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terça-feira, 16 de julho de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino, Wimbledon | 11:33

Trocando a raquete

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Às vezes falho na percepção do que os meus leitores gotariam de ler no Blog. Na verdade, tenho pensado seriamente em mudar o direcionamento e as pautas, o que talvez tenha sido a razão inconsciente em passar em branco uma informção que recebi duas semanas atrás.

Estava em um preguiçoso bate papo, após um nada preguiçoso bate bola com um amigo ex-tenista com acesso direto ao suíço, quando este mencionou que o “bonitão” iria mudar de raquete. Não dei maior atenção ao fato, até porque tinha outras coisas mais importantes na cabeça, inclusive as referentes ao suíço. Para minha surpresa, todos os sites de tênis transformaram o assunto em notícia.

Federer não teve muitas raquetes na carreira. Geralmente quem troca de raquete é quem começa a perder. Quando o cara está ganhando ele troca de mulher, de técnico, de casa, de manager, mas não de raquete. Aí comecei a pensar naquele fatídico dia de Wimbledon quando as zebras invadiram a grama do local. Sharapova mandou o treinador embora. Federer decidiu que era a hora de trocar a raquete.

O rapaz não teve muitas raquetes na carreira profissional. De fato teve duas, o resto foi maquiagem e frescuritas. Entrou no circuito jogando com a Pro Staff 85 6.0, a mesma que Sampras nunca quis trocar e quando parou de jogar disse que deveria ter trocado antes por algo mais moderno. Em Roland Garros 2002 Roger jogou pela primeira vez com a Hyper Pro Staff 6.0, a primeira vez que usou o aro de 90 polegadas. A partir daí foi sempre razoavelmente a mesma coisa, com diferenças de maquiagem; 90 polegadas e peso entre 352 e 360gramas.

Como tudo, e ele próprio, a raquete ficou “velha” – uma raquete que não consegue gerar a mesma força/velocidade de outras que estão por aí. O que, de maneira alguma, significa “pior”. Tanto é que Roger relutou muito tempo com a mudança. O aumento da cabeca da raquete deve ajudá-lo a gerar mais força sem perder precisao. A tecnologia das raquetes tem mudado, assim como a dos encordoamentos, algo que Federer também está testando. O progresso dos encordoamentos tem sido até mais radical do que o das raquetes.

Roger considerou no passado fazer uma mudança mais radical, do tipo que está considerando agora. Chegou até testar alguns modelos. Mas sempre arquivou a ideia, culpando a falta de tempo para a transição – algo que pode levar semanas e mesmo assim não dar certo. Geralmente dá certo em um primeiro momento e depois dá uma encrencada, no jogo e na cabeça. É preciso calma e saber o que se busca – não se mexe com 20 anos de hábito sem consequências.

A derrota para Stakhovsky foi a gota dágua, especialmente após não conseguir fazer frente às bolas pesadas de Tsonga em Paris. Não é só a raquete, Federer também, não deve conseguir gerar a mesma força de antes, assim uma raquete e encordoamentos mais modernos podem deixá-lo mais competitivo – daqui para frente o tempo nunca será seu aliado.

Isso também explica a mudança de calendário – sendo que ele, e a Wilson, não falaram ainda sobre a mudança da raquete. Hamburgo e Gstaad não serão torneios para vencer e sim torneios para testar o equipamento e mudanças que deverá fazer em consequência, que podem ajudá-lo tecnicamente a recuperar a confiança chamuscada após Roland Garros e Wimbledon, visando as quadras duras da América do Norte e o que pode vir a ser a sua last chance em vencer um Grand Slam – U.S.Open 2013 em Agosto.

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Roger, a raquete pintada de preta, no AM Rothenbaum de Hamburgo. Há boatos que se trata da Wilson Blade 98 pol ou similar.

 

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