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sexta-feira, 8 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:36

Osmose

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Alguem fugir de suas características é algo que não se pode classificar como fácil ou mesmo normal. Exige uma motivação maior, um despreendimento libertador, uma dose de audácia pessoal, uma consciência das vantagens da humildade construtiva e uma generosa pitada de disciplina.

Por isso, me chamou a atenção o meu leitor e nosso personagem Flávio Bet@, o popular Barão, figura consagrada por aqui, sair um tantinho da sua característica para comentar sobre Thomaz Bellucci – confesso que só não entendi aquele drill, espero que inexistente, já que todas as bolas vão para o mesmo lugar e o tenista-batedor se move!?

Mas, especialmente por deixar claro nas entrelinhas a necessidade de mudanças, porque não dizer providencial fuga de suas características não tão positivas, para uma mudança de rumo na carreira do tenista, algo que ele mesmo se propos dois ou três anos atrás, sonhando com glórias maiores e alegrias enormes a seus fãs que, na verdade, são todos os brasileiros. E, of course, não estou a falar de mudanças na terceirizada área de gerencia de sua carreira.

Abaixo o texto do Bet@:

Eu fico triste de ter acertado (assim como vários aqui) meu pitaco que o Bello não decolaria. Falta a ele os demais ingredientes para transformar seus golpes em um bolo chamado jogador. A tristeza é porque, mais do que o prazer em acertar pitacos, bom mesmo seria ter um brazuka brigando lá na linha de frente.

A questão da contusão preocupa porque, no meio desse dilema se para e vai pra faca ou continua e fica no chazinho milagroso, a carreira não deslancha, seja pra que lado for.

Tenho lido muitos colegas escreverem sobre o Thomaz começar de novo, como o fez o Dumont, ou procurar focar somente no saibro, que é o seu piso preferido. O problema é que ele não ganha quase nada seja onde for.

Alguém aí queria um cenário melhor do que um saibro rápido como o do BR Open para ele cacifar? Pois é, só que ele não usou as vantagens da quadra e bolinha para angariar pontos com seu saque e drive e ainda se enrolou todo na hora de devoluções e rebatidas.

Há algo meio estranho no jogo desse garoto, porque parece que do nada ele desaprende o que já sabia. O guri faz uma partida daquelas contra o Isner (ainda que o Isner não tivesse no seu melhor dia) e depois sofre feito um condenado na gira latina de saibro.

A dificuldade em lidar com a responsabilidade de ser o protagonista quando enfrenta adversários mais fracos já beira o absurdo, pois ele não tem mais 20 anos de idade. Porém, o que sempre me chamou mais a atenção no Bello é a aparente incapacidade de aprender a jogar tênis e não ser apenas um golpeador de peludas.

Pelo tempo de estrada, já era para ele ter absorvido, nem que fose por osmose, diversos conceitos que compõem uma partida de tênis e vão além do famoso drill “duas cruzadas de forehand e uma paralela de esquerda”!

Esse pra mim sempre foi o ponto principal de entrave na carreira do menino e fica escancarado quando se vê o rapaz ao vivo, estampado na expressão dele: não lê o jogo, não escolhe os melhores golpes na hora certa e inventa moda sempre na hora errada.

Com um bom drive e o serviço que sabe fazer ele poderia ir bem mais longe do que vai, tanto que já ganhou seus canecos. Mas como o resto joga contra, a conta de créditos e débitos normalmente fecha no preju.

Trabalhar, pelo que dizem, ele trabalha até mais do que se espera. Porém, para certas atividades, só suor não resolve. O duro é saber se um dia ele vai se libertar das amarras que ele próprio se impõe para poder jogar, como disse o Aviador, leve e sem culpa.

Em todo caso, quando entrar em quadra, estarei por aqui torcendo pelo seu sucesso. É o nosso melhor brazuka e, ainda que menos do que se deseja, consegue um caneco vez ou outra. Então, na falta de tu, vai tu mesmo …

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