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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:50

O duplista elegante

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Contradições são ótimas para se construir uma história. Em tempos onde a ATP, por conta da pressão dos donos dos torneios, faz um esforço velado para acabar com os eventos de duplas em seus torneios, o Brasil tem em um duplista o seu melhor exemplo atual de um ídolo tenistico.

Algo um tanto conflitante, já que o tênis é reconhecido por seu individualismo e as duplas continuam a ser relegadas para as quadras e horários secundários. Há tempos os melhores tenistas não participam mais dos eventos de duplas, a não ser em casos raros e onde eles tenham algum interesse pessoal, até pelas exigências físicas envolvidas. As duplas ficaram relegadas a “especialistas” que, no frigir dos ovos, são tenistas que não conseguiram emplacar uma carreira nas simples – quase cidadãos de 2ª classe nos competitivos e cruéis vestiários.

Nada disso tirou a determinação dos mineirinhos (Sá, Mello e Soares) que construíram uma carreira nesse nicho e vem alcançando sucesso com ela – sem mencionar que Andre Sá foi quadrifinalista nas simples em Wimbledon. Mas é Bruno Soares que vem conquistando os melhores resultados e a maior reverberação. Afinal, em tempos de Thomaz Bellucci, que já esteve ali entre os 20 melhores do mundo, mas padece em ser um sem carisma – um ser charmoso, carismático, elegante, simpático e vencedor como Bruno Soares faz a festa.

Já tivemos tão bons ou melhores duplistas que Bruno no Brasil. Thomaz Koch, Carlos Kirmayr e Cássio Motta são alguns deles. Motta foi #3 do mundo e Kirmayr #7, o que não é para qualquer um. Ronald Barnes era um mago, nas simples e duplas, com um tênis tão vistoso quanto o de Federer. Jaime Oncins fazia chover em quadra com seus toques e habilidades. A lista e tradição é longa.

Bruno é especial. É aquele cara se distingue dos outros, independente de resultados. É agradável, bem falante, educado, charmoso, sorridente sem a falsidade que muitas vezes acompanham alvos dentes à vista, e ainda nem falei de como é um bom duplista. Além disso, tem arguta percepção de quando deve intervir para fazer uma diferença, característica de um bom líder. Eu já tive a oportunidade de ver isso pessoalmente em algo que manterei privado.

Ontem Bruno deu mais um, sutil, demonstração de seu caráter. Na entrega de prêmios, quando o publico vaiou o organizador do evento – por qualquer ignorância que seja, e não me digam que ele é culpado por termos vagabundos que falsificam e usam ingressos falsos – Bruno deu um longo abraço em Luiz Tavares e fez questão de posar para as fotos segurando o troféu com uma mão e o abraçando com a outra. Esse é o Bruno, que não se omite nem fica como uma macaca pulando na frente de câmeras implorando por atenção, enquanto faz declarações pseudo engraçadas ou estudadamente polêmicas como outros pseudos ídolos se ridicularizam em fazer.

Lembro-me dele ainda jovem, quando ainda queria jogar simples. Não conseguiu, mas não abandonou a paixão. Como todo vencedor procurou uma maneira de se impor na profissão que escolheu. O melhor é que vem melhorando. Sua técnica está mais apurada; saca e devolve melhor, os dois fundamentos do duplista, do que fazia somente um ano atrás. Lembro-me de assisti-lo no ano passado aqui em São Paulo, quando estava mais frágil, especialmente nas devoluções, em especial no revés – deve ter trabalhado bastante, sinal de comprometimento com a carreira, com si próprio e com o tênis.

Às vezes é triste fazer comparações, e então, neste caso, não as farei. Reservo-me em dizer que Bruno – que seguiu a “escola” de Andre Sá, outro tenista com personalidade e características semelhantes a Soares – é um digno representante não só do tênis, mas também nosso; porque sempre considerei tenistas, e outros atletas, verdadeiros diplomatas de nosso país mundo afora.

Bruno Soares e Felipe Tavares

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