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segunda-feira, 12 de agosto de 2013 Sem categoria | 13:56

Tanto com tão pouco

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Foi-se o tempo em que me surpreendia com Rafael Nadal. Atualmente eu mais me maravilho do que qualquer coisa. Afirmar quem é o maior tenista da história é um risco a acaba-se por ficar com o tenista com mais títulos significantes, o que não nos deixa nem um pouco mal servidos com Roger Federer. Mas o espanhol se encaixa com certa facilidade na minha denominação de o maior competidor/vencedor que eu já vi em uma quadra de tênis e, após mais de cinco décadas, posso dizer que já vi bastante deles.

É um mágico. Insisto em dizer que seu arsenal técnico é limitado, mesmo se comparado somente com o de muitos que ainda estão por aí. E insisto que ele melhorou bastante em vários quesitos técnicos através de sua carreira, novamente por conta de sua postura e determinação. Mas ele traz para a quadra algo tanto subjetivo e abstrato quanto real e tangível. É o rei do paradoxo.

Ninguém consegue ganhar tanto com tão pouco. E olhem que temos atualmente exemplos como o de Ferrer e Hewitt, que já foi #1. Não é à toa que Ferrer é um tremendo freguês de Rafa. O rapaz sabe que tem pela frente um adversário que lhe é superior exatamente naquilo que ele, Ferrer, é superior a todos os outros tenistas.

Eu assisto as partidas de Nadal e logo no primeiro ou segundo game estou rindo sozinho. O cara faz coisas inexplicáveis, vencendo pontos não se sabe como, sempre pronto para tirar mais um coelho da cartola quando ninguém mais acredita que outro pernalonga irá aparecer. Não creio que precise me alongar – todos que gostam de Tênis sabem a que me refiro. Há algo em seu interior que faz com que saia por cima nas situações mais bicudas.

Esse evento em Montreal foi só mais um exemplo. O espanhol foi mais cedo do que o normal para as Américas, uma semana antes de sua primeira partida, procurando um pouco mais de ritmo, treinando com seus adversários, buscando um bom início de temporada nas quadras duras. Como dizem, “a vitória ama a preparação”.

Dois detalhes sobre sua conquista do 25º título de Masters 1000. Da semifinal contra El Djoko ressalto um momento. O tie break do set final. Na primeira bola Rafa já foi pro pau e não parou mais. Enquanto o sérvio tentou administrar o TB, o espanhol assumiu o risco e foi para as bolas. Típica atitude de tenista audaz, confiante e com tática definida. Ele sabia exatamente o que tinha que fazer naquela altura da partida. A sua técnica e confiança fizeram o resto. Djoko só foi mudar sua postura no match point. Tarde demais. Rafa na final.

Milo Raonic deve ter se sentido satisfeito, culpado e intimidado na final. É muita emoção ruim em quadra para quem tem Nadal do outro lado da rede. Sabendo como essas coisas funcionam, o espanhol foi agressivo desde o início, especialmente com as devoluções, sabendo que se controlasse o serviço do “garfo” canadense pouco restaria para o incomodar. Aquilo que o publico local esperava que fosse um verdadeiro duelo, acabou sendo mais um capítulo na carreira do tenista que mais sabe surpreender adversários e público.

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