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sexta-feira, 9 de agosto de 2013 Sem categoria | 15:35

Mais menos ética

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Não sei se fiquei feliz, ou não, em saber que os problemas com a ética não se restringem ao Brasil e afligem o Canadá também. Ontem Milos Raonic bateu Del Potro em dois sets apertados, mas ficou no ar aquele gosto que o argentino foi garfado pelo juiz e pelo adversário.

Foi um exemplo clássico e raro de ética deturpada. Raro porque existe uma regra não escrita, quase um consenso, que a quadra é uma terra de ninguém no que diz respeito às marcações do juiz no que concerne às linhas. Talvez seja por conta da cultura de que é difícil cantar as linhas com exatidão o tempo todo – o foco deve ser em bater na bola – e isso fica sob a responsabilidade dos juízes e ponto final.

No entanto, mesmo em tempos atuais, sempre existiu certa expectativa que toque em rede ou na bolinha por parte do tenista estas seriam acusadas, por conta do cavalheirismo que deve existir mesmo no tênis profissional. Algo na linha do passar o pé na marca e dar o ponto ao adversário quando a bola é boa. Nada disso está no livro das regras, mas sempre esteve nos livros dos gentlemen que praticam o tênis em qualquer nível. Mas sabe-se lá, se não por todos os cantos do planeta, ganhar está acima de todas as coisas. Inclusive da ética.

Lembro de dois casos – que estão longe de ser isolados mas foram marcantes na história. Na primeira vez que ganhou Roland Garros 1982, aos 17 anos, Mats Wilander acusou uma bola de Clerc como boa, em match point a seu favor, na semifinal contra o argentino Jose L. Clerc. Só por curiosidade; Wilander havia perdido para o brasileiro João Soares dois torneios antes de Roland Garros, em Munique. Na verdade perdia para muita gente, já que foi uma zebra ainda maior do que Kuerten em 97.

O outro ficou também muito famoso porque dois dos envolvidos não engoliram o fato e botaram a boca no trombone sempre que puderam. Na final de dupla de 1985 do U.S. Open, entre os franceses Noah e Leconte x os americanos Flach e Seguso a coisa ficou feia. Empatados em um set, e com os franceses com set point (6/4) no TB do terceiro, Leconte bateu uma bola que tocou a rede, resvalou na cabeça do Flach e saiu. O juiz não cantou nada e Flach se fez de morto (depois do jogo disse que o juiz que teria que cantar o toque).

Os franceses foram à loucura, perderam o set e a partida – praticamente não saiu mais jogo após o incidente. Se ficaram com o troféu, os americanos, na ocasião uma das melhores duplas do mundo e titulares do time da Davis, foram dignamente vaiados a não mais poder pelo publico americano na quadra central. Vão sempre poder mostrar o troféu, mas nas suas almas nunca mais vão esquecer a vaia que levaram de seus compatriotas no seu maior torneio. Algo que os canadenses não brindaram Raonic.

Explicando o vídeo. O Raonic toca a rede com os pés, o que é proibido. Ela sabe que tocou. O juizão complicou ainda mais porque: primeiro diz que não houve toque – nesses casos, sendo bom mesmo, o juiz fica de olho no tenista que está preste a “tocar”, já que as linhas tem seus juízes. Ele não faz isso e dança. Mas aí um desavisado coloca o replay no telão, porque na verdade, nem o Delpo viu. O juizão, na maior cara de pau, diz que mostrar o replay foi um erro, ao que o Delpo retruca, o erro foi seu, o que o juiz concorda. Agora o incompreensível, por conta da regra idiota, que não permite desafio ou correção nesses casos, é que mesmo sabendo que houve o toque ele, juiz, não corrige. Mas o ponto do Post é que Raonic “O Ético” se faz de morto e ganha o jogo, muito por por conta dessa bola. Infelizmente o problema com a ética é mesmo universal e, infelizmente, como disse o senador-tampão do Maranhão, ao que muitos julgam, um conceito abstrato e subjetivo.

Veja o vídeo no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=O9b8HhoJpV8

 

 

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