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segunda-feira, 5 de novembro de 2012 Tênis Masculino | 13:12

David e Golias

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eu adoro quando os big dogs não estão na final ou não vencem o torneio. Toda mudança é bem vinda. Mais importante, é um possível sinal de que um novo tenista pode estar colocando suas manguinhas de fora.

O Torneio de Paris foi uma dose dupla de alegrias. Não só tivemos um tenista como David Ferrer vencendo seu primeiro Masters Series o que, pensando bem, é uma surpresa das grandes, como fomos oficialmente apresentados a Jerzy Janowicz, um tenista polonês para lá de interessante.

Ferrer bateu na trave inúmeras vezes. Ser contemporâneo dos Fab4 tem seu preço. O espanhol é um dos tenistas mais encardidos que colocou seus pés em uma quadra de tênis, mas tem suas limitações – não tem uma arma para varrer o adversário da quadra. Ele ganha todos os jogos que deve ganhar nunca oferecendo milho pra bode. Mas tem suas dificuldades com os tenistas claramente superiores. Seu recorde com Federer, Nadal, Djoko e Murray é frustrante. E para vencer um Masters Series tem que, normalmente, passar por dois deles, sem contar outros cachorrões soltos na chave. Como em Paris dois deles desistiram antes da primeira raquetada e dois foram eliminados surpreendentemente por outros adversários, Ferrer viu aí a sua oportunidade de ouro. Não se fez de rogado. Brigou como um danado para vencer o 1º set e colocar o grilo na cabeça do adversário que disputava sua primeira final. Funcionou.

Mas a Cinderela parisiense foi o polonês. Esse cara tem tudo para ser um grande jogador. Bem, quase tudo. Com aquele cabelinho ensebado não vai rolar, vai ter que pedir uns toques para o Mestre.

Para se ter uma ideia mais clara do talento do polaco é só compará-lo com John Isner ou, e aí é sacanagem, com o Karlovic. Os três têm mais de 2m de altura – o polaco, dizem, tem 2.03m. Mas os golpes do rapaz estão em outra categoria. O saque ainda não é tão bom quanto será, mas mais limpo, clássico, já é um estrago dos grandes. Tem uma ótima direita, uma esquerda que ele sabe mexer a bola, e ninguém faz ali uma festa como com os outros dois gigantes, apesar de não ser agressiva como poderia. Os voleios são precisos e delicados, especialmente os cruzados curtos, um golpe matador. Sem mencionar as curtinhas, atrevidas, surpreendentes e precisas. E, ao contrário da maioria, quase sempre cruzadas. Quando ele começa a distribuir seu arsenal sem medo de ser feliz é extremamente perigoso, não importa quem esteja do outro lado – perguntem ao Murray.

É uma pena que o polaco tenha explodido na ultima semana da temporada regular. Sua confiança foi à estratosfera esta semana; o quanto dela ficará em seu emocional até o início de janeiro é uma questão que só o Aberto da Austrália responderá. Ou se aparecer para jogar o Masters dos Challengers no Ibirapuera para o qual está classificado.

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