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domingo, 26 de maio de 2013 Roland Garros | 09:59

À la santè

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Desta vez uma coluna do O Estadão de sete anos atrás, provando que algumas coisas mudaram nestes sete anos e outras nem tanto. Um detalhe interessante dela é o contexto da menção do nome de Novak Djokovic, então um desconhecido do público, até de seu mais ferrenho fã atual.

À la santè

Há dez anos espero para tomar o champagne prometido pelo ex-técnico de Gustavo Kuerten, Larri Passos. Na verdade, desisti faz tempo, porém tenho em mente excelentes alternativas enológicas para a semana. A promessa foi feita em um sábado como este, às vésperas do início de Roland Garros, após Gustavo Kuerten vencer a última rodada do qualifying, garantindo a estréia na chave principal do torneio que marcaria sua carreira, algo sempre válido para uma celebração.

A alegria de Kuerten durou pouco, eliminado na primeira rodada por Wayne Ferreira, então 11º do ranking. A partida aconteceu em um fim de tarde encoberto e teve como testemunhas alguns gatos pingados na quadra 11. Kuerten, então com 19 anos, jogou bem para as circunstâncias, mas foi derrotado em três sets. Porém, pegou gosto pelo cenário que o deixaria famoso e onde reescreveria a história do tênis brasileiro. No ano seguinte, tornou-se uma das maiores surpresas da história ao vencer como 62º do ranking. Algo como se Novak Djokovic, promissor sérvio de 19 anos, 63º no ranking e de quem a maioria dos fãs nunca ouviu falar, vencesse este ano. Este é o primeiro Roland Garros sem Kuerten desde então. Sua ausência torna o evento um pouco mais vazio para os fãs brasileiros. Quem viu, viu, quem não viu não acredito que vá ver algo igual.

O torneio é o mais atraente do circuito pelas características técnicas excepcionais e por ser realizado em uma das cidades mais charmosas do planeta. Esse casamento o torna único e imperdível, com ou sem Gustavo Kuerten. Nestes dez anos teve um sabor especial para os brasileiros, especialmente os que fizeram questão de acompanhar in loco. Mas o Aberto da França, jogado desde 1891, em Roland Garros desde 1928, segue sendo um sucesso de público e objeto de desejo de fãs e tenistas do mundo inteiro. Não há tenista que não cresça sonhando em levantar a taça na Quadra Philippe Chatrier – taça que não leva para casa e sim uma pequeníssima réplica. Assim como não há real fã do esporte dos reis que não tenha acompanhado o torneio pelo menos em uma ocasião, ou sonhe em fazê-lo. Os franceses abraçam o evento apaixonadamente e fizeram dele o must do início da primavera. A capa das principais revistas, das de moda às de atualidade, homenageiam o evento. A cobertura local da imprensa escrita e da TV é da proporção de uma Copa do Mundo no Brasil. O estádio recebe cerca de 400 mil pessoas na quinzena e a esta altura ingressos só nas mãos de cambistas.

O evento masculino terá como atração à parte a rivalidade entre Roger Federer e Rafael Nadal. O suíço tentará provar que é um campeão em qualquer piso, dos Grand Slams só falta vencer no saibro, enquanto Nadal, atual campeão, é o homem a ser batido.

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