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Arquivo de dezembro, 2012

domingo, 30 de dezembro de 2012 Tênis Masculino | 13:19

Ele vem?

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Para muitos uma tragédia anunciada. Para outros tantos uma razão para afirmar que já haviam cantado essa bola. O anuncio que Rafa Nadal não participará do Aberto da Austrália é uma péssima notícia para o tênis, mas não dá para dizer que não faça sentido.

Os planos do espanhol, até pela época do ano, era jogar lá nas arábias, pegar um mínimo de ritmo de jogo e tentar a sorte no Aberto da Austrália, sem muitas expectativas. Esse tal vírus anunciado – temos que partir do principio que o divulgado é verdade – jogou sua estratégia no lixo.

Se não joga Abu Dabi, uma exibição, e Doha, torneio para valer, não faz nenhum sentido em colocar a carinha para bater em Melbourne. Afinal, um Lukas Rosol já te de bom tamanho. Ficar seis meses sem jogar e voltar a competir naquela fornalha, em melhor de cinco sets, em quadras duras e sem ter idéia da reação do corpo seria burrice deslavada. E burro o espanhol mostrou, mais uma vez, que não é um nem é assessorado por outro.

Faz muito mais sentido voltar às competições no saibro, onde tem mais conforto, confiança e menos possibilidade de danificar uma possível ainda viva contusão.

Porém, dessa maneira, o planejamento foi para a cucuia. O único torneio que ele confirma, afirma que é sua volta, é o de Acapulco, no fim de Fevereiro. Duvido e faço pouco que mantenha esse calendário. Se o mantiver as dúvidas sobre o tal vírus serão bem maiores.

Por isso, os eventos realizados no saibro aqui na América do Sul devem estar apostando suas fichas que o espanhol possa abrilhantar suas quadras. Dizem que os irmãos Fillol têm $2 milhões dos patrocinadores para adoçar a viagem a Viña de Mar. Mas antes deles temos São Paulo em 13/02 e Buenos Aires em 20/02, com Acapulco logo em seguida. Há mais de uma possibilidade na mesa. Jogar São Paulo – que seria sua volta, daria um tremendo IBOPE e seria fenomenal para nós – jogar uma exibições de leve na Colombia durante BA e então ir ao México. Pular São Paulo e jogar BA e México é outra. Jogar os três e dar uma banana para IW e Miami e depois se divertir no saibro europeu, uma outra, mais distante, mas que seu joelho agradeceria. Tudo isso vai depender das negociaçõe$$ e da vontade do tenista.

A torcida do Tênis é para que ele volte, bem e permanentemente, já que faz muita falta e ainda é muito jovem. Nadal diz que o problema do joelho está superado e que não quer apressar, pecado do qual se penitencia, e no que está muito certo, como confessou seu tio aqui em São Paulo. Mas, suspeito, que os próximos meses nos mostrarão se a contusão foi séria o bastante para impedi-lo de jogar com a mesma entrega, característica marcante de seu estilo, o que roubaria bastante de seu poderio. De qualquer maneira, quando voltar não estará mais entre os 5 melhores e deverá ter mais uma pulga atrás de sua orelha. Por isso também ficar pelo saibro, por enquanto, é o melhor do cenário para esse maravilhoso atleta.

Vocês querem ver o inovador aparelho que Nadal vem usando na sua preparação para a volta às quadras? Eu já estou pensando onde vou arrumar um desses por aqui. Sigam o link: http://www.alterg.com/

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012 Tênis Masculino | 13:17

Moderação não

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Esses negócios technológicos estão sempre a nos driblar. Os Comentários não estavam a aparecer em seu lugar. Depois de acionar o sherlock descobrimos que estavam em Spans – não ousem me perguntar o porque. Estão liberados. Veremos se os seguintes também o serão. Se não, ao invés do sherlock apelarei para o “vingador cibernético”.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 14:00

Densos

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Este é mais um daqueles textos pescados do passado, sendo este do Natal de 2006. Poucas alterações foram feitas para adaptá-lo ao presente.

Outro dia me perguntaram se alguma vez  lidei profissionalmente com algum tenista problemático emocionalmente. Dei uma olhada para os lados, coloquei as mãos nos bolsos e tentei me esquivar perguntando o que seria problemático. De bate pronto todos me pareceram, vamos dizer, densos emocionalmente. Senão, teriam escolhido o futebol ou volei, onde teriam companheiros para se apoiar ou culpar. Por um instante pensei sinceramente em excluir Gustavo Kuerten da galeria, mas abandonei a idéia ao considerar os últimos anos de sua carreira. Até considerei que uma contusão pode levar um esportista à loucura. Ou perto dela. Imaginemos como anda o Rafa Nadal atualmente.

Ao contrário de alguns esportes, o tênis não perdoa e é massacrante emocionalmente. Consideremos uma comparação, meio forçada, com o volei, que está na moda. No último mundial (de 2006), os brasileiros perderam uma das primeiras partidas, se recomporam e venceram o campeonato. No tênis, tal derrota na estréia mandaria o atleta para casa pensar na vida, nos erros e em tudo que perdeu. Mais tarde, a uma certa altura do torneio, alguns jogadores tiveram um momento tenso. O levantador Ricardinho, considerado pelo técnico Bernadinho, e alguns de seus colegas, o mais importante jogador do time, teve seu momento de estresse, desentendeu-se com companheiros e ficou no banco o resto da partida. Porém, nos próximos jogos estava de volta à quadra liderando seus companheiros. Um percalço emocional desses seria o bastante para acabar com um time de um homem só como o tenista – o cara que levanta a bola e corre para cortar.

Esse é um dos preços de ser um tenista. Além disso, e não só, deve ser bom nos mais diferentes aspectos técnicos, e ainda melhor emocionalmente. Sua autoestima deve beirar a arrogância, já que deve ter a mais absoluta convicção que é melhor do que o oponente do outro lado da rede. Qualquer dúvida nesse quesito é certeza de derrota.

Deve saber se cobrar tão bem quanto se perdoar. Se não estiver sempre disposto a ampliar seus limites, em treinos e competições, assim como saber lidar com tranquilidade e equilíbrio com suas dúvidas, ansiedades e inseguranças, estará fadado ao inferno esportivo. Deverá, absolutamente, lidar com o triunfo e o desastre, esses dois impostores, da mesma forma – como bem lembra a placa com o poema de Kipling, colocada estratégicamente acima da entrada dos jogadores na Quadra Central de Wimbledon.

Estas são só algumas das exigências emocionais de um tenista, um esportista que conhece a solidão melhor do que qualquer outro. O leitor poderá lembrar o nadador. Ora, este é mais do que nada um administrador do tédio. Não se ve obrigado a lidar com um oponente tentando incessantemente arrasar sua confiança, o fazendo correr de um lado para o outro e a cometer enervantes erros. Em um esporte coletivo, a solidão enfrentada pelo tenista, no momento de jogar a bolinha para efetuar o segundo serviço no break-point, talvez só encontre rival na hora do batedor de penalti colocar a bola na marca do cal, com a obrigação de decidir a partida a favor, ou contra, o seu time. E isso acontece uma vez a cada muitas luas, enquanto no tênis é um estresse constante.

Enquanto curtimos nossos dias de festas, os tenistas enfrentam o estresse dos terríveis dias de treinamento preparatórios para o início da temporada. É o momento quando tem que calibrar golpes, acertar o físico e retomar a motivação, ingredientes básicos para o sucesso da temporada. Isso sem contar com as duvidas que assaltam a todos nesses momentos de reflexões. Depois ainda querem recriminar o atleta por não querer pensar demais. Como se fosse necessário pensar muito para ser denso emocionalmente.

Rodin e o tenista no fim de ano.

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Minhas aventuras, O leitor escreve | 10:57

Presentes

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Ganhei um presente de natal. Na verdade, três presentes, todos da mesma pessoa. Chegaram ontem pelo correio. A razão para escrever a respeito no Blog é que são todos da mesma pessoa, uma leitora. Sempre admirei pessoas que sabem escolher e dar presentes. Presentes pensados, com personalidade, su misura. Um saber diferenciado, que demonstra atenção, sensibilidade, carinho e objetividade. Confesso, sempre tentei dominar essa arte e sempre me frustrei quando comparado a essas pessoas.

Os presentes me foram dados pela Lua, a nossa conhecida leitora e mais do que querida comentarista/escritora. Ela tinha me alertado a respeito durante o ultimo ATPanga, mas de alguma forma a mensagem falada me chegou nebulosa. Quando chegaram os presentes e com eles as notas escritas, balancei. Abismei. Como diziam na minha época de universidade, freaked out.

A caixa amarela do correios continha três livros. E não três livros qualquer. O primeiro é um livro de fotos, uma das minhas paixões, de Paris, outra paixão. A fotografia é uma paixão de juventude, da época de universidade, que são arrebatadoras e longevas. Paris é uma paixão de mais de 30 anos, daquelas que se enraizam com o tempo, se modificando com a idade, oferecendo novos prazeres e satisfazendo antigos, dos materiais aos emocionais. Com fotos de mestres, também apaixonados pela cidade, o livro Paris, Mon Amour junta ambas as paixões com elegância. O detalhe é que Lú avisa que esse é um presente para minha mulher.

O segundo livro, Tesouros dos Beatles, é um capa dura sobre os Fab4, outra de minhas paixões de juventude. Começou, como para muitos na minha idade – não todos, pois não poucos achavam o rock uma afronta e só aceitavam a MPB – com os primeiros sucessos dos rapazes. A partir de Rubber Soul adquiriu outra tonalidade e com Sgt Pepper outra conotação.

O terceiro livro foi o mais surpreendente. É uma edição comemorativa de O Pasquim, o jornal que separava o joio do trigo e publicava o joio, segundo ele mesmo. Surpreendente porque, eu imaginava, pouquíssimos sabiam de minha história com o Pasquim. Minha mulher garante que eu já escrevi a respeito dela e dele aqui no Blog. Talvez a Lua seja uma leitora atenta, talvez a moça seja meio bruja. De qualquer maneira, quando estudei nos EUA não existia internet, os telefonemas internacionais eram mais raros do que políticos honestos e os jornais de lá não publicavam uma linha sobre o Brasil. Os JTs de 2ª feira e O Pasquim semanal eram minha ponte com o país que passava pelos seus anos pós golpe militar.

Os textos de Paulo Francis, Millor, Luis C. Maciel, Tarso, Sergio Augusto, e os escrachos do Henfil, Jaguar, Fortuna, Ziraldo era o que não me deixava esquecer minhas raízes e me colocava a par do que acontecia por aqui. Diariamente, durante anos, eu chegava em casa e olhava a caixa do correio na esperança do jornal enroladinho que meu tio enviava religiosamente. Porém, mais de quarenta anos depois foi o texto da carta da Lú, mais uma obra prima, que me pegou pelo cangote e deu o sabor final a esse presente de Natal que tão cedo esquecerei. Beijos moça.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:43

Super Saturday e Stormy Monday

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Como é que vou escrever que logo os americanos estão mais perdidos do que cegos em tiroteio? Difícil, mas um fato. E por mais de uma razão. O assunto, hoje, não é a decadência do seu tênis competitivo, masculino e feminino, assunto para um outro dia. Hoje o assunto é mais ameno; assim mesmo com vários reflexos.

A poderosa USTA, a mais forte de todas as federações de tênis, anunciou esta semana duas notícias sobre o seu evento maior – o U.S. Open. A primeira passou despercebida, a segunda já até mereceu comentários aqui no Blog.

A primeira é que eles acabam, a partir de 2013, com o controverso Super Saturday, que acontece, em diferentes formas, há quase três décadas. O segundo é que consolidam aquilo que a natureza forçou nas ultimas cinco temporadas – a final masculina na 2ª feira.

Lógico que uma coisa está amarrada na outra. O Super Saturday reunia duas semifinais masculinas e a final feminina, o que ofuscava a final feminina e obrigava os homens a jogar a final no dia seguinte arregaçados física e mentalmente. Isso produzia absurdos, que se repetiam ano após ano, como forçarem Lendl a vencer uma semi debaixo do sol escaldante 7/6 no 5º set, e no dia seguinte perder para um McEnroe, que jogara 5 sets com Connors até as 23.30h. Ou causar uma rebelião nos vestiários quando Edberg e Wilander, dois suecos, se recusaram a entrar em quadra às 10h da manhã porque foram informados da mudança de horário (era às 11h) no fim da noite anterior, porque um jogo longo no dia anterior tinha dado uma confusão dos diabos na rede nacional de TV que mostrava a partida, causando o cara do Jornal Nacional de lá dar um piti e deixar os estúdios, causando a maior cadeia americana ficar sem imagens durante seis minutos, porque americano é ruim de improviso, algo que não aconteceu nem antes nem depois. Como o publico não foi informado a tempo, às 10h não havia ninguém no estádio e os suecos se recusaram a entrar – entraram, após ameaças depois de 15 minutos; e a TV esperando.

O Super Saturday sempre foi odiado pelos tenistas. Odiado. Foi uma jogada marqueteira da USTA. “O maior dia de tênis da temporada”. As TVs amaram, os fãs também, a federação cacifou$$ legal, tudo no melhor estilo americano “somos os maiores”. O detalhe é que quando chovia nesse dia a casa caia. E a casa caiu cinco anos seguidos. Pior. Algum gênio lá atrás enterrou quase 500 milhões em um estádio que é o “maior do mundo”, sendo que não dá para ver quem está sacando e quem está recebendo da ultima fileira e, pior, não tem teto! Pior ainda, não dá para colocar um teto! Bem pior ainda, o que os americanos não conseguem fazer em 15 dias, os ingleses fazem em 14, e na grama!! – e só nos últimos anos tinham o teto coberto.

Para mostrar que são espertos, pegaram os seus defeitos e “consertaram” criando outro. Vão deixar as duas semis masculinas no sábado, a final feminina no domingo e a final masculina na 2ª feira! O que, para eles, faz $entido. A ATP reagiu imediatamente chiando e veladamente ameaçando. Para clarificar. Quem realiza o circuito masculino é a ATP, o feminino é a WTA e os Grand Slams é a FIT. E cada um dos Grand Slams tem autonomia para fazer razoavelmente o que querem, sem a ATP e WTA poderem dar uma palavra a respeito. Um “showdown” vem crescendo no horizonte há algum tempo. Uma hora teremos o OK Curral do tênis.

A ATP não que nem ouvir a FIT alongando seus tentáculos para cima de uma nova semana. O que os americanos estão fazendo é muita burrice ou muita esperteza. Escolham, ou o tempo dirá. Eu duvido que essa 2ª feira emplaque ou dure. Os próximos meses vão mostrar muita coisa. Os outros GS podem querer fazer mudanças também. E os tenistas podem querer mudanças ainda mais grave$$.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:34

Masters da CBT

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Bem interessante o formato do evento de encerramento da temporada realizado pela CBT. Reuniram em um único local, Costa do Sauípe, os melhores profissionais, juvenis e veteranos da temporada.

Só na categoria veteranos estiveram presentes 170 tenistas. Nem todos os melhores estiveram presentes, mas a categoria esteve bem representada. Os juvenis compareceram em igual numero, segundo a CBT, e aí praticamente todas as estrelas estiveram presentes. (A lista dos campeões juvenis: Joao Lucas 12M, Laura Wayerbacher 12F, Felipe Alves 14M, Nicoli Pereira 14F, Orlando Luz, jogando uma categoria acima, 16M, Gabriela Alves 16F, João V. Walendowsky 18M e Ingrid Martins 18F.)

Entre os profissionais houve uma certa acomodação para arregimentar os tenistas. Nem todos jogaram o evento principal. Vale lembrar que praticamente todos eles recebem alguma verba do Correio, patrocinador do evento, através da CBT. Imagino haver algum compromisso para que estejam presentes.

Mas não dá para ignorar que não é um momento de competições para Thomaz Bellucci. Nessa mesma época, a Koch Tavares, de mais de uma maneira parceira da CBT, realizou no local um treinamento reunindo Bellucci, Clezar, Zerbini, Ricardo Mello, que afirma estar com mais de um pé na aposentadoria, Demoliner, Kirche e de Paula. Estes tenistas ficam na Bahia, um clima semelhante ao da Austrália, fazendo a pré-temporada até 22 de dezembro.

Thomaz acomodou-se à situação participando no chamado “Desafio Olímpico Correios”, onde, junto com o veterano Andre Sá bateram a dupla mineirinha de Marcelo Melo e Bruno Soares por 4/6 7/6 11/9, o que acomodou também a participação dos nossos três duplistas mineiros. Na chave de simples Rogério Silva e Paula Gonçalves ficaram com o título.

De qualquer maneira, achei ótima a ideia e a realização de um evento nesse formato, uma verdadeira festa do tênis nacional. Ideias como essas agregam e motivam. Espero que seja um teste para futuros e melhores evento nesse formato. Dá para sonhar alto e expandir o formato, que foge da mesmice a que se acomodaram os realizadores de eventos, oferecendo algo diferenciado que atinge várias tribos do tênis. Não será fácil, dado a variedade de interesses, mas a CBT é hoje mais forte do que em qualquer momento de sua história e não parece ter melindres sobre usar sua musculatura.

Carla Forte, vice, e Paula Gonçalves, campeã no Masters.

Paulinha, a nossa Aninha.

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domingo, 16 de dezembro de 2012 História | 21:29

Corinthians

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Não sou corintiano. Mas ontem à noite combinei com minha mulher que iríamos acordar e acompanhar a partida do timão ainda na cama. Na verdade, se for pensar bem, sou torcedor do Chelsea. Ou fui, até quando reformaram o estádio, uma das principais razões da minha torcida, e o time foi vendido ao russo Abramovich. Explico.

Desde os anos 70, nas minhas idas a Londres para as quatro semanas de tênis na grama, ficava em Chelsea, um bairro que tem bastante ver comigo. Lá na ponta da Fulham Road, exatamente onde ele se torna mais residencial, um lugar totalmente improvável, ficava o antigo estádio Stanford Bridge.

O que mais me encantava então era exatamente o que mais desencantava os torcedores londrinos. O estádio andava bem capenga, boa parte das arquibancadas de madeira, com um ar retro remetendo aos bons e velhos tempos. A situação do clube era crítica e boa parte por conta da tentativa de reconstrução do estádio. Não vou contar tudo aqui porque é uma história longa. Basta dizer que o clube quebrou, perdeu o estádio para os “especuladores imobiliários”, um presidente conseguiu fazer uma mágica de pegá-lo de volta, mas no final teve que entregar o clube ao russo, que hoje é dono do clube, mas não do estádio, que é de uma entidade sem lucro e donos.

Eu adorava ir lá uma vez por ano assistir um jogo e passar pela lojinha mais xuxurrenta que tive oportunidade de entrar e comprar uma camiseta azul. A foto abaixo dá ideia da loja – uns 30 metros atrás da fileira das casas geminadas, após um terreno baldio, se erguia o enorme estádio, quase todo de madeira, uma coisa de louco de se imaginar no meio da cidade. Depois do aumento do estádio ainda voltei lá uma vez, achei horrível, o que não era realmente, mas depois que o russo comprou o time nunca mais voltei. Mas se me perguntar para qual time torço na Inglaterra ainda penso duas vezes.

Apesar de não ser corintiano, como anunciei logo de cara, bastou um ataque do Chelsea na direção do herói Cassio, mais uma improbabilidade na história, para meu coração saber que hoje a minha torcida era incontestavelmente corintiana. Mais do que isso, brasileira.

Analisando a vitória alvinegra fiquei feliz em constatar que a vitória foi conseguida na melhor tradição corintiana, de muita luta, garra e disposição, nem tanta firula e sobras de talento, e, principalmente, sob o olhar e a torcida do “bando de loucos” que foi ao outro lado do mundo conferir uma oportunidade única, pelo menos até hoje.

Gosto de pensar que boa parte do sucesso dessa empreitada se deve ao gaúcho Tite, que soube acomodar a sofisticação de seu ensinar ao feitio do time paulistano. Soube prepará-lo para bater um time que custou mais de 20 vezes que o dele. Mas o tamanho do coração do adversário não condizia com o tamanho dos salários – e isso não tem preço. De certa forma, aquilo ainda é um bando de mercenários jogando pelo maior salário, pago por um cara que tem, para dizer por baixo, um passado nebuloso. Tite soube equacionar o necessário; da conhecida pressão corintiana que já acabou com tantos de seus sonhos, passando pelo amarrado desenho tático que o time vem mostrando há tempos, e culminando pela motivação do tamanho sob medida para o Corinthians e sua torcida.

Para mim hoje Tite é o melhor técnico do Brasil – e sou contra esse tipo de categorização. Mas sabe ser elegante, de mais de uma maneira, e de muitas a mais do que o Luxemburgo tenta ser com seus bem cortados ternos. Melhor motivador do que o fanfarrão Felipão, que boa parte do tempo é óbvio e mais grosso do que deveria. E mostrou ao Murici que não pode deixar um time sob sua tutela entrar em campo levantando a asinha para o adversário se acomodar como o Santos fez na ultima final do mundial, contra o Barcelona, um dia que deu raiva de torcer para um time que se curvou antes mesmo da batalha começar. Se o Chelsea não é o Barcelona, o Corinthians é um time que foi ao Japão com um único resultado em seus planos e convenceu mais de 20 mil a compartilharem, in loco, desse sonho. Como é que eu ia torcer pros caras de azul? Never!

A lojinha do Chelsea.

Uma das lojonas do Coringão.


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 História, Minhas aventuras | 12:04

Referências

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O tempo passa e as referencias mudam. Leio que o pai da Norah Jones morreu ontem em San Diego. Para o pessoal de minha geração a notícia leria que Ravi Shankar morreu aos 92 anos. Para quem não conhece nem um nem outro sugiro um pouco mais de educação musical. No caso de Norah, cantora com nove Grammys em um gostoso estilo fusion de jazz, pop e country com uma interessante incursão como atriz no filme Blueberry Nights.

No caso de Ravi Shankar é preciso gostar de música hindu e ter um pézinho nos anos sessenta. Curtir os Beatles é um must, já que foi ele que inspirou e ensinou George Harrison tocar a cítara, ouvida em músicas dos FabFour como Norwegian Wood e Within and without you entre outras.

Tinha uma época que eu adorava colocar seus discos, isso antes dos CDs, deitar e me perder na viagem sideral proporcionada pelo casamento das intricadas harmonias e melodias da cítara com os sons hipnotizantes da tambura e o alucinante batuque da tabla. Hoje que tenho disponível os CDs e os magníficos estéreos não o ouço tanto e quando ouço é de música de fundo – preciso rever urgentemente alguns de meus hábitos atuais.

Lembro que no meio dos anos 70 Shankar esteve em São Paulo e tocou no Teatro Municipal. Carreguei o Felipe Tavares, o mesmo que na semana passada organizou o evento Federer, para o Municipal, onde sentamos na primeira fileira das poltronas vermelhas. Foi uma experiência.

A música de Ravi influenciou mais do que suas filhas. Dos Beatles a John Coltrane, que deu a seu filho o nome do mestre hindu, o que, considerando as influencias e a influencia de Coltrane não é pouco.

O estilo Norah não foi influenciado nem de longe pelo pai, com quem, leio, tinha uma relação distante e tumultuada, apesar de que a genética ajudou. Ravi tem uma segunda filha música, Anoushka, que toca o mesmo dificílimo instrumento do pai e hoje é concertista internacional.

Tenho no meu ipod tanto o pai como a filha. Já sei o que vou fazer nas próximas tórridas noites em que preciso deixar as janelas abertas para que um pouco de brisa me permita parar de transpirar, acalmar o corpo e relaxar a mente. Vou colocar uma raga e checar a quanto anda minha sensibilidade musical.

Shankar no famoso Festival de Monterey de 1967

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012 História, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 11:53

Memórias de um privilégio

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Tivemos outros grandes eventos de tênis em São Paulo que, infelizmente, se dispersaram na memória e na história, sempre mal mantida de nosso esporte. Nos anos setenta, o mesmo Ibirapuera foi invadido pelo circuito WCT que arregimentava a nata do tênis clássico de então, bancado por um milionário texano. O evento, oficial, não uma exibição, trouxe a São Paulo nomes como Rod Laver, Roy Emerson, Arthur Ashe, Bjorn Borg e muitos outros.

Já nos anos oitenta, novamente no Ibira, tivemos uma super exibição/competição com nomes como Ivan Lendl, Jan Kodes, Ilie Nastase, Gene Mayer entre outros, e os brasileiros Kock e Kirmayr jogando um evento que reuniu na final Lendl e Nastase, dois megas campeões. Através dos tempos, torneios como o Grand Smash Cup, um outro com a presença de Maria Esther Bueno, exibições com Gustavo Kuerten, apesar de lotar o mesmo inevitável local não tiveram o mesmo impacto.

Nada disso se compara com esta semana de Roger Federer. São outros tempos, o tênis está nas TVs e na internet, e os grandes ídolos atuais não são só de tenistas, mas da enorme legião de sofasistas. O cara conseguiu ofuscar a presença de Maria Sharapova, Serena Williams, Azarenka e Tsonga. É muito brilho. Lógico que as cartas foram dadas para o jogo ser assim. Mas o suíço fez sua parte, e muito bem, atuando como uma verdadeira mega estrela, esbanjando carisma, qualidade primordial para quem quer brilhar nos dias de TV e internet, disponibilizando simpatia para um povo que enxerga nisso uma inquestionável qualidade. Porém, mais importante, na hora da onça beber água matou a cobra e mostrou o pau. Ou seja, o que ele fez na quadra do Ibirapuera nunca mais será esquecido, nem repetido.

O meu massagista, que nunca jogou nem acompanha, assistiu um pouco pela TV, como muitos o fizeram em um domingão que só assiste o Faustão quem não tem mais nada para fazer na vida. Sabe o que mais o impressionou? “O cara faz aquilo parecer muito fácil enquanto o outro se matava em quadra”. Essa a mística de Roger – ele faz esse dificílimo esporte parecer fácil. Tanto na parte técnica, no executar dos golpes, plásticos e virtuosos, como no aspecto físico, fazendo com que oponentes pareçam transformers se movimentando pela quadra, enquanto ele lembra um Nureiev dançando no espaço.

Eu venho batendo há tempos na tecla que temos que aproveitar Federer enquanto está por aí, jogando seu melhor tênis. Felizmente foi o que aconteceu. Imaginou se o cara só aparece por aqui capengando, sem fôlego, errando tudo, total fim de carreira?

Federer apareceu por aqui jogando muito e mais um pouco. E aí mostrou mais uma vez seu enorme talento. Como outros, e outras, está no meio das férias, dias antes postou uma foto sua enterrado nas areias de uma praia, fora de ritmo e, consequenteente, sem a mesma força. Você notou? É só lembrar das dificuldades que Serena e Azarenka mostraram em quadra em um joguinho de dar dó. Federer parecia um cavalo árabe nas pontas dos cascos.

Pior, ou melhor, ainda, se deu ao luxo de mesclar o bom de uma exibição com o bom da competição. Não fez corpo mole, pois sabe que todos perceberiam. Se jogou mal em algum momento foi no início do 3º set com Bellucci – e aí deixo em aberto sobre a magnanimidade do rapaz. Mas jogou com um desprendimento que, infelizmente, as competições não permitem, o que fez com se atrevesse a coisas em situações de jogo que simplesmente não se faz. E um Federer desprendido e ao mesmo tempo com vontade de impressionar é algo que os deuses só permitem em ocasiões raras. Sim fomos privilegiadíssimos nesse sentido – duvido que se viu, ou se virá, Roger nas mesmas circunstâncias e com o mesmo resultado.

Todos que assistiram – in loco muito melhor – terão momentos inesquecíveis para contar a seus netinhos. Alguns serão unanimes. Vários inundam minha memória. A minha já elegeu a sua e para isso terei que descartar uma passada de direita na corrida contra Tsonga que abalou as estruturas do estádio e fez o Mestre flexeonar os músculos como Hulk.

Fico com Tsonga sacando, e não é qualquer sacador, e Roger aproveitando três segundos saques, no lado da vantagem, para fugir para o corredor, se arremessar no ar como se tivesse molas nos pés, indo em duas ocasiões para uma direita na diagonal e outra na paralela, com toda a velocidade permitida para uma bolinha de tênis, utilizando a munheca como se fosse uma catapulta romana, se arremessando sobre o golpe com um desprendimento que liberou em nós os nossos medos de errar, inspirando o mais cru dos pangas, e nos fazendo sonhar que tudo é possível, esta a verdadeira missão do artista. Só espero que Deus seja magnânimo e nunca apague da minha memória todas essas imagens pelas quais esperei uma vida de tenista. E se alguém encontrar as imagens acima na internet que seja generoso e divida conosco.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 Tênis Masculino | 19:43

No shopping

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Minha mulher me telefona no meio de uma reunião, logo ela que é muito mais ocupada do que eu. “Não posso falar agora”, respondo. “É só uma fofoca”, diz ele, na maior chantagem. “Ligo daqui a pouco”, encerro me mordendo.

Logo depois a saudade fala mais alto e retorno. “Oiiii”, charmeio. Ela diz que não é nada demais. Aproveitou o almoço e foi almoçar no Shopping Iguatemi com as irmãs/sócias. Na hora que ligou estava na fila do caixa da loja Track and Fields esperando para pagar e a mulher da frente não terminava o assunto.

Já estava pensando e jogar um “veja bem” quando de fato percebeu o tamanho da criatura. Com um pouco mais de atenção descobriu que era a Serena se entendendo com o rapaz do caixa, que gastava eu inglês. E a fila parada. E o cara querendo esticar o assunto com a moça. A americana, acompanhada de duas amigas americanas, e dois seguranças que não entaram na loja, já segurava uma sacola de cheia de bikinis, que ela confessou ser um must no seu guarda roupas – e o cara jogando a conversa.

Minha mulher não tem aquele instinto jornalistico e por isso não tirou o iphone da bolsa e documentou o fato. Até porque uma amiga nos contou indignada, após o ultimo US Open, que encontrou o Federer e a mulher em uma loja em New York, pediu uma foto, só para levar um “NÃO” e ainda teve que ouvir uma vendedora tentando passar lição de moral que o Federer estava em “momento privado” – em uma loja de bolsas femininas!?

Fez bem a minha mulher, que vai estrear seu bikini no fim de semana se continuar esse sol que está torrando a cidade. A Serena deve estrear o dela na piscina do hotel ou só na Austrália, porque no EUA tá um frio de rachar – mesmo na Flórida.

Sai da reunião, vim para casa e liguei de volta para a minha “fonte”. “Tambem tenho uma fofoca”. “Passei na frente do shopping, não encontrei a Serena, nem as amigas, mas vi a Shasha tentando pegar um taxi. Ofereci uma carona e conversa vai, raquete vem, trouxe ela para casa”. Acho que ela pegou o clima da história; falou que se chegar em casa e tiver uma loira mais alta do que ela por aqui os dois vão apanhar.   A Shasha disse que topa…

Serena, fã dos bikinis brasileiros.

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