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Arquivo de março, 2013

sábado, 30 de março de 2013 Masters, Porque o Tênis., Tênis Masculino | 00:37

A tática

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BINGO!!!! Eu sei lá quem é esse Zaca Zaca Mulungu, que de vez em quando por aqui aparece, só espero que nao seja nome dele, porque aí é sacanagem, mas o cara mostrou que conhece.

Bolas direcionadas ao centro da quadra, tirando o angulo do Berdich era a estratégia principal do Gasquet. O tcheco é um tenista que precisa atacar o tempo inteiro e não lhe é interessante pontos longos. Com bolas no centro, alternando alturas e velocidades, o francês o obrigava criar angulos e aumentar o risco, fazendo com errasse precocemente ao exagerar os angulos.

O resto, como contra atacar de revés na paralela, como elemento de surpresa, e sacar praticamente 100% dos primeiros serviços, no lado da vantagem, em direção ao centro, e devolver longa e alta ou slice e rasante no centro, também alternando alturas e velocidades, era o início da estratégia.

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sexta-feira, 29 de março de 2013 Tênis Masculino | 20:37

Abílios

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Alguns dos meus queridos leitores creem que Haas perdeu o jogo para o Operário Ferrer, 6/3 no 3º set, por conta de cansaço. Daqui a pouco alguém vai aparecer por aqui afirmando que crê em Papai Noel. Cansou quando; depois de fazer 2×0 e perder o saque, jogando o pior game da partida até então, ou depois de fazer 3×1 e saque e aproveitar o embalo para perder cinco games seguidos.

Depois de nos encantar a semana quase inteira, nos fazendo acreditar que o mundo pode ser prático e lindo ao mesmo tempo, Haas deixou seu genoma falar mais alto, como se poderia ser diferente, e voltou a encolher na hora da onça beber água, algo que, para seu desespero, foi sempre sua marca registrada e o empecilho para maiores glórias.

Agora resta torcer pelo Gasquet, para ver se um dos “abílios” vai para a final, ou se será mesmo entre dois “corredores”.

Aliás, para nossos leitores, uma segunda opção de nos iluminar com as estratégias do Tênis, já que na primeira tentativa alguns tentaram, até vieram com boas opções e visões, mas nenhuma que cravasse a estratégia principal de Gasquet para bater o Berdich. Qual foi a estratégia principal do Ferrer na partida contra o alemão?

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Tênis Masculino | 00:37

Tática

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Se não foi surpreendente, já que tinha um retrospecto positivo no confronto, a vitória de Richard Gasquet sobre o checo Thomas Berdich foi interessante de assistir. Primeiro, porque é sempre divertido assistir o francês, nem que só pelas suas esquerdas anguladas ou aqueles tapas maravilhosos na paralela valem o ingresso e os aplausos.

Mas há a tática também, já que a vitória sobre o tcheco mão pesada vem não só pelas suas habilidades, mas por uma rígida, interessante e pré determinada técnica. Como o Blog está muito bem frequentado, por diversos e determinados connosseurs do nosso esporte que nunca viram slice tão venenoso quanto o que vem da Basiléia, proponho um pequeno exercício para todos. Qual a principal característica(s) da tática usada pelo francês para bater o checo Thomaz Berdich pelo contundente placar de 6/3 6/3? Larguem suas raquetes, levantem do sofá e encarem o desafio. O acertador recebe um free pass para o melhor inferninho de South Beach.

Gasquet – lá vem slice…

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quarta-feira, 27 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:39

Dodô

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Foi uma das melhores e mais interessantes apresentações no tênis profissional dos últimos tempos – e coloquem tempo nisso. Tommy Haas, que um dia foi #2 do mundo, antes de enfrentar alguns problemas que derrubariam os menos fortes, nos brindou com um espetáculo onde não seria uma sacanagem se na saída cobrassem outro ingresso. Se cobram um ingresso para assistirmos certa mesmice com pitadas de desinteresse de alguns tenistas – e Tsonga ontem foi um exemplo disso – mais do que aceitável cobrarem dois para assistirmos o que o Haas nos brindou.

Posso ficar aqui tecendo elogios mil sobre a classe, categoria, finesse, variações, precisão, criatividade, imprevisibilidade do jogo do alemão, mas a esta altura estaria sendo redundante e repetindo comentários já feitos.

Poderia também me estender sobre porque um tenista de 34 anos de repente faz come back como o de Haas. Ou, mais intrigante, os porquês de Haas não ter sido mais consistente na carreira – até para apaziguar os desejos sofasistas que acham que um tem que ganhar todas senão passa a ser um nada – na sua carreira. Óbvio, consistente em vitórias, e vitórias nos grandes e nos importantes momentos que são os que marcam a carreira de um atleta. E, nestes, Haas não foi o campeão que ele poderia e gostaria de ter sido.

No entanto, esse mero, e crucial, detalhe não apaga o enorme talento e tudo mais que ele já fez em quadra e menos ainda é o foco deste Post.

O que eu quero salientar é que a apresentação do alemão tem a tênue possibilidade de criar um novo interesse por um Tênis que caiu no esquecimento e, infelizmente, está mais para ter o destino do Dodô do que se tornar padrão nas academias mundo afora. Até porque muita coisa que Haas faz não se ensina e sim se burila e se aprimora. Mas, seria deveras interessante mais tenistas capazes de “sair da caixa” e fazer o que esse alemão sabe fazer.

Ontem, Tommy nos ofereceu um flashback de mais de uma coisa que foi para o ralo da história. Um slice bem dado, para tirar o ritmo do adversário e da zona de conforto. Idas à rede, como variação, como ameaça, como tática. A arte de se jogar em cima da linha, tirando o tempo do adversário e, mais importante, sempre o ameaçando com idas à rede e assim forçando erros precoces, algo que um dia Federer soube fazer e esqueceu, talvez pelo medo das passadas. Além do que o suíço não tem nem metade do slice do alemão e quem acha que seu slice é mais do que razoável cresceu assistindo futebol ou ainda não cresceu.

Haas nos lembrou, e com sorte talvez tenha ensinado seus colegas, como se posiciona na rede, sem falar de como se voleia, especialmente de revés. É só ver o posicionamento de um Djokovic quando na rede para se ter vontade de chorar. Clássico exemplo foi no ultimo game, quando o alemão invadiu a rede com golpe de direita na paralela, chegou na zona do agrião e fechou o ângulo na diagonal, voleando quase em cima da rede, ao invés de ficar parado três metros atrás da rede, tentando advinhar o lado e terminar passando vergonha.

Haas esteve à vontade do começo ao fim. Se Djokovic não jogou o seu melhor foi porque o alemão não deixou. “Quer ficar ai no fundo correndo atrás de tudo e contra atacando e quando quiser tomar conta da quadra e me colocar pra correr? Nananinanão”. Hass se impôs, tirou o outro de sua zona de conforto, com variações e ameaças e deu de chicote – 6/2 6/4. Alouuuu Federer, bom preparo tático ganha jogo – e ainda acham o Anaconne um bom técnico; não o viram jogar. Pelo menos, sabia volear, e muito.

Dois fatos complementam o Post. A elegância, com pitada de resignação, de Djokovic ao reconhecer a derrota e apertar a mão do adversário como se deve. Campeões também são campeões quando perdem.

Aa cameras bem que poderiam ter completado o espetáculo com mais imagens de Sara Foster, esposa de Haas e um exagero de mulher. Além de ser, de longe, a mais bonita é a melhor esposa/torcedora do circuito, longe de ser uma estrela apagada/retraída ou de ser uma mera viciada em sms. A mulher sabe aplaudir, incentivar e, se necessário, se descabelar e cobrar o maridão. Ontem deve ter feito a festa. Na arquibancada e, espero, depois.

Dodô – ja extinto.

Sara, nas arquibancadas.

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segunda-feira, 25 de março de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:31

Cumprimento complicado

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Eu não vi, mas ouvi dizer que a partida entre Thomaz Bellucci e o malucopolaco Jerzy Janowicz foi um espetáculo à parte em Miami. Isso sem contar que a vitória do Belo foi uma certa zebra sem ser necessariamente uma surpresa.

Vale lembrar que o polaco é mais um gigante (2.02m) sacador do circuito e em pouco tempo de circuito já se transformou em uma figurinha carimbada pelas atitudes em quadra, um tanto fora do padrão. Se esse cara vier a jogar o que promete, vai fazer o MacEnroe sentir saudades do circuito.

O confronto entre os dois se alastrou às arquibancadas do Torneio de Miami, onde o bando de brasileiros presentes cresce a cada temporada – e eles adoram participar. E adoram pegar no pé de uma personalidade como a do polonês. Como este tinha também sua torcida o negócio esquentou, na medida em que esquentam as participações ao redor de uma quadra de tênis. Especialmente porque viram que estavam entrando na cabeça do rapaz.

A situação chegou ao ponto dos dois adversários trocarem abusos verbais em uma das viradas o que levou a galera partir para mais vaias e ataques. Em poucas palavras – virou zona.

Como sabemos, o conflito terminou com a vitória do brasileiro, até porque o outro é mais oscilante emocionalmente do que bipolar longe da risperidona. A curiosidade, que não chega a ser uma novidade, foi o tradicional cumprimento após o término da partida, imagem que vou tentar postar abaixo e deixo aqui o link caso não consiga.

http://twitpic.com/cdt0ap

En passant : o juizão foi o trapalhão voz de FM Kader Nouni, aquele que carrega uma foto do Nalbandian na carteira e sempre encontra uma maneira de complicar ainda mais o que já está complicado.

Às vezes dá certo quando clica na imagem..

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domingo, 24 de março de 2013 Juvenis, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 19:45

Aprendizado

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Pelo segundo ano consecutivo Bia Maia perde na final da Copa Gerdau, o maior evento infanto-juvenil do país e um dos maiores do mundo, razão pela qual arregimenta bons tenistas de todo mundo. Olhando para o copo meio cheio, digo que pelo segundo ano foi à final do torneio.

A não ser que algo sinistro aconteça pelo caminho é natural que Bia venha ser a melhor tenista do país das ultimas décadas. Isso não quer dizer que vá ser, e sim que seria natural. Assim como é natural o talento dela, menina que bate na bola com extrema facilidade desde o início de seu aprendizado. Ela foi formada na Escolinha do Clube Pinheiros e desde os 11 anos impressiona pela naturalidade que golpeia as bolinhas.

É óbvio que o talento e a habilidade natural são muito bem vindos requisitos para um tenista, mas nunca foram ingredientes que assegurassem o sucesso de um campeão. O mar dos esquecidos tem mais ex-talentos do que peixes.

Maia vem conseguindo manter a cabeça acima do nível da água, participando de torneios o ano todo, fazendo um comprometimento total com o tênis. O resto, inclusive estudos, que ela mantêm, é secundário no trajeto de vida que traçou. Mudou de mala e cuia para Balneário Camburiú e lá vem recebendo instrução de quem acredita possa fazer sua carreira vingar.

Como foi incrivelmente precoce, tudo tem sido lucro e não haveria grandes razões para se sentir pressionada com resultados. Mas como o tempo passa e o tênis é um esporte danado, que pressiona a mais lúdica das almas, Bia, que completa 17 anos em Maio, também demonstra que não é fácil viver com as expectativas.

Ela chegou à final da Copa Gerdau, um resultado per si brilhante e totalmente aplaudível, tinha boas chances de ficar com o título, mas ainda falta algo para deixá-la à vontade em um cenário desses.

O saibro das quadras da Leopoldina Juvenil em Porto Alegre tem história, o publico que ali comparece conhece o esporte e sabe que uma arquibancada amigável pode influenciar uma partida. Bia começou solta, animando o público, que adora o enlace de talento e resultados. Do outro lado da rede e do outro lado do mundo, a russa Varvara, moça da mesma idade, sentia a pressão de jogar em lugar estranho, frente a um publico totalmente parcial e uma adversária de talento. Mas, todos os grandes tenistas tiveram que enfrentar e passar por essa situação.

A saída desse labirinto geralmente passa por uma janela de oportunidade que, normalmente, é o adversário que oferece – senão é um caminho sem desvios. O placar da partida, 1/6 6/2 6/1, um placar que já mencionei acontece bem mais no tênis feminino do que no masculino, demonstra algo que hoje deixo para a apreciação de meus leitores. De qualquer maneira, Bia admitiu ao final da partida ter sentido a pressão, admissão que boa parte dos marmanjos tem medo de fazer enquanto elucubram desculpas esfarrapadas – especialmente nos tempos atuais.

Se por um lado vergar à pressão não é o ideal dos sinais, por outro, ter o equilíbrio, a coragem, a sensatez de admitir, exige personalidade e caráter, predicados essenciais aos campeões e pessoas em geral. Se hoje Bia não saiu de quadra com o título que, no fundo de seu coração, sabia, e sabe, ser conquistável, por outro lado talvez tenha aprendido que todo dia é dia de aprendizado e nenhum desses é mais importante que o da final. Pelo andar da carruagem, eu diria que ela viverá muitos outros desses dias para colocar em prática o que espero tenha aprendido hoje.

Bia – A derrota na final dói mais do que qualquer outra. Ensina mais também.

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terça-feira, 19 de março de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 23:32

Coelho maluco

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De vez em quando dá um desanimo! O Blog parece virar uma página perdida do falecido Orkut – pouca coisa que se aproveite, discussões e acusações repetitivas me fazem pensar escrever sobre ballet ou talvez comida tailandesa. Sei lá, será que não conseguem ir adiante de “Nadal é dopado” e “Federer está acabado”?! Impera o raciocínio gangorra – é preciso colocar um pra baixo para levantar o outro. Coelhos malucos que não percebem que o engrandecer de um engrandece o outro.

Nada contra esses dois tenistas, protagonistas da maior rivalidade do esporte branco e atletas que ficariam horrorizados se lessem as bobagens que escrevem por sua conta. São tão importantes para o tênis que o Torneio de Miami já acusou o golpe da ausência de ambos este ano – as vendas de ingressos caíram. É uma das consequências do mundo imperfeito em que vivemos, onde gerentes de carreira são também donos de eventos, para mim um claro conflito de interesses, para a ATP um mero detalhe. Como os donos de Miami arrumaram encrenca com Federer, o suíço fica longe da Flórida. Já Nadal preferiu ir apertar a mão de Larry Ellison e se deu bem.

Na mesma conta dessa ausência de bom senso e ética, leio que o prefeito de São Paulo, que em campanha prometeu acabar com a mamata da “inspeção veicular” mudou o enredo quando chegou ao poder. Quer acabar com mamata de um e criar a mamata de muitos. Ao invés de uma única empresa fazendo a inspeção, quer cerca de 450 oficinas de automóveis as fazendo. Já posso imaginar o cenário: “o seu carro não foi aprovado por conta daquele probleminha ali. Mas aqui mesmo nós arrumamos!” Sei.

Aliás, o calendário do tênis profissional parece trabalho do coelho maluco após tomar uma pílula que makes you big ou talvez a que makes you small. Dois eventos da grandeza de Indian Wells e Miami colados não é um bom cenário. Só não é pior do que Paris e Wimbledon separados por somente duas semanas.

Nenhum brasileiro na chave principal de Miami além de Thomaz Bellucci. Os outros pareceram no qualy, ou mesmo antes dele. Será que algum dos brasileiros que nestas duas semanas jogam os principais torneios juvenis do país – Banana Bowl e Copa Gerdau – mudarão esse cenário? No Banana são mais de 30 anos que um brasileiro não vence a categoria principal – a dos 18 anos. O último foi Eduardo Oncins e adivinhem quem era o técnico dele?

Estive no Clube Paineiras a semana passada acompanhando um jogo do Banana. Quase enlouqueci. A quadra onde acompanhei um jogo de mais de 2h, decidido na bacia das almas do 3º set, foi disputado ao lado de um dos principais caminhos da clube. Ao lado, uma britadeira esmerilhava o chão de cimento e pirava os jogadores. Os caras não pararam um minuto enquanto lá estive. No caminho todos os personagens possíveis trafegavam e conversavam. Eram mães, filhos, babás, pedreiros, carrinhos de obra, porteiros, bombeiros, açougueiros, caras ao telefone berrando com alguém, o diabo. Pior, parte desses desrespeitadores eram tenistas juvenis que lá estavam para competir, mostrando que o mundo está mesmo de cabeça para baixo. Dois tenistas em quadra tentando manter a concentração e um bando deles do lado de fora, conversando, caminhando, indo, voltando, zoando. Algumas dessas meninas foram e voltaram no mínimo umas 15 vezes nessas duas horas sabe Deus pra onde. Arrehh; pelo o que se propõe a ser, são piores do que o coelho maluco!

E, de repente, um adendo enviado pelo leitor Dumont:

“Loucos como uma lebre de Março” – já dizia a velha expressão inglesa que originou o personagem “Lebre de Março” de Lewis Carroll no fantástico “Alice no país das maravilhas”. Interessante, que coincidentemente estamos em Março. Neste período, na Europa, a chegada da primavera celebra o período de acasalamento das lebres. Daí a loucura, no caso, a tara. Estamos no Equinócio. A propósito, li o livro recentemente, diante de uma desafiadora palestra sobre liderança que tive que fazer em minha empresa. Gostei muitíssimo, do livro e do resultado da palestra. Do livro, daquilo que guardei, ficou muito marcada em minha memória o diálogo entre Alice e o Gato de Cheshire – o gato risonho – mais precisamente no capítulo 6. Desde criança, sempre fui levado pelos desenhos, pela fantasia da imagem, e quase nunca ao livro. Só que, quando descobri o livro, passei a preferi-lo antes da imagem, dos filmes. Hoje, o livro vem primeiro na ordem. Me faz viajar muito mais, pois a imaginação não está pronta, como no filme…pois quem faz a imagem sou eu – do meu jeito e de diversas formas. Esse é o barato da leitura.

Quem não lembra do Gato? Creio que todos lembram. O Gato surge só pela metade, só a cabeça, desaparece aos poucos em cima da árvore…estas são as lembranças. Até que some todo e finalmente temos só o sorriso, a imagem clássica! No livro, de repente, Alice se vê em um dilema e encontra-se com o Gato. É iniciado um diálogo. Ela pergunta: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”. Responde o Gato: “Isso depende bastante de onde você quer chegar”. E Alice: “O lugar não importa muito…”. Finaliza o Gato de Cheshire: “Então, não importa que caminho você vai tomar”.

O diálogo conta de forma bem elegante o fosso que existe entre o “deixa a vida me levar” e o “determinar aonde se quer chegar”. E o reflexo disso, está em nossa sociedade, em nossos ambientes, no nosso dia-a-dia. Somos nós no espelho. O que nos dizem, aceitamos. Até porque não sabemos onde queremos chegar. “Vou com a massa, tô nem aí, seja o que deus quiser…”, passam a ser os ditames das nossas consciências. Que triste.

O esporte e os seus círculos, refletem a sociedade em que estão inseridos. O esporte não mudou, quem mudou foram os homens, sobretudo suas concupiscências. Honestidade, respeito, educação, passaram a ser exceção; quando deveriam ser regra. Que absurdo! Mas estamos aqui, e temos que conviver com tudo isso que nos cerca. Para a massa, o lugar onde se quer chegar não importa muito. Quem está do lado, não importa. À massa, importa se travestir de alguma “persona” e mudar de nome, e, se possível, importunar os outros, escondido por detrás de uma máscara, ou de um “nick”.

Quão desafiador é viver nos dias de hoje. E ter um blog, ainda mais. Mas recomendo ao nobre Cleto um chá, lembrando do Chapeleiro Maluco e da Lebre de Março. Finalizo com o resultado do diálogo entre Alice e o Gato. O Gato diz: “Nesta direção, mora um chapeleiro. E nesta outra, uma lebre de Março. Visite quem você quiser, são ambos loucos”. Alice responde: “Mais eu não ando com loucos”. O Gato diz: “Oh, você não tem como evitar, somos todos loucos, inclusive você”. “Como é que você sabe que eu sou louca?, disse Alice. O Gato finaliza: “Você deve ser, senão não teria vindo para cá”.

Esse Gato vive nos dias de hoje, e entre nós.

abraços

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domingo, 17 de março de 2013 Tênis Masculino | 22:38

Feliz

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Nunca vi Rafael Nadal tão feliz e à vontade após uma conquista de título como hoje na Califórnia. Nem após um Grand Slam. Era uma felicidade diferente, um à vontade mais confortável, como se o tirar de um peso fosse mais importante do que a vitória em si.

Com um braço apoiado sobre o troféu enquanto discursava, deixou isso tão claro quanto o seu longo e “fora da caixa” discurso. Tenho certeza que não foi inspiração no patrocinador-mor, um francês que também saiu fora da caixa em seu discurso. Também duvido que o fato de ter passado Federer no numero de títulos em Masters 1000 (ele agora tem 22) ou mesmo o fato de ter terminado com a ausência de um título em duras desde Outubro 2010 tenham sido a causa. Foi algo mais, uma felicidade que só quem viveu tempos difíceis, frustrações mil e duvidas atrozes e os deixou todos para trás conhece.

Apesar de ser o maior Animal que já vi em quadra, hoje ele teve suas derrapadas, muito provável pelas expectativas que trouxe para a final. Vencer no saibro era quase uma obrigação que ele cumpriu. Vencer na dura, com todos os cachorrões presentes, enquanto ainda havia muitas duvidas no ar sobre as condições de seu joelho – provavelmente mesmo em seu time – é algo sem preço. Imagino que nas contas dele, vencer em Indian Wells estava computada a possibilidade da saída do Torneio de Miami, o que se confirmou logo após a partida ( eu já havia cantado antes e fiquei imaginando se ele teria coragem de fazer e acho que fez o certo) e dá mais uma esvaziada na bola do evento.

Adorei ver o Delpo jogar bem. O cara já recuperou seu melhor tênis e agora, como quando ganhou o US Open, é uma questão de confiança, um predicado vital no seu estilo. Deve ser pesado na cabeça do hermano ter o tênis que tem e nunca ter ganho um Master 1000 – algo que fala alto sobre a dominância de seus contemporâneos. Imagino que isso ainda o pressione e o frustre, como o choro após a derrota entregou.

Indian Well é um torneio que cresce a cada ano – este ano 380 mil na quinzena, números de Grand Slam – e fico a imaginar se o fã brasileiro um dia o irá invadir como fez com Miami. Duvido, somente por razões geográficas. Hoje é mais evento do que Miami, algo que este evento vai correr atrás com seus anunciados investimentos. Para terminar, com uma nota que só acrescenta, Maria Sharapova bateu na final cruzadinha Wozniacki que, ouço, está tentando dar um upgrade em seu tênis. Lembrando, as irmãs Willians tem o evento de Indian Wells na sua lista negra e não colocam os pés por lá. As adversárias agradecem.

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sexta-feira, 15 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:40

Eu não

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Normalmente, trago para os Posts um Comentário diferenciado de alguma forma; na maneira que se apresenta e se expressa, no ineditismo da idéia, no lirismo, que acrescente ou inicie um debate. Pretendo fazer isso com mais frequencia, sempre dependendo do que é apresentado. Alias, ontem, tive tremenda surpresa agradável, quando no meio de uma conversa importante no Clube Pinheiros, foi brevemente interrompido por alguem que se apresentou como o Becker, nosso arquiteto preferido, e que, como ele mesmo confessou, está afastado dos comentários do Blog. Eu havia saído da quadra e ele estava indo para uma – quase cai de surpresa e espero vê-lo novamente por lá.

Voltando ao assunto inicial. Hoje escolhi este texto do Bet@  porque é um texto que se resume a reportar o que aconteceu ontem à noite na partida Nadal x Federer (acho que a primeira vez que inverto a ordem dos dois). Isso, porque simplesmente eu me recuso a escrever sobre um confronto que não aconteceu e que beirou o desrespeito. O mínimo que se espera em um espetáculo pago e envolvendo prêmios em dinheiro é que os participantes se entreguem de corpo e alma ao confronto, algo que ontem simplesmente não aconteceu por parte do Sr. Federer.

Bastaram dois games para se saber o que iria rolar no jogo da dupla dinâmica. No primeiro, serviço do suíço, dificuldade para cacifar e só fechou porque o saque entrou bem várias vezes. No segundo, serviço do espanhol, as devoluções mal voltavam para sua quadra, fechou sem a menor dificuldade. Daí pra frente, era questão de apostas:

– Em qual game Federer será quebrado?
– Quantos games ele conseguirá fazer na partida?

A primeira pergunta escapou por pouco no quinto game, mas no sétimo não teve jeito. Isso ainda porque o suíço sacou bem no começo desse game e fez 40×15. Dali pra frente, tudo errado e quebra. Fazer 4 games no primeiro set foi lucro, como escreveu o Querubim lá pra cima.

A segunda, pelo início do segundo set, apontava para chance de um pneu ou algo próximo. Porém, durante dois games, o quarto e o quinto, Federer jogou um pouco mais de tênis e Nadal um pouco menos. Foram as últimas oportunidades de se ver algo de bom saindo da raquete do Federico. Final: 6/4 e 6/2.

Não há dúvidas que Nadal tem a receita básica para derrotar o suíço, mas há algumas condições mínimas para isso ocorrer. Ontem, parecia que Nadal jogava em Cincinatti e Federer em Monte Carlo, tal a diferença de velocidade da bola de cada um.

O radar do placar mostrava que a velocidade dos saques do suíço eram bem inferiores a sua média, confirmando em números o que se via na quadra. Nas trocas, enquanto Nadal fazia a bolinha voar, Roger parecia estar empurrando as bolas. E quando vinha alta então, parecia um jogador com reumatismo, tamanha a dificuldade em bater de forma decente na peluda.

Nadal tem um revés muito potente e que sempre andou muito, desde que ele chegue inteiro na bola e se posicione bem. Aí, gera uma potência significativa. Quando ele não consegue chegar nessas condições, seu revés é bem mais comum e deixa de ser incisivo. Ontem, com a bola do Federico andando em terceira marcha, foi um prato cheio para o espanhol, que fez aquela festa toda.

Outra coisa que finalmente o Rafa resolveu fazer (e nunca entendi porque levou tantos anos para isso) é usar aquele seu monstruoso forehand como arma de ataque e não só de contra-ataque. Além dessa batida poder variar facilmente entre uma veloz e uma cheia de spin estratosférico, encurta os pontos e mostra quem manda no jogo.

Federer teve um mérito ontem a ser reconhecido: mesmo estando visivelmente torto, foi lá, apanhou calado e permaneceu em quadra mesmo sabendo que ia ser feio. Não houve nenhum c’mon, não vibrou em nenhum ponto e aceitou passivamente sua condição de inferioridade. Morte anunciada. A Mirka até que acreditou um pouco no começo, mas depois relaxou e ficou lá brincando no seu celular, esperando o apito final.

A dificuldade que ele estava em se movimentar lateralmente era evidente, tanto que ele não chegava em algumas bolas que até um manco chegaria sem problemas. Comparando com sua movimentação no AO, por exemplo, a diferença era gritante. Não havia movimentação de pés, mal conseguia fugir da esquerda para bater de direita (tática que usou e resultou em vitória nesse mesmo IW ano passado) e as suas batidas de esquerda nunca completavam o movimento, parava o braço no meio do caminho.

Junto à rede estava duro, não conseguia se posicionar corretamente, não vergava o tronco, tudo que não se deve fazer para um voleio. Fora que as subidas eram quase todas com aproaches curtos, sem velocidade e mal colocados. Seus melhores voleios vieram em cima das poucas bolas que voltaram flutuando e altas, sendo que seu último voleio foi algo patético de se ver.

O único momento em que conseguiu fazer algo decente foi nos dois games que cacifou no segundo set, pois os do primeiro set foram ganhos principalmente por ter conseguido fazer bons saques. Nos games do segundo set que ele ganhou, uma quebra e um serviço seu, jogou dentro da quadra, conseguiu pegar as bolas na subida (só nessas ocasiões sua bola andou um pouco) e devolvê-las fundas, baixas e no pé do espanhol, tanto que foram os dois únicos games em que Nadal errou bastante.

O resto do jogo foi um disparate a favor do espanhol, que foi disciplinado taticamente (como sempre) e não tinha nada a ver com os problemas de movimentação do seu oponente. Jogou muito bem, fora aqueles dois games já citados, atacou muito, sacou bem e fez o seu.

Nas devoluções, Nadal ficou lá atrás, como de costume, e contou ainda a falta de velocidade de muitos serviços do suíço, principalmente o aberto no iguais. A bola vinha tão lenta que, mesmo angulada, dava todo o tempo do mundo para o espanhol chegar nela, se posicionar e meter aquele revés com spin alto lá no fundo, complicando a segunda batida do suíço.

O forehand do espanhol está andando muito e, aproveitando a espantosa velocidade de braço que ele tem, tá conseguindo jogar mais dentro da quadra. A mistura de antecipação na batida com a velocidade gerada está fazendo estragos em cima dos adversários. A movimentação ruim que foi vista no Chile e no Brasil desapareceu e, se não é exatamente a mesma dos bons tempos, está muito próxima disso.

Resumindo: ganhou quem já vinha fazendo um torneio melhor e está jogando bem. O outro, apesar de alguns problemas físicos evidentes, perdeu porque está jogando pior e isso é incontestável.

Derrota da semi do ano passado devolvida, Nadal segue firme para a final, pois é mais fácil o Federer ganhar dele no saibro do que o Berdych fazer isso em qualquer ocasião. Agora, do outro lado da chave, vai sair faísca hoje …

Não foi só eu que não gostei…….

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quinta-feira, 14 de março de 2013 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 10:17

Game, set e match

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Assisti a mais um derretimento mental de Wawrinka, na hora da onça beber água, frente a seu algoz e parceiro El Roger, acompanhado da minha querida mulher, enteado, trancinhas de mel e um pote de sorvete La Basque.

Patricia passou o jogo torcendo pelo suíço errado e falando sobre seu sentimento ambíguo com Federer – coisas de amor e ódio femininos. É lógico que, sempre propenso em ver o circo pegar fogo, eu também torcia pelo Wawrinka. Primeiro porque existe o tema de torcer pelo mais fraco, segundo variações são bem vindas, depois há a minha quase incondicional parceria com a parceira, aliás atenta leitora deste Blog.

Wawrinka jogou como quase nunca e perdeu como quase sempre frente a Federer. O pior é que durante uma boa parte da partida foi disciplinado táticamente, colocando seu maravilhoso revés no revés adversário – literalmente fugindo da direita alheia. Não todo o tempo, e quando não o foi eu aproveitava para apontar o deslize mental à tenista ao meu lado.

O ultimo game foi uma piada – antes disso tenho que dizer que a qualidade do jogo foi altíssima, com dois tenistas de muito talento encantando os admiradores do tênis-arte, algo valioso em dias de Conans armados de raquetes.

Depois de muita briga e bolas maravilhosas (veja o 1o video abaixo), Federer não conseguiu fechar a partida sacando em 5×4 no 2º set. Após uma série de mágicas e vencer o 2º set no TB, Wawrinka tinha que fazer seu serviço, o que vinha fazendo com certa facilidade, e levar a partida para o TB do 3º set. Começou com 0x30 e flertando com erros táticos. No 13×30 deu uma encolhida no braço que me constrangeu a milhares de quilômetros do estádio. No 15×40 pirou. Espera aí, não acabou o jogo e você tá sacando – lute! O rapaz deu uma bola no meio da quadra, quase no centro e na direita do topetudo e foi à rede – imagino que para apertar a mão do Roger! Este ficou tão surpreso com que devolveu na mão, só para Wawrinka volear de volta na direita do bonitão – aí dançou mesmo. Crau, game, set e match!

Mas foi um ponto solto no início do 3º set que causou a polêmica e a irritação do melhor do mundo. Federer sacou aberto no iguais e, raridade, foi à rede, quando foi assaltado pela duvida se o serviço havia sido bom, apesar de nada ter sido chamado.

Com certa displicência voleou a bola na rede, virou para o juiz de cadeira e pediu o desafio de seu próprio saque, algo permitido – desde que dentro dos parâmetros do Desafio. O juizão negou, alegando que ele não interrompera o ponto, fazendo o voleio. Federer alegou que foi tudo muito rápido e o voleio instintivo. O juiz insistiu que fora um golpe a mais do que o permitido. Federer pediu o Supervisor, que só pode regular sobre regras, nunca sobre fatos.

Federer ainda tentou pegar o Supervisor em um contra pé verbal (veja o 20 video abaixo). Ao ser informado que a decisão era de fato e não de regra. Roger disse: quer dizer que você concorda com a decisão?

O Supervisor, com tremenda categoria, respondeu seco que ele não havia dito aquilo que o tenista insinuava, virou as costas e partiu, já que nada mais tinha a fazer por ali e não fica bem em atrasar o jogo. Ponto e jogo para os dois oficiais e quem não entendeu se perdeu.

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