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sexta-feira, 7 de setembro de 2012 Porque o Tênis., Tênis Masculino | 11:18

O que é isso?

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Como é sábadão e o jogo do Djoko e Delpo acabou tarde, apelo, mais uma vez, para o corporativismo blogal. Publico abaixo o comentário do Barão do Blog que, sabe-se lá porque ficou retido na censura tecnológica. Ele nos oferece sua visão sobre a 2ª quarta de final do dia que, como enteado colocou com economia cirúrgica, se referindo à correria e à pancadaria sem dó: “o que é isso???”

A partida entre ambos foi de cachorrões loucos e babando, mostrando que esse tipo de jogador – atletas entre 1.85m e 2m de altura é uma tendência que nos levará sabe-se lá a que limites dos atletas e do tênis.

Em termos de emoções preferi o confronto entre Ferrer e Tipsarevic, dois estranhos no ninho do tênis atual. Dois jogadores de pouca estatura e ótima mobilidade, pouco talento e muita determinação, raras firulas e excelente precisão técnica, algo que só se conquista com muito trabalho. Mas, acima de tudo, são dois tenistas que colocam o coração sem freios em quadra, apresentando o que há de melhor no esporte; uma integridade ímpar que nos toca, emociona e convence que assistir a entrega total de um ser humano, em qualquer atividade, é uma das maneiras mais claras de se homenagear, e enxergar, a Deus e a nós mesmos. O que eles fizeram em quadra, em partida decidida após 4h e no TB do 5o set, também me leva a repetir o enteado- o que é isso?!?

Vamos ao Barão, em justa homenagem a um dos mais antigos, participativos, equilibrado, dedicado e queridos deste Blog, após a sacanagem da tal moderação.

Muito bom o jogo de agora à noite.

No primeiro set, o sérvio se impôs com um jogo em que tudo funcionava, desde o saque até os contra-ataques. O 6×2 foi o retrato cristalino de um set de um jogador só.

A melhor parte do jogo ficou para o segundo set. Djoko caiu de produção, o serviço passou a não entrar, as batidas começaram achar a rede ou irem pra fora, Delpo entrou em jogo e abriu 2×0, 0×30, mas a partir daí o sérvio voltou para o jogo, salvou o game e começou a complicar todo serviço do argentino.

Cômico foi ouvir o Meligeni dizer que consultou as estatísticas e aí descobriu que o aproveitamento de primeiro serviço do sérvio despencou no início do segundo set. Era só ter prestado atenção ao que rolava na quadra e possuir um HD mínimo de memória, de tanto que o Nole errou o primeiro saque.

A quebra ao sacar para o set já tinha sido anunciada nos quatro games anteriores em que o Delpo serviu, quando sempre fechou com sofrimento. No 5×4, errou um voleio-smash porque demorou a ir para à rede e depois, no 30 iguais, após afundar a terceira seguida no revés do sérvio, esqueceu de subir à rede para matar o ponto numa bola que até panga sabia que iria voltar lenta e flutuando. O sérvio fez o 30×40 ali e depois, ao quebrar o serviço da Torre, praticamente decretou o final da partida. Foi mais jogador no tie e fechou em 7×6.

A quebra no início do terceiro set sepultou de vez as chances do argentino, que mesmo jogando bem não conseguia aproveitar as poucas chances que o sérvio lhe deu. O exemplo mais claro foi no 1×2, Djoko sacando em 0×30, a bola sobrou no tê para um approach básico, mas o argentino bateu reto e a bola foi na fita. Com 0×40 seriam três chances para empatar o set e devolver a quebra, porém mais uma vez, na hora de um pouco de habilidade, ficou devendo. O resultado em 3×0 ficou previsível e cada um manteve seu saque até o Djoko cacifar o set.

Alguns pontos importantes do jogo:

– Pra quem gosta de pancadaria, foi muito bom, sendo que o segundo set foi sensacional mesmo para quem não gosta só de pancadaria;

– Djoko usou e abusou da estratégia de mexer o argentino para lá e para cá, usando sua incrível facilidade em mudar a direção da peluda. Nem precisou deslocar tanto o argentino, mas o que fez ao longo da maior parte do jogo já era o suficiente;

– Delpo saca mais forte, mas Nole saca bem melhor que ele. O argentino varia pouco e é muito previsível, o que é complicado contra alguém que devolve serviços tão bem quanto o sérvio. Já este varia mais, é menos previsível e consegue ser menos dependente de conseguir constantemente saque mais potentes;

– Uma das principais chaves do jogo foi a famosa esquerda paralela do sérvio, aproveitando o corredor livre que surge quando se desloca seu adversário para a esquerda. Fez a festa com essa bola, assim como se complicou nos poucos pontos em que ela não funcionou;

– Os voleios que eles acertaram eram meio básicos, bolas na linha da cintura, coisa que jogadores do nível deles tem quase obrigação de acertar na maioria das vezes. Contudo, nas horas em que se precisou usar de alguma variação de peso, slices baixos ou um pouco mais de mão, os dois ficaram devendo bastante, chegando a fazer alguns lances bizarros. Mas em pelo menos dois lances o argentino fez bolas a la Federer;

– Um cara que tem a patada que o argentino possui precisa subir à rede para matar ou abreviar pontos, mas parece que ele tem uma âncora prendendo seu pé no fundo da quadra. Num jogo onde ele era visivelmente inferior na troca longa de bolas, tinha que buscar alguma alternativa como contrapés ou subidas à rede quando conseguia forçar o sérvio a uma rebatida menos qualificada. Nas poucas vezes que não usou a tática de bolas alternadas direita-esquerda, conseguiu desequilibrar o sérvio e fazer alguns bons pontos;

Djoko mostrou nesse jogo muito daquele jogador de 2011, principalmente no que se refere ao fisicismo. Sua capacidade de chegar bem nas bolas e contra-atacar de forma mortal é espantosa, mas muito disso se deve ao tipo de bola que recebe de jogadores como o argentino, que vem a 150 e aí volta a 300. Seja como for, o que ele faz nessas bolas é digno de Hall da Fama!

Não é o tipo de jogador que você vai ganhar na pancada, tem que se quebrar seu ritmo com variações de batidas e pesos. A questão é que pouca gente no circuito tem cacife para tal e numa quadra dura, com piso regular, rápida pero no mucho como parece ser essa do US, vão precisar jogar muito tênis para derrotá-lo. Dos sobreviventes, creio que só o Murray tem condições de fazer isso.

Quanto ao Delpo, bom jogador e que não desistiu nunca, fica claro que não tem jogo para enfrentar os bulldogs atualmente. Faltam opções no cardápio quando o nível do jogo dos tops aumenta e aí fica na dependência de uma jornada extraordinária, o que é difícil de acontecer em melhor de 5 sets e, mais ainda, a partir das quartas de final.

Agora é esperar sábado para ver o que rola nas semis. Aposta em Murray e Djoko na final, mas se tiver zebra, só se for o tcheco. Ferrer provavelmente vai jogar como nunca e perder como sempre para o sérvio.


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