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Arquivo de abril, 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013 Tênis Masculino | 15:25

Barcelona

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Nos anos setenta, quando fui pela primeira vez ao Torneio de Barcelona, a Espanha era um país triste, sob o peso de uma ditadura, algo não tão estranho para quem vinha do Brasil. O franquismo fizera questão de manter o que havia de mais retrógado na sociedade. Entre outras coisas, como as mulheres sempre me chamaram a atenção, foi com tristeza e assombro que descobri que elas usavam o negro como padrão, e não estou falando do pretinho básico, e sim aqueles vestidos do luto que por uma razão ou outra a maioria das mulheres acima de 35 anos pareciam escolher.

O país era mais pobre que atualmente – apesar de que já se vão alguns anos que não vou à Espanha, mas na época das Olimpíadas estava bombando – em especial após a derrocada econômica que atualmente mantêm 30% da força produtiva sem emprego, o que não sei como não causou maiores transtorno sociais, ainda, fato que Rafael Nadal mencionou en passant na cerimônia de entrega de prêmios ao agradecer aos patrocinadores que se mantêm fiéis. Imagino que Ion Tiriac, dono do Torneio de Madrid, e alguém que não tem o menor senso de “home”, por conta disso já deve estar matutando seu próximo passo, caso os patrocinadores espanhóis comecem a vazar. Tiriac abandonou a Alemanha, para onde tinha ido por conta do boom causado por Becker e Graf, e foi para a Espanha por conta do boom espanhol que começou antes de Nadal, mas atingiu seu ápice com o Animal.

Se a Espanha era pobre então, os sócios do Real Club de Barcelona não demonstravam. Ali era a elite da cidade que frequentava e, lhes asseguro, há poucas coisas mais desagradáveis e presunçosas do que um espanhol metido a besta. O bar e restaurante eram “bem” frequentados por madames e suas joias e senhores com paletó e gravata e qualquer hora do dia. Os tenistas, com seus trajes esportivos, não eram exatamente parte da mobília do local. Tinham seu espaço, mas eram olhados um tanto de cima para baixo pelos Dons locais. Como em tudo, há as generalidades e as exceções.

As moças espanholas viviam entre a clausura e o sentimento que estavam perdendo a tal da revolução sexual que varria boa parte da Europa e das Américas. Eram reprimidas, mais pelas sociedade do que pelos desejos, e com uma boa conversa eram capazes nos presentear com o melhor da fúria espanhola. Eu ignorava os engravatados e concentrava minhas energias naquelas moçoilas que, pelo menos, tinham abandonado o luto do dia a dia. Definitivamente Barcelona tinha seus encantos, mesmo no pedante Real Club.

A quadra central hoje é bem maior, o local bem mais democrático, e na época eles já haviam movido a Central do seu local original de frente à sede do clube, como é quase sempre o padrão nos clubes europeus de tênis, para duas quadras secundárias que abrigavam para o evento uma quadra única com as arquibancadas temporárias de metal, algo que os tempos atuais transformaram também em padrão.

O clima desta época ainda é um tanto difícil, mesmo na costa do Mediterrâneo, e pode ficar um cão por conta da chuva o frio que ainda fustiga a cidade no início da primavera. Mais duas semanas e a cidade ficará uma maravilha.

Este ano, a chuva acabou sendo um protagonista do evento, forçando as semifinais a serem jogadas simultaneamente, o que deve ter esvaziado a vitória do Almagro. Na final, os tenistas foram obrigados a jogar debaixo de garoa brava, algo nem um pouco inédito na Europa – em Munique e Hamburgo pode ficar ainda pior. Aqui no Brasil já vi juvenis saírem correndo da quadra nos primeiros e escassos pingos de garoas passageiras. O publico presente pintava as arquibancadas de cores escuras; muitos azuis escuros, alguns vermelhos e raríssimos amarelos para os casacos de chuva. Todos eles encapuzados e ensopados ao final da partida, o que prova que o público não arreda pé quando Nadal está em quadra e o piso do Real Club de Barcelona é de primeira qualidade.

A partida nada apresentou além do que esperávamos. O início chegou a iludir o narrador da Sport + que confessou imaginar que o freguês Almagro fosse mudar a caderneta ao abrir 3×0. Nadal já saiu de dezenas de situações mais bicudas do que aquela e não contra tenistas que se ele der uma meia encarada entregam a rapadura sem maiores ameaças.

Para a torcida brasileira sobrou mais um título do mineirinho Bruno Soares, que vai construindo sua carreira recebendo somente do lado das vantagens, algo que ele vem aprimorando a cada temporada. Imagino se ele, assim como eu fiz durante anos, manteve o corpo aquecido com os deliciosos chocolates quentes, batidos na máquina e servidos com um croissant quentinho no pires – essa uma das caras lembranças que guardo não só do RCB como da Espanha. 

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quinta-feira, 25 de abril de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 12:01

Instáveis

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Finalmente as incertezas do tênis ajudaram um pouco o Bellucci. Quando ele chegou ao Real Club de Barcelona e viu que poderia pegar o ranheta Ferrer na segunda rodada não deve nem ter ficado estressado. Talvez um pouco frustrado.

Pelo menos pegaria um convidado na primeira rodada, o que, teoricamente, era uma boa. Provou ser, apesar dele ter dado aquela flertada com o perigo.

O que ele não contava, e quem contava, era com o maluco do Tursenov eliminar o Ferrer logo de cara. Não assisti e não posso imaginar o que aconteceu. Sei que ventou muito durante o jogo, o espanhol não jogou nada, a ponto de dizer que foi sua pior partida nos últimos 15 anos, que se não é um exagero é muito tempo. Um detalhe: foi a primeira partida que Ferrer jogou desde Miami, quando teve bola para vencer Murray na final e, numa decisão instintiva e que vai lhe assombrar para toda a carreira, parou a bola, desafiou e errou. A ver quanto aquilo mexeu com a cabeça do rapaz. Só imagino que não fez muito bem para a cabeça do operário olhar a chave, ver o Rafa nela e descobrir que ele, Ferrer, era o cabeça #1.

Voltando ao Tursenov. Ele sempre foi mais instável do que a minha internet em dias de chuva. Imagino que o Belo se deu ao luxo de um pequeno sorriso ao saber de sua vitória. Aliás, o rapaz tem fama de ser uma mala sem alça, pelo menos é o que ouço. O que sei é que uma época escrevia um blog para o site da ATP (aliás a ideia, que era ótima, sumiu) e a sua escrita era, de longe, a melhor de todas entre os tenistas. Divertida, para dizer o mínimo.

Não vi também a vitória do brasileiro sobre o russo/americano – aliás, alguém viu? E se viu, onde? O placar – 4/6 6/1 6/2 – fala montanhas sobre ambos os tenistas, algo que deixo para as imaginações tenisticas de meus leitores. Pelas quartas de finais, Bellucci enfrenta o vencedor de Kohlschreiber e Klizan. Os dois estão no 3o set, interrompido pela chuva. Já que tem zebra solta, que venha o eslovaco.

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quarta-feira, 24 de abril de 2013 História, Wimbledon | 12:50

Aumento salarial

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Como em toda negociação que almeja o sucesso, a conversa entre tenistas e federações proprietárias de torneios do Grand Slam ficou, boa parte do tempo, restrita a quatro paredes. Como toda negociação que envolva algum tipo de sindicalismo, elas só começaram e foram adiante após um período de pressão, quando não de ameaças veladas. O que os tenistas aprenderam com o tempo foi usar a maior exposição que têm a seu favor.

Os tenistas boicotaram Wimbledon em 1973, o que, entre outras coisas, solidificou a recém criada ATP. Naquela época quase todos os melhores ficaram de fora (foram 81 boicotando), por conta da eterna briga entre jogadores e cartolas. A FIT suspendera um iugoslavo, Pilic, por não jogar a Copa Davis e os tenistas não queriam mais esse tipo de musculatura pra cima deles. Jogaram os tenistas da cortina de ferro, porque ou jogavam ou não poderiam mais sair de seus países. O tcheco Kodes bateu o russo Metreveli na final. Muitos outros jogaram porque viram uma oportunidade de se dar bem – sempre tem isso também. Foi também a primeira participação de Borg, então com 17 anos.

Na época, a repercussão perante o público foi totalmente negativa, já que a imprensa britânica ficou com os organizadores e taxava os tenistas de mimados. Consequentemente o público ficou contra os tenistas amotinados e abraçou os que compareceram. Mas a ATP segurou a onda e o tênis mudou para sempre. Não dá para comparar as duas épocas, do tênis e do mundo, assim como não se pode comparar tenistas de então e de hoje.

Os torneios, especialmente os GSs, continuam sendo mega eventos, mas em tempos atuais os tenistas tornaram-se também mega importantes e, acima de tudo, aprenderam a utilizar a mídia disponível a eles. Fica mais difícil Wimbledon proclamar que é mais importante que os jogadores, como foi sua postura por mais de um século.

Rod Laver não estava na sala das pessoas a cada evento através de imagens de TV, não tinha sítio na internet, nem todo o universo da internet levando suas imagens e declarações mundo afora, nunca ouviu falar de press manager, não tinha 10 milhões de fãs no facebook e uma multidão de fãs de todas as idades mundo afora. Tudo isso foi utilizado para “vazar” informações que sutilmente sugeriam que os vestiários estavam em indignada revolta, por conta da distribuição de prêmios e o valor de dinheiro que entravam para os cofres das federações, e uma ameaça de boicote contaminava ainda mais o odor de suor dos vestiários.

Muita conversa aconteceu entre os representantes dos GSs e tenistas e seus representantes. Os “donos” dos GS começaram a se mexer e individualmente começaram a apresentar suas propostas de aumento. Cada um que apresentava garantia a presença dos tenistas em suas quadras. Mas todos negando que cederam à pressões. Os aumentos, afirmam, foram de livre e espontânea vontade, mas quem assistiu Indian Wells viu, logo na primeira fileira, o diretor de Wimbledon, presente para conversas com tenistas.

Desde o primeiro momento, os tenistas bateram na tecla que eles procuravam aumento dos valores nas primeiras rodadas, o que garantia que a majoração atingisse a maioria, que é quem agita os vestiários. Um socialismo esportivo. Os cachorrões também gostam de dinheiro e quanto mais, melhor. Mas, no caso deles, já têm bastante e, a um certo ponto da carreira, se joga mais pela glória do que pelo cash.

Foi levando isso em consideração que o Torneio de Wimbledon divulgou esta semana um aumento de 40% no prêmio distribuído, o que dá para afirmar ser um senhor aumento e deve ter deixado os vestiários com o perfume de gardênia.

O total, para homens e mulheres (estas não pressionaram, mas receberam sua parte) passa a ser U$34.4 milhões, o maior de todos os GSs. Os vencedores receberão $2.4M cada. No ano passado receberam U$1.75. Mas a diferença é mesmo para aqueles que naufragam no evento qualicatório e nas três primeiras rodadas da chave principal. Os primeiros terão um aumento de 41% e os outros de 60%! O evento de duplas teve um aumento de 22%, o que deve ter deixado os mineirinhos felizes.

Provando que a grana não é um problema em Wimbledon, os ingleses anunciaram também que vão cobrir a Quadra 1 para o torneio de 2019, quando terão então duas quadras cobertas. Dizem que a decisão foi feita entre piadinhas a respeito da eterna falta de quadra coberta no U.S. Open.

Nic Pilic, pivô do boicote em 73′, mais do que acertou suas contas com a Copa Davis. Jogou pela Iugoslávia, foi capitão da campeã Croácia, técnico da Sérvia e capitão da Alemanha, derrotada pelo Brasil no Rio de Janeiro em 1991.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 11:42

Novo sócio

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Novak Djokovic matou a cobra e mostrou o pau. Ele bem avisou antes que entraria em quadra pressionando desde o início e que não estaria ali para “jogar bem” e sim vencer. Ele assumiu que queria o título, até para não ter que entrar mais no clube “de favor”, já que o Mônaco é sua residência. Foi uma das poucas vezes que o milongueiro assumiu a responsabilidade prematura e publicamente, já que ele, como seu oponente de ontem, geralmente gostam de jogar a responsa para longe de si. Foi uma interessante troca de estratégia pré-jogo e deu resultado porque, além de falar, executou. Soube, entre outras coisas, usar a vantagem de treinar no local mais do que qualquer outro.

O sérvio começou abandonando ainda mais o estilo de contra-ataque que por tanto tempo foi o seu e que, nos últimos anos substituiu por um estilo mais agressivo que lhe possibilitou bater seus principais adversários e “donos” do pedaço e se instalar no topo do ranking. Ontem, foi um passo adiante. Achou a medida certa de intensidade sem entrar na faixa de risco, uma arte que o tenista adquire com a experiência, quando adquire.

Começou indo pra dentro da quadra, pressionando o revés de Nadal, não permitindo o outro usar o ganchão de forehand. Ficou em cima, com a faca no pescoço do touro, algo que este não está acostumado e não gosta. A coisa foi tão gritante que o sérvio esteve a uma bola de fechar em 6/0, algo que deixou o estádio estupefato e o espanhol incomodado. O rapaz lutou o que pode e fez tudo que sabe para fugir do vexame. Conseguiu defender seu serviço e ainda aproveitou o embalo para quebrar o oponente em seguida, só para ver seus esforços morrerem com terra à vista.

O segundo set foi mais batalhado e decidido na bacia das almas do tie-break, o que mostra que muito mudou no 2º round.

Achei estranho Nadal voltar a dar ângulos ao sérvio, algo que vinha evitando nos últimos confrontos. Assim como achei estranho Nadal ter algum sucesso com a mudança de ritmo graças ao slice, só para imediatamente abandonar a tática. De qualquer maneira, passado o elemento surpresa, que tão bem funcionou de início, o confronto entrou no padrão habitual de ambos.

Com todas as variações de táticas e estratégias por parte de ambos, e por conta das alterações emocionais que uma partida dessas impõe, algo prevaleceu na hora da onça beber água. Hoje o macho-alfa do pedaço é Novak Djokovic. Quando os cornos se chocam, o que mantêm melhor seu solo é o sérvio. Na hora de sacar os revolveres não é mais ele quem pisca, como por um bom tempo aconteceu. Hoje, ele tem o respeito, adquirido por tudo que mostrou em quadra nas últimas temporadas, deixando claro que se alguém quiser levar, vai ter que passar por cima dele – nada será de graça, como tanto acontece para os cachorrões, que muitas vezes vencem partidas por conta de cara feia, rugidos, fama e cardeneta.

Muita coisa aconteceu no 2º set, mas tudo foi decidido no tie-break – que diferença de um quase pneu para um TB! Mas, nessa hora, a confiança de Novak falou bem alto. Enquanto Nadal queria alongar os pontos, acabou por se frustrar em erros. Ao contrário do outro, que teve a frieza para cortar tanto os erros, como as chances dadas ao adversário e ir para a vencedora, como no 6/1 e match-point. Agora muita água vai rolar e em Roland Garros esses dois vão poder decidir quem é que manda na Philipe Chartrier. Até por isso, os franceses já começaram testar a água sobre uma possível mudança no fazer da chave do evento, para evitar um confronto prematuro de ambos. Mas isso é uma outra história.

Djoko – beija que é o MCCC.

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Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 01:50

Na Turquia

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Uma coisa de cada vez. E começamos pelo o que é mais importante para nós brasileiros. Eu sempre achei que os ares da Turquia faz um bem danado. Poucos anos atrás passei um mês por lá e foi uma das melhores viagens que já fiz. O que me fez bem então fez muito bem também a dois jovens tenistas brasileiros.

Bia Maia, que completa 17 anos o mês que vem, ganhou mais um torneio profissional – é o seu quarto e o segundo em 2013 – desta vez na cidade de Antalya, na maravilhosa costa do Mar Egeu. Duvido que Bia tenha tido muito tempo para ver muita coisa por lá, além das quadras de terra tão verdes quanto o mar da região. A cidade é a “capital” da riviera turca e um lugar maravilhoso para passear. São três torneios seguidos no mesmo local, no mesmo Belconti Resort Hotel – este foi o segundo – na semana passada Bia perdera nas quartas de final.

Quem fez ainda melhor uso ainda dos ares turcos é o cearense Thiago Monteiro, 19 anos, que venceu o seu segundo torneio consecutivo – teve que passar pelo qualy em ambos! – no mesmo local onde Bia venceu. É também o quarto título da carreira profissional de Thiago. Além das coincidências turcas, ambos são canhotos e considerados esperanças da nova geração do tênis brasileiro.

Não tão importante, mas tão excitante, pelo menos para mim e alguns colegas, foi a conquista neste fim de semana, do interclubes de 60-65, pelo Clube Pinheiros, batendo na final o eterno rival Paulistano. O confronto foi decidido na bacia das almas (3×2), nas duplas, esta com a parceria Cleto e o colega Romeu Barbosa. Vou dormir como um anjo, com meus sonhos protegidos e embalados pela deusa Nike, que também guardará e iluminará os sonhos da Bia, do Thiago e do Novak, sobre quem escreverei amanhã. Boa noite.

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sábado, 20 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 12:07

Natureza humana

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Sob extrema pressão o ser humano volta a sua zona de conforto – o tenista não é diferente.

O Mascara Fognini quando descobriu que ainda não tem cacife para enfrentar o Djoko simplesmente abandonou a luta, o que deve ter deixado seu técnico espanhol irado e a sua torcida italiana decepcionada. O cara ainda não descobriu que para ganhar de jogadores como Nadal e Djokovic o tenista tem que estar pronto para colocar a alma no jogo e o sangue pela quadra. E o tal do Fognini, com suas habilidades e facilidade de bater na bola, ainda prefere, nessas ocasiões, se refugiar naquele andar displicente, no ar de enfado e na aparência de quem não está assim tão a fim. Essa fuga emocional e camuflada é mais velha do que andar pra frente nas quadras de tênis, pelo menos para quem já empunhou a raquete em cenário competitivo, mas ainda convence o emocional do italiano.

Não é algo tããão distinto, mesmo sendo diferente, com o Tsonga. O cenário da semifinal de hoje em Monte Carlo me lembrou o de Miami 2012 quando ele também enfrentou Rafa Nadal. Naquela ocasião, o espanhol tinha 6/1 5/2 quando eu decidi sair à francesa para evitar o caótico transito de fim de jornada. Só para descobrir que o francês começou a arriscar tudo, o espanhol vacilou e quando cheguei ao hotel a partida estava no início do 3º set. Minha mulher, fã do “tão fofo” chegou a pedir o divórcio.

Hoje, o touro de Majorca enfiou 6/3 5/1, até Tsonga decidir que era a hora de botar fogo no principado, indo para o tudo ou nada, tática mais velha do que o Simca Chambord quando o tenista percebe que a vaca foi pro brejo e que mais nada tem a perder. Como o francês tem golpes para incomodar qualquer um, desde que entrem, como o saque e a direita, conseguiu quase virar o jogo. Êta “quase” maldito. Levou para o tie-break.

Mas aí, como também é da natureza humana, Tsonga viu que tinha um pássaro nas mãos e queria outro. Esse outro era ir para o 3º set e ter a possibilidade de vencer a partida. Para tal, abriu mão da tática suicida, só para, mais uma vez, ver o espanhol ir para a final de Monte Carlo. Sei.

Amanhã os dois tarados decidem que é o rei da cocada monegasca.

Tsonga e o bicão…

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sexta-feira, 19 de abril de 2013 Tênis Masculino | 14:44

Fabio Fognini vc Richard Gasquet 7/6 6/2

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Um tenista italiano não começa a trabalhar com um técnico espanhol impunemente. Pode-se até dizer que um tenista francês não trabalha com um técnico italiano impunemente, mas aí já é sacanagem.

A escolha de Fognini pelo técnico Jose Perlas era de quem procurava sarna para se coçar, já que o italiano era um dos mais acomodados do circuito. O cara jogava em câmera lenta. Com certeza foi pelo desafio de motivar e mexer com os brios de um talento que o espanhol encarou o desafio. A parceria começa a mostrar resultados, semifinal de Monte Carlo é um ótimo resultado, e, para quem lembra, ter vindo para a América Latina foi um investimento visando o circuito europeu de um tenista que vivia na sua zona de conforto.

A vitória do italiano, que começa agora a jogar quase a metade do que achava que jogava, sobre o francês Gasquet, fala alto sobre os dois. O Gasquet continua o mesmo. Um talento enjaulado em uma mente juvenil que procurou um bom técnico italiano para lhe ajudar. E algum sucesso eles vem tendo, o rapaz se enfiou entre os top10. Mas hoje, após perder o primeiro set, ele simplesmente largou o jogo.

Agora, ou tinha muito italiano na quadra central do MCCC, o que não é difícil já que estão a poucos quilômetros da fronteira, ou o cara tem suas questões com a torcida francesa, o que também não seria tão difícil de entender. O fato é que a torcida estava muito mais com o italiano do que com o francês – não custa lembrar que ali é praticamente França.

Fognini – saindo da zona de conforto.

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quarta-feira, 17 de abril de 2013 Tênis Masculino | 13:15

Flagra

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Interessante a partida entre Djoko e Youzhni. O russo é sempre interessante de jogar pela variedade, especialmente do lado esquerdo – seu slice é bonito como poucos e muda para o backhando coberto com facilidade que encanta. Mas já não tem mais a mesma determinação de antes. Até que hoje se apresentou bem, o que não surpreende, já que o adversário e local inspiravam.

Djoko é mesmo um milongueiro e nem mesmo contra um russo consegue colocar a maioria da torcida do seu lado, o que deve ser um tanto frustrante para um personagem que fora das quadras é bem simpático. Em Monte Carlo esperou até o ultimo instante para confirmar aquilo que todos já sabiam; que iria jogar. Não mostrou nem um sinal de incomodo no tornozelo, correu como sempre e venceu como quase sempre. Se mostrou algum vacilo foi só pelas saudades das quadras de terra.

Youzhny até que teve chances de ganhar a partida porque é um belo jogador e nunca deve ser desconsiderado. Venceu o primeiro set e virou o terceiro. Jogou bem uns três games no set decisivo, mas na hora da onça beber água não mostrou a vontade de ganhar que sobra no adversário e que fez dele um eterno bom coadjuvante.

Interessante foi o flagra das cameras de Rafa Nadal, já trocado após sua vitória sobre Matosevic, em uma janela da sede do Clube acompanhando o final da partida. Talvez para ver se o russo aprontava alguma, mas só para ver que o sérvio enrola, mas não falha. Eles só se encontram em uma possível final.

Legal a vitória em dois sets do mascarado e habilidoso Melzer sobre Almagro. Berdich passou por Granollers, Murray por Vasselin, o vanilla Nieminem acabou com as ilusões do Raonic e o Monaco com a festa do Gulbis que segue aprontando em quadra, levando punições juvenis  e passando por otário.

Djoko – quem olha…

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terça-feira, 16 de abril de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 10:57

Prêmio Coração

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A tenista brasileira Paula Gonçalves, treinada por Carlos Kirmayr, foi uma das quatro premiadas hoje pela FIT com o “Heart Award”, ou o Prêmio Coração, pela sua participação na rodada de Fevereiro da Fed Cup.

Dez tenistas são apontadas por um painel de sete indicados pela FIT, entre eles ex-tenistas e jornalistas, e entre os escolhidos quatro são eleitos por votos públicos através do site da Fed Cup.

Além de Paulinha Gonçalves, Hantuchova, Agnieszka Radwanska e Galina Voskoboeva foram eleitas.

Paula venceu as cinco partidas que jogou – quatro simples e uma duplas. Ela foi a única que não passou para a rodada seguinte, já que o Brasil não se classificou. Dessa maneira ficou a conquista pessoal de Gonçalves, em quem Kirmay coloca a fé que nos próximos dois anos vai progredir muito. As outras receberão seus prêmios quando do próximo confronto. A FIT não informou como Paula receberá o seu. Além do prêmio, cada tenista tem direito a uma quantia em dinheiro para entregar a uma instituição de caridade. O da brasileira, no valor de U$1.000,00.

Paula fazendo a bola andar.

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segunda-feira, 15 de abril de 2013 Masters 1000, Tênis Masculino | 09:06

Sócio do MCCC

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Diz a lenda que o vencedor do Aberto de Monte Carlo recebe, à parte do prêmio em Euros, um título do charmoso Monte Carlo Country Club, um dos mais fechados e desejados da Europa. Como Rafa Nadal já venceu oito títulos consecutivos, fico imaginando se ele pode distribuir seus direitos para outros membros da família, e também amigos, porque não sei se a família é tão grande.

O fato é que o espanhol segue vivendo na Ilha de Majorca e, presumo, só põe os pés no Mônaco durante o torneio – assim os títulos do MCCC não lhe trazem grande benefício. Ao contrário, por exemplo, de Novak Djokovic, que adotou residência no principado, porque a vista é legal, e treina bastante no clube, sempre como convidado, afinal é o #1 do planeta, mas sem as regalias, ou o prestigio, de um sócio, já que nunca conquistou o torneio, nem o direito ao título do clube. Isso é uma das dificuldades de ser contemporâneo do Animal.

Apesar de Nadal ser “só” cabeça-de-chave #3 do torneio e estar passando por um momento delicado na carreira, por conta de seu joelho, as bolsas de apostas devem estar bombando o nome do espanhol como favorito. Ele é o homem a ser batido. Resta saber por quem. Federer jogou a toalha e nem apareceu. Está escolhendo a dedo seus eventos e o quintal do Nadal não faz parte da lista. Djokovic, o eterno milongueiro, faz um doce danado para confirmar, ou não, sua presença e já estamos no segundo dia do torneio, por conta da torção que sofreu no primeiro set, na ultima partida da Copa Davis, quando venceu em três sets. Pelo menos já tem uma boa desculpa preparada em caso de ficar, mais uma vez, sem o título do MCCC.

Murray anda dizendo que nunca chegou tão bem preparado para o saibro como desta vez. Não sei dizer por que, já que até outro dia só estava jogando sobre quadras duras, mas será interessante ver se o escocês vai “tentar” se dar melhor nesse piso nesta temporada.

Nadal tem oito títulos consecutivos e só perdeu na sua primeira participação no evento, em 2003, na 3ª rodada, para o argentino Coria, que foi ouvido dizer em uma bar de Buenos Aires que do Nadal, em Monte Carlo, nunca perdeu.

As quadras principais do MCCC, que no torneio viram uma.

Vestiário do MCCC, banho à porta fechada.

Enquanto isso Federer treina na terra em algum lugar desconhecido. Pelas rochas, na Suíça, e em local sem o glamour de Monte Carlo. Como se ve, não é preciso muito para um bom treino, apsar que o local transmite altas vibrações.


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