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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Minhas aventuras, O leitor escreve | 10:57

Presentes

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Ganhei um presente de natal. Na verdade, três presentes, todos da mesma pessoa. Chegaram ontem pelo correio. A razão para escrever a respeito no Blog é que são todos da mesma pessoa, uma leitora. Sempre admirei pessoas que sabem escolher e dar presentes. Presentes pensados, com personalidade, su misura. Um saber diferenciado, que demonstra atenção, sensibilidade, carinho e objetividade. Confesso, sempre tentei dominar essa arte e sempre me frustrei quando comparado a essas pessoas.

Os presentes me foram dados pela Lua, a nossa conhecida leitora e mais do que querida comentarista/escritora. Ela tinha me alertado a respeito durante o ultimo ATPanga, mas de alguma forma a mensagem falada me chegou nebulosa. Quando chegaram os presentes e com eles as notas escritas, balancei. Abismei. Como diziam na minha época de universidade, freaked out.

A caixa amarela do correios continha três livros. E não três livros qualquer. O primeiro é um livro de fotos, uma das minhas paixões, de Paris, outra paixão. A fotografia é uma paixão de juventude, da época de universidade, que são arrebatadoras e longevas. Paris é uma paixão de mais de 30 anos, daquelas que se enraizam com o tempo, se modificando com a idade, oferecendo novos prazeres e satisfazendo antigos, dos materiais aos emocionais. Com fotos de mestres, também apaixonados pela cidade, o livro Paris, Mon Amour junta ambas as paixões com elegância. O detalhe é que Lú avisa que esse é um presente para minha mulher.

O segundo livro, Tesouros dos Beatles, é um capa dura sobre os Fab4, outra de minhas paixões de juventude. Começou, como para muitos na minha idade – não todos, pois não poucos achavam o rock uma afronta e só aceitavam a MPB – com os primeiros sucessos dos rapazes. A partir de Rubber Soul adquiriu outra tonalidade e com Sgt Pepper outra conotação.

O terceiro livro foi o mais surpreendente. É uma edição comemorativa de O Pasquim, o jornal que separava o joio do trigo e publicava o joio, segundo ele mesmo. Surpreendente porque, eu imaginava, pouquíssimos sabiam de minha história com o Pasquim. Minha mulher garante que eu já escrevi a respeito dela e dele aqui no Blog. Talvez a Lua seja uma leitora atenta, talvez a moça seja meio bruja. De qualquer maneira, quando estudei nos EUA não existia internet, os telefonemas internacionais eram mais raros do que políticos honestos e os jornais de lá não publicavam uma linha sobre o Brasil. Os JTs de 2ª feira e O Pasquim semanal eram minha ponte com o país que passava pelos seus anos pós golpe militar.

Os textos de Paulo Francis, Millor, Luis C. Maciel, Tarso, Sergio Augusto, e os escrachos do Henfil, Jaguar, Fortuna, Ziraldo era o que não me deixava esquecer minhas raízes e me colocava a par do que acontecia por aqui. Diariamente, durante anos, eu chegava em casa e olhava a caixa do correio na esperança do jornal enroladinho que meu tio enviava religiosamente. Porém, mais de quarenta anos depois foi o texto da carta da Lú, mais uma obra prima, que me pegou pelo cangote e deu o sabor final a esse presente de Natal que tão cedo esquecerei. Beijos moça.

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