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Arquivo de janeiro, 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 18:50

A Davis x EUA

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Nesta sexta-feira mais um capítulo na saga do Brasil na Copa Davis. O país volta ao Grupo Mundial, de onde esteve afastado nas ultimas 10 temporadas e onde não vence um confronto desde 2001, contra o Marrocos, no Rio, na época Guga

Enfrentamos o EUA em Jacksonville, Florida, onde fica a sede da ATP e onde fiquei 6 meses nos meus 16 anos, na primeira vista ao país. Os americanos, que não são bestas nem nada, optaram por jogar em piso rápido indoors. Pelo que falam não está tão rápida, mas duvido que esteja ao gosto de Bellucci e companheiros.

O confronto abre com Bello enfrentando Sam Querrey e, em seguida, Thiago Alves encarando John Isner. Com um pouco mais de time e sorte seria um bom momento. Isner abandonou o AO por conta de dores no joelho e volta às quadras sem testar o joelhito em competição, muito diferente de o fazer em treinos. Querrey não joga bem há tempos. Porém, os dois são pirulões sacadores e dos bons. Belo precisa encontrar forças em algum lugar de seu íntimo, surpreender um pouco e vencer a 1ª partida, senão a coisa fica preta e pode acabar no Domingo. Não é fácil, mas não é tão difícil. O melhor cenário é o Belo vencer o Querrey, o Isner sentir o joelho, o Thiago vencer a partida de sua vida – pode até ser por desistência – e fecharmos em 2×0 – aí vou acreditar em papai-noel.

Tenho certeza que a nossa dupla deve ser o ponto mais confiante de nosso time em possível vitória. Afinal, venceram duas das três vezes que se enfrentaram. Deve ser um bom jogo contra os BrosBryan. Os mineiros tem cacife para ganhar, assim como sobra cacife para os gringos vencerem.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013 Porque o Tênis., Tênis Feminino, Tênis Masculino | 15:33

O desafio

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Foi-se o Aberto da Austrália e ficaram os números do evento. Alguns interessantes e indicativos de como anda o tênis como um todo. Como o desafio é a grande novidade no mundo do tênis…

Os jogadores aprenderam a usar o desafio. Ou não; só aprenderam a pedir o desafio, algo bem diferente. Sempre achei que um tenista consegue dizer se uma bola é fora ou boa, com razoável segurança, especialmente do seu lado. E também, intuitivamente, logo após o impacto em sua raquete.

Foram pedidos 943 desafios no AO. Somente em 29% dos casos os tenistas estavam certos. Os juízes de linha devem se sentir vingados! Foi uma média de 8.51 por jogo masculino e 4.58 no feminino. Só tem cego ou é algo mais?

Entre os homens – e só vou consideram quem fez mais de 10 desafios no torneio – o que teve a pior porcentagem de acerto foi o Baghdatis. Em 16 desafios só acertou uma vez. O Simon teve 16 e dois acertos. Dois fanfarrões.

O melhor foi James Duckworth, que em 12 desafios acertou 6 – 50%!!! De novo, foi o melhor com mais de 10 desafios. O Tsonga acertou 5 de 21. O Murray 8 de 34. Federer 7 de 16. Djoko 11 de 29.

Entre as mulheres, as brincalhonas foram a Jankovic com um acerto em 16 desafios. É melhor não falar nada! A Azarenka 3 em 17! Ivanovic 3 em 15. As melhores foram Sharapova com 7 em 13 e Radwanska 5 em 10. A Na Li até que desafia pouco – 8 vezes e foi à final. Deve saber que é cegueta, pois só acertou duas. A russa Valeria Savinikh só desafiou seis vezes, em três partidas, mas acertou cinco, um fenomeno. Vale o prêmio de consolação.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 00:45

Uma pena

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Uma pena. Os que são meus leitores há algum tempo sabem o quando gosto de encontrar aquele um momento definidor de uma partida. Aquele instante onde o destino é traçado e os deuses, com seu fino e, por vezes perverso, senso de humor gostam de deixar sutis pistas para nos entreter ou confundir.

Alguns são reticentes com essa intuição, não iria tão longe de chamar de premonição, palavra que Hollywood popularizou, mas como dizem por aí: não creio em bruxas, mas que existem, existem. Na verdade estou divagando, porque o negócio tem pouco de esotérico e bem mais de fato e realidade; mas dá para viajar no assunto. Ou vocês nunca pararam para olhar suas vidas e encontrarem aquele momento que os definiu de uma maneira ou outra?

Talvez por conta da final do ano passado a final de hoje ficou devendo, pelo menos um pouquinho. Durante dois sets prometeu e muito. Aliás, a partida teve dois capítulos distintos. Os dois primeiros sets, ambos decididos no tie-break, o terceiro foi ainda um bom preâmbulo e os dois últimos sets um capítulo à parte.

Nos dois primeiros ficou claro o quanto esses dois têm um tênis semelhante e arsenais equilibrados, quando Mr. Murray sentiu o gosto da vantagem. O preâmbulo serviu para mostrar que, pelo menos hoje, Djoko é mais tenista do que ele, e todos os outros, – lembrando que perdeu a ultima final de GS entre ambos – e os dois últimos sets deixou claro que o Djoko quando confiante é difícil de bater e o Murray quando abaixo se abaixa mais.

O mais interessante, olhando historicamente, é quanto foi duro de aparecer uma quebra de serviço na partida. Como não são sacadores, credito um pouco à quadra mais rápida este ano, ao fato de chegarem à final extremamente focados e confiantes. Mais de duas horas e 34 games para aparecer a primeira quebra. Durante esse tempo, os dois defenderam seus serviços com galhardia. O fato vai incomodar por algum tempo o escocês. Afinal ganhou o primeiro set, teve um 0x40 a seu dispor no início do 2º set; o que deve estar lhe atrapalhando o sono.

Os break points se foram e o set ficou, novamente, para ser decidido no tie-break. Bota igualdade nisso.

Então veio a pena. Que peninha. Mas que pena. Deu pena. Foi uma pena.

Uma pena branca, será que de algum pássaro atacado por gaviões mercenários, flutuou na Rod Laver Arena, dançou sem a menor cerimônia até a frente dos olhos do escocês – considerem as chances de tal – exatamente quando ele se preparava para jogar a bolinha para sacar no 2×2 do TB no 2º set. Lembrou-me a dança do papel de Beleza Americana. Por um instante o rapaz hesitou. “Deixo cair ou tiro esse prenuncio de minha frente”. Logo ele, o mais encanado dos tenistas. Não teve duvidas, esqueceu o saque, o momento, as ausências de quebras e focou na pena. Que pena. Pegou a pena. Nem sei o que fez com a pena. Mas pagou a pena. Quando sua atenção voltou ao jogo seu destino estava traçado. Cometeu uma dupla falta, se irritou, amaldiçoou a pena e, como se sentisse obrigado a tal, perdeu o foco. Uma pena. Nunca mais o encontrou, pelo menos não na intensidade dos dois primeiros sets, quando esteve muito mais perto da vitória; na sua, na do adversário e na minha cabeça. A partir do 3º set todas essas certezas se esvaíram, aos poucos, porém com a mesma fluência, certeza e irreversibilidade da queda da pena em um cenário que Djokovic, com quatro títulos, se sente confortável e protegido pelos deuses, enquanto que Murray segue sem vencer uma final ali em três tentativas. Uma pena.

Murray e a pena.

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domingo, 27 de janeiro de 2013 Tênis Feminino | 15:05

Ojeriza

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Ontem não me dei ao trabalho de acordar de madrugada. Primeiro que agora existe o luxo de se gravar e assistir, a hora que se quiser, dando um pulo nos comerciais, que foi o que fiz quando veio a chuva, após o met tênis e o cair da tarde. Além disso, não gosto das das tenistas envolvidas. Do estilo ainda gosto, um pouco, da Na Li, que pelo menos verga o corpo para sacar e um pouco de graça para jogar – a Azarenha parece um robô sacando, zero de molejo.

Mais grave, tenho certa ojeriza pela personalidade de ambas. Primeiro, que fique claro, tenho enorme respeito por qualquer atleta que atinja o que ambas atingiram em suas carreiras. Infelizmente Azarenka mostrou o que é, e, mais sério, onde estão as cabeças dessas moças atualmente, que é o que me irrita, ao sumir no vestiário por 10 minutos no game anterior a que sua adversária sacaria para o set. Se fosse eu não estaria lá quando voltasse – pior, a arbitragem atual é conivente com essas macaquisses. A própria Sloane, que ficou por lá contando carneirinhos, disse que na 2ª rodada já havia tomado idêntico aluguel de outra. Como a moça é nova no circuito, as outras forçam a barra. E Azarenka ainda mentiu de tudo quanto foi jeito quando perguntada a respeito; pior, ficou ofendida com as perguntas e a indignação geral. A que ponto chegou.

A Li é daquelas que tratam as pessoas como se fossem serventes e em publico vende, para quem quiser comprar, a imagem de gueixa bem humorada. Não vou entrar em detalhe, quem quiser que leia suas entrevistas. Atentos, pois parecem textos traduzidos pelas ferramentas de internet que não funcionam.

O que dizer do jogo? Como dizia o amigo Bebeto Freitas sobre o vôlei, quando este era em sets até 15. É um jogo até 12 e outro, mais tenso e para poucos, depois. A chinesa mandou no jogo até a hora de vencer em dois sets – aí segurou o braço. No set final, Azarenka procurou não inventar e a Li, mais uma vez, amarelou na hora da onça beber água. A bielorussa é mais jogadora e o resultado espelhou isso.

Mais tarde, o jogo dos machos.

A campeã.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 14:34

Adrenalina

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É duro acordar 6h da manhã. Na época que fazia os comentários na TV acordava antes das 5h. No caminho, via aquelas pessoas no ponto do ônibus ou acelerando os passos para o trabalho e me invadia um sentimento estranho na alma assistir aquelas pessoas cumprindo suas tarefas cotidianas. Sabia que eu tinha que durar duas semanas, e ainda estava de carro, enquanto elas o fazem há anos e anos por vir, para chegar ao fim do mês e a coisa toda mal dar para pagar as contas.

Agora eu não tenho que acordar o que é diferente de acordar por opção. Ontem à noite cheguei de viagem, ficamos conversando em família até tarde, sempre um bom programa, mesmo sabendo do horário do jogo. Federer x Murray em GS é jogo imperdível e, como já escrevi antes, aproveitem porque durará pouco. Quando minha mulher começou a se mexer de manhã eu estava no meio de um sonho estranhíssimo, uma redundância, porém algo extremamente tranquilo e prazeroso, o que sempre me faz relutar em voltar a este mundo.

Os primeiros sets foram “assistidos” com um olho na TV e outro no mundo paralelo. Mais neste do que naquele. Os comentários da Patricia me traziam de volta quando necessário e um sexto sentido desenvolvido me acordava para os pontos importantes. Assisti todo o TB do 2º set, crucial, e no 3º já estava alegrinho. No quarto estava comentando mais do que o Meligeni, para alegria da Patricia.

O quarto foi o set. De tudo um pouco. Muito de bom e pouco de ruim. É uma beleza assistir tênis nessa qualidade, com intensidade de drama e comprometimento. Especialmente drama.

É raro ver os cachorões se estranhando em quadra como aconteceu hoje. Geralmente o respeito fala mais alto ou alguém acaba engolindo em seco e pronto. Hoje na hora do showdown alguém piscou e esse alguém, surpreendentemente, foi o Federer.

Como já disse eu pisquei várias vezes, mas duvido que a coisa começou antes do finzinho do 4º set, ápice do drama da partida de hoje. Começou com a juíza de linha de fundo engolindo sua própria chamada. Chamou pela metade, mas chamou. Aliás, pensando bem começou antes. Começou no Murray sacando 5×4 no 4º set, primeiro ponto. O escocês joga a bola para sacar e Federer pede para parar. Argentinada? Sei lá, podia ter algum gaiato lá atrás. Mas começou.

Voltando à juíza que cantou pela metade. O Murray reclama, o juiz de cadeira deve ter dado overuled, não sei porque os narradores continuaram falando, o Murray reclama mais e o Federer se aproxima para acompanhar. O juizão fala para o Murray que se quiser desafie, o que não faz sentido, porque se a juíza de linha cantou quem teria que desafiar era o Federer, a não ser houve mesmo o overule. O escocês desafia e descobre que pegou linha. Pouco antes, enquanto Murray estava ruminando o Federer retruca para o juiz – e se foi boa, vai repetir? Pressão. O juizão diz que foi um late call e não repetirá o ponto. Federer se afasta, sabe que a bomba vai estourar no colo do outro, como de fato estoura. Murray fica bravo, reclama, perde o game e segue reclamando no intervalo, mas não entendemos nada do que diz, pois os narradores continuam falando em cima. No final do intervalo, Federer, surpreendentemente ( e atenção) decide que também tem algo a dizer (provavelmente reclamando do Murray reclamando). Mais uma vez não ouvimos.

Game seguinte, Murray sacando em 5×6. Federer ataca vai à rede e o escocês lhe mete uma passada maravilhosa – a câmera nele. Claramente ele reage, incrédulo e irado, a algo que o suíço lhe grita. A adrenalina está no auge, o drama intenso e os fuck you voam pela Rod Laver Arena.

Federer vence o TB e jogo vai para o quinto. E aí veio o mais estranho que, suspeito, tenha algo a ver com o antes narrado. No intervalo Federer escolheu sair da quadra, o que, ajudou Murray a se recompor – será que o suíço penso nisso? No 1º game, Andy no saque, e ainda viajando, literalmente escapa de ser quebrado e ver o jogo ir para a cal, sabendo que no fundo continua sendo Andy Murray. E aí então a grande surpresa.

Federer vai para o saque e joga um game horrível, após tanta luta no quaro, sendo quebrado e dando a confiança para o outro sacar como um leão e abrir um 3×0 que provou ser irrecuperável. Antes, um detalhe. No 2º game, quando o suíço foi quebrado, um ponto marcante. Federer na rede e dá uma bolinha curta e convidativa. Murray vem na corrida e a bate de cima da linha de saque. Não escolhe ir na paralela ou na cruzada; vai mesmo no corpo no adversário – se pega nocauteia. O assunto ficara feio e pessoal. A partir desse momento Roger Federer murcha não jogou mais nada.

Nas entrevistas, quando perguntados, os dois desconversaram, dizendo que essas coisas acontecem, que o momento era tenso, coisas foram ditas e esquecidas após o jogo. Tenho sérias duvidas se Murray ficaria calado se tivesse perdido. Se por alguns momentos os rapazes perderam a elegância em quadra, fora dela souberam esgrimar os jornalistas e deixar a ênfase na excelência do tênis apresentado. Isso, é óbvio, vai sem dizer, mas, como em uma partida dessas é um ou dois detalhes que fazem a balança pender para um lado, aqui foi a versão oculta do drama hoje.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 Tênis Feminino | 15:05

Passando o bastão

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Posso estar errado, duvido, mas em breve o tênis feminino americano não dependerá mais das irmãs Williams para conquistas como foi o caso na ultima década.

Durante o Aberto da Austrália assisti algumas tenistas que mostraram qualidades  que podem agitar o circuito. Jamie Hampton foi uma delas. A moça, que recém completou 23 anos tem muito talento, bate bonito, pode jogar, só não sei se tem a cabeça vencedora. Passou pela Ursula Radwanska, Khumkhum e perdeu no 3º set para a Azarenka.

Mas temos algumas ainda mais jovens e surpreendentes. Madison Keys, que ainda vai completar 18 anos em Fevereiro, pega pesado, tem bom tamanho e golpes pesados, jogou seu 1º Grand Slam, passou pela Dellacqua e a Paszek, e perdeu em jogo parelho para a Kerber.

Mas quem colocou as manguinhas de fora de uma vez foi a Sloane Stephens que, não sem uma ponta de ironia, mostrou pouco respeito pela coleguinha e suposta mentora Serena Williams, passando assim para a semifinal como a zebra do evento. Ela já era #25 do ranking, antes do AA.

É claro que a moça foi favorecida por uma evidente contusão de Serena Williams no meio do 2º set. Ele até tremeu para fechar este set, mas passou o teste, soube fechar e administrar o set final.

Chegar a uma semifinal de GS aos 20 anos é uma conquista. Em especial para o tênis americano que vem investindo barbaridades em dólares sem o sucesso esperado. Acreditar em Oudin etc não levou a nada. Agora as tenistas americanas tem uma representante brigando por títulos de GS, que pode abrir as portas para outras arrojadas e confiantes, enquanto os homens só apresentaram recentemente um Ryan Harrison, que tem muito feijão para comer para oferecer sonhos ao pessoal de casa.

Sloane – lembra alguém?

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 01:06

Coveiro

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Esse parceiro do Thomas Bellucci é um brincalhão, um fanfarrão, um coveiro. Vai enterrar assim lá no Araça! O cara não sabe até agora para que saiu da cama. As coisas que ele fez em quadra hoje se fizerem lá no Atpanga a Maysa expulsa do clube. O cara jogou alguma coisa nas primeiras rodadas quando ninguem esperava nada. Hoje, fez uma média de duas jogadas bisonhas por game. Chegou uma hora o Belo entregou para Deus porque ninguem sobrevive a um coveiro desses…

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 00:37

De tudo um pouco

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1/6 7/5 6/4 6/7 12/10, 409 pontos disputados em 5hs de jogo. Como empates é para os fracos, alguém leva e alguém sofre. É fácil imaginar como Djokovic se sentia ao sair da quadra, o difícil é imaginar como se sentia o Wawkinka, que desmoronou após o final e saiu da quadra em prantos.

Como disse o Nadal, após a final do ano passado, é para jogos como esses que eles fazem todos os sacrifícios de suas carreiras. Para nós, são essas partidas que ficam na memória e nos faz voltar para mais, na esperança de que a qualidade e a vontade de ganhar sejam tais que o jogo saia do controle dos envolvidos, o fogo se alastre e o circo pegue fogo de vez. De vez em quando acontece, não muitas, quase sempre nos Grand Slams, mais raramente nas frentes das câmeras.

O jogo teve de tudo um pouco. Das alternâncias no placar, no ritmo e na confiança, que são ingredientes necessários para dar emoção. Tivemos também os pontos longos, as bolas impossíveis, os golpes magistrais e, para completar, um quinto set de matar, onde durante 1:45h os dois abusaram de seus corpos e mentes como se buscassem seus limites ainda desconhecidos.

Do começo, onde massacrou o adversário, mostrando que pode jogar um tênis de campeão graças ao talento que sempre ostentou, pelos momentos onde pareceu voltar a ser o Wawkinka de sempre que parece perder interesse pela partida, aos momentos dramáticos onde parecia não ter mais pernas nem mais nada fisicamente para oferecer, às bolas mágicas que encaixava quando tudo parecia perdido e, especialmente como colocou o #1 do mundo como mero coadjuvante em uma partida onde deveria ser a estrela, Stanislas foi o tenista que comandou as ações e determinou o que aconteceria em quadra. Infelizmente não foi  o bastante, faltou aquilo que sempre separou os campeões dos bons tenistas.

É certo que Djokovic se destacou no circuito como um contra-atacador, mas foi saindo desse conforto e investindo na agressividade que ele chegou ao topo do ranking, passando seus dois grandes rivais e vencendo Grand Slams. Por isso não é normal ou frequente que um adversário consiga dominá-lo como fez o suíço. No entanto, como o grande atleta e campeão que é, Djoko conseguiu encontrar uma maneira de sobreviver todos os percalços e sair da quadra vencedor. Olhando com uma pitada de condescendência, como ele mesmo declarou após o confronto – “eu sinto muito que um dos dois tivesse que perder”. Mas esse é o Tênis.

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sábado, 19 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 11:35

Tomic

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Os australianos estão todos contentes pela postura de Bennie Tomic na derrota, em três sets, para Federer. Afinal, ele não barbarizou, não largou ostensivamente a partida, jogou um ótimo set – o segundo – quando teve suas chances de vencer e ainda deu uma entrevista equilibrada onde elogiou o oponente e não fez nenhuma declaração controvertida. Mas…

Que o australiano é um talento diferenciado eu escrevo desde de ele tem 16 anos, sempre com alguma controvérsia para apimentar o texto. Até aí nenhuma novidade. O jogo de hoje continuou sem novidades.

Ele confessa que se distraiu, para não dizer intimidou, ouvindo a lista de títulos de Federer no bate bola, jogou de igual para igual o segundo set, quando não existia tanta pressão, teve suas chances e não conseguiu cacifar. Até aí tudo bem.

O fato, não vou escrever problema, é que no 3o set Tomic mostrou mais uma vez a sua grande questão. Ao se ver dois sets abaixo, abaixa a guarda e entrega a rapadura. Levou 6×1. E a luta?

É nesse detalhe que Tomic deixa transparecer a falta em sua personalidade e a razão para não deslanchar na carreira, não cacifando seu potencial e assim frustrando seus fãs. Mudou? Ainda não. Só deu uma melhorada, apazigou seus críticos locais e uma lustrada na reputação.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 17:07

Pecado

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O mais significativo dos jogos acabou sendo o ultimo – acabou já na madrugada australiana. O que não deixa de ser interessante. Em um dia onde não houve grandes surpresas, a zebrinha do dia foi onde um observador mais atento já podia ver a chuva vindo no horizonte.

Tanto por parte da britânica/australiana Laura Robson, que aos poucos vai se tornando uma força no circuito feminino, como por parte da Petra Kvitova, que aos poucos vai desperdiçando seu enorme talento.

Robson chamou a atenção do público quando aguentou o rojão e não enterrou o parceiro Andy Murray nas Olimpíadas, até pelo contrário. Ficaram a um game do ouro olímpico, mas, com certeza, a moça sentiu ali que grandes e melhores coisas podiam estar a caminho.

Kvitova é uma incógnita, pelo menos para mim. Tem aquilo que só Deus dá e de sobra. Mas parece carecer do desejo de ser uma campeã e menos ainda uma grande tenista. Lembro que após vencer Wimbledon a moça sumiu. Estava curtindo a fama. Até entendo, mas em um circuito como o do tênis dá para curtir uma semana, talvez duas, depois tem que colocar a faca nos dentes e ir à luta. O Delpo deu uma vacilada na mesma linha após o seu GS, não fou o único, o que mostra que a grandeza não é para todos.

Eu ficava desapontado em ver a tal Kvitova aparecer torneio após torneio com seu top curtinho deixando à mostra uma saliente, flácida e obscena pancinha. Não porque é horrível, mas porque denigre o esporte – quer dizer que dá para vencer Wimbledon com uma barriga daquelas?!

Mesmo após vencer a seu primeiro, e único – e eu esperava que fosse o primeiro de muitos – a moça não se animou a trabalhar o que precisava trabalhar para utilizar o seu enorme potencial. Não dá para colocar uma tenista como ela no mesmo planeta que um Djokovic, um tenista sem esse tal talento, mas com uma vontade de progredir, de ser cada dia melhor, que faz acreditar que todos podemos ser melhores em nossas vidas, seja no que for.

Petra não precisava chegar a tanto, bastava ter a mesma consciência de um Federer, a determinação de uma Sharapova, a coragem de uma Serena, ou mesmo a vontade de tantas outras que sem o seu talento conseguem fazer das tripas coração no circuito. Petra é um talento impar que está jogando tempo – algo sem preço e que não volta mais – fora como se crescesse em árvore. Não trabalha o físico, algo imprescindível nos dias de hoje, é mais lenta que transito das 18hs na Marginal, e depende de um bom dia para enfiar a mão em tudo que lhe aparece pela frente e que os deuses direcionem nas linhas certas.

Maltrata sua confiança como se esmaga uma flor e depois fica com os olhos marejados quando a casa cai ou comete 20 duplas faltas em uma partida. Se fosse uma tenista qualquer seria de um ridículo perdoável, esquecível e sem o valor da menção, mas, com o talento que recebeu de mão beijada, torna-se uma pecadora, um símbolo de como desperdiçar algo que os deuses distribuem com parcimônia e que por conta disso se torna sagrado e precioso, algo que deveria receber toda a atenção do privilegiado. Prefiro um trabalhador sem o mínimo dos talentos – é mais honroso.

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