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sábado, 15 de setembro de 2012 Copa Davis, O Leitor no Torneio, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 23:52

O leitor in loco

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Nada como ter um representante inloco como teve este Blog com a presença, mais uma vez, em São José, do Pirata, pseudônimo de um leitor que de sofasista nada tem. Vejamos o que ele nos conta, primeiro após as partidas de simples de sexta-feira e então após a partida das duplas, no sábado, que colocou o Brasil de volta no Grupo Mundial.

Enviado em 14/09/2012 às 23:22

Galera, cheguei de um tranquilo navegar pelo primeiro dia de jogos da Davis, com aquele resumaço de costume:

Logo ao chegar, percebi que seria um dia seguro: O famigerado acesso da BR-153 estava razoavelmente tranquilo e, logo ao passar na frente do clube, vejo policiais militares detendo cambistas que atuavam na frente do clube. Foram 3 algemados.

Como é sexta-feira e este Pirata trabalha fora de Rio Preto, cheguei pouco antes da hora do jogo do Rogerinho. Nesse momento, a entrada de torcedores tanto para as arquibancadas (onde fui dessa vez), quanto para os setores VIPs era bem lenta. Organizada, mas lenta…

Sobre o local do evento, mesmo indo com o povão percebi uma organização mais cuidadosa. As acomodações nas arquibancadas eram basicamente as mesmas. Já nos outros dois setores a coisa foi bem mais estóica que no último confronto: Não houve uma área com bancos e mesinhas. Todos os assentos eram iguais e numerados.

No dia de hoje não faltou líquido, nem água, nem cerveja…

E ventou um pouco mais do que o normal principalmente durante o jogo do Rogerinho. Esse vento não influenciou o jogo em si, mas deu uma amenizada leve no calorão. Porém, tal brisa não teve só seu lado bom. A quadra 7 do Harmonia Tênis Clube está a metros de um trevo rodoviário. Como a direção do vento era da rodovia para a quadra, o cheiro de fumaça de caminhão se fez presente durante a totalidade dos dois jogos…

Para uma sexta-feira, o público foi bom. Estiveram presentes as figurinhas carimbadas do tênis da cidade, além de seres importantes pelo que fizeram pelo tênis brasileiro, como o nosso eterno gênio de Roland Garros e seu treinador (muitas vezes homenageado por nossa torcida durante esse dia, e também um militante do golfe, esporte pelo qual também sou apaixonado). Outros seres importantes pelos cargos que ocupam também compareceram. Em ano eleitoral, os políticos tambem foram. Inclusive um partido identificado pela cor de suas idéias teve alguns candidatos com camisas políticas no setor das arquibancadas.

Falando em camisa, como este é um confronto decisivo, os grandes clubes apareceram. Fluminense, Vasco, Guarani, Palmeiras e meu Santástico estiveram abundantemente representados. Bandeiras vascaínas, bugrinas, e do América de Rio Preto também estiveram em meio às camisas amarelas e bandeiras do Brasil.

Muita gente vinda de fora, principalmente de outras cidades do interior paulista, como Bauru, Batatais, Araraquara, Ribeirão Preto, Catanduva e Campinas, até a presença maciça de sul-matogrossenses de Campo Grande e Cassilândia. E, voltando a falar de bandeiras, foram exibidas orgulhosamente bandeiras de Rondônia por lá (sim, duas, no plural!) Isso prova o quanto o tênis pode ser ampliado nesse país de tão poucas quadras públicas. Espero que os políticos que estiveram em seus camarotes tenham visto essas manifestações de locais que hoje não fazem parte do Brasil tenístico….

O saibro, considerando o fato de que a quadra 7 é uma das quadras usadas para treinamento no clube, estava bem cuidado e razoavelmente lento. Havia um ponto ruim na quadra, onde o Bellucci chegou a tropeçar. Esse ponto é velho conhecido do pessoal do clube e já tive alguns dividendos sacando naquele buraco nos meus bons (ok, não tão bons assim) tempos de tênis.

Ok, chega de descrição. Vamos aos jogos:

Quem vê o Rogerinho jogar de perto tem uma impressão diferente do jogo dele: Muita gente taxa o Rogerinho como um mero lutador. Não é só isso. O saque dele tem progredido e por diversas vezes passou de 200km/h, atingindo até 213km/h. Apesar da velocidade, pode ter ficado a aparência de que o saque dele não foi tão decisivo. Isso é explicado por devoluções consistentes por parte do Andreev e pela falta de uma variedade maior de efeitos e colocações.

Existe um contraste grande entre a mecânica de seus golpes de fundo. A direita dele tem armação até abreviada e terminação bastante curta, com muito uso do punho. Isso faz com que ele tenha um bom tempo de bola (pela armação menor), mas com bolas enroscadas e não muito profundas, justamente por ele não alongar a terminação. Contra jogadores do top 100 isso costuma ser um problema. Hoje, foi a solução. Nitidamente percebi que o Andreev gosta de jogo mais pesado. As bolas anguladas, curtas e altas do Rogério exigiram que ele fizesse força pra jogar. E, pela mecânica dele, que detalharei mais adiante, isso é um tremendo fator de desgaste.

O que a direita dele tem de curta, a esquerda tem de exagerada (e por isso é um golpe lindíssimo de ver). Armação grande e alta, terminação lá na frente. Muita amplitude, plástica e profundidade de bola. Porém isso traz algumas dificuldades. Por armar demais, o Rogério tem tendência a atrasar a batida, perdendo o ponto de contato e tornando o golpe atacável por batedores mais pesados. Isso também o prejudica nas devoluções. Percebe-se que ele confia bem na esquerda, até por termos visto ele tentar algumas “voadoras” em devoluções de esquerda, mesmo tendo pouco sucesso com isso.

Certamente, com as melhoras já visíveis no saque, alguns ajustes na terminação da direita e um pouco de simplificação no backhand, é um jogador para figurar constantemente no top 100. Pernas e coração ele já tem de sobra!

O Andreev me deu dor só de ver… As empunhaduras extremas dele para sacar e bater direita destroem qualquer braço e ombro. Saca com um toss alto, não consegue gerar potência pela empunhadura que usa, mas usa bem colocações e efeitos (esses favorecidos pela pegada extrema) O trabalho de pernas dele no saque lembra o do David Nalbandian, só que se projetando de forma mais vertical. A direita dele é um enigma. Você pode soltar 10 bolas no forehand dele e vê-lo bater 10 vezes da mesma forma. Chegarão 10 bolas diferentes para você. A mecânica explica: Um movimento exclusivamente de baixo para cima, abrupto, sem loop, o que faz com que toda a batida comece pelo ombro direito, e com a empunhadura muito virada, velocidade vertical em excesso na cabeça da raquete e pouca transferência de peso para a frente. Se derem a ele uma raquete de cabeça pequena, como era a do Pete Sampras, não duvido que ele fure algumas bolas e dê madeiradas em outras tantas.
Resumindo, um golpe que tende a ser inconsistente e que vai cobrar caro de braço e ombro um dia. E mesmo com tanto defeito ele pegava a Maria Kirilenko… Oh mundo cruel!

Seu backhand de duas mãos não tem grandes problemas, a não ser uma tendência a fazê-lo de forma bem abrupta, como o forehand. Isso também tira um pouco da regularidade.

Só que essa maneira abrupta dele bater na bola o ajuda contra batedores fortes. Ele tem velocidade de braço suficiente para se adaptar a um jogo veloz e, com bolas pesadas, não precisará fazer mais força do que já faz. Seu braço rápido também o faz um devolvedor competente.

Pode ser que realmente o abandono tenha sido pelo ombro, mas isso me lembrou muito o migué que o Rafter deu na gente uma vez em Floripa para se preservar para as duplas. Como o Andreev não é o Rafter…

Sobre Bellucci e Gabashvili: Não é a primeira vez que elogio o Thomaz por algo que ele faz em quadra. Hoje não será diferente. Ele conseguiu colocar em prática um plano de jogo elaborado previamente: ele falou antes do jogo alguma coisa no sentido de que o Gabashvili pega firme na bola e seria perigoso. É verdade. E, para lidar com ele, seria necessário manter bolas profundas por todo o tempo. Foi o que ele fez.

De cara reparei que o Gabashvili gosta de jogar montando na bola. Sua mecânica de golpes é simples, limpa e eficiente, o que o permite botar a peludinha pra andar com bastante facilidade. Contra esses caras que gostam de ficar dentro da quadra socando a mão em tudo, você deve tentar o máximo possível jogá-lo para trás, com bolas altas e fundas. Isso o Bellucci faz muito bem de forehand. E foi de 3 a 4 metros atrás da linha de fundo que o russo-georgiano jogou a maior parte do jogo.

A mecânica do Thomaz já foi muito discutida e não vou falar dela aqui. De pontos negativos vi um número enorme de erros de devolução de segundo saque (principalmente no segundo set, que ele perdeu, e também mencionando que o saque do Gabashvili está bem abaixo do resto de seu jogo). Também algumas tentativas inoportunas de winners em horas que o Gabashvili estava nitidamente com o braço preso. Em alguns pontos em que o erro viria naturalmente, o Bellucci tentava um winner difícil e aliviava a barra do cara com o erro.

Podem até falar que o Thomaz errou demais nesse jogo. Mas precisa-se falar que ele foi obrigado a bater forte, fundo e com muito efeito por mais de três horas contra um cara potencialmente perigoso. A vitória prova o sucesso que ele teve em executar esse plano, e foi conseguida em um tiebreak muito bem jogado por nosso tenista número 1. Sem falar no massacre da serra elétrica que foi o terceiro set, onde o Gabashvili não teve um respiro sequer sob a artilharia pesadíssima do canhoto de Tietê.

A confiança na nossa dupla é total, mas, se confirmados Andreev e Bogomolov Jr. do lado de lá, os mineiros deverão cuidar muito bem dos seus games de saque. Os dois russos são muito bons devolvedores. Caso o improvável aconteça e percamos as duplas, o confronto vai embaçar. Bellucci terá dificuldades contra Bogomolov e as bolas mais curtas e menos pesadas do Rogerinho serão um prato cheio para o normalmente agressivo (e um tanto esquentadinho) Gabashvili.

Porém, se tudo der certo, será uma linda festa de retorno ao Grupo Mundial!

Peço desculpas pelo tamanho do texto e se eu tiver repetido algo que alguém já citou aqui. Cheguei um pouco tarde do jogo e vim direto escrever aqui.

QUE VENHAM AS DUPLAS! Até amanhã! Hora de botar o navio no estaleiro e molhar a garganta pra torcer e, espero, comemorar!

De volta de um jogo histórico para o tênis do Brasil!

Resumão:

Hoje não foi feito aquele pente-fino nos cambistas: eles trabalharam livremente, incluindo um dos algemados de ontem.

Muita gente tentou levar comida e bebida para as quadras por conta dos preços cobrados no clube (garrafinha de 300ml de água: R$3; latinha de cerveja nacional de menos de 300ml: R$5, Hot Dog: R$6). Os seguranças obviamente barraram o que puderam (alguns com uma má educação ainda maior do que a costumeira em seguranças) e também barraram a entrada de qualquer garrafa ou lata, coisa que não haviam feito ontem. Todos tinham que colocar suas bebidas em copos plásticos para entrar na quadra. No confronto anterior ocorreu exatamente a mesma proibição do primeiro para o segundo dia de confrontos. Em nenhuma das duas vezes houve qualquer aviso aos torcedores. Essa é uma falha a ser corrigida para as próximas vezes.

A torcida compareceu em número maior do que ontem, mas em nenhum momento todos os lugares estiveram ocupados. Até nas arquibancadas haviam vários espaços vagos. Talvez pela falta de emoções fortes nos jogos (e pelo preço da cerveja), a torcida esteve um pouco menos ativa do que contra a Colômbia.

Outra bola MUITO fora da organização foi quanto ao som. Em momentos onde a torcida deveria se manifestar muito, como na homenagem ao Guga antes do jogo e durante o aquecimento, o DJ do lugar metia música altíssima para abafar as vozes dos que pagaram caro para estarem lá e que tinham o direito de homenagear também seus ídolos. Isso tolheu um pouco da liberdade da torcida e diminuiu a empolgação do público, além de ter judiado daqueles que estavam perto das caixas de som. Sem contar com aquele barulho de “windows dando erro” que saiu das caixas de som durante um saque do Bogomolov, no primeiro set, e a horrível barulheira de música rebobinando que fomos obrigados a escutar durante um dos intervalos.

Outra fonte de barulho, dessa vez muito positiva, foram as buzinadas dos motoristas de caminhão que passavam no trevo atrás do clube. Certamente eles perceberam que tinha Brasil naquela arena que era completamente visível da estrada, e, na imensa maioria das vezes que buzinaram, foi em momentos onde os russos sacavam na pressão. Boas coincidências?

Falando em Guga, o carinho dele com o público que esteve em Rio Preto fala muito sobre a pessoa que ele é e o carisma sensacional que ele tem: Intermináveis sessões de autógrafos, fotos, cumprimentos, abraços e beijos, sempre com aquele sorriso de manezinho que o mundo todo ama. Teve um momento de autógrafos com o Thomaz também. Um tanto tímido, mas de muita polidez e atenção.

lém dos clubes mencionados ontem, tinha gente com camisas de Grêmio, São Paulo, Atlético Mineiro, Rio Preto e Paysandu. Das bandeiras, apareceram umas do próprio Rio Preto, do Atlético-MG, do São Paulo e, obviamente, do meu Santos

A galera de apoio da equipe brasileira chamou muito mais a torcida do que ontem. A torcida nas arquibancadas foi com eles. Nos outros setores a galera tava numa moleza…

O calorão de Rio Preto veio com força total hoje. Certamente beirou os 40 graus no início do jogo, e a secura do ar era extrema. Talvez isso também tenha abaixado um pouco a bola do povo.

Sobre o que cada jogador apresentou:

Marcelo Melo foi o melhor em quadra: começou com algumas dificuldades no saque, com o toss um pouco fora do lugar, mas depois de fechar o primeiro set, engrenou de vez sacando. Não foi seu melhor dia de devoluções, mas quando as fez, trabalhou muito bem sua chegada à rede. Foi praticamente impecável voleando, e fazendo algumas bolas que tomou no pé voltarem aos pés dos russos lá na linha de base.

Bruno Soares não sacou bem hoje, principalmente em momentos decisivos, onde seu primeiro saque teimou em não entrar. Por outro lado, as suas devoluções de saque contra o Bogomolov deixaram o russo doidão, a ponto de isolar uma bola em direção a um pontilhão próximo. Foi sólido como sempre nos voleios, apesar de ter cruzado em horas erradas e ter vendido o parceiro em algumas poucas ocasiões. Possivelmente sentiu o fato de ser o campeão em quadra numa situação decisiva. Se ele sentiu isso, não é demérito, pois só campeões podem ter contato com essa (auto)cobrança.

Bogomolov não se sentiu nada à vontade no jogo de duplas: Saca decentemente, com boa mecânica, fluência e usando muito bem as pernas, o que o dá um saque melhor do que sua estatura permite. O problema é que variou pouco e o Bruno Soares, que pegou rapidamente o timing do saque do russo-americano, fez a feira devolvendo contra ele. Voltava tudo no pé. Também não tem cacoete de voleador e não foi decisivo nas devoluções quanto se esperava que ele fosse.

Gabashvili, a surpresa na escalação, fez o que pode: Sacou melhor do que ontem, se virou na rede, tomou bolada de todos os outros jogadores da quadra (inclusive do companheiro) em um único game e botou pressão no Bruno Soares com suas devoluções cruzadas e anguladas.

Foi um típico jogo onde a dupla favorita estava tensa e a dupla azarona foi inferior: No primeiro set, um começo razoável nosso e um começo horrível deles, que pouco conseguiam devolver ou volear. Após aberta uma boa vantagem, os russos se soltaram e nós relaxamos demais. Aí o set enrolou. Na famosa e apropriadamente nomeada “hora da onça beber água”, o melhor jogo nosso prevaleceu.

O segundo set foi praticamente impecável. Melo trabalhou melhor com as devoluções, Bruno sacou com consistência e não me lembro de um erro sequer no famoso primeiro-voleio (aquele que você faz logo após sacar), tão fundamental para qualquer jogador que tenha a pretensão de jogar duplas ou sacar e volear. Isso bota uma pressão infernal em qualquer devolvedor.

O terceiro foi equilibrado pela elevação do nível dos russos e teve poucas chances de quebra para ambos os lados. Bruno e Bogomolov sairam bem de suas encrencas. O tiebreak foi muito bem jogado e tenso, até o final….

O voleio atrasado do Gabashvili encerrou um ciclo: Foi uma década de críticas, merecidas e imerecidas, de duras derrotas, mas foram 10 anos onde ninguém deixou de lutar. O Brasil voltou!

A festa foi bonita, com uma característica de festas esportivas e que é também uma marca registrada de São José do Rio Preto: a queima de fogos no final (o reveillon riopretense proporciona a maior queima de fogos de todo o interior de SP).

E, para finalizar, deixo aqui algumas declarações e questões sobre as quais devemos refletir:

Shamil Tarpischev (capitão da Davis, FedCup e dirigente maior do tênis russo): “Exatamente um ano atrás nossos jogadores se confrontaram nos playoffs em Kazan. Naquela época os russos defenderam o direito de jogar o Grupo Mundial da Copa Davis. Então agora nosso destino no torneio colocou ambas as equipes juntas novamente. Desta vez a equipe russa vai encontrar um desafio muito maior e jogaremos fora de casa nas quadras de um time forte e respeitável que está ansioso para conseguir a revanche de sua derrota no ano passado. O resultado da equipe brasileira que alcançou os playoffs do Grupo Mundial pelo segundo ano consecutivo merece respeito.”

Palavras de um campeão de Davis sobre o time brasileiro. Espero que nós, tenistas ou sofasistas que amamos o tênis, não caiamos na tentação de nos comportarmos como torcedores de futebol ou automobilismo, que vivem a cuspir no país e em seus atletas quando eles não conseguem títulos. Kazan era longe, o confronto era difícil e quase conseguimos. Só isso já era prova de valor. Hoje nos garantimos em um lugar onde temos todo o direito de estar. Se descermos de novo, encaremos essa realidade, mas nunca deixemos de valorizar esse espírito de luta que todos aqueles que atuam ou atuaram nesses anos de zonal demonstraram.

Tal espírito de luta é confirmado pelas palavras de João Zwetsch depois do confronto: “Nossos jogadores sempre vieram jogar a Copa Davis. O Guga se sacrificava para representar o país e às vezes jogava baelado, igual uma vez na Áustria. Estava falando com o Tarpischev e ele disse que o Davydenko e o Youzhny não vieram porque é muito longe, cansativo, prejudicaria o calendário deles.”

Podemos criticar técnica de um ou postura em quadra de outro, mas em termos de serem, quando perdem jogos no circuito, “uma vergonha para o Brasil”, como muito torcedor que cai de paraquedas no tênis gosta de falar, não cabe nenhuma crítica a ninguém.

E Guga Kuerten: “O local já é abençoado por uma vitória recente. Deu para sentir pela televisão o quanto as pessoas daqui abraçaram a ideia de receber a Copa Davis, de apoiar nosso time. Tudo isso acho que tem muito valor.”

Tomara que o primeiro confronto do grupo mundial seja no Brasil e, puxando a sardinha para o meu lado, acho que Rio Preto merece uma chance de sediá-lo. A cidade toda abraçou a Davis como Floripa abraçava nos tempos de Guga e semifinal de Grupo Mundial. Só que aqui foi em realidade de zonal e playoff. A comunidade tenística da cidade é grande, engajada, e tenistas bons tem saído daqui. Agora que chegou o filé, muitas cidades que não quiseram esses confrontos menores vão querer o confronto da mesma forma que Rio Preto quis o osso do zonal e a carne de pescoço do playoff.

Para mim esse ano de confrontos na cidade foi espetacular e reacendeu minha paixão bandida por esse esporte que me deu amigos e dores. Foi maravilhoso ver algo importante para o tênis acontecer numa quadra onde eu fazia drills exaustivos e era obrigado a ficar um tempão cruzando esquerdas. Valeu a pena cada ensacada que tomei naquela quadra 7…

Foi com esse espírito que vim aqui deixar tudo o que vi nesses dois confrontos. Provavelmente não vou nos jogos extras de amanhã, mas volto pro blog pra colocar uma coisinha de vez em quando!

Vamos que a noite é longa e a bebida, como para todo Pirata, não deve acabar, hehehehe!

Abraço!


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