Publicidade

Arquivo de junho, 2013

domingo, 30 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 13:07

Domingo do meio 2013

Compartilhe: Twitter

Domingão chuvoso e preguiçoso. Não vou poder jogar como planejado, o que me deixa frustrado, senão irritado. Futebol na TV só à noite, quando vou torcer a favor do Brasil e contra a Espanha – percebam que não é simplesmente uma redundância. Enquanto isso pesquei o artigo abaixo, escrito em Londres, tambem em um domingo sem jogos em Wimbledon. O ano é de 2003, poucas coisas sobrevivem no tênis desde então – entre elas Federer e o fato de não ter jogos no domingão. Divirtam-se:

No “domingo do meio”, como o chamam os ingleses, não tem tênis em Wimbledon. O porque nem perguntando a eles. Se você o faz, eles te dão aquele olhar 48 e não respondem. A verdade é que não sabem. Simplesmente é, como muita coisa é por aqui, incluindo guiar do lado errado da rua. E por isso continuam sendo. Soa como uma lógica um tanto feminina, mas eles a chamam de tradição.

Aproveito o domingão para fazer o meu passeio. Vejo uma das centenas das lojas da Ladbrokes, a maior cadeia de casas de apostas da ilha. Lá dentro o esperado bando de vagabundos acompanhando uma corrida de cavalo na TV. Cada figura mais gosmenta do que a outra. A loja também recebe muitas pessoas que entram e fazem rapidamente suas fézinhas. Perguntar no o que eles não apostam é mais o caso do que perguntar no o que apostam.

Olhando em um quadro descubro que o atual favorito ao título de Wimbledon é o americano Andy “psicho kid” Roddick, o tenista com o olhar mais demente no circuito. Se alguém de branco prestar um pouco mais de atenção em seu olhar o manda trancar na hora. Mas, como diz o seu novo técnico Brad Gilbert, outro que não pode passar muito perto do Juqueri sem correr perigo, o segredo é focar suas frustrações. Gilbert, ex-técnico de Agassi, afirma, e com toda a razão, que não adianta ser um idiota como Rusedski – ficar gastando saliva xingando o juiz, levar uma multa e ainda perder os contratos de patrocínio. Além de perder a partida. O negócio é focar a raiva onde ela funciona. Ou seja, no adversário. Gilbert afirma que vivia odiando seus adversários desde o dia anterior à partida e, às vezes, no dia seguinte. Com tanta raiva no sistema não é à toa que seus pinos estejam batendo há tempos. Nos EUA é considerado um gênio. Mas no EUA o Bush é o presidente.

O garotão Roddick paga 7/4, enquanto que o segundo colocado, André Agassi, paga 3/1. Amanhã vou descobrir como estão as apostas de um contra o outro, caso aconteça. Mas partida só aconteceria em uma final e Roddick teria que passar antes por Roger Federer, entre outros. Federer é o meu favorito. Muito mais por razões emocionais e estéticas. Um campeão como Federer seria o melhor de todos os mundos. O rapaz é um gentleman. Sua educação, dentro e fora das quadras, é de lord inglês. Daqueles dos romances, porque os de verdade eu não sei não. Além disso, assisti-lo jogar é um prazer. Qualquer individuo que já tentou bater uma esquerda aprecia a arte do suíço. Federer tem um jogo que cobre todas as áreas da quadra. Saca bem, uma forte direita de ataque, bons voleios ( o de esquerda é uma tijolada) e faz absolutamente o que quer com a esquerda. E para ser um campeão na grama é preciso uma boa esquerda. Limpa, breve e precisa. Não é por acaso então que Federer é o terceiro na lista da Ladbrokes, pagando 4/1.

O quarto da lista é o inglês Tim Henman, que empenhou a palavra publicamente que um dia venceria Wimbledon. Graças à palavra empenhada, e a algumas semifinais, é o esportista mais bem pago do país. Com certeza, atrás de David Beckeham, que afinal de contas, como confessou Ronaldo, cheira bem até após uma partida de futebol. Até hoje não decidi se seu atual companheiro de time escorregou ou foi muito macho ao fazer tal afirmação. Atrás dos quatro vem o resto. E, por enquanto, é o que são.

Só por curiosidade, para quem não sabe. 2003 foi o ano em que Federer conquistou seu primeiro título em Wimbledon. E eu ganhei uma graninha a mais….

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 27 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 12:08

A fila anda

Compartilhe: Twitter

Não sei se na Inglaterra tudo acaba em pizza or fish and chips, mas o fato é que eu acho que o jardineiro responsável pela grama do All England Club está com seus dias contados. Ontem o diretor de Wimbledon teve que fazer um comunicado dizendo que o clube não acha que a grama mudou um tiquinho sequer em comparação ao que era.  Sei. Reagia às massivas reclamações dos tenistas sobre a grama escorregadia e perigosa e consequente tombos e contusões dos atletas. Bem, se teve que explicar é porque tem algo ali.

Para agravar, o dia teve dez abandonos e WO por contusões, um recorde, sendo que pelo menos algumas por conta de escorregões. Como esse tipo de coisa não estoura na mão de diretores, suponho que o recém promovido fulano que toma conta das quadras seja rebaixado ao chatíssimo serviço de arrancar ervas daninhas. Para quem não sabe, o atual jardineiro-mór de Wimbledon assumiu a responsabilidade logo após Wimbledon 2012 – este é seu primeiro Wimbledon e parece que o trabalho não agradou aos tenistas.

O que não explica as outras contusões, como a de Darcis, o que eliminou Nadal na 1ª rodada, sentiu o ombro e não apareceu para o jogo. Isso é assunto para outro dia.

Wimbledon sempre foi terreno fértil para zebras nas primeiras rodadas. Faz parte da tradição e das circuntâncias, abordadas em meu recente post Escorregou na Grama.

A maioria faz sentido, considerando estilo dos envolvidos, outras nem tanto, como a derrota de Sharapova para a atrevida portuguesinha Brito, que teve que jogar o Qualy. A moça era para ser uma grande tenista quando juvenil, ambição que bateu no fato de ser pequena. Mas sempre teve uma direitaça e foi insolente, como quando levou advertência de uma juíza por gemer muito alto e chiou de volta “se fosse a Sharapova vc não fazia essa advertência”. Pois é, ontem as duas berraram como bezerras desmamadas e ninguem disse nada. No final, a portuguesinha com sua direita manteve a russa sob pressão e se movendo, o que causou tres quedas ao chão da patachoca, que não deve ter gostado também do espelho auditivo. Pode-se dizer que Brito ganhou no grito.

A vitória de Stakhovsky e suas contigencias também foram abordadas precocemente no ultimo post. É a vitória do compromisso e da boa execução com o saque/voleio na grama. O ucraniano fez a decisão no dia anterior e ficou com ela até o fim. Foi bonito de ver – Federer costumava fazer isso. Mas o Bonitão não é mais o mesmo – nem no estilo nem na cabeça. Ainda dá para curtir muito quando ele está em quadra, mas me parece claro que ele não tem mais o que exige para ser o campeão que um dia foi. O que, convenhamos, é normal aos 31 anos.

Até por isso, há que se fazer mais acertos do que erros, dentro e fora das quadras. Federer sempre se deu ao luxo de fazer incompreensíveis erros em quadra, só para se impor graças ao imenso talento. Na imensa maioria das vezes funcionou. Hoje funciona menos.

Lembro-me que um ou dois anos atrás grande polêmica houve no Blog por conta do calendário de Thomaz Bellucci. Para quem nunca conseguiu entender, ele arriscou e não deu certo, algo que acontece na vida de quem opta pela audácia de querer mais do que tem, algo que vejo com bons olhos. Federer errou em seu calendário este ano, algo que dá para ver agora, mas quando o fez fazia seu sentido. Jogar menos e focar onde teria mais chances, considerando a idade e adversários que tem. Com isso chegou a Wimbledon, seu grande momento na temporada, junto com o US Open, sem o devido ritmo e a devida confiança. Quando pegou um fantasmaço jogando muito e abafando junto à rede não soube/conseguiu contra atacar o tsunami adversário. Teve uma época que lidaria com isso só com seus instintos. Hoje ele está fora. A fila anda.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 26 de junho de 2013 Porque o Tênis., Wimbledon | 13:14

Gasparzão(ões)

Compartilhe: Twitter

Hoje deve dar certinho; quando terminar os jogos de Wimbledon começa a semifinal Brasil x Uruguai.

Fiquei pensando sobre a vitória do Gasparzão Dustin Brown pra cima do MalaHewitt. Pontos interessantes a se avaliar. Hewitt bate Wawrinka, que virou top 10 e está na sua melhor fase, sem dó nem piedade. Mas leva um tranco do rastabrown que é #189 do ranking.

O Gasparzão tem um estilo, hoje peculiar, que se encaixa como uma luva na grama. Tanto que o mano sofre em outros pisos – o cara não deve gostar de sujar os tênis de barro.

Alto, 1.96, é sacador e sabe usar o saque slice, uma arma esquecida nas épocas atuais, como poucos. Além disso, tem muita mão junto à rede. Entre os top10 só Federer tem habilidades semelhantes no quesito. No fundo da quadra é outro cenário – é ruim mesmo e arrisca para não se alongar. O que, per si, não explica seu ranking de #189. Credito isso mais à personalidade viajandona do rapaz. Mas, hoje na Quadra 2 de Wimbledon, mais conhecida como Cemitério dos Campeões, o rapaz se inspirou e enfiou a mão. Saiu chorando de emoção da quadra e nem autógrafos distribuiu – vai ter tempo para isso.

Mas, o que essa vitória me desperta é a ideia de que o tênis de saque e voleio ainda tem chances neste mundo. Afinal, Hewitt é um mestre jedi do contra-ataque, mesmo aos 31 anos. O Gasparzão simplesmente foi pra cima, com excelentes serviços, devoluções chip and charge e muita tranquilidade e habilidade dentro do retângulo, abafando o australiano que chegou a ter sonhos maiores para a semana.

Sim, o mundo precisa de um grandalhão habilidoso, atlético e que domine os fundamentos, tanto os da rede como os do fundo de quadra. Se um dia o circuito pertenceu aos sacadores e voleadores, especialmente nas quadras mais rápidas e nas cobertas, a maioria durante décadas, hoje, época de quadras mais lentas, pertence aos sólidos tenistas de fundo de quadra. O fato vem fazendo que os atuais, e a geração que vem por aí, se pelem de medo de ir à rede e passar vergonha.

Por isso, fica lançada a ideia para técnicos e jovens. Que se aprenda o tênis em todo o seu espectro e que venha, em um futuro breve, tenistas mais completos, que voltem a nos encantar com todas as possibilidades e habilidades. Roger Federer, aos 31 anos e 1.85m de altura não é exatamante o que tenho em mente. Mas o Bonitão Federer, um talento que sempre soube volear e abandonou a tática quase que de vez.  Talvez não tão engessado – sacando e voleando a toda hora. Mas, variando, saque e subidas, surpreendendo com chip and charges, slices de esquerda, enfim, que use o repertório que Deus lhe deu. Bem que podia se lembrar de sua maravilhosa vitória sobre Pete Sampras, quando os dois fizeram o ultimo confronto digno de nota sacando e voleando em 2001, doze anos atrás. O fantasmão mostrou que é possível.

Bem, aí está também o Stakhovsky que não me deixa mentir! Afinal, ele mostrou ao Bonitão como faz.

Gasparzão Brown sacou e voleou eliminando Hewitt.

E falando em Gaspar……

Autor: Tags: ,

terça-feira, 25 de junho de 2013 História, Porque o Tênis., Wimbledon | 18:11

Rus

Compartilhe: Twitter

Logo após sua derrota em Wimbledon, Nadal disse que o tênis é um esporte de vitórias, não de derrotas. Fácil para ele falar. A imensa maioria dos profissionais passa a carreira pedendo toda semana, a não ser que ganhe torneios. Não é o lado mais agradável da profisssão.

Mas se Nadal é uma exceção e a regra é do tenista que boa parte do tempo vence algum jogo, mas perde toda semana, existe uma outra exceção à regra – esta bem negativa e de chorar.

Qualquer sofasista que conseguiu desviar seus olhos um pouco além FedererNadal conhece a saga do malamór Spadea. Se não conhece, é porque além de sofasista não conhece muito do tênis profissional.

Agora uma tenista, a gracinha magrelinha holandesa Rus, vive seu inferno astral e caminha a largos passos atrás do recorde do malamór Spadea. A moça, derrotada hoje em Londres, atingiu a vergonhosa marca de 17 derrotas seguidas no circuito. A moça não sabe o que é celebrar desde 19 de Agosto 2012.

Rus, atual #156 – já foi #61 – foi a #1 do mundo como juvenil em 2008, o que nos lembra o que pode acontecer com a confiança de uma hora para a outra. No ano passado ela foi à 4ª rodada de Roland Garros, eliminando Clijsters no caminho.

Nesses meses ela chegou a jogar torneios menores e conseguiu três vitórias, o que, pelo jeito, não ajudou muito. Só uma outra tenista teve tantas derrotas consecutivas; Sandy Collins, nos anos oitenta. Não, você não é um sofasita se nunca ouviu falar dela.

Aliás, o malamór Spadea perdeu 21 partidas consecutivas na AP Tour e não desistiu. Só de curiosidade; o cara que perdeu para ele, imaginem a vergonha, foi outro conhecido malaman, o canadense-britanico Rusedski, jogando na quadra central de Wimbledon com todo mundo vendo. Por 9/7 no 5º set. Se vocês querem saber o que é gozação, e celebração, deveriam ter estado no vestiário aquele dia.

Rus, 17 vezes consecutivas de joelhos. Dói.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 24 de junho de 2013 Tênis Masculino, Wimbledon | 17:02

Escorregou na grama

Compartilhe: Twitter

Sendo primeira rodada já é bicudo. Sendo grama, mais ainda. Ainda mais para um tenista como Rafa Nadal, para quem jogar na grama não vem naturalmente. O estilo do rapaz não é exatamente condizente com o piso. A grama começou a semana bem escorregadia por conta do clima. O fato de ter elegido descansar os joelhos após Roland Garros e não jogar nenhum preparatório na grama agravou tudo acima.

Steve Darcis não é nenhuma Brastemp, mas também não é nenhum panga. Ele sabia que Nadal teria dificuldades na primeira rodada e decidiu ir pro pau. E seu estilo se adapta legal à grama, especialmente contra o estilo de Nadal – talvez contra outro nem tanto. O belga tem bom slice de esquerda, que usou e abusou nos dois lados da quadra. A direita, que é meio cega, tende a ir para a cruzada, o que ajuda a achar o revés espanhol com mais facilidade. E por aí vai. Isso sem mencionar que o cara usou e abusou de jogar bem emocionalmente nos pontos decisivos. Afinal, independente de tudo aquilo que está no primeiro parágrafo, o espanhol levou os dois primeiros sets para o tie break e não conseguiu vencer nenhum dos dois. Ou melhor colocado, Darcis venceu ambos. Falar que o espanhol perdeu totalmente a confiança durante a partida é ser óbvio.

Federer passeou na quadra central contra o triste Hanescu – normal. O cara, que é um de seus parceiros de treino, nem tenta. O Murray esbanjou catega na primeira rodada contra o alemão Becker (o genérico).

Comprovando que as quadras estão escorregadia, Azarenka quase deixou o joelho na quadra. No final foi mais susto do que qualquer outra coisa. Essa francesa, Mladenovic, que perdeu para a Maria, é uma tenista très interessante.

Os ingleses são uns brincalhões. Colocaram uma tal de Keothavong, de 30 anos, na Quadra Central, só porque é inglesa, e a mulher tomou uma tunda da espanhola #59 do mundo. Que daibo de jogo é esse para a Central?!

Enquanto isso, lá na quadra 6, que é lá atrás, um joguinho feminino que deve ter sido uma batalha e tanto. A portuguesa de Brito, que era para ter sido a melhor coisa que saiu de Portugal desde as tres caravelas mas esqueceu de crescer, bateu a americana Oudin, que era para ter sido a melhor das americanas desde a Chris Evert segundo os gringos. Ganhou a portuga.

Rogérinho Dutra caiu na 1ª rodada contra o ucraniano Sthakovski. Seu estilo não ajuda na grama. Em compensação, se é que compensa, Marcelo Melo ganhou a 1ª rodada de duplas com o Dodig contra o Giraldo e o Russel. Eu nem sabia que jogavam duplas no 1o dia do torneio.

Sempre foi e sempre será divertido ver o Hewitt jogando. Especialmente quando está inspirado. Ele era outro que sabia que a 1a rodada seria cruel para o Wawrinka na grama. E hoje o suíço, que andava meio espanhol, voltou a ser suíço.

O Rosol? O Rosol já era.

Darcis – o autor do crime.

Autor: Tags: ,

domingo, 23 de junho de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 19:16

Segredos da grama

Compartilhe: Twitter

Sempre fui um pouco incomodado com a proximidade das datas entre Roland Garros. Eu e a torcida do mengão, que já nem sei se é tão grande quanto foi. Já se tentou mudar essas datas, mas nenhum dos dois eventos mexeu um dedo para fazê-lo, porque não lhes interessava. Essas datas são sacramentadas e tradicionais nos calendários dos respectivos países e dos grandes eventos mundiais, sendo muito difícil mexer.

Alguns dizem que os ingleses estão considerando uma mudança – só se lhes for interessante. Se Wimbledon passar uma que seja semana para frente, automaticamente a temporada de grama aumentaria. E quem quer isso? Bem, alguns devem querer, muitos não. O pessoal do tênis é mais conservador do que o pessoal da TFP e não muito chegado a mudanças.

Atualmente essas duas semanas para se adaptar, entre o saibro e a grama, já não são tão cruéis quanto um dia foram. O jogo mudou e a grama mudou. As adaptações continuam existindo, mas são menos críticas. O cara vai sacar e ficar atrás mesmo. E, melhor do que isso, não vai ter alguem invadindo a rede a toda hora como era antes. Hoje já tem caras que conseguem vencer na grama praticamente só indo à rede para trocar de lado. Mas, definitivamente, se vai muito mais à rede do que em qualquer outro piso – por isso o Bonitão acha que pode ganhar lá.

Têm alguns que sabem usar melhor do que outros os pequenos segredos da relva. Sacar melhor o slice. Reagir e abrir o golpe mais cedo. Ficar um pouco mais agachado sem tantas dificuldades. Como diz o jardineiro de Wimbledon, a questão não é que a grama ficou mais lenta e sim que a bola está quicando mais alta. Segue quicando mais baixa do que em qualquer outro piso, mas não é mais aquele inferno que dava dores horríveis nas nádegas e nos músculos posteriores da coxa e fazia com que a passada fosse de uma dificuldade bem maior.

Atualmente, tirando aqueles dias em que o ar está mais úmido e a grama idem, e por isso escorregadia, a quadra fica mais dura e a diferença não é mais tão cruel.

Em um estudo, realizado pela Escola de Esportes de Cardiff, que analisou 528 jogos de Grand Slams em 2008 e 2009, encontrei, entre outros, um dado bem interessante, de mais de uma maneira.

Em Roland Garros, no saibro, 41,5% dos break points foram convertidos, enquanto, e atenção ao detalhe, somente 38.5% dos pontos normais o recebedor teve sucesso.

Em Wimbledon, os recebedores quebraram em 41% das oportunidades, uma diferença insignificante de Roland Garros, enquanto que venceram 35% dos pontos normais. Esse dado atual, contraria o que era um fato até 10/15 anos atrás, quando a vantagem do sacador era gritante na grama. A não ser em partidas do Isner…

Apesar de não ser o assunto deste post, não deixa de ser também interessante descobrir que em um ponto tão chave das partidas, apesar do sacador continuar tendo a vantagem de quase 10%, os recebedores terem mais sucesso em conseguir levantar seus padrões nesses pontos, sendo que, teoricamente, o sacador também está querendo levantar seu padrão para não ver o seu saque e, possivelmente, especialmente na grama, o set indo para o brejo.

Melhorou tanto que já dá para comer.

Autor: Tags:

sexta-feira, 14 de junho de 2013 Tênis Masculino | 17:42

Férias

Compartilhe: Twitter

Como meus leitores devem ter percebido a esta altura, estou em viagem e só voltarei na semana que vem. Enquanto isso, espero que aproveitem o espaço para enlevar o Tênis, deixando de lado paixões mais rasteiras, buscando formas de acrescentarem, uns aos outros, novas e pertinentes informações sobre nosso esporte.

Autor: Tags:

segunda-feira, 10 de junho de 2013 Roland Garros | 11:13

Emocionante

Compartilhe: Twitter

Nao é a primeira vez que uso um texto do Dumont aqui no Blog. Sempre bons, sempre surpreendentes. Estou em viagem e só poderei escrever e postar mais tarde. Enquanto isso brindo meus leitores com o texto de um de vcs, alguém que sempre eleva o padrão. Curtam. Se inspirem!

Emocionante.
Vou ficando velho – sendo ainda muito jovem – e me percebo mais choroso por tudo. Existe algo no tênis que me faz chorar mais do que outras coisas. De fato, diria que é o esporte mais envolvente no aspecto emocional. Chorei, homem não mente. Tal como choro ao ouvir o hino nacional brasileiro, chorei junto com Nadal e Ferrer ao ouvir a Marcha Real. Lindo hino, sem letras, como assim são as marchas reais. Compassada e silenciosa emoção, tal qual a descida das lágrimas. Ah…as trombetas e a flâmula espanhola – misturada ao olhar marejado de alegria por parte de Nadal, e marejado de contentamento por parte de Ferrer-, embargaram minha voz. Queria ter eu a possibilidade de ser espanhol naquele momento. Mesmo não sendo, me fiz um.
Quis a possibilidade de ter visto um brasileiro mais uma vez em um momento daquele. Minha alegria dobraria se fosses dois em uma final. Orgulho e mão no peito esquerdo. Choro, com certeza. Mas a cegueira e o recalque só me permitem ver defeitos. Ao olhar para o céu, só vejo balões. Esqueço que existem as lindas estrelas e o brilho da lua. Existe sempre algo a mais. Cego que sou. Só quero enxergar o que me agrada: obra dessa lente borrada de egoísmo. Sei mais que os outros, aliás, sei tudo de tênis. Pobre que sou, simplesmente nunca entrei em quadra. Sofá desgraçado. Mas nada como ficar velho, onde as lágrimas tornam-se o melhor veículo de limpeza das lentes. Olhos limpos, alma lavada, que fazem olhar além do alcance de um mero palmo, ignorante e egoísta, adiante.
Fico com os aplausos do público ao tênis espanhol. Aplaudo junto, ainda que tenha um vencedor e um perdedor, se é que tenha. Animais e pedreiros muitas vezes não são agradáveis. Deve ser porque estão sempre correndo atrás da sobrevivência. Muitas vezes, são feios. Tem que sujar as mãos, correr mais que os demais; tem que suar. Mas, queria eu, hoje, ter chorado um choro brasileiro; de animais e pedreiros, de gente desagradável aos olhos, mas de batalhadores. Seria um choro bom, ganho com honestidade. Mas não tem problema não, emoção não tem nacionalidade. Se não tive como apertar mãos brasileiras, calejadas e enfeiadas pela luta e pelo labor, trato de apertar a de animais e pedreiros espanhóis. Estão na história, estão de parabéns.
Grande abraço
Autor: Tags:

domingo, 9 de junho de 2013 Roland Garros | 07:00

A partida

Compartilhe: Twitter

O tempo está horrível em Paris. Totalmente encoberto, com prognóstico de chuvas. Mas acredito que haverá jogo, até porque eles cobrem a quadra e não parece que choverá direto. De qq maneira, com o frio o jogo deve ficar mais lento, com pontos mais longos. Mas a pergunta segue: Ferrer conseguirá administrar seu emocional e ser um valente adversário? Consiguirá quebrar a escrita, tanto a sua em relação ao adversário, como a de Nadal em Paris? Pelo numero de pessoas tentando vender seus ingressos – algo inusitado para uma final masculina – o pessoal não acredita nessa mágica.

Nadal trata todos os jogos como importantes, sua caracteristica principal como o grande campeão que é. Duvido que oito títulos ou a amizade e respeito por Ferrer tirem sua determinação em vencer.

Ferrer tem 31 anos e em breve olhará o tênis como um passado em sua vida. Em sua maravilhosa carreira – da qual pode, com certeza, se orgulhar pelo resto da vida – uma partida será marcante, inesquecível, aquela pela qual será lembrado, de um jeito ou de outro – a de hoje. Tenho certeza que ele sabe disso. Em breve vamos descobrir o que consiguirá fazer com a oportunidade.

Autor: Tags:

sábado, 8 de junho de 2013 Tênis Masculino | 11:43

O serviço

Compartilhe: Twitter

Serena saca com uma única bola, que trata com carinho e habilidade, batendo vagarosamente nela com a raquete quando começa a se preparar para sacar. Bate na bola lá embaixo, mostrando habilidade e intimidade com a peludinha. Nunca pede aos pegadores mais de uma bola para escolher a mais “carequinha” como faz a maioria. Quando erra o 1o serviço, vira para o pegador, sempre o do seu lado esquerdo quando se vira, e recebe a bola, sem pressa nem ansiedade. Todo o ritual do seu serviço é feito quase que em câmera lenta. Menos a velocidade com que a bola sai de sua raquete – é a que mais forte saca entre as mulheres.

Maria saca com a segunda bola entre a calcinha e o quadril esquerdo. Nem toda essa intimidade corporal com a peludinha melhora o relacionamento entre ambas – mais do q ela gostaria a bolinha a trai. Maria nao trata a bola com habilidade. Alias, nao bate na bola com a raquete quando se prepara para sacar; só bate a bola com a mão esquerda duas vezes no chão – sempre – no primeiro e segundo serviço.

Para Serena, sacar é a maneira de fazer uma afirmação logo de cara; eu vou te agredir! Para Maria, apesar da altura, a falta de uma técnica mais apurada no fundamento faz com que ela acabe por viver seus piores momentos em quadra quando tem a bolinha na mão e a responsabilidade de a colocarno retângulo do outro lado da quadra.

Visões e perspectivas distintas que fazem uma diferença em um jogo tão mental e emocional como uma final de tênis.

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. Última