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segunda-feira, 22 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 11:42

Novo sócio

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Novak Djokovic matou a cobra e mostrou o pau. Ele bem avisou antes que entraria em quadra pressionando desde o início e que não estaria ali para “jogar bem” e sim vencer. Ele assumiu que queria o título, até para não ter que entrar mais no clube “de favor”, já que o Mônaco é sua residência. Foi uma das poucas vezes que o milongueiro assumiu a responsabilidade prematura e publicamente, já que ele, como seu oponente de ontem, geralmente gostam de jogar a responsa para longe de si. Foi uma interessante troca de estratégia pré-jogo e deu resultado porque, além de falar, executou. Soube, entre outras coisas, usar a vantagem de treinar no local mais do que qualquer outro.

O sérvio começou abandonando ainda mais o estilo de contra-ataque que por tanto tempo foi o seu e que, nos últimos anos substituiu por um estilo mais agressivo que lhe possibilitou bater seus principais adversários e “donos” do pedaço e se instalar no topo do ranking. Ontem, foi um passo adiante. Achou a medida certa de intensidade sem entrar na faixa de risco, uma arte que o tenista adquire com a experiência, quando adquire.

Começou indo pra dentro da quadra, pressionando o revés de Nadal, não permitindo o outro usar o ganchão de forehand. Ficou em cima, com a faca no pescoço do touro, algo que este não está acostumado e não gosta. A coisa foi tão gritante que o sérvio esteve a uma bola de fechar em 6/0, algo que deixou o estádio estupefato e o espanhol incomodado. O rapaz lutou o que pode e fez tudo que sabe para fugir do vexame. Conseguiu defender seu serviço e ainda aproveitou o embalo para quebrar o oponente em seguida, só para ver seus esforços morrerem com terra à vista.

O segundo set foi mais batalhado e decidido na bacia das almas do tie-break, o que mostra que muito mudou no 2º round.

Achei estranho Nadal voltar a dar ângulos ao sérvio, algo que vinha evitando nos últimos confrontos. Assim como achei estranho Nadal ter algum sucesso com a mudança de ritmo graças ao slice, só para imediatamente abandonar a tática. De qualquer maneira, passado o elemento surpresa, que tão bem funcionou de início, o confronto entrou no padrão habitual de ambos.

Com todas as variações de táticas e estratégias por parte de ambos, e por conta das alterações emocionais que uma partida dessas impõe, algo prevaleceu na hora da onça beber água. Hoje o macho-alfa do pedaço é Novak Djokovic. Quando os cornos se chocam, o que mantêm melhor seu solo é o sérvio. Na hora de sacar os revolveres não é mais ele quem pisca, como por um bom tempo aconteceu. Hoje, ele tem o respeito, adquirido por tudo que mostrou em quadra nas últimas temporadas, deixando claro que se alguém quiser levar, vai ter que passar por cima dele – nada será de graça, como tanto acontece para os cachorrões, que muitas vezes vencem partidas por conta de cara feia, rugidos, fama e cardeneta.

Muita coisa aconteceu no 2º set, mas tudo foi decidido no tie-break – que diferença de um quase pneu para um TB! Mas, nessa hora, a confiança de Novak falou bem alto. Enquanto Nadal queria alongar os pontos, acabou por se frustrar em erros. Ao contrário do outro, que teve a frieza para cortar tanto os erros, como as chances dadas ao adversário e ir para a vencedora, como no 6/1 e match-point. Agora muita água vai rolar e em Roland Garros esses dois vão poder decidir quem é que manda na Philipe Chartrier. Até por isso, os franceses já começaram testar a água sobre uma possível mudança no fazer da chave do evento, para evitar um confronto prematuro de ambos. Mas isso é uma outra história.

Djoko – beija que é o MCCC.

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