genialidade e saber? Creditamos arte ao desafogo do instinto nas penumbras?
Pior, daremos créditos ao instinto machadeiro e vazio do Bellucci em prol do tênis, quando?
Estamos, como sempre, perdidos. O tempo cede aos jovens serem de corpo o que puderem. Depois, cumprem compromissos de lendas. E lendas, por favor, nunca favor.
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Lovelace, Belucci…
Ele — Lovelace conseguiu — poderá alcançar a ponta da cauda?

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terça-feira, 17 de setembro de 2013 Copa Davis, Sem categoria | 11:03

Yellow brick road

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Quando escrevo que o tênis é um “jogo”, não de azar, ou sorte, não de força, não só de talento e habilidades físicas sinto que ainda não sou compreendido na medida exata. Tudo isso, e muito mais, faz parte. Mas o principal componente, o amalgama final, são o mental e o emocional, que podem parecer ser a mesma coisa, mas não o são, mas são o que forjam os campeões.

É com tristeza, por ele e por todos nós, fãs do tênis brasileiros, que acompanho, à distância e pela TV, a carreira de Thomaz Bellucci não decolar como poderia e se esperava, pelo imenso talento e arsenal técnico. E agora, em um cenário ainda mais doloroso, regredir e, pior, entrar em zona de perigo.

Este ano foi uma tristeza para o tenista. Poucas vitórias – nenhuma de grande valor, talvez a sobre Isner na Copa Davis, mas o grandão vinha de contusão e estava avariado, e de muitas derrotas, e várias para gente de quem não deveria mais perder.

A contusão no abdômen não ajudou – elas nunca ajudam – e veio em momento crítico, quando começava a temporada no saibro, seu piso favorito e campo de suas maiores conquistas, e após alguns bons resultados, em Miami e Barcelona (ambas 3ª rodada). Na Espanha ele se contundiu, em Abril, e só voltou a competir em Julho, em Stuttgart. Dalí para frente ganhou dois jogos e perdeu dez, incluindo a Davis este ultimo fim de semana, onde não ganhou um set em dois confrontos.

Não há confiança que resista a tanto mal trato. E Thomaz sempre foi um tenista que performa na confiança. Ganhar jogo no estresse, na marra, na briga de rua nunca foi seu perfil predileto.

Não sei quanto a contusão, desta vez no ombro direito, foi causa de suas derrotas na Alemanha. Só posso crer que em nada, se não teria sido irresponsabilidade. Jogar com dores faz parte da carreira do atleta. Incomoda, prejudica, um verdadeiro “saco”, mas faz parte e não pode fazer a diferença.

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Pelo menos à distância, e ela sempre pode enganar, a dor parece ser mais acima do pescoço e, quiçá, no lado esquerdo do peito. É difícil para qualquer tenista sair dos top100. É um massacre emocional, um ultraje jogado à sua cara, uma derrota pessoal, especialmente quando já se foi praticamente Top20, aos 22 anos e uma estrada de tijolos amarelos se abria à sua frente com mil promessas no horizonte.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013 História, Sem categoria, Tênis Feminino, Tênis Masculino, US Open | 12:52

A batalha dos sexos

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Caros leitores. Viajo hoje para celebrar o especial aniversário da amada e volto a Sao Paulo no início da próxima semana. Sem acesso à internet. Deixo aqui um texto pescado das antigas sobre a história da mulher que empresta seu nome ao complexo do U.S. Open e, talvez, o maior ícone do Tênis, entre homens e mulheres. Por que? Talvez o texto ajude a esclarecer. Ficarei muito contente em vê-los na volta, a partir  do dia 16 e mais ainda se colocarem comentários que acrescentem ao debate do nosso esporte. absss

A primeira coisa que ela faz a cada manhã é agradecer a Deus por estar viva e por ter vencido aquele jogo em 1973. Por estar vivo qualquer um agradece, mas pode uma partida de tênis ser assim importante? Se você for Billie Jean King e a partida a que mudou o rumo do esporte para sempre, além de ser o acontecimento que mais exposição positiva deu à luta das mulheres por direitos iguais, então vale. A partida aconteceu no Astrodome de Houston, na frente de 31 mil pessoas, o maior público da história do tênis. De um lado, Billie Jean, na época a segunda tenista do mundo, e a mais árdua defensora dos direitos femininos, dentro e fora das quadras. Do outro lado, o veterano Bobby Riggs, auto proclamado “o rei dos porcos chauvinistas”. Em linguagem atual, a Joana D’Arc dos politicamente corretos e o déspota dos politicamente incorretos.

Riggs vencera Wimbledon e o Aberto dos EUA em 1939 e, aos 55 anos, se especializara em tirar dinheiro de amadores delirantes nos luxuosos clubes da Califórnia. Ele começou a confusão ao declarar que o tênis feminino era tão medíocre que a melhor do mundo não poderia bater um veterano como ele. Desafiou a australiana Margareth Court para uma partida a ser realizada no Dia das Mães. Para o horror das mulheres, Margareth tremeu mais do que vara verde e foi destruída em um humilhante 6/2 6/1. A desonra colocou Riggs na capa da revista Time e abriu a porta para uma mudança de postura de King que, aos 29 anos e 11 títulos no Grand Slam, três no ano anterior e dois ainda por acontecer, declinara o primeiro desafio. Avaliara que uma derrota atrasaria o tênis feminino por 50 anos. A vitória é efêmera, a derrota permanente, diria. Mas, após a derrota de Court, a honra feminina estava em jogo. Billie era mais agressiva, decidida e confiante que a australiana, especialmente quando o assunto era direitos iguais. O bate boca entre os desafiantes ganhou proporções gigantescas pelas circunstâncias de então. O tênis era o esporte do momento, o movimento feminino ganhava ressonância e as mulheres ainda estavam a uma boa distância de terem seus direitos iguais. Os promotores surgiram e foi estipulado um prêmio de U$100 mil – 20 vezes o que ganhava a campeã de Wimbledon na época – indo totalmente para o vencedor.

O que veio a ser conhecido como a Batalha dos Sexos foi vencida por King em três sets seguidos – numa melhor de cinco sets – e televisionada para 37 países, com uma audiência de mais de 50 milhões. Mudou para sempre a vida de Billie Jean e de todos os esportes femininos. Até então, os pleitos igualitários da tenista eram vistos pelo establishment como meras aporrinhações. Uma a uma, suas demandas foram atendidas e estendidas a outros esportes e a diferentes áreas da sociedade. Fundou a WTA, sindicato e atual organizador do tênis feminino e, junto com outras mulheres da época, concretizou o primeiro circuito profissional das mulheres – o Virginia Slims. A menina que um dia foi excluída de uma seção de fotos por um dirigente arrogante, e não são poucos, por estar usando um calção de tênis e não um saiote, teve suas conquistas homenageadas em revistas, livros, filmes e músicas – Billie Jean de Michael Jackson e Philadelphia Freedom de Elton John.

Mas, assim como com Arthur Ashe, que teve seu nome dado ao maior estádio de tênis do mundo, Billie Jean teve seus feitos reconhecidos, ao ter, na semana passada, seu nome dado ao complexo onde é realizado o Aberto dos EUA, por aliar uma impressionante carteira de resultados em quadra, com uma ainda mais impressionante bagagem de conquistas fora delas. A primeira a caracterizou como uma campeã do tênis, a segunda como uma campeã na sociedade.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013 Tênis Masculino, US Open | 22:51

Houdini e o Mágico

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Deixei de ir jogar tênis, algo perene marcado para as 2as feiras, para ver a final. Nenhuma novidade. Só jogo foi bom enquanto durou, só que só durou até o 4×4 no terceiro set. O fatídico game, pelo menos para Novak Djokovic.

O sérvio teve entao 0x40 no saque de Rafa Nadal, para quebrar e sacar pelo set no 5×4, após em momento tenso quando Nadal, no 0x15, tropeçou e se estatelou no chao sem conseguir bater na bola. Levantou como um relampago, ao contrário de outros que fariam um dramalhao. Perdeu próximo ponto e, como um super campeao, encarou o momento mais dramático e decisivo da final.

El Djoko deixou escapar. E essas marcadas custam caro. Mais caro do que no placar é o custo no emocional e no mental dali para a frente, se nao se estiver preparado para o perdao e para a luta. Quando o game igualou, os dois sabiam que ali as fichas, de repente, ficaram beeeem altas. O sérvio deu aquela encolhidinha e o espanhol deu aquela crescida – e como esse cara é ESPETACULAR. É assim que se escrevem as páginas da história do tênis; nos detalhes, naquele extra que um consegue impor ao outro. No Tênis nao tem conversa. Nao tem empate. Um vence, o outro perde. Ao vencedor as batatas.

Depois daquele fatídico game El Djoko deu uma de Houdini e desapareceu da quadra. Dos nove games seguintes ele só fez um. É muita piraçao para uma final. Nem se pode dizer que Nadal viajou na confiança. Na verdade, no 4o set jogou mais para o feijao com arroz do que para o padrao que vinha jogando. Mas se o adversário tomou Pirol, reza o  bom senso que nao é hora de ficar arriscando cobras e lagartos e sim levar o cavalo à faixa de chegada e correr para o abraço. E foi isso que o Animal fez. Levou o jogo nas pontas dos dedos.

Djoko já esteve mais forte mentalmente. Uma de suas características, assim como do rapaz que estava do outro lado da rede, é administrar como muitos poucos na história frustraçoes e decepçoes. Assim, com a final de hoje, quem se decepciona também é o fa do sérvio, que nao está habituado com essas entregas da rapadura por parte do Novak.

Insisto, pela qualidade apresentada por ambos até o fatídico nono game do 3o set o jogo prometia como mais um dos fantáticos jogos que ambos já realizaram. E nao tem tititi de cansaço físico – o escorregao foi mental, algo que, isto sim, vai demorar um tempo do sérvio se perdoar – mas agora o feijao está no chao e a grana em Maillorca. E o Animal, mais uma vez, mostrou como se faz um banquete com feijao com arroz – é um campeao. É O Magico!

 

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domingo, 8 de setembro de 2013 História, Juvenis, Tênis Masculino, US Open | 12:46

Mais do que destino

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Durante décadas os 27 anos eram um padrao do amadurecimento no tênis. Nao só pelo amadurecimento normal que vem com a idade, como tambem pela experiência dos anos de circuito. Nessa idade o tenista parecia, enfim, harmonizar e equilibrar uma série de qualidades de seu arsenal, assim como administrar suas possíveis carências, tanto as técnicas como as emocionais.

O mundo mudou e o mundo do tênis mudou junto. Se antigamente o padrao era o tenista cair na vida após frequentar a universidade, e os casos dos mais precoces eram mais raros, atualmente o circuito abriga tenistas desde a mais tenra idade, nao sendo nenhuma surpresa aqueles que abreviam sua escolaridade para aumentar a dedicaçao exclusiva ao tenis.

Por isso nao me surpreendo com a presença de Gasquet e Wawrinka na semifinais do US Open – ambos deixaram o estudo formal aos 15 anos (ficaram com o estudo à distância). Enquanto meu caro leitor Cambui afirma que suas presenças nas semis é um sinal de fracasso, tanto dos atuais cachorroes que nao confirmam seu favoritismo, como da nova geraçao que nao confirma as expectativas, eu vejo como um caminho natural dentro do esporte.

Wawrinka e Gasquet sao dois tenistas extremamente talentosos que só nos últimos tempos vem confirmando seu potencial. O suíco tem 28 anos e o francês 27. Este, desde a mais tenra idade era um talento enorme e sobre seus ombros foram colocadas enormes expectativas do tênis francês. Eu lembro de ele receber um convite para Roland Garros 2002, ainda com 15 anos, e revista “Tennis” francesa dizendo que ali estava o futuro #1 do mundo – ele era entao o #1 do mundo juvenil.

Wawrinka sempre foi um talento – venceu Roland Garros junior em 2003 – e desde entao compete com seu colega de semifinal quem tem o revés de uma mao mais bonito, e o melhor, do circuito. Gasquet já chegara à semis do um Grand Slam – Wimbledon 2007 – aos 21 anos. Mais a partir dalí, mais uma vez nao conseguiu preencher as expectativas.

Ambos tiveram suas dificuldades emocionais que travaram seu desenvolvimento técnico. O francês sempre sofreu nos momentos importantes de partidas e torneios. Sofria e odiava jogar a Copa Davis, um evento muito emocional. Sua resposta aos estresses a psicologia explica. Assumia o papel do “nao estou nem aí”, assim como vestia a “máscara”, ambas respostas psicológicas de alguém que nao consegue lidar com as expectativas e dar os passos necessários para crescer emocional e tecnicamente.

Wawrinka tinha tambem as questoes dele. Cresceu à sombra do “maior tenista da história”, o que lhe servia tanto de motivaçao e exemplo como de limitaçao. Parecia dizer ao mundo; “até aqui eu vou, a partir daqui é terreno do bonitao”. Nao dá para acreditar que a “decadência” de Federer nao tenha também algo a ver com seu progresso.

Ambos nao caíram de para-quedas nas semifinais. Os resultados dos últimos 12 meses os colocaram entre os top 10, lugar de cachorrao e de gente altamente qualificada para bons resultados nos Grand Slams. O fato de conseguirem “furar” mais uma barreira na atual fase de suas vidas e carreiras só confirma que o amadurecimento do tenista é um fato, especialmente entre os mais talentosos. Os “trabalhadores” tendem a amadurecer antes, ou entao caem no limbo tenistico ou mesmo se frustram e abandonam a carreira. Mas, e essa a beleza do circuito, e da vida, há padroes, mas nao regras incontornáveis. O tênis segue sendo um esporte individualista e o indivíduo segue sendo capaz de escrever e reescrever sua história. E, para esta, nao é o talento que fará a diferença, e sim a sua determinaçao, persistencia e vontade de ser mais forte do que o destino.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013 Sem categoria | 12:50

Encantos

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O Tênis ainda tem uma ou duas cartas na manga para nos encantar. E, com certeza, não estou me referindo ao óbvio, aquilo que excita e encanta o fã deste ou daquele tenista. Mas isso é conceito que foge a boa parte dos fãs do tênis – eu me excito muito mais com o jogo do que com o tenista. Apreciar sim, respeito também, encanto, pelo jogo.

Nos últimos dias tivemos alguns confrontos bem interessantes, desde Robredo e Federer, pela excepcionalidade de ambos; Youzhny e Hewitt, um espetáculo de raça expondo o melhor da competitividade do tênis, tendo como protagonistas dois tenistas que já passaram de seus ápices tenisticos, e as vitórias do francês Richard Gasquet, sobre Raonic e Ferrer, ambas em cinco sets, ambas mostrando, depois de muita espera, um perfil que não mais esperávamos desse talentoso tenista.

Não seria arriscado dizer que Hewitt dá suas últimas respiradas no circuito, apesar de que sua excepcional exibição em Nova York deve ter sido somente um preâmbulo do que pretende para o Aberto da Austrália. Logo após esse evento ele completa 33 anos e alguém tem que me dizer como é que esse cara, que já passou por cinco cirurgias, pretende continuar correndo atrás das bolas da maneira que faz e seu estilo exige. Pouca surpresa seria se anunciasse a aposentadoria após o evento da casa. Mas o que vai um competidor como esse fazer sem uma raquete nas mãos achando que ainda há um lugar nas quadras para sua espécie?

Mais interessante ainda tem sido o caminho de Gasquet no U.S. Open. Mesmo sendo o atual #9 do mundo, a expectativa sobre o francês sempre foi maior do que ele entregou em quadra. Com uma esquerda daquelas o cara faz a gente sonhar alto. Ele é um dos raros tenistas que encanta pela esquerda com uma mão e dos raros que ganham jogo por conta desse golpe – o outro é o Wawrinka.

No entanto, ele nunca nos encantou pelo seu emocional nem pelo mental, deixando com que ambos ficassem entre ele e a grandeza. Quantas vezes pensávamos – agora vai – assistindo ele fazer misérias em quadra por conta de seus talentos, só para ver o rapaz naufragar nas suas fraquezas e carências? Até o jogo em que bateu Raonic, 7/5 no 5º set, ele, em 11 oportunidades, havia fracassado em cada vez que chegara à quarta rodada de um Grand Slam. Era uma estatística que devia tanto lhe atordoar como lhe afundar na cova rasa dos que nunca chegam à grandeza – afinal é GRAND Slam por alguma razão.

A vitória sobre o canadense deve ter aberto uma porta em seu coração que sua mente não mais acreditava estar lá. Ganhar um jogo desses, às portas do tie-break do 5º set, quando seria ainda mais confortável para o oponente, um grande sacador, exige força mental. Com certeza foi para o hotel acreditando que um novo Richard havia nascido.
A prova desse milagre veio logo em seguida. Sua retrospectiva contra Ferrer era de 1 vitória em 9 jogos – e agora seria em uma quartas de final de GS – não muito promissor. Mas havia um novo Richard por aí e o que ele fez em quadra nos dois primeiros sets foi o bastante para qualquer exigente fã do tênis aplaudir, pedir licença, levantar, ir pra casa, pegar a raquete e se inspirar para suas próprias raquetadas. Não é todo dia que somos brindados com tais encantos em uma quadra.

A esquerda dele segue sendo uma das coisas mais bonitas em quadra, e aí também estou considerando até maravilhas como o rosto da Aninha e as pernas da Flavinha, entre outras cositas também técnicas. Como ele mesmo disse “quando estou sacando bem e a minha esquerda está afiada, eu me sinto confiante para qualquer vitória”. E a direita, esquisita, para pouco dizer, também pegou carona e fez barbaridades. Isso sem dizer dos voleios – ahh, como eu sonho para que os voleios voltem a ser um golpe de desequilíbrio novamente. O rapaz deu até uma zigzira de voleio de esquerda esticado, que voltou à rede antes do segundo quique, e o cara de pau do Ferrer ainda tentou devolver.

Tenho minhas dúvidas sobre seu confronto com Nadal. A começar que suas pernas não estarão como precisariam após Raonic e Ferrer. Não dá para ignorar também o fato de que em 10 vezes que se enfrentaram, adivinhem quantas o francês venceu? É isso mesmo que você pensou. Alias, desde 2008, nos últimos cinco jogos, adivinhem quantos sets ele venceu? Mas o mundo dá volta e dizem que tudo volta ao início. Eu não aposto nisso, mas deixo aqui um vídeo que será, no mínimo, interessante.

http://www.youtube.com/watch?v=KzKuv4j67aw

 

 

 

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