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Arquivo de outubro, 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:59

Mais um dia de Federer

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Nada como todos tirarem proveito de uma coisa boa e que é boa para todos. Foi pensando assim que a Koch Tavares, responsável pela organização do Gillete Federer Tour, que acontece a partir de 6 de dezembro, decidiu apertar mais um pouco esse limão e aumentar a limonada.

Após vender todos os ingressos em tranches, e em minutos cada um deles, como não dá para expandir o Ibirapuera, pegaram no telefone e foram à luta. Conversaram aqui, convenceram ali e conseguiram acrescentar um dia a mais no evento. O que era de quinta a sábado agora será de quinta a domingo. Por isso, preparem suas carteiras, se for de fora de São Paulo liguem para a agencia de turismo e aproveitem a fim de semana na maior cidade do país. Bom tênis, ótimos restaurantes e muitos outros programas não faltarão.

Para o domingão os organizadores escalaram Thomaz Bellucci para enfrentar o espanhol Tommy Robredo como apetizer e como prato principal Roger Federer enfrentando o operário David Ferrer – é mané, Ferrer no Ibira também. Quero ver como o encardido vai encarar uma exibição – será que sabe jogar a brinca?

Abaixo a programação atual do evento. Sim, porque todos rezamos para que nenhum deles enfrente algum tipo de problema para vir à nossa festa. Os novos ingressos serão colocados a venda nos próximos dias. Já vi muito cara grande choramingando que não tinha comprado ingresso. Agora têm mais uma chance.

Data: 6 a 9 de Dezembro

Local: Ginásio do Ibirapuera, São Paulo
Piso: Indoor Hard (quadra rápida coberta)

Programação:

6 de dezembro-Quinta-Feira
19h30 Bob/Mike Bryan vs Bruno Soares/Marcelo Melo
Não antes das 21h30 Roger Federer vs Thomaz Bellucci

7 de dezembro-Sexta-Feira
19h30 Maria Sharapova vs Caroline Wozniacki
Não antes das 21h30 Thomaz Bellucci vs Jo-Wilfried Tsonga

8 de Dezembro-Sábado
19h Serena Williams vs Victoria Azarenka
Não antes das 21h Roger Federer vs Jo-Wilfried Tsonga

9 de Dezembro-Domingão
16h Thomaz Bellucci vs Tommy Robredo
Não antes das 18h Roger Federer vs David Ferrer

Ferrer – “o que, a brinca!??!”

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terça-feira, 30 de outubro de 2012 Tênis Masculino | 23:29

LA to Bogotá

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Depois de perder o Torneio de Memphis para o Rio de Janeiro, os americanos devem levar mais uma fubecada nos próximos dias. Há um forte rumor que o Torneio de Los Angeles, que pertence à família do falecido Jack Kramer, o homem que iniciou o tênis profissional como hoje existe, deve sair da Califórnia e ir para a Colômbia – mais um evento na América do Sul. Mais notícias em breve…

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Tênis Masculino | 13:59

Papelão

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Essa derrota do Fernando Verdasco é uma das piores facetas do tênis profissional e uma das piores coisas que um tenista pode fazer em quadra. Visivelmente sem condições de jogo, por razões ainda desconhecidas e que nada importam, o espanhol foi derrotado 6/1 1/1, quando, finalmente, Verdasco saiu da quadra. Nos primeiros cinco games o espanhol fez um único ponto!

Sem condições de jogo o tenista não deve entrar em quadra, já que é um profissional com a obrigação de apresentar o seu melhor e lutar pela vitória. Existem regras claras sobre isso no regulamento do circuito d ATP.

No entanto, entrou em quadra, ofendeu o público, que pagou para entrar, o adversário, o esporte e os colegas de trabalho. Vale lembrar que, por ser 1ª rodada, se o espanhol tivesse um pouco de vergonha na cara, pedia para não jogar, fazia o exame médico ou mental, sei lá, e deixava um lucky loser – um tenista que perdeu na ultima rodada do qualy e que fica como um otário nos vestiários esperando que alguém na situação do espanhol se escuse e abra alas para alguém com disposição e condições de se apresentar em mega torneio profissional.

Não vejo como isso poderia fazer uma diferença, para um cara que já ganhou milhões no esporte, mas para perder na 1ª rodada o tenista leva quase 9 mil Euros, mais hotel e alimentação. Talvez não faça muita diferença para ele, mas para quem ficou de fora pode fazer. No caso, suspeito que o alemão Benjamin Becker.

Só quero ver se algo será feito pela ATP – duvido, porque eles geralmente têm receio de aplicar as regras em algo “subjetivo” e levar uma tamancada do atleta. A ver…

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domingo, 28 de outubro de 2012 Olimpíadas, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 20:33

Basiléia, Istambul e Valencia

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Ninguém gosta de perder. Muito menos jogando em casa. Minha mulher fica com vontade de largar a raquete. Roger Federer desiste de ir a Paris. Minha mulher fica louca da vida com as japas baloneiras. Federer detesta encontrar pela frente alguém que dê mais pancada na bola do que ele. Ela começou a competir faz pouco e ainda tem que aprender a lidar com as viadas que fazem das quadras de tênis uma filial de Cabo Canaveral. O suíço deveria lembrar que o argentino não tem nenhuma consideração e adooora alguém que fique lhe dando pancadas à altura da cintura. Aliás, o hermano estava tão com vontade de machucar que quase acaba com a felicidade da Mirka – veja o vídeo abaixo.

A final entre Federer e Del Potro na Basiléia foi tudo o que o publico queria. Em termos de emoção, porque o resultado esperado, lógico, não era a vitória argentina. Mas uma partida decidida no TB da negra, após um TB no 2º, quando Federer escapou de perder em dois sets, teve um tênis de primeiríssima em um estádio que se não é novo, garanto que é de primeiríssima qualidade – padrão suíço.

Logo após a derrota, Federer, que é presidente da ATP, declarou que não jogaria o Masters 1000 de Paris, mesmo sabendo que a decisão vai lhe custar a liderança do ranking no fim da temporada para el djoko. “É a única alternativa para mim!”, alegando que quer preservar o físico para as finais de Londres, e também suas apresentações na América do Sul! Os franceses devem ter adorado a notícia.

Não tem contusão, nem nada que o impeça – simplesmente magoou. Roger já tem 600 partidas, mais de 12 anos de carreira, mas em Janeiro de 2012 ainda não tinha 31 anos, o que o isentaria totalmente das responsabilidades de jogar qualquer Masters 1000 – o que vale dizer que, teoricamente, a partir do ano que vem pode até cobrar para jogar os Masters 1000.

David Ferrer mostrou, mais uma vez, que é “o casca de ferida”. É na Espanha, é na quadra dura lenta, o Nadal não vem, é meu! É a 3ª vez que o casca vence por lá. E desta vez dedicou a vitória a Ferrero, que é um dos donos do evento e encerrou a carreira por lá esta semana.

Para nós, a boa notícia foi mais uma conquista de Bruno Soares, e seu parceiro Peya, batendo na final os ibéricos Verdasco/Marrero em três sets. É o terceiro título com Peya, o seu quinto esta temporada e o seu décimo na carreira. Eue temporada, e que parceria. Essa parceria deve dificultar a possível decisão voltar a jogar com Melo, com quem emparceirou na Davis e com quem ganhou Estocolmo. Com quem ele jogara em 2013?

Maria Sharapova chama Serena Williams de minha rainha do ébano. Não vou tentar adivinhar do que a gringa chama a russa/americana. Eu sei que suas cadelinhas ela chama de Jackie e Lorelei! São oito anos que Maria não vence Serena. Oito anos e nove partidas – uma média legal. O resultado de hoje, em Istambul, na final do Masters, 6/4 6/3, foi melhor do que o ultimo, nas Olimpíadas, 6/1 6/1. Pior do que isso a russa teria que sumir do circuito ou se trocar no carro; sua vida nos vestiários ficaria impossível. Para sempre vai se perguntar: Serena deixou ela fazer um??

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012 Tênis Brasileiro, Tênis Feminino | 13:24

Um dia após o outro…

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Roger Federer derrotou Thomaz Bellucci, na sua quadra favorita, no seu torneio favorito, o qual já venceu cinco vezes, somente na bacia das almas. Por quê? Por que o brasileiro consegue fazer uma partida tão intensa e disputada com o melhor do mundo, especialmente nesse piso, que não é o seu favorito e dá umas patinadas ainda surpreendentes com alguns digníssimos cabeças-de-bagre, se comparados ao suíço e mesmo a ele?

Está certo que a final em condições semelhantes em Moscou, na semana passada, lhe deu uma confiança extra para entrar em quadra e desafiar o suíço no seu quintal e na frente de seus amigos. Mas não é só isso. E o resultado mostra. Sem a expectativa de vencer, Bellucci pode jogar o seu melhor, no seu limite, o que o resultado apertado espelha qual é. A derrota – 6/3 6/7 7/5 – espelha algo mais. Lá no fundo de sua alma Thomaz não carregava a expectativa da vitória, nem de sua parte nem do resto do mundo, algo que possibilita que se vá para certas bolas com um determinado desprendimento impossível de ser registrado. Chegar na hora da onça beber água, no terceiro set, acende uma luzinha alertando para a possibilidade de vencer tal partida, tal adversário. E quando essa luzinha acende…

Bellucci tem uma questão perene e ainda em andamento com seu emocional. A própria final em Moscou a atesta. Deixou escapar a vitória na final, na hora da onça beber água, algo que voltou a acontecer na Basiléia. A diferença é que em Moscou era contra Seppi, a quem acreditava piamente, e com razões, que poderia vencer. Na Basiléia a ficha só deve ter caído quando foi sacar no 5/6 da negra.

Thomaz completa 25 anos no final deste ano. Ainda é um tenista em formação, especialmente na área emocional, não muito distante do padrão sul americano e do que foi o padrão mundial durante décadas. O tenista chegava – chega? –  a sua maturidade lá pelos 27 anos. Lógico que existem as exceções, que só provam a regra, assim como existe também alguns poucos que, quando muito jovens, jogam surfando na inconsequência que batiza e avalia a juventude, abençoados por Perséfone, a deusa da intuição. Thomas não é um deles.

É um tenista talentoso, com um arsenal poderosíssimo, algo que os sofasistas gostam de menosprezar, porque, afinal são sofasistas e mais entendidos em torcer por alguém ou por algo, do que no jogo em si. Equilibrando esse arsenal e impedindo que seja um tenista ainda melhor está seu emocional que ainda não cozinhou por inteiro.

Thomaz ainda é um tenista em certas ocasiões e outro em ocasiões diversas. É um tenista quando tem a “obrigação” de vencer e outro quando essa “obrigação” está do outro lado da rede. Quando, e se conseguir, administrar essa questão e atingir esse equilíbrio, poderá entrar entre os 10 melhores do mundo, algo que muito almeja e que por almejar poderá conseguir.

Eu diria que se mantiver a disciplina e o trabalho, algo que acredito, pela disciplina de trabalho que mostrou até hoje, não ficar mais trocando de técnico, e assumir a difícil tarefa de encarar e modificar o perfil psicológico, imagino que chegar aos 27 será uma benção para o tenista paulista.

Thomaz esteve trabalhando com uma psicóloga que pode ajudar a encurtar o caminho. Não sei se continua, espero que sim. Mesmo que Tio Nadal não se importe muito com eles, afinal se eu treinasse o Rafa também acharia desnecessário, a não ser para curar algumas manias, que, no entanto, não lhe fazem perder jogos.

Mas é só um dia após o outro, uma partida atrás da outra, a avaliação correta e sincera de vitórias e derrotas, entre ele e seu staff, e as consequentes decisões, no caso corretas, que o levarão a dominar essa questão e atingir seu potencial e suas ambições.

Perséfon com seus narcissus, antes de ser levada para as profundezas.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012 Copa Davis, História, Tênis Masculino | 00:36

O adeus de Ferrero

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Na semifinal de Roland Garros em 2000 Gustavo Kuerten e Juan Carlos Ferrero realizaram o que foi um dos jogos de maior nível tenístico que eu tive a oportunidade de acompanhar até então – e olhem que acompanhei muitos. O jogo foi vencido por Kuerten por 7/5 4/6 2/6 6/4 6/3. Naquela partida o sonho do 2º título do brasileiro esteve seriamente ameaçado.

Os dois tinham uma paixão em comum; enfiar a mão na bola. Até então não se batia com aquela força e desprendimento. Eles já tinham dado uma prévia do que vinha pela frente na apertadíssima vitória do espanhol na final de Roma, também em 5 sets.

O brasileiro sacava mais, tinha melhor revés e mais experiência. O espanhol era mais rápido e tinha uma direita devastadora. Usava da velocidade para fugir a manter o ataque de direita – na época, a melhor do mundo. Após a partida escrevi uma coluna para o Jornal da Tarde afirmando que um novo estilo de tênis surgia com aquele jogo. O que aqueles dois apresentaram deixaram as arquibancadas abismadas, os outros tenistas estarrecidos e os técnicos coçando a cabeça, pensando como seria o tênis dali para frente. No meio da década já sabíamos.

Ferrero tinha então 20 anos e ainda perderia mais uma semifinal de Roland Garros para o brasileiro em 2001. Mas em 2003 não deixou escapar a oportunidade e venceu o seu único Grand Slam e se tornou o #1 do mundo.

Era interessante ver Ferrero jogar por conta de sua direita devastadora, em especial nesses anos quando ele estava super-confiante. O cara não tinha a menor hesitação de ir para bolas vencedoras de qualquer canto da quadra, algo muito difícil de se ver. Hoje não se vê mais isso. Fernando Gonzalez – para quem perdeu a final de Roland Garros juvenil em 1998 – foi o ultimo a fazê-lo. Os caras agora chegam nessas bolas.

Infelizmente seu bonde não percorreu uma longa estrada. Logo no ano seguinte teve problemas de contusão e perdeu na 2ª rodada de RG e terminou o ano fora dos 30 melhores. Jogou os próximos três anos bem o bastante para ser top 25, mas não mais top 10 – foi top 30 em 30 em nove anos de sua carreira. Além disso, seu tênis caducou durante a década, assim como, por exemplo, o de Lleyton Hewitt – mas isso é uma outra história. Assim mesmo, conquistou 16 torneios e liderou o time em uma das vitórias espanhola na Davis.

Dono de uma personalidade afável, não fazia parte da panelinha de Barcelona e nunca treinou por lá – mas era querido por todos os espanhóis. Construiu uma academia de muito sucesso em Valencia, ao lado de sua terra natal, Villena, onde construiu também um hotel butique, o Ferrero Hotel, de muito sucesso – são somente 15 quartos, um luxo elegante e um restaurante premiado.

Seus técnicos atravessaram sua carreira com ele, o que, no meu caderno, diz muito sobre a personalidade dos envolvidos, especialmente a do tenista. Já tinha ameaçado abandonar a carreira mais de uma vez, desde 2009, inclusive com um caso bem interessante (leia no link http://paulocleto.ig.com.br//2009/04/12/vai-entender/ ).

Desta vez, para valer, aos 32 anos e 14 de carreira profissional, escolheu como seu ultimo torneio o de Valencia, onde é um dos donos do evento junto com os técnicos. Para deixar a coisa mais intima, apesar de que ele confessa não foi exatamente como ele gostaria, perdeu na 1ª rodada para Nicolas Almagro, (está nas duplas com Ferrer) um de seus melhores amigos do circuito e a quem deve treinar a partir da próxima temporada. Eu acho que ficou de ótimo tamanho – entre amigos e simbólico, uma passagem do bastão que parece feita sob medida.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012 História, Porque o Tênis., Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:33

Et tu…?

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A minha mulher adora contar uma história quando estamos com amigos do tênis. Ela, que tem pouca quilometragem nos grandes torneios internacionais, diz que eu faço pouco proveito dos eventos que hoje acompanho. Por isso gosta de contar da nossa experiência na partida entre Nadal e Tsonga em Miami este ano.

Após Nadal vencer fácil o 1º set por 6/3 e no 2º set quebrar o saque de um apático Tsonga fazendo 3×2, eu virei para ela falei que era hora de ir embora. Era a ultima partida da noite, o estádio estava lotado e o transito seria infernal no fim do jogo. Ela aquiesceu à contra gosto – queria mais Nadal. Quando chegamos ao hotel o jogo estava no 3º set, após Nadal não conseguir fechar no 5×4, algo raro – a mulher abriu um bicão. No final, Nadal deu um jeito e bateu o francês no 3º set em um jogo que saiu do sonolento para o dramático por conta de um game mal jogado pelo espanhol – até tu, Nadal? .

Mais do que para me encher, ela usa o exemplo para divagar sobre as dificuldades de sacar para fechar o jogo, um momento mágico que ela, ainda uma 4ª classe, acha difícil de entender do porque. Já chegou a falar em não jogar mais depois de deixar escapar uma dessas oportunidades. Eu tento falar, explicar, convencê-la da universalidade da dificuldade, sem grande sucesso. Suspeito que ela, grade fã do Nadal, queria ter visto seu ídolo pisar no tomate pelo menos uma vez ao vivo – São Tomé!.

Quem joga, especialmente torneios, uma realidade bem distinta de quando é treino, onde já é difícil o bastante, conhece o sentimento que invade a mente do sacador nesses ocasiões. É uma das armadilhas mentais mais conhecidas dos tenistas, algo que ele enfrenta desde os seus tempos de infanto-juvenil. Por mais que o tempo passe, a duvida sempre dança pela cabeça do tenista nessa hora. Não importa quantos anos e títulos tenha nas suas costas.

De um lado existe a pressão por fechar o jogo, algo que faz com que o tenista se cobre o seu melhor. A arte, que às vezes o tenista parece adquirir, só para de repente perder, é encontrar o equilíbrio entre jogar em um padrão bom o bastante para levá-lo a vitória, sem invadir o limite dos erros não forçados, enquanto fica longe do outro limite, onde permite o adversário neutralizar a vantagem do saque e começar a barbarizar. Parece simples, mas não é.

Especialmente porque o espírito do adversário muda completamente nessa hora. Lógico que não me refiro àqueles tenistas sem garra, coração e autoestima. Aqueles que nessa hora abaixam a cabeça e viram menininhas, independentes de serem homens ou mulheres. A maioria, mesmo entre os amadores, entra nesse game sabendo que está contra parede e com pouco a perder. O resultado é que instintivamente assume maiores riscos. Não esqueçamos que no outro lado da quadra o adversário tem vantagem do saque – especialmente se for o primeiro – ao mesmo tempo em que está mais conservador do que o normal. Esse choque de emoções diferenciadas produz algumas surpresas e emoções.

Se os golpes do recebedor começam a entrar, enquanto os do sacador, intuitivamente, começam a encurtar, ou pior, errar, é um deus nos acuda na cabeça do sacador, enquanto o outro vai adquirindo a repentina confiança para meter a mão na bola como se não tivesse amanhã, o que, convenhamos, é bem real.

Para fechar a conta do sacador, que tem uma grande vantagem nas suas mãos, ele tem que saber utilizar a vantagem – o saque. Se conseguir colocar bons primeiros serviços em quadra facilita bastante sua tarefa. Tudo isso é facilitado se vencer o primeiro ponto desse game, que tem uma importância desmesurada para não abrir uma janela de esperança para o inimigo. Não fazer erros na primeira bola é o próximo passo. Manter a agressividade e o adversário acuado é mais do que necessário. O resto fica bastante por conta da afinação emocional nesse momento chave da partida, algo que inevitavelmente distingue o vencedor do perdedor.

E foi exatamente isso que roubou a grande chance de Thomaz Bellucci vencer seu primeiro torneio indoors em Moscou – contra o italiano Seppi, que passa pelo melhor momento de sua carreira – algo que lhe daria uma grande confiança neste fim de temporada. Dizer que amarelou, como alguns fãs insinuam e afirmam, é um pecado – até por tudo que escrevi acima. Porém, ele mesmo confessou, o que também é um crescimento d sua parte, que esteve nervoso na hora de fechar e jogou abaixo do padrão do que até então apresentara. Pior, em duas oportunidades, no 5×4 e no 6×5 do 2º set. Infelizmente vai passar uns dias revendo o videomental, se cobrando os erros de 1º saque, os erros não forçados do seu melhor golpe (o forehand) e a dupla falta que expos o seu martírio. Só espero, alias tenho certeza, que isso não lhe roubará o brilho do que conquistou durante a semana.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 História, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 00:11

Desmembramentos

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Os desmembramentos do caso Lance Armstrong ainda são difíceis de prever e talvez imaginar – inclusive no tênis. A Nike, uma das maiores empresas de material esportivo do mundo, patrocinadora de inúmeros tenistas, notificou hoje que não renovará contrato do ciclista a partir de 2013, se dizendo traída pelo atleta por uma década.

Isso quer dizer que durante uma década o Armstrong ganhou o que disputou, se injetou com o que quis e ninguém nunca provou nada, apesar das insistentes insinuações. A Nike, por exemplo,ficou ao lado do atleta até as insinuações serem provadas.

E o que isso tem a ver com o tênis? Talvez alguma coisa. O quanto não se sabe. O personagem por detrás das injeções milagrosas de Lance Armstrong é o médico espanhol Luiz Garcia del Moral. Ele era o responsável pelas transfusões sanguíneas que caracterizavam o doping do americano, que fez com que sua equipe contratasse o espanhol. Vale lembrar que esse tipo de doping (ABI) atualmente não é detectado pelos testes executados nos tenistas profissionais.

Desde julho o médico espanhol foi banido perpetuamente pela USADA – agencia americana antidoping – de todos os eventos em solo americano. Na ocasião a FIT (federação internacional de tênis) enviou um alerta a todos os tenistas “sugerindo” que era bom ficar longe do doutor mágico.

Por quê? Porque alguns tenistas, direta ou indiretamente, trabalharam ou trabalhavam com Dr. Moral que desde Julho também foi está proibido pela FIT de entrar em qualquer evento tenístico oficial. O médico tem também um passado com o tênis. Ele é baseado em Valencia, onde é o responsável médico na academia de TenisVal, onde treinam ou treinaram, entre outros, os irmãos Dinara e Marat Safin, dois tenistas que abandonaram prematuramente o circuito, David Ferrer, Igor Andreev e sua ex Maria Kirylenko e Sara Errani. No último US Open, Errani foi muito perguntada sobre seu relacionamento com Moral, quando afirmou que sua escolha foi por ele ser um médico muito conhecido em Valencia, mas afirmou que não mais trabalhará com o médico. Desconheço qualquer questionamento feito à Ferrer sobre o assunto.

Enquanto isso, Noah voltou a falar sobre o assunto, no Rio de Janeiro, quando disse que não se arrepende de nada do que falou no ano passado (leia em http://paulocleto.ig.com.br//2012/10/11/inocencia-presumida/ ). Ele acha que a situação hoje é mais drástica do que quando fez a declaração. Ele lembrou, se lamentando, que levou 10 anos para se expor Armstrong. É bom dizer que a primeira vez que Noah colocou o assunto doping na mesa ele ainda era jogador e conhecia bem os vestiários – só que na época não havia exames. O que me faz lembrar que nos anos noventa havia um espanhol que todos nos vestiários suspeitavam fortemente que se dopava pelas mãos do próprio técnico.

O tenista francês Nicolas Escude também fez as mesmas acusações enquanto estava na ativa, acrescentando a conhecida história que a ATP abafou o caso de nove tenistas pegos com nandralona no início dos anos 2000. Assim como Boris Becker fez, apontando o dedo na direção de Thomaz Muster, pelo qual levou um puxão de orelhas oficial. Bem recentemente James Blake afirmou que “no tênis alguns estão se dopando e conseguindo escapar punição”, todos transparecendo a eterna indignação de quem compete limpo, contra quem abusa. Nos anos 90 Steffi Graf, durante Roland Garros, declarou, sem ser perguntada, que suspeitava que algumas tenistas usavam substâncias proibidas.

O fundador e atual chairman da WADA Eichar Pound tem opiniões interessantes sobre o antidoping em tênis. Diz que o numero de testes no tênis em 2011 foram muito pequenos (195urinas e 21 de sangue). Eu não sei exatamente como funcionam esses testes, mas sua próxima declaração foi ainda mais interessante: “alguém que não passe em um teste em um evento como um Grand Slam não passara em um teste de QI”, deixando claro que se sabendo quando serão os testes não é difícil camuflar. Segundo ele, atletas que usam EPO podem apagar os traços em oito horas, tal como Armstrong fazia nas competições. O curioso caso de Rusedski, pego em 2003 e mais curiosamente ainda absolvido pela ATP, que junto com o checo Ulirach foram os únicos flagrados com drogas que melhoravam a performance, também é lembrado pelo dirigente como “um absurdo”.

Outro dado interessante e que, segundo as estatísticas da autoridade antidoping espanhola, somente 30 exames antidoping foram realizados por eles em tenistas em 2011. Como comparação, no tênis de mesa, esporte bem menos relevante e com bem menor premiação, foram 68 exames, mais do que o dobro.

Também segundo a USADA, ela não testou Venus Williams nenhuma vez nas temporadas 2010 e 2011. E não deixa de ser curioso o incidente com sua irmã Serena que, este ano, quando um agente da WADA chegou a sua casa para realizar exames, ela se trancou no quarto do pânico, não atendeu a porta, chamou a polícia, fez o maior auê e acabou não recebendo o enviado. Stuart Miller, responsável pelo antidoping na FIT, admite que havia um exame agendado pela agencia, que não avisa os atletas, para aquele manhã na casa de Serena, mas diz que não lhe é permitido mais informações.

O caso de repercussão mais recente no tênis não foi descoberto pelos exames e sim por uma casual revista na alfândega australiana, quando o tenista americano Wayne Odesnik foi pego com hormônio de crescimento em sua bagagem ao chegar para o Aberto da Austrália.

Que fique bem claro que desde insinuações de Noah e Blake, até as possíveis associações com o Dr. Moral, até hoje nenhum tenista importante foi flagrado no antidoping com intenção de melhorar seu desempenho. Os mais famosos, quando pegos, como Wilander, Gasquet e Hingis, tinham cocaína no corpo que não é uma droga para se vencer jogo e sim para se divertir. Algo que remete ao tênis dos tempos do onça quando, por exemplo e entre outros, Suzane Lenglen e o nosso querido Arnaldo “Anão” Moreira tomavam um gole de cognac nas viradas dos games para aquecer os motores. Korda foi pego com algo para acelerar a cura de uma contusão, assim como Canas. No entanto, exames pegaram os argentinos Chela, Puerta, este sim fez o que não devia, duas vezes, e Coria, que culpou uma empresa americana de suplementos . Por conta disso, temos que seguir acreditando que os testes funcionam, pelo menos dentro de certos limites bem extensos, e que nossos melhores tenistas são atletas íntegros e não tiram proveito do que péssimos médicos disponibilizam a maus atletas. Só espero não ser surpreendido nos próximos 10 anos.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012 O leitor escreve, Tênis Masculino | 17:28

Photoshop

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O Comentário do leitor Marcão encaixa perfeitamente como adendo ao Post anterior, além de escrito de forma interessante – leiam abaixo:

Tenho para mim que 2012 ficará marcado como o ano da consolidação de Andy Murray no circuito. Até então, sofasistas e entendidos eram unânimes em nele reconhecer um tenista talentoso, mas ainda instável emocionalmente. A vitória nos Jogos Olímpicos, ganhando em sets diretos de Roger Federer e, sobretudo, o primeiro Grand Slam sobre Djokovic, num jogo em que poucos apostariam em vitória após o sérvio levar o jogo para o quinto set, serviram para apagar o falso estigma de amarelão que alguns secadores de plantão insistiam em lhe atribuir (como se perder três finais de Slam para o maior tenista de todos os tempos fosse sintoma de frouxidão).

No entanto, é preciso adentrar pelo lirismo para melhor compreender o universo particular de Andy Murray. Não se pode perder de vista (e nesse ponto sou obsessivo) que Andy Murray é um sobrevivente. Para alguns isso pode parecer um singelo detalhe. Enganam-se. Um sobrevivente enxerga a vida com os olhos da efemeridade, da nostalgia, da transitoriedade. Para o sobrevivente cada novo dia é uma bênção, uma glória, uma dádiva. Que importa o resultado de uma partida de tênis? Para qualquer um, ganhar uma medalha de ouro olímpica seria motivo de inaudita euforia. Mas não para Andy Murray. Venceu e foi tuitar. Qualquer um que vencesse o primeiro Slam após quatro tentativas frustradas daria cambalhotas na quadra, cobriria de bitocas adversário, juiz de cadeira e o escambau, mas não Andy Murray. Venceu e as primeiras palavras que lhe vieram foram sobre o sumiço do relógio. Para Andy Murray, o resultado de um jogo de tênis, melhor se grotesco, pior se sublime, é encarado com a mesma naturalidade com que Edward Hopper imortalizava o cotidiano.

Amigos, quando houve o massacre, Andy Murray tinha apenas oito anos de idade, e traz esta idade até os dias de hoje. Tudo o que há de adulto em Andy Murray é photoshop. A definitiva verdade é que um menino de oito anos ficou congelado em suas entranhas desde aquele fatídico 13 de março de 1996.

Por isso, acredito que mesmo com a idade cronológica de vinte e cinco anos, Andy Murray ainda é um tenista em formação. Isso mesmo, Andy Murray ainda está moldando seu tênis. Sinto que há nele tanto a se explorar nos aspectos técnico, tático e mental que uma séria dúvida me sobrevem quanto ao resultado final desta transformação. Pode ser que o recente auxílio com psicólogo, o trabalho com Lendl, as recentes consagrações, acabem por desaguar num exemplar único de tenista, que seja o amálgama das qualidades positivas dos seus atuais adversários, mas pode ser também que se impinjam em Andy Murray a neura da competividade, a ambição desenfreada pela vitória, que findariam por lhe retirar o que ele tem de mais peculiar, a naturalidade com que encara o jogo, pueril brincadeira à semelhança da vida.

O que sinceramente espero é que a consolidação de Andy Murray se dê suavemente, sem que se lhe subtraiam os contornos e a essência do humano, que ele resista à tentação de tornar-se um autômato, que continue xingando e quebrando raquetes, que continue empinando pipas, que permaneça transformando as quadras de tênis em palco de experimentação. Se isso acontecer, não tenho dúvidas que teremos o privilégio de testemunhar algo de grandioso em 2013.

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Juvenis, Tênis Masculino | 00:30

O outro lado da moeda

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Toda moeda tem suas duas faces. Outro dia escrevi como Tio Nadal declarou em São Paulo que não tem o menor interesse, e crença, no trabalho de um psicólogo esportivo, pensamento até compreensível pelo pupilo que tem – parece que o cara veio ao mundo com o pacote emocional completo.

Na semana passada, Andy Murray, o tenista mais bipolar do circuito, declarou que desde o início do ano vem trabalhando com um psicólogo.

Murray já havia tentado trabalhar com um psicólogo no passado, mas o relacionamento não funcionou. Posso imaginar. Um cara complicado como o escocês deve ter ido para as seções e travado geral. Como desse jeito não funciona, desistiu.

Em janeiro, Ivan Lendl, técnico, de Murray, despejou a pergunta para cima do pupilo. “Você está aberto para tentar conversar com um psicólogo?”. Murray concordou. “É sempre bom tentar coisas novas e ver como funcionam”. “Na vez anterior, boa parte da conversa era sobre tênis – não funcionou”. “Desta vez conversamos bastante sobre minha vida longe das quadras. Há muito mais coisas acontecendo na minha vida além do tênis”.

Na época de juvenil, na Tchecoslováquia, Lendl via com frequência um psicólogo esportivo. Uma imposição da federação, que lhe pagava todas as despesas. Lembro que em uma conversa com ele, lá pelos seus 19 anos, ele explicava que cada tantas semanas ele tinha que abandonar o circuito, voltar para casa e passar por uma reciclagem com o psicólogo. Mesmo depois de sair de sob as asas da federação Lendl continuou trabalhando com psicólogos. Ou seja, foi educado nessa cultura, acredita nela, descobriu logo o pupilo que tem e sabia que algo nessa linha era necessário. Felizmente o pupilo respeita a história do coach, o que viu facilitou a decisão e lhe fez olhar o trabalho com olhos distintos, e bem mais amigáveis, do que da primeira vez.

Hoje é visível a mudança de postura do tenista em quadra. Pode não ser a melhor delas – afinal não é algo que mude da noite para o dia. Mas se as coisas continuarem a progredir como se antecipa é um caminho em uma direção que só trará benefícios ao talentoso, porém um tanto quanto tenebroso tenista, que, quiçá, aos poucos terá tudo para se tornar o #1 do mundo.

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